terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret

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Aqui está um belo filme que homenageia o cinema e entretém ao mesmo tempo. Com A Invenção de Hugo Cabret, Martin Scorsese mostra seu amor pelos filmes e o que o trouxe até aqui. Certa vez, alguém comentou que o trabalho de Georges Méliès em nada tinha a ver com os filmes produzidos hoje em dia. Na época, fiquei sem palavras para descrever o quanto havia odiado tal comentário. Se esta conversa tivesse acontecido hoje, diria apenas “Assista Hugo”.

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É inegável a influência que o cinema mudo possui, desde as obras de arte criadas por Méliès e do expressionismo de Murnau e Lang , até as comédias de Buster Keaton e Charlie Chaplin. Com seu novo filme, Scorsese instiga cinéfilos a irem em busca das origens do cinema e a não menosprezarem aqueles que foram os responsáveis por toda sua magia.

O filme é belíssimo visualmente e mereceu os cinco Oscars técnicos que ganhou (Efeitos Visuais, Fotografia, Direção de Arte, Edição Som e Mixagem de Som). Afinal, não poderíamos esperar menos de um filme que fala sobre Georges Méliès. Mas fica claro porque não ganhou os prêmios principais da noite (que foram todos entregues para O Artista). Hugo está longe de enquadrar entre os melhores filmes do diretor e poderia se focar muito mais no cinema do início do século XX, e poderia terminar logo após a homenagem a Méliès. Além disso, me incomodou bastante ver um filme que se passa na França, berço do cinema, e todos os personagens terem sotaque inglês.

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Ao terminar de ver Hugo, não sai pensando em como Martin Scorsese é um bom diretor. Não, para isso tenho Taxi Driver (1976), Os Infiltrados (2006) e A Ilha do Medo (2010). Sai do cinema querendo rever os filmes de Georges Méliès. Scorsese é um ótimo diretor, mas Méliès era o verdadeiro gênio.

Hugo (2011)
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: John Logan
Elenco: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Sacha Baron Cohen, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Christopher Lee, Helen McCrory, Michael Stuhlbarg, Jude Law

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Feliz Aniversário, Judas!

Judas

Hoje o Judas Dançarino está comemorando sete anos de existência. O blog começou em 2005, no Spaces. Em 2006 ele migrou para o Blogspirit, até este começar a ser pago e 2007 foi o ano do Blig. Todas essas plataformas eram muito ruins e por isso o Judas pegou suas moedas de ouro e veio aqui para o Blogspot, onde planeja ficar até ser expulso.

Quem me apresentou para o fenomenal mundo dos blogs foi o meu querido amigo André Bozzetti, que ficou indignado com o fato de eu ter um fotolog do Terra. O primeiro post do blog foi sobre o livro O Diário de Anne Frank:

Estou lendo o livro "O Diário de Anne Frank". É a história real de uma garota de 15 anos, judia, na Segunda Guerra Mundial. Eu ganhei de uma amiga da minha mãe, quando nós fomos para Curitiba, nas férias. Fiquei com pena dela (da Anne, não da amiga da minha mãe), mas ao mesmo tempo me identifiquei muito. Não com o sofrimento, é claro. Graças a Deus eu nunca tive que passar por isso. Me identifiquei com a sua personalidade.

Sério, Paloma? Você se identificou com uma menina de treze anos presa em um armário durante toda a Segunda Guerra Mundial e que morreu em um campo de concentração? Sério? Mesmo?

Dick Van Dike

Com o tempo, o Judas foi ganhando uma identidade e aos poucos se tornou um blog de críticas, algumas boas outras nem tanto. Em 2009 fiz a primeira reformulação do Judas. Mudei o estilo de layout, transferi todos os textos antigos para um outro blog, apaguei os endereços anteriores e deixei tudo mais ou menos arrumado. E agora chegou o momento de realmente mudar a cara do Judas Dançarino e deixar ele menos bagunçado e mais ajeitado.

Comecei encomendando um desenho, já que não tenho talento para isso. Depois comecei a criar as páginas de listas, tentando me conter para não colocar mais cinco títulos por dia. Também dei início a uma maratona de filmes, em uma tentativa praticamente frustrada de ver todos os filmes que tenho no meu computador (a cada filme que assistia, baixava mais quatro).

O Judas já faz parte da minha vida há muitos anos e foi essencial para que minha escrita melhorasse. Realmente acredito que um dia ele se tornará famoso e a sua popularidade tem crescido cada vez mais. Agradeço a todos que comentam regularmente aqui e a todos que leem, mas são tímidos de mais para dar as caras. Espero que o Judas continue firme e forte por muitos e muitos anos.

Riso

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Agora sou…

…oficialmente desempregada uma jornalista.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Sacrifício

Atenção: Contém spoilers (tanto do original quanto do remake)

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A capacidade de escolher filmes do Nicolas Cage sempre me surpreende. A impressão que eu tenho é que ele tenta fazer o máximo de filmes possíveis, se importando apenas com dinheiro continuar trabalhando. O ator tira sarro de si mesmo e não há dúvidas de que ele realmente se diverte com o que faz, acho bastante admirável isso. Mas gostar de Nicolas Cage não vai me fazer gostar ou respeitar O Sacrifício. Normalmente gosto dos filmes bizarros dele porque eles sempre me fazem rir, mas um remake de O Homem de Palha (1973) me deixa profundamente triste. O filme nem é tão ruim quanto os filmes anteriores de Cage, como O Aprendiz de Feiticeiro e Caça as Bruxas, mas não chega aos pés do primeiro.

No original, o policial Howie (Edward Woodward) viaja até uma pequena ilha para investigar o desaparecimento de uma menina do povoado local. Os habitantes parecem não querer colaborar com ele e aos poucos o policial vai desvendando uma intrigante história, da qual ele mesmo faz parte. O personagem principal precisa lutar pela própria vida e ainda manter suas crenças cristãs, que vão de encontro com o paganismo dos moradores da ilha. Para sobreviver, ele precisa pecar.

Na nova versão o policial Edward Malus é Nicolas Cage, que está traumatizado com um acidente de carro envolvendo mãe e filha. Ele recebe uma carta de uma ex-namorada (Kate Beahan), pedindo para que ele venha até seu povoado, Summersisle, para lhe ajudar a localizar sua filha Rowan. A ilha é habitada, basicamente, por mulheres e os homens são usados apenas como mão de obra e reprodução.

O Sacrifício é cheio de cenas sem sentido, como a famosa parte das abelhas (o policial tem alergia a picada de abelhas e os moradores prendem sua cabeça em uma gaiola cheia destes insetos, sem nenhum motivo para fazer isso), e também falas de efeito declamadas por Cage, sempre sussurradas ou gritadas.

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O filme parece ser uma versão para dummies de O Homem de Palha, provavelmente a versão que os produtores da época preferiam ter feito. O filme de Robin Hardy foi completamente picotado antes do lançamento, sem a autorização de seu criador e várias cenas foram perdidas. Os distribuidores achavam que ele seria confuso demais para o público geral, que não estaria acostumado a ver um filme de horror extremamente alegre, colorido e ainda por cima um musical.

Infelizmente, o remake tira toda a magia do filme original ao tenta fazer uma versão “adulta” e sombria. A personagem Willow (Britt Ekland) de O Homem de Palha é a representação do pecado, da tentação.

Ela é a única chance do policial de sobreviver. Já no remake ela é apenas uma ex-namorada chorona de Cage. Está certo que ela tem uma importante função no plano das habitantes da ilha, mas este plano é tão mal elaborado e sem sentido que isso acaba não importando tanto. E é no plano que se encontra o principal defeito de O Sacrifício.jgg4wcoeo8nqoenw

Howie é escolhido por causa de sua fé e por ser puro. Já Edward Malus é pai da menina que desapareceu e, portanto, conecta-se por sangue com as habitantes da ilha. Fica claro que elas sacrificam os bebês do sexo masculino que nascem lá e que não têm medo de matar aqueles que atrapalham seus planos. Então por que Malus? Ele não possui motivo nenhum para ser o escolhido. Além disso, fica claro que o único motivo deste sacrifício é o fato de a colheita do ano anterior ter sido péssima, por isso precisam sacrificar algo maior. Mas Willow engravidou do policial muitos anos antes. Isso faz dele um sacrifício estepe? Teriam as moradoras da ilha uma espécie de poder psíquico? Ou teria o roteirista bebido de mais na noite anterior?

O Sacrifício é um insulto ao filme de Robin Hardy e também ao público. Nem mesmo assistir a este filme é um sacrifício plausível.

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The Wicker Man (2006)
Direção: Neil LaBute
Roteiro: Anthony Shaffer, Neil LaBute
Elenco: Nicolas Cage, Ellen Burstyn, Leelee Sobieski

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ricky

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Ricky é um filme francês sobre pessoas, seus relacionamentos, suas vidas e o que falta nelas. É um filme sobre uma mãe solteira, sua filha e como as duas convivem com fatores externos ao seu relacionamento fechado. Também é um filme sobre um bebê geneticamente modificado devido a um vazamento químico em uma fábrica e que, com apenas alguns meses de idade, desenvolveu asas.

Dirigido por François Ozon (que também dirigiu Swimming Pool e 8 Mulheres), Ricky conta a história de Katie (Alexandra Lamy), uma mãe solteira que trabalha em uma fábrica e começa a se relacionar com seu colega de trabalho, Paco (Sergi López). Os dois se apaixonam e Paco muda-se para a casa de Katie e sua filha de sete anos, Lisa (Mélusine Mayance).

A menina, que sempre ostenta um olhar triste e cabisbaixo, não gosta do novo cenário de suas vidas e a situação só piora quando Katie engravida. O bebê, Ricky, chora muito e monopoliza toda a atenção de Katie. Para piorar a situação, começam a aparecer misteriosos hematomas no menino e Katie acredita que Paco é o responsável.

A maneira como a mutação de Ricky é tratada no filme, completamente racional, se mistura com o lado sentimental dos personagens e o menino acaba se tornando uma espécie de anjo, que veio à Terra para consertar a vida daquelas pessoas. No final, o sentimento toma conta da razão e o que temos é uma bela fábula moderna sobre redenção e amor.

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Ricky (2009)
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon
Elenco: Alexandra Lamy, Sergi López, Mélusine Mayance, Arthur Peyret

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cine Guia PREVIEW

Decidi postar aqui todas as edições do Cine Guia PREVIEW das quais participei. A newsletter está dando um tempo agora, mas logo deve estar de volta. Quem quiser se informar a respeito dos cursos oferecidos pela produtora Cena UM, é só entrar no blog deles. Quem quiser ler os outros Cine Guia, clique aqui.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Eu, Você e Todos Nós

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Atenção: spoilers.

"If you really love me, let's make a vow - right here, together... Right now." É com essa frase que conhecemos Christine (Miranda July), uma artista que ganha a vida como motorista para idosos. Ela vive sozinha e tem suas obras como únicas companhias. Um dia, ao levar um de seus clientes a uma loja de departamentos, ela conhece Richard (John Hawkes). Uma afeição surge imediatamente entre os dois. Ele, por sua vez, acaba de se separar de sua esposa e está aprendendo a lidar com os filhos, Peter (Miles Thompson) e Robby (Brandon Ratcliff), com quem nunca teve muito contato.

Eu, Você e Todos Nós interliga histórias simples, mas extremamente interessantes, mostrando a vida de pessoas solitárias que vivem em uma mesma comunidade. Robby (Brandon Ratcliff) e seu irmão mais velho Peter (Miles Thompson) lidam com o divórcio dos pais de maneiras diferentes, mas sempre apoiando um ao outro. Enquanto Robby, que tem apenas 7 anos, dá início a um romance virtual, Peter se aproxima de sua vizinha Sylvie (Carlie Westerman), que sonha em um dia ter uma família e dar a seus filhos toda atenção que não recebe de seus próprios pais.

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Já Heather (Natasha Slayton) e Rebecca (Najarra Townsend), se sentem fortes quando estão juntas e decidem que irão perder a virgindade com um vizinho muito mais velho, Andrew (Brad William Henke). É como se sentissem que juntas não serão derrotadas e nada pode dar errado. A dona de uma galeria de arte (Tracy Wright), que se nega a atender Christine, vê sua própria solidão impressa nos trabalhos da artista.

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O filme, que venceu diversos festivais, é repleto de metáforas que o espectador vai descobrindo cada vez que o assiste. No início do filme conhecemos Richard e Pam (JoNell Kennedy). Os dois estão se separando e arrumam as coisas que ele irá levar para a nova casa. Desiludido com a situação, Richard decide fazer um ritual de passagem com os filhos, para que aquele momento fosse lembrado com alegria e não tristeza. Ele se lembra de seu tio, que costumava fazer um truque com fogo e decide repeti-lo. Pega um isqueiro junto com um frasco de fluido e dirige-se ao quintal. Na janela, em uma tentativa de chamar a atenção dos garotos, coloca fogo na própria mão. O truque dá errado e Richard passa o resto do filme com uma atadura. Mais tarde, Richard diz a Andrew que está pronto para que coisas incríveis aconteçam com ele.

Quando conhece Christine, Richard se sente imediatamente atraído por ela, mas quando ela retribui este sentimento, ele a repele. Christine questiona a respeito da mão de Richard, ao que ele responde que estava tentando mudar a sua vida, mas não deu certo e que só irá tirar a atadura quando a dor passar. Ele só faz isso no final do filme e quando acontece sente o vento bater em sua mão e nota que ela está mais sensível do que nunca, como se o vento batesse ali pela primeira vez. Depois disso ele liga para Christine e a convida para conhecer seus filhos. Quando ela chega, o surpreende tentando jogar fora um quadro que seu filho havia riscado. Ela vai ajudá-lo e acaba tocando na mão machucada. E ele, ao sentir o toque da mão dela, finalmente deixa que ela se aproxime.

Richard afirma que está bem com a separação e que está pronto para que coisas extraordinárias aconteçam com ele, mas as suas ações mostram exatamente o contrário. Desde a primeira cena em que Christine aparece, sabemos que ela é de fato extraordinária, que é diferente das outras mulheres e que tem uma maneira muito especial e bonita de ver o mundo. É natural que automaticamente liguemos os dois personagens. Christine é solitária e precisa de alguém que lhe de carinho e Richard precisa de alguém que mude sua vida.

O filme lida com a ideia de mudanças, sejam elas dramáticas, naturais ou necessárias. Richard teve uma mudança dramática em sua vida e agora precisa seguir em frente, não importa quanta dor ele sinta. A mão de Richard é a personificação desta dor. Podemos dizer assim: A mão seria o próprio Richard, seus sentimentos e a vida que leva. O fogo seria o seu divórcio ou a mudança. A queimadura é a tristeza que ele esconde. A atadura é a barreira que ele criou para não deixar seus sentimentos à mostra e não deixar nada novo entrar. Por fim, o vento é Christine.

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Richard viu seu relacionamento acabar sem que ele ao menos soubesse o porquê. Isso fez com que uma tristeza profunda se apoderasse dele. Esta dor fez com que ele criasse uma barreira mental para impedir mais sofrimento. Ele só poderá ficar com Christine quando esta dor passar e ele conseguir baixar as barreiras. No fim do filme, quando ela toca a mão machucada, ele sente seu toque de maneira diferente, por causa da sensibilidade. Ele a sente como jamais sentiu alguém antes. E pode assim mudar sua vida.

Eu, Você e Todos Nós é um filme sobre realização pessoal, as mudanças e o ato de aprender a conviver uns com os outros em harmonia, aceitando diferenças. Os personagens buscam por felicidade e realização pessoal, e as amizades existem como uma forma de se manter firme e o amor como um meio de se elevar e sobreviver a tudo.

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Me and You and Everyone We Know (2005)
Direção: Miranda July
Roteiro: Miranda July
Elenco: Miranda July, John Hawkes, Miles Thompson, Brandon Ratcliff, Carlie Westerman, Hector Elias, Brad William Henke, Natasha Slayton, Najarra Townsend, Tracy Wright, JoNell Kennedy, Ellen Geer, Colette Kilroy

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Marley e Eu 2 – Filhote Encrenqueiro

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Atenção: contém spoilers

Quando assisti ao primeiro Marley e Eu pensei “Hmm... Tem alguma coisa faltando...”. Por que os atores bons? Por que o roteiro bem construído? Por que essa mania de colocar cenas tristes? Por que não cães falantes? Cães voando? Cães com sotaque alemão? Por que não personagens irritantes e sem graça? Por que, eu me perguntava. Pois vejam só! Os grandes produtores fizeram questão de realizar meus desejos e lançaram direto para vídeo Marley e Eu 2 – Filhote Encrenqueiro! Uma super aventura que não só beira ao ridículo como também cospe nas memórias de Marley e seus donos, John e Jennifer Grogan.

Essa deve ser uma das continuações mais bizarras e desnecessárias que eu já assisti em toda a minha vida e eu vi Psicose 4! Marley e Eu é um filme/livro sobre amizade verdadeira, sobre como aquele cão, considerado como o “pior cão do mundo”, mudou a vida daquelas pessoas e se manteve ao lado delas em todos os momentos, bons e ruins, até o fim de sua vida. Marley e Eu 2 é sobre como o menino Bodi (Travis Turner) quer muito um cachorro. Que fala.

marley2me946Isso está me cheirando a exploração monetária…

A história começa com Marley (Grayson Russell) explicando em off que seus donos estão trabalhando e por isso ele precisa ficar na casa da irmã de John, Carol (Chelah Horsdal). O cão e o filho de Carol, Bodi, se dão muito bem e o menino decide pedir para a mãe um cachorro. Mas ela não permite e diz que ele só poderá ter um cãozinho quando tiver mais responsabilidade. O menino vai passar as férias de verão com seu avô (Donnelly Rhodes) e leva Marley junto. Lá, ele conhece Kaycee (Sydney Imbeau), que está treinando os seus cães para participarem do Ultimate Puppy Championship, um concurso canino bastante importante na cidade. Bodi decide treinar Marley (e mais dois filhotes de labrador da vizinha) para provar que é responsável.

Se este filme não fosse uma continuação idiota de um filme tão bonito, mesmo assim seria um péssimo filme. Os diálogos são cafonas, os efeitos especiais são medíocres, os atores são péssimos, as situações são implausíveis e o vilão é horrível. Uma das melhores coisas a respeito do primeiro filme é a falta de vilão e aqui temos um vilão caricato (sim, ele é alemão) que tortura cães e só pensa em dinheiro. E isso só o deixa mais idiota ainda quando o principal objetivo dele é ganhar um concurso de cães. Um maldito concurso de cães! No qual ele é o melhor de qualquer maneira!

Marley.And.Me.The.Puppy.Years.2011.DVDRip.XviD-IGUANA_screenshot_4Ok, admito que esse cachorro é muito fofo

Mas mesmo assim a pior coisa que esse filme faz é desrespeitar os originais. No primeiro, fica bem claro que Marley é “intreinável” e que ele jamais seria capaz de percorrer um concurso de obstáculos. E aqui não só ele consegue fazer isso como ele também sabe ler! Incrível, não? E ele não é nem de perto o pior cão do mundo. Um dos outros labradores, Moose (Ryan Grantham) é muito pior. Ele solta gazes quando vê gatos, não entende nenhuma ordem e faz o time perder no final. O Marley sabe ler! Como um cão que sabe ler pode ser pior do que um que peida?

Não esperava uma obra prima de Marley e Eu 2, nem mesmo esperava ver um filme divertido. Mas com certeza não esperava ver uma afronta tão gigantesca a minha inteligência, ao mundo cinematográfico, ao mundo das continuações e a Marley.

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Marley & Me: The Puppy Years (2011)
Direção: Michael Damian
Roteiro: Janeen Damian, Michael Damian
Elenco: Travis Turner, Donnelly Rhodes, Alex Zahara, Geoff Gustafson, Sydney Imbeau, Chelah Horsdal, Merrilyn Gann, Grayson Russell, Lauren Lavoie, Ryan Grantham

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Diário de Bridget Jones

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Bridget Jones (Renée Zellweger) decide dar um rumo em sua vida. Cansada de estar sempre acima do peso, de namorar os homens errados e de ter um emprego medíocre, Bridget inicia um diário. Na festa de ano novo de sua família, a mãe de Bridget a apresenta para o advogado Mark Darcy (Colin Firth), um homem sério e esnobe que trata Bridget mal, mas que secretamente se sente atraído por ela. Por outro lado, ela está apaixonada pelo charmoso chefe Daniel Cleaver (Hugh Grant), que se encaixa perfeitamente no perfil “homens errados” que ela tanto quer evitar.

Já escrevi dois textos sobre esse filme aqui no blog e acho que não tenho muito mais coisas para falar a respeito dele, mas preciso dar continuidade a minha lista de filmes favoritos. Então vamos ao número três: O Diário de Bridget Jones.

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Vi esse filme pela primeira vez quando ainda estava no colégio, aos 14 anos. Como já comentei no meu texto sobre The Rocky Horror Picture Show, eu não era exatamente o que se pode se chamar de normal ou popular. Nessa idade eu estava certa de que morreria sozinha, sem nunca ter tido um namorado. Garotas de 14 anos conseguem ser bastante dramáticas quando estão dispostas. Assisti com a minha dinda e logo na abertura eu já sabia: eu era Bridget.

No meu primeiro texto sobre o filme aqui no Judas, comentei que o que faz de Bridget uma personagem tão adorada é o fato de ela ser uma mulher normal, com qualidades e falhas. Mas não é só por isso que gosto deste filme. O Diário de Bridget Jones é uma excelente adaptação do livro de Helen Fielding e consegue capturar o espírito dos personagens. Acho que isso se dá ao fato de que a diretora Sharon Maguire e o roteirista Richard Curtis são amigos de longa data de Fielding. Eles souberam criar algo completamente novo e mesmo assim mantiveram a ideia original intacta. Deram ao livro o tratamento respeitoso que este merecia.

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As atuações são de tirar o chapéu. Apesar de Colin Firth e Hugh Grant estarem muito bem em seus papéis (foi a primeira vez que Grant interpretou um vilão e o papel de Darcy foi escrito especialmente para Firth), o ponto alto do filme é Renée Zellweger. A atriz texana ficou assustada quando a chamaram para interpretar um papel tipicamente inglês e recebeu diversas críticas dos fãs do livro antes do filme ser lançado. A atriz se mudou para Londres para se preparar para o papel, chegando a trabalhar em uma empresa lá sem ser reconhecida. Renée mergulhou tão bem no papel que Hugh Grant não sabia que ela não era inglesa.

O filme mescla momentos mais tensos ou tristes com piadas engraçadas, sem beirar para o mau gosto. Tudo é visto pelos olhos da personagem título e por isso tudo é levemente mais exagerado do que realmente seria. Mark é perfeito, Daniel é hilário, a mãe é inconsequente, e por aí vai. O Diário de Bridget Jones é um filme hilário com uma personagem principal forte e cativante, e é muito mais do que uma simples comédia romântica: é um retrato da vida moderna, da solidão e dos relacionamentos amorosos.

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Bridget Jones's Diary (2001)
Direção: Sharon Maguire
Roteiro: Helen Fielding, Andrew Davies, Richard Curtis
Elenco: Renée Zellweger, Colin Firth, Hugh Grant, Gemma Jones, Jim Broadbent, Shirley Henderson, Sally Phillips, James Callis

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