terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres

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Ano passado coloquei na minha cabeça que não iria ler ou ver nada a respeito do livro Os Homens que Não Amavam as Mulheres, porque queria lê-lo sem nenhuma (ou quase nenhuma) influência externa. Quando finalmente consegui por minhas mãos em uma edição, a devorei em menos de um mês. Confesso que acho o início do livro bastante enfadonho, toda aquela confusa discussão sobre jornalismo econômico e uma avalanche de nomes em sueco. Mas a partir do momento em que nosso personagem principal, Mikael Blomkvist, vai para a ilha da família Vanger, a história ganha um novo fôlego e é impossível desgrudar os olhos das páginas.

O livro ganhou sua primeira versão cinematográfica em 2009, com Niels Arden Oplev na direção, e Michael Nyqvist e Noomi Rapace no elenco. Todo mundo parece venerar o filme sueco, mas não consigo nem ao menos simpatizar com ele. O acho mal adaptado e confuso, o que só piora nas suas continuações A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. Quando anunciaram uma versão americana fiquei num misto de esperança e medo. Esperança de que David Fincher fizesse um bom trabalho (como sempre o faz) e medo de que fosse mais um daqueles remakes sem sentido que Hollywood ama fazer.

Depois de tanta espera, eis que estreia nos cinemas brasileiros Millennium -Os Homens que Não Amavam as Mulheres, com Daniel Craig e Rooney Mara nos papéis principais e com roteiro de Steven Zaillian. Para começar, gostaria de elogiar a destreza dos tradutores brasileiros que conseguiram manter o nome do livro e ainda assim diferenciá-lo da versão anterior. Achei que o filme viria para cá como A Garota da Tatuagem de Dragão (tradução do título americano). Mas agora, o filme.

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Millennium pega do livro tudo que é essencial para a história, modifica alguns detalhes para se fazer compreensivo e adapta com maestria o trabalho de Stieg Larsson. Pena o autor não estar vivo para ver essa obra de arte, que ganha vida própria nas mãos competentes de Fincher. Apesar de algumas modificações moralistas (no filme, o marido de Erika quase não é mencionado, a cena de estupro é bem menos violenta, assim como a cena final, etc.), o filme consegue fazer jus ao livro e acabará por atrair uma nova leva de fãs. Até mesmo a parte cansativa sobre economia é diminuída aqui, o suficiente para explicar a história, mas não para entediar o espectador.

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Todos os atores, sem exceção, estão perfeitos em seus papéis e parecem ter saído direto do papel para as telas. Daniel Craig pode não ter muitas expressões faciais (ele parece estar sempre com dor), mas mesmo assim é um excelente ator e está ótimo como o jornalista investigativo Mikael Blomkvist, que é contratado para investigar o desaparecimento da sobrinha do milionário Henrik Vanger (Christopher Plummer). Agora, quem mais se destaca é Rooney Mara como a excêntrica Lisbeth Salander, uma jovem inteligente que sofre de Asperger e precisa lidar com o preconceito diariamente. Rooney parece ter nascido para este papel. Já achei a atuação da atriz em A Hora do Pesadelo muito boa, mas aqui ela se supera e é uma pena que provavelmente não irá ganhar o Oscar deste ano. A Lisbeth do sueco, interpretada por Noomi Rapace não chega aos pés de sua nova versão. Sei que os fãs dos filmes originais amam o desempenho de Noomi, mas não a vejo como o problema. O seu papel ali foi mal construído e mais parece uma mulher grosseira do que uma jovem doente.

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Millennium é um filme que te prende desde a abertura surreal, que me lembrou do trabalho de Saul Bass e me remeteu automaticamente aos filmes de Hitchcock. Costumo dizer que Os Homens que Não Amavam as Mulheres é um dos livros mais hitchcockianos que já li e David Fincher parece concordar comigo. Até mesmo a famosa cena de Frenesi (1972), onde a câmera se afasta do quarto até mostrar o prédio dando a entender que a personagem agora está morta, é reverenciada. Além disso, podemos citar a trilha sonora maravilhosa composta por Trent Reznor e Atticus Ross (que também fizeram a trilha de A Rede Social). As músicas te levam para dentro do filme, agoniando e deixando a atmosfera quase insuportável, mas sem nunca te dizer o que você deve sentir.

Ao ver esta nova versão, me senti exatamente como ao ler o livro: próxima dos personagens, como se eles fossem pessoas queridas, e extremamente angustiada por não poder ajudá-los. Agora é só esperar que Fincher consiga fazer as continuações e que faça um trabalho tão primoroso quanto este.

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The Girl with the Dragon Tattoo (2011)
Direção: David Fincher
Roteiro: Steven Zaillian
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Steven Berkoff, Robin Wright, Yorick van Wageningen, Joely Richardson, Goran Visnjic, Julian Sands

3 comentários:

Pinu disse...

Hoje depois que assinei o contrato (yay!) e descobri que só ia começar amanhã, resolvi ir pro shopping almoçar, dar uma volta... Quando vi estava na bilheteria comprando ingresso pra ver Millenium de novo. Quando tem uns 20 filmes em cartaz que eu quero ver.

Acho que gostei desse filme.

Paloma Rodrigues disse...

Hahahah!!! Pior que hoje eu fui ver Os Descendentes e tava passando Millenium e eu QUASE entrei pra ver. Mas resolvi que vou ver os que quero e aí se der tempo, vejo de novo.

Sério, é demais esse filme!! Putz... Já estou louca pra compra o blu ray xD

Paloma Rodrigues disse...

Bah, acho que vou convidar o pai pra ver esse filme semana que vem... Ai ele paga pra mim E vê um filme que eu sei que ele não veria normalmente, mas que vai gostar com certeza.

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