quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Joshua - O Filho do Mal

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Atenção: contém spoilers

O único motivo que me levou a ver esse filme foi achar que seria parecido com A Órfã e todos sabem o quanto eu gosto de ver filmes ruins. Tinha esperança de que não fosse mais um filme sobre crianças malignas que matam por diversão e que, quem sabe, eu me surpreenderia positivamente. Joshua (Jacob Kogan) é um menino de nove anos bastante peculiar. Extremamente inteligente, um prodígio no piano e bastante fechado. Quando sua irmã Lily nasce, a vida da família de Joshua começa a se desintegrar. A menina não para de chorar, a mãe (Vera Farmiga) entra em depressão e o pai (Sam Rockwell) tenta ajudar, mas nunca parece interessado o suficiente.

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A princípio, fiquei bastante irritada com o filme. Primeiro porque estou cansada de filmes sobre crianças más fazendo coisas más sem muita explicação ou com explicações ridículas como A Órfã e Caso 39. O final foi bastante confuso e por isso resolvi ler alguns artigos sobre o filme e, quanto mais eu lia, mais eu notava o quão bom esse filme realmente é. E foi então que notei que era isso que eu esperava de A Órfã. É bastante óbvio desde o início que Joshua sofre de alguma doença psicológica (cheguei a cogitar asperger ou então sociopatia) e ao longo do filme vamos descobrindo, junto de Joshua, como o ambiente onde ele vive influência para que sua doença piore. O menino sempre se sentiu diferente das outras pessoas e o nascimento da irmã comprova que a algo errado com ele. Joshua nunca recebeu amor da família por ser diferente, mas para ele isso era normal. Apenas vendo que a irmã recebe o carinho que ele nunca recebeu é que ele percebe que não é amado.

O diretor e roteirista George Ratliff utiliza os detalhes para narrar a jornada psicológica pela qual Joshua está passando, pequenas atitudes e conversas que vão costurando a história. O menino parece não pertencer à família e na maioria das cenas sempre aparece fora do grupo. Quando Lily nasce, Joshua observa de longe a mãe e o pai com o bebê no colo. Quando ela vai para casa, todos ficam na volta enquanto Joshua toca piano no fundo da sala. A cena mais óbvia é quando os pais estão com a menina no quarto e Joshua aparece na porta e diz que os ama e eles apenas o encaram.

O filme tem algumas cenas assustadoras, uma fotografia bonita e um roteiro bem costurado. As atuações estão bastante convincentes, especialmente Sam Rockwell que, para mim, é um dos melhores atores da atualidade. Jacob Kogan (que interpretou o jovem Spock, no novo Star Trek) é bastante promissor e se não se prender ao mesmo tipo de papel pode ir longe. Joshua - O Filho do Mal (ainda estou tentando engolir esse título e a mania brasileira de deixar tudo óbvio) é um filme bom, mas poderia ser excelente se, ao invés de se rotular como um filme de suspense, fosse um drama sobre aquele menino e como os pais (e a sociedade) lidam com isso. É ao se apegar ao clichê que Ratliff perde uma grande oportunidade.

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Joshua (2007)
Direção: George Ratliff
Roteiro: David Gilbert, George Ratliff
Elenco: Sam Rockwell, Vera Farmiga, Jacob Kogan, Dallas Roberts, Celia Weston

8 comentários:

Pri Zorzi disse...

Esses filmes de crianças malignas são recheadas de clichês. Por conta disso, é meio que um tiro no pé a produção ser vendida como "mais um filme de criança maligna" se ela pode oferecer algo além disso. Acho sempre complicado a coisa do "ah, Fulaninho tem tal doença e por isso ele é assim" porque fazer diagnóstico com criança é muito delicado, muita coisa pode mudar ainda. Então se o filme se focar mais nas atitudes do personagem e no desenvolvimento do mesmo do que no "o que ele tem", melhor.

Paloma Rodrigues disse...

Eles demonstram bem o que ele tem e porque ele é assim. Só desgosto de ser um filme de suspense. Porque tenho pena do menino.

Beatriz Saldanha disse...

A mini-resenha que fiz quando vi o filme (contém spoilers):

Mulher dá à luz a segundo bebê e isso abala o primogênito, que se sente pouco querido pelos pais. O menino compara seu comportamento ao da irmã recém-nascida e, de forma inexplicável, a menina passa a chorar incessantemente, colocando em risco a saúde física e mental da mãe. Paralelamente, fatos estranhos ameaçam de diferentes maneiras o restante da família. Narrativa repleta de conflitos psicológicos que revelam influência da filmografia de horror de Polanski. Questiona de maneira chocante a ingenuidade e a manipulação infantis, sugerindo ainda a homossexualidade como desvio de caráter.

O que me abalou no filme foi a paixão do menino pelo tio, e o que ele foi capaz de fazer para ficar com ele. Até na musiquinha que eles tocam no final a letra deixa isso bem claro.

No mais, parabéns pelo texto! Tá me animando a escrever mais. *-*

Carol disse...

Paloma por que vc ñ entra mais no meu blog?

Paloma Rodrigues disse...

Carol o teu blog aparece para mim como desativado. Então não sei exatamente como eu iria entrar lá. Mas te faço uma pergunta: por que é que, ao invés de vir aqui comentar sobre como eu não comento lá, você não faz comentários produtivos sobre as coisas que eu posto?

Beatriz, muito tri a tua crítica :) Que bom que eu estou te inspirando hehehe Pelo menos para algo o Judas tem que servir.

mendy disse...

Eu acabei de ver o filme...E não entendi muito bem...mas agora ele faz sentido pra mim.o garoto era mesmo problemático,porque não era amado pela família...
mas eu não consigo enxerga-lo como uma vitima,mesmo assim,porque ele assassinou sua própria avó.E depois,ele poderia muito bem,buscar ajuda de varias formas,ou seja,ele era meio psicopata.Então é obvio que ele é o vilão da história,mesmo sendo vitima,por ter agido tão friamente,e não ter buscado ajuda de outras formas
Achei triste a história

lucasniada disse...

Odiei o final do filme,pois o pai é preso por uma provocação do menino,a mãe termina como se tivesse louca e o menino fica com o tio,o menino que era o verdadeiro vilão da história poderia ter se dado mau,ou poderiam fazer uma coisa impossível para este filme("Um final Feliz").

Aline B disse...

Espera ai, quero ver se entendi direito.
Você não gostou de "A órfã" e gostou dessa porcaria????? Oo

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