sábado, 28 de janeiro de 2012

Hunger

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Em 1981, uma greve de fome feita pelos prisioneiros da Maze Prison levou a morte dez integrantes do Exército Republicano Irlandês, o IRA. A greve se deu como uma forma de protesto para que suas reivindicações fossem atendidas por Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica. Sua principal exigência era que lhes fossem concedido o Special Category Status, que lhes permitiria não usar uniformes ou fazer trabalhos forçados, receber visitas extras e ganhar porções maiores de comida. Robert "Bobby" Sands liderou seus companheiros e sua morte (em maio de 81) deu força aos protestos e ao próprio IRA.

bobby-sands-portraitBobby Sands

Hunger narra a jornada de Sands durante sua luta. Encontrei este filme por acaso, enquanto percorria a filmografia do ator Michael Fassbender. O ator concorreu ao Globo de Ouro por Shame, filme que tem atraído a atenção da imprensa por conter diversas cenas de nudez e sua temática controversa, e resolvi olhar o que mais o diretor havia feito. Steve McQueen é um diretor inglês novato e Hunger foi seu primeiro longa-metragem. O filme é bastante impactante e tem fortes cenas de tortura, que não chegam a ser de mau gosto. McQueen não tenta defender um ponto de vista ou criar vilões, mas sim mostrar o tratamento desumano que prisioneiros recebem. Para isso, acompanha a rotina de um dos policiais (Stuart Graham), tanto a sua persona violenta e cruel quanto seu lado sensível; o relacionamento de dois prisioneiros (Brian Milligan e Liam McMahon), que se recusam a tomar banho ou usar roupas, e que marcam com fezes as paredes de sua cela; e do próprio Bobby Sands (Michael Fassbender), que decide se sacrificar por um bem maior.

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Existem poucos diálogos no filme e sua história é narrada apenas com imagens e metáforas visuais. Destes diálogos, apenas dois possuem real importância para a situação. O primeiro (gravado em uma tomada de 16 minutos) se passa entre Sands e um padre (Liam Cunningham), onde este tenta dissuadir Sands de seus planos. Seria a greve uma forma de suicídio? A morte de um poderia ser justificada pela salvação de outros? O segundo mostra o médico explicando em detalhes as consequências do ato de Sands para seus pais.

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Além de visualmente bonito e muito bem orquestrado, Hunger também traz uma das maiores atuações de Michael Fassbender que, como já disse anteriormente aqui Judas, é um dos melhores atores da atualidade. O ator se transformou fisicamente (chegando a adoecer por conta disso) e entrou de cabeça no personagem. É uma pena que um ator tão magnífico tenha ficado famoso graças a um dos piores filmes de super-herói que já vi. Talvez o sucesso de Shame faça com que o grande público descubra obras de arte como Hunger e passem a respeitar o trabalho tanto de Fassbender quanto de McQueen.

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Hunger (2008)
Direção: Steve McQueen
Roteiro: Enda Walsh, Steve McQueen
Elenco: Michael Fassbender, Liam Cunningham, Stuart Graham, Laine Megaw, Brian Milligan, Liam McMaho

2 comentários:

Celo Silva disse...

Não conhecia o teu blog, por acaso pesquisando sobre esse filme acabei parando nele. Ainda vou postar Hunger no meu blog. Vou adicionar teu blog na minha pagina e assim poder acompanhar teu trabalho. Apareça no meu blog. Abs!

http://espectadorvoraz.blogspot.com.br/

Paloma Rodrigues disse...

Oi Celo! Seja bem vindo! Vou adicionar o teu link também :D

Abraço!

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