quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ruby Sparks

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Falar sobre relacionamentos, sejam quais forem, nunca foi algo fácil para mim. Mantê-los é ainda pior. Acredito que este não seja um mal do qual somente eu sofro, afinal, não há nada de especial em mim. Quando nos relacionamos com outras pessoas tendemos a projetar nelas aquilo que nos é ideal, e quando essas pessoas “andam fora da linha” ficamos desapontados.

O que pouca gente reconhece é que não estamos desapontados com aquele que não agiu como queríamos. Estamos desapontados com nós mesmos. Perdi vários relacionamentos importantes por causa disso, tenho certeza de que você também já sofreu deste mal. E é exatamente disso que Ruby Sparks, o novo filme dos diretores de Pequena Miss Sunshine, trata: esta imagem deturpada que projetamos em outrem.

Calvin Weir-Fields (Paul Dano) é um bem sucedido escritor que está passando por uma fase ruim. Além de não conseguir escrever, Calvin é incapaz de se relacionar com outras pessoas e se nega a aceitar que teve sua parte de culpa no fim de seu último namoro. É então que ele cria Ruby (Zoe Kazan), o seu modelo de mulher ideal, uma mulher que reflete tudo aquilo que Calvin espera de um relacionamento perfeito. Todavia, nada é perfeito.

Ruby Sparks é o tipo de filme que faz com que pensemos a respeito das nossas escolhas e sobre aquilo que esperamos dos outros e de nós mesmos. Mais uma vez o casal Jonathan Dayton e Valerie Faris cria uma fábula moderna sobre escolhas e relacionamentos, desta vez dando um toque mágico em uma história comum a todos: não apenas o encontro do amor, mas também o encontro de nós mesmos.

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Ruby Sparks (2012)
Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Roteiro: Zoe Kazan
Elenco: Paul Dano, Zoe Kazan, Chris Messina, Annette Bening, Antonio Banderas, Steve Coogan

domingo, 24 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador

Atenção: contém spoilers

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Existem momentos onde uma baixa expectativa é a melhor arma que temos para sobreviver a um filme ruim. Mas há vezes que nem a desesperança e a presença de Kristen Stewart conseguem lhe preparar para o que está por vir. Branca de Neve e o Caçador conta a história de um reino dominado por uma rainha bruxa má (Charlize Theron) que era tão malvada que a terra morreu e as pessoas começaram a passar fome.

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- Quero avisar que a tripulação está com fome.

- E perché não comem?

-Porque não há comida.

-E por que não há comida?

- Porque acabô!

- E por que acabou?

- Porque comeram!

-E por que comeram?

-Porque tinham fome!

- Está vendo? Deviam ter esperado...

Depois de matar seu marido e aprisionar a filha dele em uma torre, a Rainha acredita ser a mulher mais bela e poderosa daquele reino. Mas quando a pequena Branca de Neve (Kristen Stewart) cresce, se torna um perigo para a Rainha e esta decide destruir a menina e comer seu coração. A história é a mesma de sempre, mas tenta dar um ar mais épico e sombrio ao conto de fadas. Falhando miseravelmente no caminho.

Assistir Branca de Neve e o Caçador foi como ver uma longa e tediosa versão de Game of Thrones, só que com sete anões ao invés de apenas um. Fiquei esperando a rainha dizer “Espelho, espelho meu. Existe alguém mais bela do que eu?” e ele responder “Apenas Sansa Stark, minha rainha”. Temos Stannis Baratheon, mestre dos navios; Cersei Lannister, Rainha dos Sete Reinos; Daenerys Targaryen, mãe dos dragões; Robb Stark, Rei do Norte; e Branca de Neve, Rainha da Falta de Expressão.

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O problema deste filme é tentar ser um filme sério (o que Espelho, Espelho Meu não faz) e por isso acaba se tornando tedioso e sem sentido. Branca de Neve é a única pessoa que pode derrotar sua malvada madrasta, porque é pura de coração e a mulher mais bela de todo o reino. Mas Kristen Stewart não é bonita, carismática, expressiva ou divertida o suficiente para este papel. E em nenhum momento ficou claro o porquê de Branca ser considerada tão pura. Ela perdeu a mãe, viu o cadáver do pai, viu sua casa ser destruída, seu povo aprisionado e foi afastada de todos aqueles que ama. Depois que ela foge, pessoas morrem por sua causa, até mesmo um ser sagrado da floresta é ferido por ela. Como é possível que ela continue pura depois de tudo isso?

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Outra coisa que não entendi foi a escolha dos atores que interpretam os anões. Não que eles apareçam em cena o suficiente para que eu me importe (um deles até morre e eu nem sei qual deles), mas me incomodou bastante ver não anões nos papéis! Não existem atores anões talentosos? E sim, lá vou eu de novo para Game of Thrones.

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Branca de Neve e o Caçador traz boas ideias, mas não consegue explorá-las e acaba se perdendo dentro da sua própria arrogância. Um filme completamente desnecessário e sem propósito, que não consegue nem ao menos entreter.

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Snow White and the Huntsman (2012)
Direção: Rupert Sanders
Roteiro: Evan Daugherty, John Lee Hancock, Hossein Amini
Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Sam Claflin, Sam Spruell

domingo, 17 de junho de 2012

Deus da Carnificina

Atenção: contém spoilers

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Quando criança apanhei de um colega de escola. Ele me deu um soco nas costas, me deixando sem ar. Eu tinha cerca de 10 anos, 1,40m e uns 40 kg. Talvez menos. Ao chegar à escola, todos os professores, meu pai e o pai do menino ficaram indignados com a situação. Afinal, eu era menor, mais frágil e, meu Deus, uma menina. Acontece que, se fossemos analisar com cuidado a cena, voltar para ela take por take, veríamos a pequena Paloma batendo no menino com um galho e cortando o seu rosto. Se voltássemos mais um pouco, veríamos esse mesmo menino xingando a menina. E assim continuaria para sempre, sem nunca descobrirmos quem foi o verdadeiro culpado. Mas a resposta é mais simples do que aparenta: Ninguém. Isso porque crianças são assim, elas se xingam, se batem, gritam e chutam, mas no dia seguinte, lá estava meu amigo e eu (sim, porque ele era meu amigo) brincando juntos no pátio da escola.

Em Deus da Carnificina, o novo filme de Roman Polanski, temos uma situação parecida, apresentada do ponto de vista dos pais de dois meninos que brigaram em um parque. De uma conversa educada a uma situação constrangedora e violenta, os dois casais usam a briga dos filhos para mascarar seus próprios problemas. O filme começa e termina com cenas externas dos dois meninos. Na primeira, vemos Ethan e Zachary brigando no parque, ao longe, sem saber ao certo qual o motivo de tal briga. Na segunda, vemos os dois juntos brincando alegremente. E no ar fica a pergunta: quem são as verdadeiras crianças?

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Essa infantilidade adulta faz parte do nosso cotidiano há tanto tempo que nem paramos para questioná-la. É algo normal. Neste filme vemos quatro pessoas trancafiadas dentro de um apartamento, tentando resolver um problema que na realidade não existe, sem conseguir se desvencilhar de seus próprios preconceitos. Penelope (Jodie Foster) se preocupa com os problemas da África, mas compra um buquê de flores caríssimo para impressionar seus visitantes. Seu marido Michael (John C. Reilly) tenta posar de bom, mas não se importa em matar o hamster de estimação da filha. Alan (Christoph Waltz) tenta resolver o problema das crianças, ao mesmo tempo em que parece se importar mais com o seu emprego do que com sua família. E Nancy (Kate Winslet) aparenta ser o modelo ideal de esposa e mãe, mas se nega a aceitar os defeitos do filho e de seu próprio casamento falido.

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Apesar da ótima direção e excelente roteiro, o ponto alto do filme fica nas mãos dos quatro atores, cujos papéis parecem ter sido feitos sob medida para eles. Suas atuações marcantes e viscerais deixam o espectador irrequieto, se identificando com aqueles personagens sem querer que isso aconteça. É muito mais fácil negar nossos próprios defeitos do que abraçá-los. É muito mais fácil jogar na cara dos outros os defeitos deles do que admitir que nós também somos humanos falhos. Deus da Carnificina é a história de quatro pessoas incapazes de agirem como verdadeiros adultos e tão mergulhados em suas mentiras e contradições que nem ao menos entendem qual é o verdadeiro problema.

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Carnage (2011)
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski, Yasmina Reza
Elenco: Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly

domingo, 13 de maio de 2012

O Corvo

(uma crítica-poema de Paloma Rodrigues e Edgar Allan Poe)

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Numa noite agreste, quando eu assistia, lenta e triste,

Vago, ridículo filme com falas bestiais

E já quase enlouquecia, ouvi o que parecia

O som de alguém que gritava suas falas por demais.

"Um mau ator", eu me disse, "está gritando falas banais

É só isto, e nada mais."

 

Ah, que quase me caio! Era no frio de maio,

E o cinema, morrendo negro, urdia sombras desiguais.

Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada

P'ra esquecer (em vão!) a mancada, hoje destes roteiristas boçais-

Este filme com roteiristas boçais,

E com talento, aqui jamais!

 

Como, a tremer de frio e revolta, com o ar condicionado gelando a toda volta

Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!

Mas, a mim mesma infundia força, eu ia repetindo,

"É um filme ruim, falando de um bom escritor e um bando de policiais;

Um filme ruim com problemas orçamentais.

É só isto, e nada mais".

 

E, mais forte num instante, com resguardo e hesitante,

"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;

Mas eu ia me contorcendo, enquanto este filme foi acontecendo,

Tão terrivelmente horrendo, destruindo minhas memórias colegiais,

Que mal sobrevivi..." E mais um ator gritou suas falas artificiais.

Filme ruim e nada mais.

 

A treva enorme fitando, fiquei perdida receando,

Triste com tais pensamentos pensando que ninguém saberá quem foi Poe, jamais.

Mas a película era infinita, a direção profunda e maldita,

E as falas eram ditas em gritos ou surros artificiais.

Eu o disse, o nome dele, e o eco disse aos meus ais.

Cadê o Nicolas Cage e ninguém mais?

 

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,

Não tardou que culpasse o diretor mais e mais.

"Por certo", disse eu, "aquele bulha devia ter mais cautela.

Vamos ver o que mais ele transforma em movimentos intestinais.”

Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É um filme, e nada mais."

 

Abri a mente, e tentei entender a graça

De fazer de O Corvo um filme ofensivo aos bons livros ancestrais.

Não fiz nenhum julgamento, não pensei por nenhum momento,

Mas por favor, não me condene, pois mesmo assim odiei este filme por de mais.

Tive súbito ataque de raiva por ver tantos erros bestiais,

Neste filme horrível, horrível e nada mais.

 

E este autor estranho e talentoso, me fez sorrir com amargura

Pensando em quem vê este filme sem buscar as referências culturais.

“Ele passou a vida agoniado,” disse eu, “mas era nobre e ousado,

Ó querido Poe embriagado lá nas trevas infernais!

Dize-me como morreste lá nas trevas infernais!

E disse Poe, “esse filme nunca mais”.

 

Pasmei de ouvir o autor morto falar tão claro,

Inda que concordasse com palavras tais.

Mas sua opinião deve ser ouvida

Que o autor não teria concedido tantas besteiras teatrais

Autor ou homem teria odiado este filme e atuações infernais,

Este filme “Nunca mais”.

 

Mas o autor, em seu túmulo, nada mais dissera, indignado,

Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.

Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento

Perdida, num murmuro lento, "Sinto muito por estes erros descomunais

Todos - todos são culpados. A mim também culpais".

E disse ele, "Nunca mais".

 

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,

"Por certo", disse eu, "são estes blockbusters usuais,

Aprendeu- a fórmula de algum dono, que os clichês e o abandono

Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,

E Poe em desesp'rança de seu canto cheio de ais

Disse "Esse filme nunca mais".

 

Mas, fazendo inda a esta equipe burra rindo de minha amargura,

Sentei-me defronte da tela, olhando este plot chato e suas situações irreais

E, enterrada na cadeira, pensei de muita maneira

Que qu'ria esta história agoureira dos maus tempos ancestrais,

Esta história idiota e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Que não estreasse nunca mais.

 

Nisso o filme ia discorrendo, com aquele roteiro horrendo

A crítica que na minha alma cravava os olhos fatais,

Ia cismando, a cabeça reclinando

No cinema onde a luz punha vagas sobras desiguais,

Naquele cinema onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!

 

Ligaram-se as luzes densas, como numa privada imensa

Onde os filmes ruins aparecem, com suas piadas acidentais.

“Maldito!”, a mim disse, “pegou um ótimo autor, que ótimos livros concedeu-te

E mandou ao esquecimento; valeu-te. Toma-o, transforma-o, com teus ais,

O nome dele ficou manchado com todos estes teus ais!”

E Poe disse “Nunca mais”.

 

“Querido”, disse eu, “querido Poe, este filme do demônio com nome de ave preta!

Foi o diabo ou tempestade quem comprou os direitos autorais,

A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,

A este cinema de ânsia e medo, dize a esta crítica a quem atrais

Não há uma crítica neste país a quem tanto atrais!”

E disse Poe,“Este filme nunca mais”.

 

“Querido”, disse eu, “querido Poe, este filme do demônio com nome de ave preta!

Por Deus, bens sabe que somos fracos e meros mortais.

Dize que a bebida destruiu sua vida

Verá esta noite que este filme a mim também trará consequências colossais

Este filme cujo diretor não sabe dirigir seus atores e tudo mais”

E disse Poe, “Nunca mais”.

 

“Com estes gritos sem arte e o talento de um quiabo”, eu disse. “Parte!

Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!

Não deixes ninguém ouvir a bobagem que disseste!

James McTeigue, não me moleste! E deixe Poe em paz”

E Poe disse “Nunca mais”.

 

E Poe, na cova infinda, está ainda, está ainda

A pensar nessas bobageiras infernais

Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,

E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!

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The Raven (2012)
Direção: James McTeigue
Roteiro: Ben Livingston, Hannah Shakespeare
Elenco: John Cusack, Alice Eve, Luke Evans, Brendan Gleeson, Kevin McNally

terça-feira, 17 de abril de 2012

Espelho, Espelho Meu

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Era uma vez uma menina franzina e baixinha, que amava desenhos da Disney. Seu amor por estes desenhos era tão grande, que ela conseguia assistir diversas vezes o mesmo título sem nunca enjoar ou reclamar. Um dia, vindo de uma época e um lugar distante, o filme Branca de Neve e os Sete Anões chegou até a menina. Empolgada com aquele clássico que nunca tinha assistido, a garota sentou-se em frente à televisão e ligou o VHS. Mas para sua surpresa, o filme não era o que ela esperava.

- Onde foi parar a personalidade da Branca de Neve?, indagou a menina em desespero – Por que é que o príncipe não tem falas? Como ela poderia se apaixonar apenas com um beijo de um completo estranho no meio do mato?

Indignada com tamanho absurdo, a menina seguiu em frente e, sem nunca perder seu amor pelos filmes de princesa, cresceu e se tornou uma linda crítica de cinema. Foi então que dois filmes chegaram até ela, ambos adaptações de Branca de Neve. A Crítica sabia que aquilo nada mais era do que um golpe comercial, uma tentativa de ganhar dinheiro à custa de adolescentes fãs de um livro chamado Crepúsculo. Pois esse livro havia gerado uma série de filmes bastante lucrativos, e atraído milhões de adolescentes e mães para as salas de cinema. Estando em poder da visão cinéfila, a garota sabia que filmes como esse tinham seu valor, mas que este valor em nada tinha a ver com qualidade.

A situação ficava cada vez pior à medida que a data de estreia se aproximava, e quando ficou sabendo que Kristen Stewart (sim, a garota de Crepúsculo) interpretaria a personagem principal de Branca de Neve e o Caçador, a crítica disse:

- Crítica, crítica minha. Existe alguém pior do que esta atriz murrinha?

Mas o mundo ainda tinha salvação, pois a segunda adaptação, chamada Espelho, Espelho Meu, poderia ser boa. Não que Tarsem Singh (que havia dirigido a bomba A Cela) na direção fosse um bom sinal, mas Julia Roberts como a Rainha Má e Lily Collins como Branca de Neve eram boas promessas.

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Então a brava Crítica partiu em sua missão, com sua irmã ao seu lado e sua sobrinha no colo. As três damas chegam ao cinema e presenciam uma bela cena introdutória, em animação e seguindo a narrativa do conto original, criado pelos Irmãos Grimm. A história era diferente da que a crítica conhecia. Muito mais ação e muito mais piadas. A Rainha Má fazia suas maldades, mas era engraçada e simpática ao mesmo tempo. Branca de Neve se transformara em uma jovem carismática e cheia de graça, que não dedica a sua vida a limpar a casa dos anões e a arranjar um marido. Não, ali ela queria ajudar o povo de seu pai e derrotar a Rainha. Os Anões não podiam trabalhar, pois haviam sido expulsos da cidade por serem diferentes. Ao unir-se com os Anões, Branca sente na pele o poder do preconceito e da pobreza. E o Príncipe não só fala, como age e é essencial para a história do filme.

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A história, muito mais elaborada e com um roteiro bem conduzido (obra de Melisa Wallack e Jason Keller), traz elementos visuais atraentes, figurinos exuberantes e cenários coloridos, características dos filmes anteriores de Tarsem. Com a diferença de que agora o diretor deixou de lado o seu ego e fez um filme compreensível, agradável de ver e bastante engraçado. Um filme que pode agradar não apenas as crianças, mas também os adultos que levarem elas ao cinema.

Saindo da sala de exibição, a Crítica se sentiu feliz por ter perdido o preconceito e ido assistir Espelho, Espelho Meu. Agora era só esperar por Branca de Neve e o Caçador e torcer que o seu diretor, Rupert Sanders, consiga criar uma obra criativa e divertida como esta. Só assim, a Crítica poderia viver feliz para sempre (ou pelo menos até o próximo filme estrear).

E este é fim.

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Mirror Mirror (2012)
Direção: Tarsem Singh
Roteiro: Melisa Wallack, Jason Keller
Elenco: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Nathan Lane, Jordan Prentice, Mark Povinelli, Joe Gnoffo, Danny Woodburn, Sebastian Saraceno, Martin Klebba, Ronald Lee Clark, Robert Emms, Mare Winningham

terça-feira, 3 de abril de 2012

Top 20: Motivos pelos quais eu seria uma boa companion

Uma carta informal para o Doctor, onde quer que ele esteja.

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20) Se você disser “não saia daqui”, eu não sairei. As chances de me perder são gigantescas e não iria querer ficar presa em outro planeta ou em algum lugar/tempo onde as pessoas não tomam banho.

19) Amo Londres.

18) Eu não ficaria incomodando, pedindo para visitar meus familiares o tempo todo. Uma ligação quinzenal com o supertelefone já resolveria meus problemas. Isso nos daria mais tempo para lutar contra lagartos gigantes, estátuas macabras e Daleks.

17) Eu sei quem são os Daleks, você não vai ter que me explicar tudo desde o início. Mais tempo livre para ficar nas praias do planeta Barcelona.

]Ou no seu corpo.

16) Se você me der um livro e um bombom, não irei incomodar durante a viagem. Talvez eu enjoe, mas nada que um biscoitinho salgado e um Dramim não resolvam.

15) Eu fico bem de biquíni.

14) Sou engraçada e inteligente, mas não mais que você. Isso elevaria o seu bom humor e sua autoestima, além, é claro, de ser ótimo durante viagens longas.

enhanced-buzz-27564-1333393623-0Essa sou eu, no inverno.

13) Sei fazer cookies.

12) Não tenho um namorado, por tanto eu seria apenas sua. Isso evitaria retornos desnecessários a Terra e episódios chatos sobre como meu namorado é um idiota que sente ciúmes de você.

11) Posso não ser loira, mas pelo menos não sou sua filha. Posso não ser ruiva, mas pelo menos não fico te xingando. Posso não ser linda, mas pelo menos não vou virar uma cabeça gigante numa jarra. E não sou a Martha.

IMG_4893E eu alimento os patinhos.

10) Sei dançar a Macarena.

09) Adoro gravatas borboleta e cachecóis.

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08) Se um dia você precisar trabalhar como um professor humano em 1913, não deixarei nenhuma enfermeira lambisgóia chegar perto de você. Isso evitaria problemas futuros como: duas mulheres dentro da Tardis (ela pode ser grande, mas não o suficiente), milhares de calcinhas dentro do chuveiro, duas TPMs, ciúmes e gravidez. Sem falar em todo aquele cabelo que fica no ralo da pia.

07) Eu tenho uma roupa de Princesa Léia. Isso prova que sou capaz de aguentar uma viagem espacial. Ou que sou nerd o suficiente para ter uma roupa de Princesa Léia, o que por si só já prova que sou incrível.

06) Não planejo ficar trancada em outra dimensão ou largar a serie para tentar uma carreira promissora como atriz no limbo.

05) Eu compreendo perfeitamente que não serei a primeira mulher na sua vida – e nem a última. Isso não significa que irei te amar menos.

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04) Não me importo de ir num show da Billie Piper.

03) Yes... I’ll have a cuppa.

02) Não me importo com aparências, portanto você pode ter a cara que quiser. Seja a feição do William Hartnell ou do David Tennant, te amarei do mesmo modo. Mas se você se parecer com o Hartnell serei obrigada a fantasiar com o Tennant, porque você iria ser parecido com meu avô. E isso é terrível demais.

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E o motivo número um pelo qual eu seria uma boa companion:

01) Não tenho problemas com sexo interplanetário.

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Espero que você veja isso há tempo, antes que eu fique velha e feia.

Com amor
Loma

quinta-feira, 1 de março de 2012

O Artista

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Levei três semanas para conseguir começar esta crítica. E quatro dias para acabar de escrever. O principal motivo foi não conseguir expressar em palavras o que senti ao assistir a um filme tão belamente produzido como este. A entrega do Oscar acabou por me inspirar e aqui estou eu. O Artista foi o grande ganhador da noite, levando cinco Oscars, incluindo o principal: Filme, Diretor, Ator, Trilha Sonora Original e Figurino. Ao ver o filme de Michel Hazanavicius ser reconhecido pela Academia, me senti em outra época, uma época onde cinema era muito mais do que simples efeitos especiais e ação descontrolada.

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O filme acompanha o surgimento dos filmes falados e a consequente queda dos atores e atrizes que não conseguiram se enquadrar neste novo estilo. George Valentin (Jean Dujardin) é um astro do cinema mudo que não consegue encontrar sua voz e por isso acaba por ser atirado ao esquecimento. Peppy Miller (Bérénice Bejo), ao contrário, está apenas começando uma carreira bastante promissora e se torna uma grande estrela. Os dois se amam, apesar disso nunca ser proferido em cena, e Peppy segue George em seu declínio, sempre agindo como o anjo da guarda de seu amigo.

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O filme capta a emoção, inocência e beleza dos filmes clássicos e traz para o século dos efeitos especiais, perseguições, tiros e 3D, a verdadeira magia do cinema. O Artista foi gravado em preto e branco, com enquadramento clássico (1.33:1) e mudo. Traz no papel principal um ator francês bastante talentoso, cheio de expressões faciais e corporais, além de um sorriso que lembra muito Gene Kelly. Michel Hazanavicius não se prende apenas aos filmes mudos, também viaja por toda a história do cinema em pequenos detalhes, como a participação de Malcolm McDowell, astro de Laranja Mecânica, e referências a Um Corpo Que Cai, de Alfred Hitchcock.

Cada cena é um tributo, cada momento uma carta de amor e cada movimento uma viagem emocionante de volta ao passado.

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The Artist (2011)
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Malcolm McDowell

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret

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Aqui está um belo filme que homenageia o cinema e entretém ao mesmo tempo. Com A Invenção de Hugo Cabret, Martin Scorsese mostra seu amor pelos filmes e o que o trouxe até aqui. Certa vez, alguém comentou que o trabalho de Georges Méliès em nada tinha a ver com os filmes produzidos hoje em dia. Na época, fiquei sem palavras para descrever o quanto havia odiado tal comentário. Se esta conversa tivesse acontecido hoje, diria apenas “Assista Hugo”.

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É inegável a influência que o cinema mudo possui, desde as obras de arte criadas por Méliès e do expressionismo de Murnau e Lang , até as comédias de Buster Keaton e Charlie Chaplin. Com seu novo filme, Scorsese instiga cinéfilos a irem em busca das origens do cinema e a não menosprezarem aqueles que foram os responsáveis por toda sua magia.

O filme é belíssimo visualmente e mereceu os cinco Oscars técnicos que ganhou (Efeitos Visuais, Fotografia, Direção de Arte, Edição Som e Mixagem de Som). Afinal, não poderíamos esperar menos de um filme que fala sobre Georges Méliès. Mas fica claro porque não ganhou os prêmios principais da noite (que foram todos entregues para O Artista). Hugo está longe de enquadrar entre os melhores filmes do diretor e poderia se focar muito mais no cinema do início do século XX, e poderia terminar logo após a homenagem a Méliès. Além disso, me incomodou bastante ver um filme que se passa na França, berço do cinema, e todos os personagens terem sotaque inglês.

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Ao terminar de ver Hugo, não sai pensando em como Martin Scorsese é um bom diretor. Não, para isso tenho Taxi Driver (1976), Os Infiltrados (2006) e A Ilha do Medo (2010). Sai do cinema querendo rever os filmes de Georges Méliès. Scorsese é um ótimo diretor, mas Méliès era o verdadeiro gênio.

Hugo (2011)
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: John Logan
Elenco: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Sacha Baron Cohen, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Christopher Lee, Helen McCrory, Michael Stuhlbarg, Jude Law

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Feliz Aniversário, Judas!

Judas

Hoje o Judas Dançarino está comemorando sete anos de existência. O blog começou em 2005, no Spaces. Em 2006 ele migrou para o Blogspirit, até este começar a ser pago e 2007 foi o ano do Blig. Todas essas plataformas eram muito ruins e por isso o Judas pegou suas moedas de ouro e veio aqui para o Blogspot, onde planeja ficar até ser expulso.

Quem me apresentou para o fenomenal mundo dos blogs foi o meu querido amigo André Bozzetti, que ficou indignado com o fato de eu ter um fotolog do Terra. O primeiro post do blog foi sobre o livro O Diário de Anne Frank:

Estou lendo o livro "O Diário de Anne Frank". É a história real de uma garota de 15 anos, judia, na Segunda Guerra Mundial. Eu ganhei de uma amiga da minha mãe, quando nós fomos para Curitiba, nas férias. Fiquei com pena dela (da Anne, não da amiga da minha mãe), mas ao mesmo tempo me identifiquei muito. Não com o sofrimento, é claro. Graças a Deus eu nunca tive que passar por isso. Me identifiquei com a sua personalidade.

Sério, Paloma? Você se identificou com uma menina de treze anos presa em um armário durante toda a Segunda Guerra Mundial e que morreu em um campo de concentração? Sério? Mesmo?

Dick Van Dike

Com o tempo, o Judas foi ganhando uma identidade e aos poucos se tornou um blog de críticas, algumas boas outras nem tanto. Em 2009 fiz a primeira reformulação do Judas. Mudei o estilo de layout, transferi todos os textos antigos para um outro blog, apaguei os endereços anteriores e deixei tudo mais ou menos arrumado. E agora chegou o momento de realmente mudar a cara do Judas Dançarino e deixar ele menos bagunçado e mais ajeitado.

Comecei encomendando um desenho, já que não tenho talento para isso. Depois comecei a criar as páginas de listas, tentando me conter para não colocar mais cinco títulos por dia. Também dei início a uma maratona de filmes, em uma tentativa praticamente frustrada de ver todos os filmes que tenho no meu computador (a cada filme que assistia, baixava mais quatro).

O Judas já faz parte da minha vida há muitos anos e foi essencial para que minha escrita melhorasse. Realmente acredito que um dia ele se tornará famoso e a sua popularidade tem crescido cada vez mais. Agradeço a todos que comentam regularmente aqui e a todos que leem, mas são tímidos de mais para dar as caras. Espero que o Judas continue firme e forte por muitos e muitos anos.

Riso

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Agora sou…

…oficialmente desempregada uma jornalista.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Sacrifício

Atenção: Contém spoilers (tanto do original quanto do remake)

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A capacidade de escolher filmes do Nicolas Cage sempre me surpreende. A impressão que eu tenho é que ele tenta fazer o máximo de filmes possíveis, se importando apenas com dinheiro continuar trabalhando. O ator tira sarro de si mesmo e não há dúvidas de que ele realmente se diverte com o que faz, acho bastante admirável isso. Mas gostar de Nicolas Cage não vai me fazer gostar ou respeitar O Sacrifício. Normalmente gosto dos filmes bizarros dele porque eles sempre me fazem rir, mas um remake de O Homem de Palha (1973) me deixa profundamente triste. O filme nem é tão ruim quanto os filmes anteriores de Cage, como O Aprendiz de Feiticeiro e Caça as Bruxas, mas não chega aos pés do primeiro.

No original, o policial Howie (Edward Woodward) viaja até uma pequena ilha para investigar o desaparecimento de uma menina do povoado local. Os habitantes parecem não querer colaborar com ele e aos poucos o policial vai desvendando uma intrigante história, da qual ele mesmo faz parte. O personagem principal precisa lutar pela própria vida e ainda manter suas crenças cristãs, que vão de encontro com o paganismo dos moradores da ilha. Para sobreviver, ele precisa pecar.

Na nova versão o policial Edward Malus é Nicolas Cage, que está traumatizado com um acidente de carro envolvendo mãe e filha. Ele recebe uma carta de uma ex-namorada (Kate Beahan), pedindo para que ele venha até seu povoado, Summersisle, para lhe ajudar a localizar sua filha Rowan. A ilha é habitada, basicamente, por mulheres e os homens são usados apenas como mão de obra e reprodução.

O Sacrifício é cheio de cenas sem sentido, como a famosa parte das abelhas (o policial tem alergia a picada de abelhas e os moradores prendem sua cabeça em uma gaiola cheia destes insetos, sem nenhum motivo para fazer isso), e também falas de efeito declamadas por Cage, sempre sussurradas ou gritadas.

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O filme parece ser uma versão para dummies de O Homem de Palha, provavelmente a versão que os produtores da época preferiam ter feito. O filme de Robin Hardy foi completamente picotado antes do lançamento, sem a autorização de seu criador e várias cenas foram perdidas. Os distribuidores achavam que ele seria confuso demais para o público geral, que não estaria acostumado a ver um filme de horror extremamente alegre, colorido e ainda por cima um musical.

Infelizmente, o remake tira toda a magia do filme original ao tenta fazer uma versão “adulta” e sombria. A personagem Willow (Britt Ekland) de O Homem de Palha é a representação do pecado, da tentação.

Ela é a única chance do policial de sobreviver. Já no remake ela é apenas uma ex-namorada chorona de Cage. Está certo que ela tem uma importante função no plano das habitantes da ilha, mas este plano é tão mal elaborado e sem sentido que isso acaba não importando tanto. E é no plano que se encontra o principal defeito de O Sacrifício.jgg4wcoeo8nqoenw

Howie é escolhido por causa de sua fé e por ser puro. Já Edward Malus é pai da menina que desapareceu e, portanto, conecta-se por sangue com as habitantes da ilha. Fica claro que elas sacrificam os bebês do sexo masculino que nascem lá e que não têm medo de matar aqueles que atrapalham seus planos. Então por que Malus? Ele não possui motivo nenhum para ser o escolhido. Além disso, fica claro que o único motivo deste sacrifício é o fato de a colheita do ano anterior ter sido péssima, por isso precisam sacrificar algo maior. Mas Willow engravidou do policial muitos anos antes. Isso faz dele um sacrifício estepe? Teriam as moradoras da ilha uma espécie de poder psíquico? Ou teria o roteirista bebido de mais na noite anterior?

O Sacrifício é um insulto ao filme de Robin Hardy e também ao público. Nem mesmo assistir a este filme é um sacrifício plausível.

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The Wicker Man (2006)
Direção: Neil LaBute
Roteiro: Anthony Shaffer, Neil LaBute
Elenco: Nicolas Cage, Ellen Burstyn, Leelee Sobieski

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ricky

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Ricky é um filme francês sobre pessoas, seus relacionamentos, suas vidas e o que falta nelas. É um filme sobre uma mãe solteira, sua filha e como as duas convivem com fatores externos ao seu relacionamento fechado. Também é um filme sobre um bebê geneticamente modificado devido a um vazamento químico em uma fábrica e que, com apenas alguns meses de idade, desenvolveu asas.

Dirigido por François Ozon (que também dirigiu Swimming Pool e 8 Mulheres), Ricky conta a história de Katie (Alexandra Lamy), uma mãe solteira que trabalha em uma fábrica e começa a se relacionar com seu colega de trabalho, Paco (Sergi López). Os dois se apaixonam e Paco muda-se para a casa de Katie e sua filha de sete anos, Lisa (Mélusine Mayance).

A menina, que sempre ostenta um olhar triste e cabisbaixo, não gosta do novo cenário de suas vidas e a situação só piora quando Katie engravida. O bebê, Ricky, chora muito e monopoliza toda a atenção de Katie. Para piorar a situação, começam a aparecer misteriosos hematomas no menino e Katie acredita que Paco é o responsável.

A maneira como a mutação de Ricky é tratada no filme, completamente racional, se mistura com o lado sentimental dos personagens e o menino acaba se tornando uma espécie de anjo, que veio à Terra para consertar a vida daquelas pessoas. No final, o sentimento toma conta da razão e o que temos é uma bela fábula moderna sobre redenção e amor.

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Ricky (2009)
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon
Elenco: Alexandra Lamy, Sergi López, Mélusine Mayance, Arthur Peyret

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cine Guia PREVIEW

Decidi postar aqui todas as edições do Cine Guia PREVIEW das quais participei. A newsletter está dando um tempo agora, mas logo deve estar de volta. Quem quiser se informar a respeito dos cursos oferecidos pela produtora Cena UM, é só entrar no blog deles. Quem quiser ler os outros Cine Guia, clique aqui.

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