domingo, 13 de novembro de 2011

A Grande Dificuldade de se Organizar o Evento Mais Simples do Mundo

Ontem tive minha grande estreia no cinema e, como todas as coisas da minha vida, não foi fácil. Nem um pouco.

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Fiz este ano uma Oficina de Audiovisual, oferecida pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre, cujo trabalho final seria a produção de curtas-metragens. Dos mais de noventa alunos que se matricularam lá em abril, cerca de trinta conseguiram chegar até o final. Os motivos, tenho certeza, foram os mais diversos. Porém a opinião geral foi: Não dá para aguentar essa m#@*a. As aulas aconteciam aos sábados, tendo duas turmas (manhã e tarde) e 4h/aula. Essas 4h eram desperdiçadas com muito discurso aleatório, com um professor que sabe muito de técnica, mas nada de cinema, e que não conseguia falar por dez minutos sem se desviar do assunto (tinha dias que ele levava quase 1h para fazer a chamada). Não fiquei até o final de nenhuma aula. Mas fui em praticamente todas.

Mês passado foi um mês difícil para mim. Sabe quando parece que tudo que poderia acontecer acontece ao mesmo tempo? Pois é. Por isso, avisei o professor que eu não iria poder ir nos próximos sábados. Eram aulas de edição, coisa que aprendi a fazer na faculdade, e prometi entregar nosso filme na data certa: 12 de novembro. Ele estava praticamente pronto muito antes dos outros grupos e, apesar das dificuldades, estávamos otimistas. Então recebi um email dizendo que a mostra de filmes seria no dia 07 e ainda não tínhamos finalizado (faltava colocar a música e terminar a abertura). Entramos em pânico. Ok, eu entrei em pânico. Depois recebi um email avisando que, na realidade, o evento era dia 12. Filme gravado, editado, renderizado e gravado! Faltava só mostrar.

A mostra aconteceria às 17h e resolvemos ir às 14h, para testar o DVD e já ver se precisávamos entregar mais alguma coisa. Chegamos lá e ninguém da Oficina tinha chegado. Lá pelas 16h30 chega o professor e nos avisa que a entrega era dia 07, que não dava para testar o DVD e que o nosso filme teria que passar só no final da mostra. Ah, e a gente não ganharia certificados de participação. Afinal… Não é como se eu tivesse avisado ele que não teria como ir, mas que o filme estava sendo feito e seria apresentado… Não, peraí… Eu fiz isso! Douchebag.

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A mostra começou com meia hora de atraso e ao invés de passarem apenas os trabalhos finais dos grupos, foram exibidos também os exercícios realizados durante a Oficina (completamente fora de contexto) e entrevistas com os alunos, feitas pelo professor, sem trilha ou edição... Longíssimas e chatas entrevistas, promovendo a Oficina. O que era para ser uma simples mostra virou uma tediosa (e mal editada) propaganda.

Alguns dos filmes eram bons, outros mal feitos, mas bem intencionados, e outros tão horríveis que dava vontade de sair correndo gritando. Meu favorito foi o As Voltas que a Vida Dá, um dos piores filmes que já vi. Eu teria dado o Prêmio The Room de Cinema para eles, na categoria  You Are Tearing Me Apart, Lisa.

tumblr_lubk0czDLW1qzniuko1_500(fiquei esperando que algum personagem falasse que está com câncer, para depois nunca mais falar nada sobre isso)

Tenho noção de que são curtas amadores, sem orçamento e, convenhamos, sem auxilio profissional NENHUM. Mas esse curta era tão chato, tão risível e tão metido a chocante, que eu quase me engasguei rindo. Uma mulher perde tudo depois que o marido a troca por uma amante mais jovem, e precisa se prostituir. Para começar, antes do filme passar vimos mais uma daquelas entrevistas, com a diretora do filme e uma das atrizes. A diretora dizendo que agora ela podia se considerar uma diretora e roteirista de verdade, que o filme delas era maravilhoso. Sabe como é, né? Para a mãe, todo o filho é bonito. Nos primeiros minutos, eu não tinha certeza se aquilo era uma comédia genial ou um drama horroroso. A plateia se contorcia rindo e tenho certeza de que esse não era o objetivo.

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Depois de mais de uma hora de agonia (e nenhum êxtase), estava na hora de finalmente ver o nosso filme. E o DVD travou. Outro grupo também não havia entregado na “data certa” e o filme deles foi passado, enquanto tentavam fazer nosso DVD (que estava funcionando...) funcionar. O filme, que acho que se chamava Fraturas, era muito interessante e o melhor que já tinha passado até aquele momento. No elenco do filme estava Eduardo Cardoso, o Lucas de Antes que o Mundo Acabe (e eu não notei que ele era meu colega, apesar de eu adorar esse filme). A experiência de ver Fraturas teria sido muito mais interessante se o equipamento do cinema não tivesse falhado e travado todo o filme. Ficou parecendo o drama do gago.

Quando o filme acabou, o projecionista ainda não tinha aprendido a fazer projeções e nosso filme não estava pronto para ser exibido. Fui até lá para ver se conseguia resolver o problema e quando resolvi, voltei para a sala e eles tinham ligado as luzes e começado um bate-papo com a plateia. Surtei. Quando as pessoas começaram a ir embora, porque já eram mais de 21h e o bate-papo ainda não tinha terminado, surtei um pouco mais. Claro que daria errado, por que não daria?

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Lá pelas tantas alguém pede para o professor analisar os filmes apresentados e minha irmã, no fundo da sala, grita “Falta um!!”. Depois de muito tempo consegui interromper aquela sessão de chatice e nosso filme foi passado. E sabe o que mais? Quando acabou, o pessoal veio nos parabenizar. O filme foi um sucesso e de longe o melhor da noite. Era como se dissesse “Fizemos vocês passar por toda essa tortura, mas não foi em vão”.

Quem me conhece sabe que não sou de ficar me gabando. Até o final do filme, eu estava uma pilha de nervos porque tinha certeza de que todos odiariam muito e que eu sairia de lá humilhada. Mas estou orgulhosa do meu bebê, que nasceu em uma premiação da RBS há quase três anos, como apenas uma ideia para um mini de um minuto e que se tornou um belo curta de vinte minutos. Dignidade! Sempre Dignidade! conta a história de um diretor de cinema fracassado que cria um plano perfeito para conseguir fama. Meu cunhado, Guto Bozzetti, interpreta o Diretor e fico muito feliz que nossa primeira escolha para o papel tenha dado errado e que o Guto tenha substituído. Foi a melhor coisa que fizemos pelo nosso filme! O personagem, que a princípio era patético e fracassado, se tornou um homem carismático que apesar de todo o seu talento e esforço, acaba sempre se dando mal. Gosto de ver que o personagem evoluiu até esse ponto. Não gostava dele antes, mas hoje gosto.

dignidadeCenas de Dignidade! Sempre Dignidade!

A mostra tinha tudo para ser algo bacana, para homenagear os esforçados alunos que conseguiram aguentar a chatice ficar até o final do curso. Era tão simples. Não sei exatamente quantos curtas foram (estava tão cansativo ver aquelas entrevistas que acabei nem contando), mas digamos que fossem cinco. Ao invés das entrevistas, podiam ter passados estes cinco filmes e feito um bate-papo com um representante de cada grupo, no final da apresentação. Podia ter tido um coquetel. Os exercícios das aulas não precisavam ter sido apresentados e podiam ter feito uma cerimônia pequena para entregar os certificados. Podiam ter marcado às 17h e começado às 17h. Podiam ter avisado que a entrega era dia 07 e não dia 12. O evento teria sido menos cansativo, duraria no máximo 2h e todos sairiam felizes e sentindo-se valorizados.

O resultado final foi um grande desastre e fico chateada de ver que meu trabalho não teve a apreciação que merecia. Na verdade, todos nós que estávamos lá apresentando nossos trabalhos merecíamos mais do que aquilo. Até mesmo o filme da prostituta. Quem sabe ano que vem eles procurem a ajuda de alguém que realmente entenda de cinema e consigam fazer algo digno. Vamos lá minha gente... Não é tão difícil assim! DIGNIDADE! SEMPRE DIGNIDADE!

tumblr_lt0m1hS8bX1qfjjglo3_250Vote no macaquinho como professor!

4 comentários:

Pri Zorzi disse...

Como namorada de um dos desistentes da Oficina, ouvi em primeira mão a justificativa do "não dá pra aguentar essa merda". Acho que é consenso que o curso é um lixo, a não ser pra quem não entendia nada de Cinema (e que, como o professor era o Ronaldo, continua não entendendo).

Loma, é que tu tinha que entender que ele não lia os e-mails e era melhor pessoalmente, hahaha! Certo que ele programou o e-mail dele pra responder isso automaticamente uma semana depois da data de recebimento do e-mail.

Legal que eu e a Leli só entendemos que aqueles curtas eram os exercícios quando a gente viu o de vocês ali, hahaha! Achei a edição medonha, porque:
a) As entrevistas eram longas, extremamente chatas e não acrescentavam nada pra quem estava assistindo;
b) Sem falar na propaganda do curso, vinda de pessoa que obviamente sabem tanto de cinema quanto meu cachorro imaginário;
c) Sem mencionar na lavação de roupa suja em algumas entrevistas!
d) A única coisa que demarcava o final de um curta eram os créditos, mas de resto a transição entre um vídeo e outro ficava por conta da imaginação de quem assistia. Porra, Ronaldo, nem um fade???
e) Pra alguém que se propõe a ensinar sobre Cinema, aquele lixo de edição era imperdoável;

Também levo em consideração que eram curtas amadores, com equipamentos ruins e sem auxílio profissional, mas o que me chocou foram os roteiros sem-graça ou mal-feitos! Tinha coisas que tu via que a idéia era ruim e nem um Woody Allen salvaria. Eram piadas sem graça, clichês e obviedades mal-executados, ausência de criatividade... Espero, pelo bem da maioria dos teus colegas, que eles não tenham se ESFORÇADO pra fazer aquilo.

Acho que o nome era "Fraturas", não? Anyway... Achei meio ruinzinho porque, apesar de bem filmado sob o aspecto visual, o discurso o tempo todo me pareceu vazio e o filme era excessivamente permeado pelo ar de "quero ser alternativo", algo que acho bem tedioso. Mas nem dá pra avaliar muito pelo problema do áudio, né... Especialmente no final.

Não chegava a ser 21h quando o filme foi exibido, a gente saiu de lá era quase isso. Acho que começou o filme era umas 20h30 ou talvez um pouco depois.

Faltou tu falar sobre o super bate-papo, que causava mais morte neuronal do que ouvir CD do Calypso! Sério, ninguém ali falou algo que prestasse e as perguntas eram tão chatas quanto as respostas eram desmioladas.

Bah, o Guto arrasou mesmo! A atuação dele ficou ótima, do modo de falar às caretas, e ele tem bastante presença em cena.

Acho que tem várias coisas no evento que podiam ser melhores, mas deu errado porque já estava errado na maneira como foi pensado, então se a base é ruim não tem muito milagre a fazer. Tipo exibir as entrevistas, os curtas e os exercícios juntos numa mesma grande massa amorfa de boringness. Se não ficasse tão cansativo, talvez a gente até pudesse ter apreciado melhor alguns dos curtas dos colegas. E não custava nada o Ronaldo ter usado o orçamento que ele recebe por esse curso pra comprar uma câmera e microfones pros grupos usarem, nem que vocês tivessem que fazer fila e só tocar nesse material sob supervisão dele.

Paloma disse...

Hmmm.. Talvez fosse Fraturas... Na hora que apareceu o título, eu estava na sala de projeção tentando arrumar o nosso filme.

Estou pensando em fazer de novo o curso, se for outro professor. E se fizer, vou me oferecer para ajudar na organização. Se bem que eu tenho experiência em ser rejeitada quando me ofereço para ajudar DE GRAÇA esses eventos ¬¬

Realmente, a lavação de roupa suja nas entrevistas foram bem inapropriadas. E eu estava tão surtada na hora do debate que nem prestei atenção.

Anônimo disse...

Thanks for the info! We're making a custom pair of slippers for you :)” oh wow thank you!!

Pri Zorzi disse...

Eu tinha a impressão que o nome era esse, mas não tenho certeza. E no fim, não ficou explicado porque o filme deles teve problema, ficou?

Eu acho lindo que as pessoas rejeitam ajuda de graça, né? A gente fica se sentindo um cocô e, o que é até pior, o trabalho sem a nossa ajuda sai uma merda.

Acho que o curso valeria a pena não só se fosse outro professor, mas se fosse mais organizado. Porque não adianta trocar seis por meia dúzia, uma das coisas que faz com que o pessoal não aprenda nada é a pouca clareza sobre o que o curso tá se propondo a ensinar e como fazer pra chegar lá.

Eu prestava atenção só no começo das entrevistas, porque elas eram tão chatas que o meu cérebro se desligava pra se proteger. Mas o pouco que vi achei bem inadequado, parece que as pessoas não se tocaram que isso seria exibido pra quem que não tinha nada a ver com o assunto e ficavam mandando recadinhos. Erro delas por terem dito, mas também do Ronaldo por não ter editado.

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