quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dignidade! Sempre dignidade!

Aqui está o nosso curta, Dignidade! Sempre Dignidade!, produzido para a Oficina de Áudio e Vídeo da Prefeitura de Porto Alegre. Quem quiser conferir minha crítica sobre a “grande” mostra da Oficina, é só clicar aqui.

O filme foi feito com orçamento zero e teve apoio da Prefeitura de Porto Alegre, do Centro Universitário Metodista IPA, Parque Zoológico de Sapucaia do Sul e Jardim Botânico de Porto Alegre.

Dignidade! Sempre Dignidade! (2011)
Direção: Paloma Rodrigues, Juliano Moreira, Liana Vargas Fernandes
Roteiro: Paloma Rodrigues, Juliano Moreira
Elenco: Guto Bozzetti, Juliano Moreira, Paloma Rodrigues, Vera Lúcia Rodrigues, Sérgio Orides, Liana Vargas Fernandes, André Bozzetti, Laura Gluer, Estela Bozzetti, Priscilla Zorzi, Thiago Duarte, Tati Garbin, Rodger Timm e Cristina Althaus

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

domingo, 13 de novembro de 2011

A Grande Dificuldade de se Organizar o Evento Mais Simples do Mundo

Ontem tive minha grande estreia no cinema e, como todas as coisas da minha vida, não foi fácil. Nem um pouco.

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Fiz este ano uma Oficina de Audiovisual, oferecida pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre, cujo trabalho final seria a produção de curtas-metragens. Dos mais de noventa alunos que se matricularam lá em abril, cerca de trinta conseguiram chegar até o final. Os motivos, tenho certeza, foram os mais diversos. Porém a opinião geral foi: Não dá para aguentar essa m#@*a. As aulas aconteciam aos sábados, tendo duas turmas (manhã e tarde) e 4h/aula. Essas 4h eram desperdiçadas com muito discurso aleatório, com um professor que sabe muito de técnica, mas nada de cinema, e que não conseguia falar por dez minutos sem se desviar do assunto (tinha dias que ele levava quase 1h para fazer a chamada). Não fiquei até o final de nenhuma aula. Mas fui em praticamente todas.

Mês passado foi um mês difícil para mim. Sabe quando parece que tudo que poderia acontecer acontece ao mesmo tempo? Pois é. Por isso, avisei o professor que eu não iria poder ir nos próximos sábados. Eram aulas de edição, coisa que aprendi a fazer na faculdade, e prometi entregar nosso filme na data certa: 12 de novembro. Ele estava praticamente pronto muito antes dos outros grupos e, apesar das dificuldades, estávamos otimistas. Então recebi um email dizendo que a mostra de filmes seria no dia 07 e ainda não tínhamos finalizado (faltava colocar a música e terminar a abertura). Entramos em pânico. Ok, eu entrei em pânico. Depois recebi um email avisando que, na realidade, o evento era dia 12. Filme gravado, editado, renderizado e gravado! Faltava só mostrar.

A mostra aconteceria às 17h e resolvemos ir às 14h, para testar o DVD e já ver se precisávamos entregar mais alguma coisa. Chegamos lá e ninguém da Oficina tinha chegado. Lá pelas 16h30 chega o professor e nos avisa que a entrega era dia 07, que não dava para testar o DVD e que o nosso filme teria que passar só no final da mostra. Ah, e a gente não ganharia certificados de participação. Afinal… Não é como se eu tivesse avisado ele que não teria como ir, mas que o filme estava sendo feito e seria apresentado… Não, peraí… Eu fiz isso! Douchebag.

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A mostra começou com meia hora de atraso e ao invés de passarem apenas os trabalhos finais dos grupos, foram exibidos também os exercícios realizados durante a Oficina (completamente fora de contexto) e entrevistas com os alunos, feitas pelo professor, sem trilha ou edição... Longíssimas e chatas entrevistas, promovendo a Oficina. O que era para ser uma simples mostra virou uma tediosa (e mal editada) propaganda.

Alguns dos filmes eram bons, outros mal feitos, mas bem intencionados, e outros tão horríveis que dava vontade de sair correndo gritando. Meu favorito foi o As Voltas que a Vida Dá, um dos piores filmes que já vi. Eu teria dado o Prêmio The Room de Cinema para eles, na categoria  You Are Tearing Me Apart, Lisa.

tumblr_lubk0czDLW1qzniuko1_500(fiquei esperando que algum personagem falasse que está com câncer, para depois nunca mais falar nada sobre isso)

Tenho noção de que são curtas amadores, sem orçamento e, convenhamos, sem auxilio profissional NENHUM. Mas esse curta era tão chato, tão risível e tão metido a chocante, que eu quase me engasguei rindo. Uma mulher perde tudo depois que o marido a troca por uma amante mais jovem, e precisa se prostituir. Para começar, antes do filme passar vimos mais uma daquelas entrevistas, com a diretora do filme e uma das atrizes. A diretora dizendo que agora ela podia se considerar uma diretora e roteirista de verdade, que o filme delas era maravilhoso. Sabe como é, né? Para a mãe, todo o filho é bonito. Nos primeiros minutos, eu não tinha certeza se aquilo era uma comédia genial ou um drama horroroso. A plateia se contorcia rindo e tenho certeza de que esse não era o objetivo.

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Depois de mais de uma hora de agonia (e nenhum êxtase), estava na hora de finalmente ver o nosso filme. E o DVD travou. Outro grupo também não havia entregado na “data certa” e o filme deles foi passado, enquanto tentavam fazer nosso DVD (que estava funcionando...) funcionar. O filme, que acho que se chamava Fraturas, era muito interessante e o melhor que já tinha passado até aquele momento. No elenco do filme estava Eduardo Cardoso, o Lucas de Antes que o Mundo Acabe (e eu não notei que ele era meu colega, apesar de eu adorar esse filme). A experiência de ver Fraturas teria sido muito mais interessante se o equipamento do cinema não tivesse falhado e travado todo o filme. Ficou parecendo o drama do gago.

Quando o filme acabou, o projecionista ainda não tinha aprendido a fazer projeções e nosso filme não estava pronto para ser exibido. Fui até lá para ver se conseguia resolver o problema e quando resolvi, voltei para a sala e eles tinham ligado as luzes e começado um bate-papo com a plateia. Surtei. Quando as pessoas começaram a ir embora, porque já eram mais de 21h e o bate-papo ainda não tinha terminado, surtei um pouco mais. Claro que daria errado, por que não daria?

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Lá pelas tantas alguém pede para o professor analisar os filmes apresentados e minha irmã, no fundo da sala, grita “Falta um!!”. Depois de muito tempo consegui interromper aquela sessão de chatice e nosso filme foi passado. E sabe o que mais? Quando acabou, o pessoal veio nos parabenizar. O filme foi um sucesso e de longe o melhor da noite. Era como se dissesse “Fizemos vocês passar por toda essa tortura, mas não foi em vão”.

Quem me conhece sabe que não sou de ficar me gabando. Até o final do filme, eu estava uma pilha de nervos porque tinha certeza de que todos odiariam muito e que eu sairia de lá humilhada. Mas estou orgulhosa do meu bebê, que nasceu em uma premiação da RBS há quase três anos, como apenas uma ideia para um mini de um minuto e que se tornou um belo curta de vinte minutos. Dignidade! Sempre Dignidade! conta a história de um diretor de cinema fracassado que cria um plano perfeito para conseguir fama. Meu cunhado, Guto Bozzetti, interpreta o Diretor e fico muito feliz que nossa primeira escolha para o papel tenha dado errado e que o Guto tenha substituído. Foi a melhor coisa que fizemos pelo nosso filme! O personagem, que a princípio era patético e fracassado, se tornou um homem carismático que apesar de todo o seu talento e esforço, acaba sempre se dando mal. Gosto de ver que o personagem evoluiu até esse ponto. Não gostava dele antes, mas hoje gosto.

dignidadeCenas de Dignidade! Sempre Dignidade!

A mostra tinha tudo para ser algo bacana, para homenagear os esforçados alunos que conseguiram aguentar a chatice ficar até o final do curso. Era tão simples. Não sei exatamente quantos curtas foram (estava tão cansativo ver aquelas entrevistas que acabei nem contando), mas digamos que fossem cinco. Ao invés das entrevistas, podiam ter passados estes cinco filmes e feito um bate-papo com um representante de cada grupo, no final da apresentação. Podia ter tido um coquetel. Os exercícios das aulas não precisavam ter sido apresentados e podiam ter feito uma cerimônia pequena para entregar os certificados. Podiam ter marcado às 17h e começado às 17h. Podiam ter avisado que a entrega era dia 07 e não dia 12. O evento teria sido menos cansativo, duraria no máximo 2h e todos sairiam felizes e sentindo-se valorizados.

O resultado final foi um grande desastre e fico chateada de ver que meu trabalho não teve a apreciação que merecia. Na verdade, todos nós que estávamos lá apresentando nossos trabalhos merecíamos mais do que aquilo. Até mesmo o filme da prostituta. Quem sabe ano que vem eles procurem a ajuda de alguém que realmente entenda de cinema e consigam fazer algo digno. Vamos lá minha gente... Não é tão difícil assim! DIGNIDADE! SEMPRE DIGNIDADE!

tumblr_lt0m1hS8bX1qfjjglo3_250Vote no macaquinho como professor!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A Casa dos Sonhos

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Ah! Meu doce e querido cinema ruim! O que eu seria sem você? Às vezes acho que um filme ruim pode ser mais divertido do que um bom, Mamãezinha Querida, Burlesque e A Garota da Capa Vermelha estão aí para provar isso. Mas ultimamente os cinemas brasileiros estão sendo recheados de filmes ruins que não são bons... Qual a graça nisso? E eis que surge A Casa dos Sonhos, como um sopro de ar pútrido em nossas caras, levando um sorriso aos nossos corações. E se isso não faz sentido para você, tudo bem, esse filme também não vai fazer.

Filme ruim bom é aquele que é tão ruim que acaba divertindo. São filmes perfeitos para os chamados call back lines (respostas para as ações e falas das personagens, tradição criada pelo público de The Rocky Horror Picture Show, nos anos 70), para piadas e risadas histéricas sem motivo. E você sabe que um filme deve ser ruim quando o diretor pede para que seu nome seja retirado dos créditos, certo? E a coisa só melhora quando os atores principais, Daniel Craig e Rachel Weisz, se negam a promover o filme.

A Casa dos Sonhos conta a história da família Atenton, que acaba de se mudar para uma casa que, segundo todos os personagens de filmes de horror onde alguém se muda para uma casa, “tem um problema”. As filhas do casal, Dee Dee e Trish, começam a ver um misterioso homem rondando a casa e adolescentes invadem o local para realizar estranhos (porém nunca mais mencionados pelo resto filme) rituais. Além disso, a vizinha do casal (Naomi Watts) e os outros moradores da cidade parecem não se importar com os problemas ocorridos na casa e ignoram os pedidos de ajuda da família.

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O filme tem uma ideia muito boa, mas não é narrado de forma convincente e acaba se tornando bobo e até mesmo incompreensível em algumas partes. As falas dão muito espaço para piadas de duplo sentido, como quando Naomi Watts manda Daniel Craig ir tomar banho e “não sair de lá” ou traz para ele “algo para aquecê-lo”, ou quando Rachel Weisz diz que Craig está “extremamente quente” (se referindo a uma febre). Estamos a alguns minutos do início do filme quando nos é apresentada a personagens de Watts e já sabemos que ela, Craig e Weisz vão fazer sexo. Mesmo que não seja durante o filme.

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Apesar de todas as suas falhas, A Casa dos Sonhos tem tomadas interessantes (o diretor faz questão de mostrar a reação das personagens mais do que o que está causando tal reação), uma história surpreendente e boas atuações. Se o resultado é algo risível, o culpado é Jim Robinson, chefe da produtora Morgan Creek, que não entende o conceito de “confiar nos especialistas”.

cirurgiaFonte: http://divasca.blogspot.com/2011/09/confie-no-profissional.html

Dream House (2011)
Direção: Jim Sheridan
Roteiro: David Loucka
Elenco: Daniel Craig, Rachel Weisz, Naomi Watts, Taylor Geare, Claire Geare, Rachel G. Fox, Marton Csokas, Elias Koteas

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Eu Queria Ter a Sua Vida

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A primeira coisa que pensei quando vi o pôster deste filme foi: O que, exatamente, eles fizeram para que esta seja “a troca de corpos definitiva”? Está bem, essa não foi a primeira coisa. A primeira foi: Meu Deus, a cara do Ryan Reynolds. Mas enfim, a minha ideia sobre o porquê da frase é que os diretores/roteiristas estavam cansados de ver tanto filme de troca de corpo, a maioria meia boca (alguns péssimos, pouquíssimos bons), e decidiram criar um filme de troca de corpo tão ruim que ninguém mais teria coragem de fazer outro. Filmes de troca de corpo virariam um subgênero cinematográfico underground, com alguns fiéis seguidores. De repente, a troca entre homem/mulher, namorado/namorada, mãe/filha, marido/esposa, pai/filho, dono/cachorro, velho/jovem já não mais seria suficiente, e os criadores destas obras seriam obrigados a pensar antes de fazer um filme e, por consequência, o público também teria que fazer isso para assistí-lo.

Ao assistir Eu Queria Ter a Sua Vida (que ficou poucas semanas em cartaz na cidade onde moro) confirmei minhas suspeitas. Jason Bateman interpreta Dave Lockwood, um advogado pai de família que acredita ter desperdiçado sua juventude, e Ryan Reynolds é Mitch Planko, ator meia boca que passa seus dias se drogando e procurando mulher. Sério? Eu jamais imaginaria isso pelo pôster!!

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Why the face??

Os dois são amigos de colégio e depois de uma bebedeira, confessam que gostariam de ter a vida do outro. E como num passe de mágica, os dois acordam na manhã seguinte com os corpos trocados.

O filme brinca um pouco com os clichês, tenta reinventar algumas piadas e adiciona um toque de humor negro, mas não consegue ser verdadeiramente engraçado. Nem Jason Bateman nem Ryan Reynolds são bons o suficiente e, quando precisam interpretar um ao outro, parecem desconfortáveis com os papéis. Adoro ambos os atores, especialmente Bateman, porém aqui eles não conseguem convencer. Filmes como Quero Matar Meu Chefe, Juno, Enterrado Vivo e A Proposta representam muito mais o talento e carisma destes atores.

As piadas de humor negro não chegam a ser engraçadas e servem apenas para causar desconforto em quem assiste, e as piadas “normais” são meramente engraçadinhas. A história não chega a ser ofensiva, mas também não adiciona nada de novo para quem já assistiu os mais de 90 filmes sobre esse assunto. Acredito que a pior coisa que se pode dizer sobre um filme é que ele não te adiciona em nada. Sair do cinema exatamente igual a quando você entrou, e é isso que Eu Queria Ter a Sua Vida é. Um filme vazio e óbvio, que não vai a lugar nenhum e nem ao menos serve para dar umas boas risadas e distrair uma mente cansada. Se este era o objetivo dos criadores, parabéns! Se não era, bem... Esta na hora de começar a usar a cabeça.

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The Change-Up (2011)
Direção: David Dobkin
Roteiro: Jon Lucas, Scott Moore
Elenco: Jason Bateman, Ryan Reynolds, Olivia Wilde
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