segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Penélope

Eu tinha uma cachorrinha

Que costumava subir na cama todas as manhãs e me acordar.

Ela gostava de roer ossos

Carinho na barriga

Dormir nas nossas camas.

Quando eu passeava com ela dentro do pátio do condomínio

Costumava deixar a coleira solta.

Uma vez ela fugiu pelas grades.

Uma vez ela quase foi atropelada por dois ônibus.

Uma vez fiz um bolo de chocolate para o aniversário dela.

Ela tinha um ursinho sem olho

Apenas um dente na boca

Um bafo horroroso.

Ela gostava de deitar perto da gente

Ou em cima da gente

Ou onde a gente estava sentado.

Ela latia quando a gente comia.

Ela latia quando a gente saia.

Ela fez cocô na mesa.

Ela sabia quando tinha feito algo errado

E sabia quando eu estava triste.

Ela foi minha primeira amiga.

E eu amo ela muito.

Não quero que ela se vá.

Não queria acordar e saber que ela não existe mais.

Agora vou para a cama

Talvez eu leia

Talvez eu durma

Só sei que não posso mais escrever

Porque dói muito e as lágrimas não me deixam enxergar.

Pepe

Penélope (1998 – 2011)

(me desculpe pela falta de qualidade, mas eu precisava tirar isso de dentro de mim antes que me matasse)

6 comentários:

Leticia Vitoria disse...

ela era fofa, mesmo fedorenta. will be surely missed!

Pri Zorzi disse...

(bah, que trabalheira que deu pra conseguir comentar aqui, ele não tava logando)

Como te disse, meus pêsames :/

Nem tem muito o que falar nessas horas, mas te desejo melhoras.

Paloma disse...

Obrigada gurias.

Peço desculpa pelo novo sistema de comentários, mas foi a única solução que eu encontrei. Tenho recebido alguns comentários bem desagradáveis no texto A Órfã e vários comentários de spam e/ou sem sentido em outros textos, e cansei de ter que ficar lendo esse tipo de coisa.

Pri Zorzi disse...

Eu imaginei que era algo nesse sentido. É um saco ter que lidar com esses idiotas de blogs, mas a gente faz como pode.

Desculpa a pergunta e não precisa responder se não quiser, mas o que aconteceu com a Penelope? Foi de velhinha mesmo ou outra coisa?

Paloma disse...

A Pêpe estava com câncer. Mas a médica disse que ela ia ficar bem, porque não tinha se espalhado. E que não dava pra fazer cirurgia porque ela era muita velha e isso podia piorar a situação. Na sexta eu fui lá e ela estava bem. Aí no sábado pra domingo a Paola acordou de madrugada com ela chorando. Ficou com ela até ela se acalmar e foi dormir. Na manhã seguinte ela estava morta :'(

Acho que ela teve um ataque epilético e o coração dela parou.

Ela era velha, mas nem tanto. Estava com 13 anos, e cães da raça dela podem viver até os 16, 17.

Me sinto tri mal. Tenho poucas lembranças de antes dela vir morar com a gente e fiquei tendo flashbacks da época que a gente morava no Humaitá. E fico com medo, porque a Sandy tá com 12 anos.

A Pêpe sempre foi o cachorro mais divertido ever.

Pri Zorzi disse...

Bah, que coisa :/

Pelo menos ela teve uma vida longa e feliz! E foi muito bem tratada e amada por vocês.

E eu entendo tu te preocupar com a Sandy, mas só o fato de ela não ter a mesma doença que a Pêpe tinha já é um bom sinal.

Mais uma vez, meus pêsames por tudo isso :(

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