quarta-feira, 13 de abril de 2011

Uma Manhã Gloriosa

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Que maravilha é ver um filme que reúne Diane Keaton, Harrison Ford e Rachel McAdams em um só lugar. É ainda mais maravilhoso ver os dois veteranos se renovarem, deixando claro que ainda têm muito a oferecer para seu público.

Rachel McAdams interpreta Becky Fuller, uma produtora de TV que é contratada para salvar um noticiário vespertino, prestes a ser cancelado. Ela decide contratar Mike Pomeroy (Harrison Ford), repórter com mais de 40 anos de profissão e uma excelente reputação, mas que agora é pago pela emissora para ficar em casa sem trabalhar. Isso não agrada a atual âncora do programa, Colleen Peck (Diane Keaton), com quem Mike irá dividir às telas. Isso porque Mike é “a terceira pior pessoa do mundo”, egoísta e mal humorado, enquanto Colleen é o tipo de mulher que consegue sorrir até nos momentos mais embaraçosos ou estressantes.

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Becky é uma pessoa que não trabalha para viver, ela vive para trabalhar. Sua vida amorosa é praticamente nula (o que pode mudar com a chegada de Adam, personagem interpretado por Patrick Wilson) e todas as conversas que consegue ter se baseiam unicamente no seu emprego. Uma Manhã Gloriosa é um retrato bem humorado de pessoas como Becky, e não cai na pieguice ou no mau gosto. McAdams é a atriz ideal para o papel, pois consegue equilibrar a meiguice com a força, características essenciais para que possa ser bem sucedida no mundo do jornalismo. O que Becky quer é misturar entretenimento com notícias sérias, misturar o bom humor e carisma de Colleen com a experiência de Mike.

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I've won eight Peabodys. A Pulitzer.Sixteen Emmys.I was shot through the forearm in Bosnia. Pulled Colin Powell from a burning Jeep. I laid a cool washcloth on Mother Teresa's forehead during a cholera epidemic. I've had lunch with Dick Cheney... And I destroyed the Death Star.

O filme remete a Nos Bastidores da Notícia, apesar de não analisar tão a fundo à mentalidade de produtores de televisão e repórteres como o diretor James L. Brooks fez. Diria que Uma Manhã Gloriosa é uma versão light de Bastidores, mais voltada para a redenção do que para a destruição. Aqui, os personagens, por mais perdidos que pareçam estar, têm uma chance de se redimir e começar novamente.

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O elenco também conta com a participação de Jeff Goldblum como o chefe de Becky que acredita que o programa jamais vai conseguir superar a crise; John Pankow (o eterno Ira Buchman, de Mad About You); Ty Burrell, o Phill de Modern Family, que aparece pouco, mas gera várias risadas com seu personagem caricato; e Matt Malloy, que ganha forças do meio do filme para o fim, chegando até mesmo a roubar algumas cenas.

Uma Manhã Gloriosa pode não ser uma grande novidade no mundo do cinema, mas é um filme charmoso, cativante. Grande parte desta glória fica nas mãos do trio de protagonistas. McAdams mostra mais uma vez que é uma das melhores atrizes da atualidade, enquanto Ford e Keaton reafirmam seu papel em Hollywood e demonstram que o que eles realmente precisam é um roteirista e um diretor competentes. Roger Michell e Aline Brosh McKenna conseguiram criar um filme verdadeiro, que não recorre a artifícios para conseguir ser bem sucedido. Um grande filme não precisa de vilões, romances irreais ou heróis sem nenhuma falha. Tudo que um filme precisa é de personagens verdadeiramente humanos, com qualidades e defeitos. Perfeitos na sua mais pura imperfeição.

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Morning Glory (2010)
Direção: Roger Michell
Roteiro: Aline Brosh McKenna
Elenco: Rachel McAdams, Harrison Ford, Diane Keaton, Patrick Wilson, Jeff Goldblum, John Pankow

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sucker Punch

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Quando eu era criança, uma das coisas que mais gostava de fazer era inventar histórias e brincadeiras que envolviam coisas que estavam ao meu redor. Eram histórias fantásticas onde o abajur aventureiro salvava a placa de trânsito desavisada. Essas brincadeiras evoluíram quando descobri os filmes. No novo mundo que criei, eu poderia ser qualquer um. Meus ursos de pelúcia passaram por poucas e boas quando ficaram presos em um ônibus que não poderia parar ou explodiria. Eu me mudava para cidades pequenas e as pessoas me achavam estranha, mas depois passavam a gostar de mim. Ou meu chefe se apaixonava por mim e eu criava os sete filhos dele. Eventualmente eu escrevia um livro ou um roteiro (escrevi várias peças de teatro para a escola), narrando minhas peripécias.

Yeah!

Quando fui assistir Sucker Punch, estava empolgada por causa do trailer. Aquela fantasia surreal e mirabolante era bastante sedutora e fui para a sala de cinema esperando um filme grandioso. Fui esperando um filme, mas o que assisti foi um dos meus delírios de infância. Finalmente consegui entender porque as pessoas estavam sempre me mandando calar a boca.

Lomilda

Sucker Punch é um delírio infantil, uma fantasia do pequeno Zach Snyder, aos seus 10 anos de idade, sonhando com robôs gigantes, zumbis, guerras e samurais. O longa foi um desastre de bilheteria (o filme não faturou mais do que 30 milhões e teve um orçamento de 82 milhões de dólares) e é bem óbvio entender o porquê. O filme foi um fiasco tão grande que ficou atrás de O Diário de um Banana 2, o que é engraçado, já que esse seria uma tradução muito boa para o título. Sucker Punch – O Diário de um Banana nas Alturas.

My sexy friends Também conhecido como Eu Tenho Fantasias Sobre Minhas Amigas Sem Roupa

Depois que sua mãe morre, uma garota (Emily Browning) é incriminada pela morte de sua irmã (que foi assassinada pelo padrasto). Assim, a jovem é enviada para um manicômio, de onde precisa escapar antes que os médicos lhe façam uma lobotomia. O filme se passa todo dentro da mente da personagem, durante os segundos que a agulha leva para entrar em seu crânio.

Lennox House

Dentro da fantasia, a garota vira Baby Doll, uma prostituta que se une às suas colegas de profissão para fugir do prostíbulo, usando cinco itens que elas precisam coletar no local (um mapa, um isqueiro, uma faca, uma chave e um objeto misterioso). Para isso, Baby Doll usa seus dotes para dança, hipnotizando a todos que a observam. É durante as danças - que nunca vemos - que viajamos para o terceiro mundo de Sucker Punch (a imaginação dentro da imaginação). É nesta parte que a ação toma conta e vemos as jovens transformadas em guerreiras que devem lutar contra seres fantásticos para conseguir os itens necessários para a sua fuga.

Nazi zombies are the worst kind of nazis

Na teoria, Sucker Punch é o melhor filme já criado. É lindo visualmente, é criativo nas cenas de batalhas, tem uma das aberturas mais interessantes que já vi em um filme e uma ótima trilha sonora. Mas, na realidade, não passa de um grande delírio ingênuo e incoerente, com mulheres seminuas sendo mostradas como heroínas, mas agindo como objetos sexuais. O filme mistura elementos de anime, vídeogame e ficção científica, mas cai na mesmice e acaba se tornando enfadonho. Nunca pensei que sentiria tanto sono durante uma cena de luta com dragões e zumbis.

Dragon

O filme tenta pregar contra a violência com a mulher, mas representa a imaginação de uma garota de maneira sexista e surreal. Gosto de imaginar como seriam as coisas caso o mundo fosse infectado pelo vírus zumbi, ou como seria se eu fosse um vampiro. Ou até mesmo como seria ter super-poderes. Mas nessas fantasias, eu nunca estou acompanhada das minhas amigas seminuas (ah menos que minhas amigas seminuas sejam interpretadas pelo Hugh Jackman). A única conclusão que consigo chegar ao assistir a este filme é que Baby Doll é, na realidade, Zach Snyder vestido de menina, tendo sonhos molhados com suas colegas de quarto.

Oh, they are so sexy! But I'm not a lesbian.

Sucker (como gosto de chamá-lo carinhosamente, remetendo a episódios antigos de Pica-Pau) não passa de um grande “Razzle Dazzle”, cheio de plumas e purpurinas para encobrir o fato de que é vazio em matéria de roteiro e atuações.

Sucker!

Give 'em the old razzle dazzle
Razzle Dazzle 'em
Give 'em an act with lots of flash in it
And the reaction will be passionate
Give 'em the old hocus pocus
Bead and feather 'em
How can they see with sequins in their eyes?
What if your hinges all are rusting?
What if, in fact, you're just disgusting?
Razzle dazzle 'em
And they’ll never catch wise!
[...]
Razzle dazzle 'em
And they'll beg you for more!

Richard Roeper, do Chicago Sun Times, disse que Sucker Punch “prova que um filme pode ser barulhento, cheio de ação e recheado de mulheres jovens e lindas – e mesmo assim te entediar até às lágrimas”. Como filme, Sucker Punch é uma grande falha para Snyder. Mas talvez a versão para Playstation 3 agrade mais.

Ps. com spoiler: Cheguei a ler algumas críticas que diziam que a atuação de Emily Browning está excelente nesse filme, mas fica bem claro que quem disse isso não viu a cena final onde Baby Doll é lobotomizada e com um grande suspense, o filme nos mostra que ela continua com a mesma cara de quem está morrendo de tédio da própria atuação.

I'm sad! I'm angry! I'm scared!Sucker Punch (2011)
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Zack Snyder, Steve Shibuya
Elenco: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens

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