sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Complexo de Bridget Jones

Certo dia, uma amiga me disse que ela era a Bridget Jones sem o Mark Darcy. Na hora, respondi algo engraçado, uma maneira fácil de escapar de uma dura realidade. Realidade essa que há muito tempo luto contra: TODAS NÓS SOMOS UMA BRIDGET JONES SEM UM MARK DARCY.

BridgetJonesColin Firth e Renée Zellweger, em Bridget Jones: No Limite da Razão

Isso porque homens como Mark não existem. Mark é perfeito. Ele é confiável, fiel, companheiro. Ele nunca te deixa na mão, ele te defende, te respeita e nunca te abandona. Ele sorri com os olhos, usa roupas ridículas só para não magoar a mãe e te acha gostosa, mesmo que você esteja levemente acima do peso. Ele abandonaria a vida dele por você. E, mesmo depois que você ofende todos os amigos dele e age como uma doida, ele ainda assim aparece na porta da sua casa para dizer que te ama. Não, não apenas te ama. Ele te ama do jeito como você é.

MarkDarcy016

Para completar, existem dois Darcys: o Darcy do século XIX ou o do século XXI. Você escolhe.

Darcy

Mark Darcy não existe. Já Bridget Jones sim, e aos montes! Isso porque, ao contrário dele, ela é imperfeita. Bridget não é muito esperta, nem muito bonita, nem muito gostosa, nem muito magra. Ela é normal.

Bridget-Jones--Edge-of-Reason-movies-193241_852_480

O Diário de Bridget Jones é um dos meus filmes favoritos e o vi pela primeira vez quando tinha 14 anos e nenhuma perspectiva de vida amorosa. Ao ver Bridget sentada de pijama, chorando e cantando All By Myself, cheguei a conclusão de que aquela era eu. Não importava os quase vinte anos de diferença entre nós duas.

bridget-jones

Obviamente, se eu era Bridget, eu teria que encontrar meu Mark e então tudo ficaria bem. Minha vida finalmente entraria nos eixos, nada mais de sofrer por causa de homens, nada mais de passar o dia dos namorados sozinha, nada mais de pagar o ingresso do cinema. Minha vida, assim como Mark, seria perfeita. Como toda boa história de terror, as coisas começaram a dar errado no momento em que fiquei sozinha em casa, ou melhor, sozinha com meus pensamentos. E as coisas só ficam piores à medida que você cresce e começa a finalmente se relacionar com o sexo oposto (ou o mesmo, dependendo de sua orientação sexual). E é então que você se dá conta, ou pelo menos deveria, de que sua vida está arruinada para sempre. Porque nenhum homem será o seu Mark Darcy!

“Um humano, ser humano, pessoa, gente ou homem é um animal membro da espécie de primata bípede Homo sapiens, pertencente ao gênero Homo, família Hominidae (taxonomicamente Homo sapiens - latim: ‘homem sábio’). Os membros dessa espécie têm um cérebro altamente desenvolvido, com inúmeras capacidades como o raciocínio abstrato, a linguagem, a introspecção e a resolução de problemas”. [Wikipédia]

501px-Human.svg

O macho, assim com a fêmea, possui deficiências, pois ninguém é perfeito. Por tanto, é de se esperar que os adultos desta espécie ensinem seus filhotes a se protegerem contra essas deficiências, ensinando desde cedo para eles a respeito destas. Mas isso não acontece.

unicornios

Nós, meninas, crescemos lendo sobre o príncipe encantado que salva a moça indefesa da torre, o jovem corajoso e belo que nos ama e nos protege. Ao envelhecermos, os contos de fadas são gradualmente substituídos por comédias românticas. Os príncipes são substituídos por homens maduros, bonitos, ricos (ou não, na verdade), sensíveis e que vão te amar para sempre. Nas comédias românticas, quando um homem trai, ele jamais será O HOMEM. Se ele te magoa de maneira terrível ou te humilha, ele também não será O HOMEM.

Vejam Alguém Como Você, por exemplo. O filme dirigido por Tony Goldwyn fala sobre Jane (Ashley Judd), que acredita em amor verdadeiro. Ela conhece Ray (Greg Kinnear), um homem charmoso e sensível, que parece amá-la bastante. Mas Ray tem uma namorada e acaba terminando com Jane por causa disso. Ray traiu, magoou e humilhou. Pergunto: ele é O HOMEM?

MV5BMTgxNTcyNjY3M15BMl5BanBnXkFtZTYwNjg0MzY2._V1._SX450_SY359_

Não. Jane, abandonada, vai morar com um amigo, Eddie (Hugh Jackman), que é o homem mais galinha da cidade. Ela acaba descobrindo que Eddie tinha uma namorada, por quem era imensamente apaixonado e que quebrou o coração dele. Ao lado de Eddie, Jane pode ser ela mesma. Eddie entende Jane. Eddie ajuda Jane. Mim Eddie, tu Jane. Pergunto: ele é O HOMEM? Você realmente precisa que eu responda?

Eddie10

Coloco a culpa disso tudo em Jane Austen, aquela traíra que ficou enchendo a cabeça de nossas ancestrais com esses orgulhos, sensibilidades e persuasões da vida. Jane praticamente criou o gênero “comédia romântica” com seus livros.  O mais incrível é que Jane nunca foi casada.

ohnojane2

Se você é homem e está lendo isso sem entender muito bem do que estou falando (não querendo generalizar, mas já generalizando), pense o seguinte: comédias românticas são os filmes pornôs das mulheres. Meninos assistem filmes pornôs e, sem nem ao menos terem visto uma mulher nua ao vivo (a própria mãe não conta), acham que aquilo ali é sexo. Meninas, que nunca foram cortejadas (o próprio pai não conta... nesse caso, é melhor chamar a polícia), olham os romances e acham que aquilo é amor. Enquanto os meninos passam sua puberdade se preparando para o dia que transarão enlouquecidamente com uma loira de peitos e orgasmos falsos, as meninas se preparam para quando serão amadas intensamente por um homem falso.

huge_boobs

“Mas nem tudo está perdido!”, alguém grita na multidão. “E o que você me diz de Leopold???” Em Kate & Leopold, de James Mangold, Kate (Meg Ryan) é uma nova-iorquina que só pensa em trabalho e Leopold (Hugh Jackman) é um duque do século XIX. Quando o ex de Kate descobre um portal do tempo que o leva para a época de Leopold, o duque o segue para o século XXI e acaba se apaixonando por Kate. Mas (e nessas histórias sempre existe um “mas”) Leopold precisa voltar para seu próprio tempo, pois ele ainda tem que inventar o elevador e todos nós sabemos como isso é mais importante do que o amor. Jane vai com ele para o século XIX, porque ela nunca se importou de passar mais de um dia sem tomar banho ou abrir os emails.

Leopold também é perfeito. Ele é respeitoso, faz café da manhã como se estivesse fazendo a coisa mais importante da sua vida, é lindamente ingênuo, é sincero, é integro, é um duque e é lindo de morrer. De todos os homens de comédias românticas que já existiriam, esse é, com certeza, o mais maravilhoso.

K-L-promo-kate-and-leopold-8487767-800-1008

E Leopold existe! O Príncipe Leopold, Duque de Albany, nasceu em 1853 e era príncipe de Saxe-Coburgo-Gota, antigo ducado semi-independente da Alemanha situado no atual estado de Turíngia. Leopold nunca inventou o elevador, quem fez isso foram os egípcios e quem aperfeiçoou foi Elisha Otis. Mas ele era patrono das artes e da literatura, o que eu acho muito genial! Quando Leopold resolveu se casar, uma de suas pretendentes foi Alice Liddell, para quem Lewis Carroll escreveu Alice no País das Maravilhas. Ele acabou se casando com a Princesa Helena Frederica de Waldeck, por sugestão da Rainha Victoria, mãe de Leopold.

“Viu? Existem homens perfeitos! Se Leopold existiu, então Mark também pode existir!”

Acontece que o Leopold e sua versão cinematográfica não poderiam ser mais diferentes. Príncipe Leopold foi diagnosticado com hemofilia (doença genética hereditária que incapacita o corpo de controlar sangramentos) e morreu aos 30 anos. Apesar de ele ser retratado como um homem corajoso e destemido no filme, na realidade ele não poderia se dar ao luxo de cavalgar atrás de um assaltante no meio do Central Park apenas para resgatar uma bolsa. Sua doença jamais permitiria que ele fizesse algo tão destemido (e meio burro). O Leopold de verdade era um homem muito doente (ele quis seguir carreira militar, mas não teve condições) e até mesmo sua mãe ficou surpresa com o fato de que ele viveu por tanto tempo, a ponto de se casar e ter dois filhos. Além disso, a rainha nunca falava em inglês com seus filhos, e sim em alemão, e quando eles falavam em inglês, era com um forte sotaque, nem um pouco sedutor.

Mas, como diria Roger Ebert, “na próxima vez que eu encontrar James Mangold, eu irei perguntar a ele porque não fez de Kate & Leopold a história de um hemofílico com um sotaque alemão e que tem medo de se jogar de pontes. Parece exatamente o tipo de filmes que nós todos queremos assistir”.

Leopoldalbany

Então, se esses homens que nós crescemos amando não existem, o que acontece conosco? Nada. Nós seguimos nossas vidas, fazendo o melhor possível para que esse mundo se torne algo decente para que as gerações futuras possam sobreviver. E rezamos para que nossas bisnetas consigam se encontrar com um Mark ou um Leopold que as façam feliz.

colin_firth_06

Não conseguimos a perfeição, não agora. Nem nós, nem eles. Por isso, o melhor que podemos fazer é aprender a conviver com os defeitos uns dois outros. Talvez você não encontre o homem perfeito, mas realmente espero que ache um cara que te abrace quando você começar a chorar por causa de uma barata e que te traga um copo de água quando você sentir sede.

tangledwantedherotraile

O importante não é a perfeição. É o companheirismo e o amor.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mas é Claro que a gente não se importa

Fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que leram e se interessaram pelo meu post sobre o Groupon e a Claro. Até pessoas que eu não sabia que liam meu blog vieram me perguntar como estava a situação do celular. Depois de tudo o que eu fiz, ainda registrei uma reclamação no site Reclame Aqui. Quando fiz isso, resolvi olhar se outras pessoas estavam reclamando e me surpreendi com o número de casos parecidos com o meu. Encontrei várias pessoas com casos similares, a maioria sem solução.

Buscando no Google as palavras "claro + groupon + reclamação" é possível achar diversos casos de pessoas que não receberam os celulares ou receberam, mas estes não foram habilitados. Além disso, foi divulgado esse mês pelo PROCON o ranking de reclamações de 2010. Adivinha quem ficou em terceiro lugar?

ClaroLogoMas é Claro!

No dia 9 de dezembro, recebi uma ligação do setor de logística da Claro. O funcionário, João Paulo, me disse, basicamente, que quem errou foi a Claro, não o Groupon. O pedido saiu da empresa de compras coletivas, chegou até a Claro e foi esquecido. Minha teoria é de que eles venderam uma quantidade inesperada de celulares e não deram conta da demanda. João Paulo me informou que leu meu post (aparentemente não são todas as pessoas que se dão ao trabalho de reclamar tanto quanto eu) e que não era para eu me preocupar. Meu celular seria entregue na sexta-feira. João Paulo subestimou minha capacidade de reclamações. Marque minhas palavras, João Paulo, um dia serei paga para reclamar. E então ninguém será capaz de me deter. De qualquer forma, não recebi o celular na sexta, mas sim na quarta (15 de dezembro). Para provar, eis uma foto minha, com cara de retardada, na frente do espelho do banheiro.

01-01-09_0017

Tremendo horrores

Mas o drama não acabou aí. O celular demorou dias para ser habilitado. Fui à loja da Claro e o atendente me informou que eu deveria ligar para o 1052 para fazer isso. Liguei e eles me mandaram na loja. Acredito que na cabeça dos atendentes do SAC da Claro exista um grande vácuo e que todos são escolhidos de maneira aleatória e não sabem exatamente porque estão lá. Talvez um dos chefes fique na janela do escritório, apontando para as pessoas na calçada. Essas pessoas são colocadas em jaulas, lobotomizadas e telefones são colados em suas cabeças. No fim do dia, elas voltam para casa, sem memória e com uma cicatriz em formato de C na testa.

Essa é a única explicação plausível para eu ter que explicar para a atendente CINCO VEZES que eu não podia ir à loja onde comprei o celular para pedir ajuda, já que eu comprei pelo Clube Urbano. Pensei em ligar para o João Paulo para pedir ajuda, já que ele foi a única pessoa com cérebro com quem falei desde o início dessa babaquice toda, mas resolvi esperar.

Enfim, me ligaram para falar a respeito da habilitação. Aparentemente eles se esqueceram de fazer isso também. É mais ou menos como ir ao Subway e a pessoa esquecer de fazer o sanduíche. O que eu não duvido que aconteça, mas essa é outra história. O celular foi habilitado e o drama número mil teve início. Antes de poder sorrir e dançar nua nas colinas, eu precisava resolver alguns problemas:

01) Meu celular antigo tirava fotos e eu queria pegar as que estavam nele para não perder. Tinha fotos do nascimento da minha sobrinha ali. Acontece que ele nunca foi capaz de enviar mensagens multimídia ou passar as fotos para o computador através de cabos.

02) Eu não queria ter que mudar de número, por isso era necessário cancelar a conta nova.

03) Passar meus créditos de um chip para outro.

Simples, não? Bem, não para a super Claro!

Mais uma vez se deu início a peregrinação que gosto de chamar “pelo amor de Deus, alguém me ajuda”. Liguei para o atendimento Claro e depois de vários minutos esperando, acabei sendo atendida. A pessoa me disse que eu deveria ir a uma loja autorizada para resolver os itens 1 e 2. E foi isso que fiz. Chegando na loja, fui atendida por uma funcionária mal humorada que teria me matado se tivesse a chance. Minha querida... Eu trabalhei na Ábaco Livros. Eu sei o que é trabalho infernal. E quer saber de uma coisa? Se você trabalhasse comendo merda, não teria um emprego pior do que o que eu tive naquela loja de Satã! A funcionária imbecil me mandou ligar para o atendimento, porque ela não podia me ajudar. Então, liguei mais uma vez. Essa ligação durou uma hora. Pergunto: resolveu meus problemas? Não.

clip_image006Eu literalmente jantei com a atendente da Claro

A atendente foi até simpática e tentou me ajudar a programar o celular para enviar mensagens multimídia, mas não conseguiu. E quanto a manter meu número, disse-me que não seria possível, já que eu tenho um contrato de 12 meses. Pedi que passasse os créditos, e ela disse que eu deveria mandar uma mensagem para a Claro e que assim eles seriam transferidos. Fiz isso, e nada aconteceu. Fiz isso umas cinco vezes, na verdade, e liguei mais umas quatro para a Claro para que isso fosse resolvido. Não foi.

Eventualmente consegui configurar o celular, sozinha, para que enviasse as fotos.

Decidi que iria, então, ficar com o número novo, cancelar o velho e gastar meus créditos baixando jogos e ligando enlouquecida. Fiz isso. Quando liguei para a Claro para fazer o cancelamento, eis minha surpresa: a atendente me informou que eu poderia, sim, manter meu número antigo e que o contrato seria transferido para ele! O que é excelente, tirando o fato de que eu já havia avisado meio mundo sobre a mudança de número. Resolvi fazer isso mesmo assim e me poupar de mudar todos os cadastros que tenho por aí. Ok. Créditos gastos, fotos transferidas e processo de cancelamento em andamento, posso agora sossegar.

clip_image008

Só que não.

claro-fail

O celular não foi cancelado e eu tive que ligar mais uma vez para a Claro e explicar minha história pela 45624º vez. O atendente me disse que em cinco dias o serviço seria feito (sim, eles esqueceram de novo) e que o chip novo poderia ser colocado no lixo. E então hoje meu celular parou de funcionar. Primeiro ele ficou sem sinal, depois simplesmente não ligava mais. Entrei em pânico. Depois de todo o trabalho que eu tive, depois de toda a saliva que eu gastei, depois de me acostumar com a bateria que dura apenas três dias, essa merda resolve estragar?

Lá fui eu ligar para a Claro de novo.

A atendente me mandou procurar uma assistência técnica, o que seria muito tri já que eu não tenho garantia nesse aparelho, mas tudo bem. Pedi várias vezes para que ela verificasse a situação da conta para eu ter certeza de que era o aparelho, e ela simplesmente se negou. Depois de me escabelar e chorar que nem doida, resolvi fuçar no aparelho até ele funcionar. Fiquei alternando de um chip para o outro, até que consegui fazer ele funcionar. E adivinhem o que aconteceu? Sim, eles cancelaram meu celular sem me avisar, sim o número velho passou para o chip novo apesar deles terem me dito que isso não iria acontecer.

De qualquer forma, acredito que isso tudo acabou. Para aqueles que me conhecem, meu celular continuará com o mesmo número. O velho, não o novo. E para aqueles que também estão tendo esse problema com a Claro, ligue para a central de logística deles: (11) 9415.7286.

Não adianta ligar para o 1052. Repito: NÃO ADIANTA LIGAR PARA O 1052. Eu liguei mais de vinte vezes, sem exagero, e foi inútil. Os atendentes não estão preparados para te atender e eles não sabem que existem promoções da Claro via Clube Urbano. A maioria nem ao menos sabe o que Clube Urbano é! Utilize todas as armas que a tecnologia te dá para conseguir o produto que você comprou. Twitter, Facebook, Orkut, blog, Reclame Aqui, PROCON, banner em avião, sinal de fumaça, tanto faz. Não cale a boca!

Essas empresas precisam aprender a dar valor aos clientes. Um amigo, que estuda administração, comentou o seguinte no outro post: "Em administração se aprende que existem clientes que simplesmente é melhor ignorar. Atender também gera custo. E numa perspectiva macroeconômica, quando se pensa em plutonomia, simplesmente toda a população pobre não serve pra nada". Ele tem razão. O único motivo pelo qual fui atendida foi porque gritei, e gritei muito. Nenhuma empresa vai querer ter centenas de coisas negativas sobre elas nas redes sociais. E se eu consegui meu celular, você também conseguirá!

Agradeço ao pessoal do Twitter que deu RT nas minhas reclamações e ao João Paulo, que conseguiu fazer meu celular chegar até minha casa. E, se complicar de novo, tchau Claro, olá Oi!

oi_e_claro_porrada_thumb[4]

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Entrando Numa Fria maior Ainda com a Família

littlefockers_poster-600x890 

Uau... Esse é um título bem grande e desnecessário! Imagino daqui a vinte anos, quando estrear a décima quarta continuação, como irá se chamar. Entrando Numa Fria Muito Mais Maior Ainda do Que Você Jamais Esperou e Além da Família dos Cães dos Gatos dos Vizinhos do Owen Wilson Também Temos Loucas Aventuras Radicais com Cães Falantes e Pássaros e Princesas e Jarros D'Água É Muito Incrível Tudo Isso Mas sem o Dustin Hoffman.

De qualquer forma, ignorando o título ridículo, o que podemos dizer de Entrando Numa Fria maior Ainda com a Família? Na terceira parte da trilogia (vamos rezar que seja apenas uma trilogia), que teve início em 2000 com Entrando Numa Fria, Gaylord 'Greg' Focker (Ben Stiller) parece ter finalmente conquistado a confiança de seu sogro e ex-agente da CIA, Jack Byrnes (Robert De Niro). Tanto que Byrnes, depois de levar um grande susto com um ataque cardíaco, decide nomear Greg como o novo líder da família, “The God Focker”.

Meet the Parents (2000) e Meet the Fockers (2004), os dois primeiros, não são exatamente obras primas do mundo do entretenimento. Mas fazem o que precisam fazer, isto, é, causar boas risadas. O que salvou a segunda continuação foi a participação de Dustin Hoffman e Barbra Streisand, como os pais de Greg. Os dois dão vida ao filme e é com Hoffman que ficam as melhores piadas. Mas aqui em Little Fockers, nem mesmo isso salva.

fsfFDF

O filme é sem graça, forçado e poderia muito bem não existir. Confesso que senti um pouco de vergonha por ter pago R$6 para assisti-lo e também por ver atores tão bons reunidos em uma coisa tão medíocre. O filme foi inicialmente gravado sem a participação de Hoffman, que havia se negado a tomar parte da produção. O motivo divulgado foi conflito de agenda e o tamanho do papel, que seria pequeno demais na opinião do ator. Também foi dito que os produtores não haviam chegado a um acordo sobre o salário.

Hoffman é um dos meus atores favoritos, e já vi algumas entrevistas com ele falando a respeito de personagens pequenos e como, nos últimos tempos, preferia este tipo de papel. Fica difícil acreditar que um ator que disse “amo atuar, e não irei determinar o que faço baseado no que os outros irão pensar, eu faço o que quero fazer” possa ter se negado a participar de um filme apenas porque o papel era pequeno ou por não ter um cachê satisfatório.

Depois que as gravações já haviam sido encerradas, Hoffman, misteriosamente, aceitou participar. Refilmagens foram feitas e ele aparece na tela em apenas quatro cenas, todas completamente descartáveis. O que teria levado o ator a aceitar a participar deste filme horroroso? Acredito que algo como isso deva ter acontecido:

Kodak Theatre

Streisand: Dustin, can you hear me?

Dustin: Não, não... Eu já disse que não irei participar daquele troço!

Streisand: Where are you now that yesterday has waved goodbye and closed its doors?

Dustin: Você ao menos leu o roteiro? Eu usei ele como papel higiênico e me assou todo!

Streisand: Dustin, se eu disse sim, você também tem que dizer! Você não pode me deixar sozinha nessa, darling!

Dustin: Mas por que você foi aceitar?? Pelo amor de Deus, Babs!

Streisand: Eles sequestraram o Josh Brolin, James está arrasado!

Dustin: All right... All right... Mas eu não vou me esforçar!

Dustin-Hoffman3

E ele não se esforçou mesmo. Dá para ver nos rostos dos dois atores que eles não queriam estar ali e que estão com vergonha por estarem participando de algo desta qualidade. É como se estivessem pedindo desculpa. Barbra até tenta agradar, mas seu ânimo está tão para baixo que tive vontade de entrar na tela do cinema e salvá-la de tal martírio. Dustin sabe se virar, não precisa de minha ajuda.

dustin_hoffman_15787

Robert De Niro e Ben Stiller estão exatamente igual aos filmes anteriores, seguindo a fórmula Stiller faz bobagem / De Niro fica irritado. Blythe Danner, que interpreta a esposa de Jack, está ainda mais sem graça, ficando de lado mesmo aparecendo mais do que Hoffman e Streisand. O mesmo vale para Teri Polo, no papel de esposa de Greg. Essas duas personagens são tão importantes para a história que ficam atrás de uma figurante na lista de atores do IMDb:

dã

E quanto aos tais “pequenos Fockers”? Os gêmeos, interpretados por Daisy Tahan e Colin Baiocchi, são apenas a desculpa para que o filme exista, já que a história se foca mais uma vez no relacionamento sogro e genro.

ben-stiller-little-fockers

Mas nenhum dos personagens me aborreceu mais do que o de Jessica Alba. Não gosto da atriz, nunca gostei, e isso só contribuiu para me irritar ainda mais com Andi Garcia, uma representante comercial de um laboratório farmacêutico / ex-enfermeira / sem noção / louca por sexo / que devia estar internada. Cada vez que a personagem aparecia em cena, meu estômago se revoltava. Sim, nós entendemos, ela é gostosa. Sim, ela tem o mesmo nome do Andy Garcia. Sim, ela quer fazer sexo com o Ben Stiller, mesmo que ninguém saiba o porquê.

little-fockers-jessica-alba-photoAlba: Olá! Eu vim aqui fazer uma cena sem sentido e dar em cima de você sem um bom motivo para isso!

Sei que me foquei bastante nos atores, mas é isso que esse filme é: um bando de atores deslocados fazendo coisas idiotas, quando poderia estar fazendo algo que preste. Entrando Numa Fria maior Ainda com a Família me lembrou do episódio especial de reencontro do The Dick Van Dike Show, onde todo o elenco, velhos e deprimidos, relembram os episódios engraçados e como a vida deles eram melhor na época em que eles tinham uma carreira.

fsafdsafasd

Little Fockers (2010)
Direção: Paul Weitz
Roteiro: John Hamburg, Larry Stuckey
Elenco: Robert De Niro, Ben Stiller, Owen Wilson, Dustin Hoffman, Barbra Streisand, Blythe Danner, Teri Polo, Jessica Alba, Laura Dern, Daisy Tahan, Colin Baiocchi

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Enrolados

enrolados-poster-3

Depois que perdi o ótimo A Princesa e o Sapo no cinema, resolvi não cometer o mesmo erro com o novo filme da Disney, Enrolados. Walt Disney praticamente criou um novo gênero ao lançar Branca de Neve e os Sete Anões, em 1937. O gênero “Princesas da Disney”. Não conheço nenhuma menina ou mulher que não tenha uma princesa favorita. A minha é a Bela. Tanto em Enrolados quanto em A Princesa e o Sapo, e devo citar também Encantada, o gênero que parecia esquecido desde os anos noventa é trazido de volta para as telas, em grande estilo.

Em Enrolados, temos a história de Rapunzel (Mandy Moore), narrada de maneira divertida e bem menos deprimente do que a história original, dos Irmãos Grimm. Aqui, a bruxa má é substituída por uma velha mulher, desesperada por juventude. O príncipe é um ladrão (Flynn, interpretado no original por Zachary Levi) que precisa se esconder para não acabar na forca. Os pais que trocam a filha por um legume são um rei e uma rainha, que têm a filha raptada e procuram por ela incessantemente. E Rapunzel deixa de ser uma menina ingênua em uma torre, para se tornar uma personagem forte e carismática, ganhando destaque dos demais personagens.

tangled-rapunzel-enredados

Até mesmo os cabelos de Rapunzel ganharam um motivo melhor para existir - não são compridos e fortes apenas para ajudar a trama a se desenvolver. Quando ela ainda estava na barriga de sua mãe, a rainha ficou muito doente e o rei mandou os soldados buscarem uma rara flor, que surgiu de uma semente que caiu do sol. Essa flor, diziam, possuía poderes de cura e era a única esperança da rainha. Mas a flor pertencia a Gothel (Donna Murphy), uma mulher muito velha, que a usava para recuperar a juventude. Gothel vai atrás do que é seu e acaba por encontrar a bebê Rapunzel, cujos cabelos possuem a mesma magia da flor que sua mãe comeu. Mas os cabelos não podem ser cortados, ou perdem o poder, então Gothel leva a menina com ela e a cria em uma torre alta, onde ninguém poderá encontrá-la.

tangled-rapunzel-disney

O único problema neste filme é a versão brasileira, que por algum motivo que jamais entenderemos, tem Luciano Huck dublando Flynn. Não sei quem teve a ideia de colocar um apresentador de televisão para interpretar (!!) um personagem que é um dos “príncipes” mais bonitos da Disney, de todos os tempos.

flynn-riderHow you doing?

Não, o problema não é ele ser feio. O problema é ele não ter o carisma e o talento que Flynn tem. Sua voz parece deslocada ali, especialmente por estar atuando ao lado de Sylvia Salustti, dubladora profissional que já fez vários papéis marcantes, como a Blossom, a Jean Grey ou Gabrielle (do seriado Xena, a Princesa Guerreira).

Tangled-Flynn-Rider cópia

Mas tudo bem, a falta de talento de Huck para atuação é compensada por personagens fortes e muito bem elaborados, uma animação bonita, músicas divertidas (apesar de achar que elas devam ser bem melhores em inglês) e um dos personagens mais fofos já criados pela Disney: o camaleão Pascal.

Enrolados é um filme muito divertido e é ótimo tanto para crianças quanto para adultos. Não existe um vilão, propriamente dito (a cena onde Gothel diz “Você quer que eu seja a vilã? Então eu serei a vilã!” fez minha sobrinha chorar de medo), assim como não existe aquela imagem clichê de príncipe que salva a pobre e indefesa princesa.

tangled-Rapunzel-disney-flynn-disneys-rapunzel-13076354-1282-721

Parece que a Disney finalmente se deu conta de que personagens femininas fortes e independentes são muito melhores do que aquelas princesas antigas, que só se importavam em casar e “viver felizes para sempre”. Garotas! É época de revolução! Chega de ficar em casa, costurando os próprios vestidos, comendo maçãs que estranhos nos dão, usando sapatos desconfortáveis de cristal ou esperando que os homens se manifestem! Está na hora de agirmos por conta própria e tomar as rédeas da situação! Quem sabe, assim, eles casam com a gente.

tangled-Rapunzel-disney-flynn-disneys-rapunzel-13076432-1283-724

Tangled (2010)
Direção: Nathan Greno, Byron Howard
Roteiro: Dan Fogelman, baseado em um conto de Wilhelm e Jacob Grimm
Elenco: Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy, Ron Perlman

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Amor por Contrato

cinema-The-Joneses (1)

Tenho uma tolerância muito grande (maior do que tinha antigamente) a títulos horrorosos. Mas depois de aguentar coisas como Coincidências do Amor, Quando me Apaixono, Par Perfeito, Direito de Amar, Amor Sem Escalas e A Garota Ideal, minha paciência chegou ao fim. Todos estes filmes tem algo em comum: são vendidos como romance quando, muitas vezes, nem ao menos existe tal coisa no mundo daqueles personagens. O título brega que poderia muito bem estar em um cd da Ivete Sangalo é sempre acompanhado por um pôster ridículo que não tem nada a ver com o filme.

Sem título

Quando comentei a respeito de Amor por Contrato com minha amiga, lhe disse que ele era um filme bom, apesar dos clichês. Ela respondeu que é “bem difícil não fazer uma comédia romântica previsível hoje em dia”. O título original de Amor por Contrato é The Joneses e, apesar de ter elementos românticos, em nada se assemelha a uma comédia do gênero. Para começar, vamos comparar os pôsteres do filme, o original e o brasileiro. No pôster original (clique aqui para vê-lo em boa qualidade) temos a família Jones, com suas roupas perfeitas, seu carro perfeito, sua casa perfeita, seus filhos perfeitos, sua mãe perfeita e seu David Duchovny viciado em sexo perfeito. Todos cercados pelo valor de tal perfeição. Gel de cabelo? $18. Jaqueta de couro? $1500. E por aí vai. Ser um Jones custa caro. Eles são lindos e perfeitos, e você não é.

Este é o pôster nacional:

filme-amor-por-contrato

Não consigo ver o quão perfeitos eles são. A única coisa que consigo ver é como o Duchovny está prestes a estuprar a Demi Moore, para aliviar o seu vício, enquanto ela ri de nervosa. Esse poster é ruim em tantos sentidos que eu provavelmente teria um ataque epilético antes de conseguir finalizar a análise. Vou me ater no mais óbvio. Olhe esta foto:

Amor Por Contrato 3

Agora olhe o pôster novamente. Eles não se dignaram nem a pegar uma foto do casal sozinho, se contentando em cortar porcamente o resto da família da imagem. Dá para ver um pedaço da cabeça da Amber Heard ali no canto! Me admiro de eles não terem chamado o filme de “Jone”.

cinema-The-Joneses

Na história, vemos uma família perfeita se “vendendo” para seus vizinhos. Tudo nos Joneses é melhor. Seus aparelhos eletrônicos de última geração, roupas da moda, cosméticos milagrosos, beleza infinita, etc. As pessoas comuns não querem apenas ter coisas parecidas com as que o Joneses tem. Não. Eles querem ser os Joneses. O modo de vestir, de falar, de transar... Mas acredite, ninguém no mundo real é como os Joneses.

willis-moore-ashton-familyCom exceção da família da Demi Moore

Isso porque os Joneses não existem! Eles são atores/vendedores contratados por uma agencia publicitária para fazer propaganda de seus produtos para pessoas de uma pequena comunidade. O filme mostra o poder que o consumismo tem sobre as pessoas, que fazem qualquer coisa para atingir um certo status e que, ao não conseguirem, acabam se afundando em dívidas ou em depressão. Exatamente como uma comédia romântica, certo? Obviamente existe romance no filme, ainda estamos falando de Hollywood, mas isso não é o que importa.

O pôster, em nenhum momento indica sobre o que o filme trata, dando uma ideia completamente errada sobre ele. Quando fui assistir O Golpista do Ano, várias pessoas saíram no meio do filme porque não estavam esperando uma comédia homossexual. Imagino que o mesmo aconteça com este filme. Não acho que alguém fique indignado com a história, mas li várias críticas a respeito, pessoas que perderam completamente o sentido da coisa. Pessoas indignadas com o fim de um dos personagens (não direi qual, só digo que não é nada bonito) ou então irritadas, pois o filme não usa todo o seu potencial.

Não, The Joneses não usa todo o potencial caótico que ele tem, mas, como disse ali em cima, isso ainda é Hollywood. Não podemos esperar muito. Se o que você procura é profundidade, assista isso. Mas não significa que o filme seja ruim e que seu diretor, Derrick Borte, não seja corajoso o suficiente para falar sobre esse tipo de doença social.

Como eu disse, existem várias coisas erradas com esse pôster, mas a principal é subestimar o espectador, achando que ele não saberá lidar com o filme. No fim, saem perdendo, pois o público comum entra na sala de cinema achando que verá uma bela comédia romântica sobre um casal lindo e simpático, e acaba por ver a sua própria mediocridade e escravidão jogada em sua cara.

amor-por-contrato-1

The Joneses (2009)
Direção: Derrick Borte
Roteiro: Derrick Borte
Elenco: Demi Moore, David Duchovny, Amber Heard, Ben Hollingsworth

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sexo Fétido

Não sei se já mencionei aqui no Judas o quanto odeio telenovelas, mas nunca é demais afirmar isso. Odeio bastante. Hoje, no trabalho, dei de cara com uma das coisas que sempre me lembram o porquê de eu detestar tanto tais folhetins: aqueles resumos de revista, dizendo que o fulano vai casar com a fulana, enquanto o cicrano vai para a cadeia/ficar louco/morrer. O que me surpreendeu no resumo foi o teor dele:

"Gerson (Marcello Antony) vai ter seu final feliz em ‘Passione’. O piloto vai se livrar da tara por sexo violento e fétido e se casará com Felícia (Larissa Maciel) no último capítulo."

Como não vejo a novela, não tenho informações muito importantes a respeito, mas já li e ouvi pessoas comentando. Pelo que sei, o tal de Gerson (ótimo nome, por sinal) passou a novela inteira olhando para o computador, fazendo algo "sinistro". E foi revelado que ele gosta de assistir vídeos de "sexo violento e fétido". Não tenho ideia do que “sexo fétido” significa. A imagem que me vem é a de um homem suado e sem desodorante, num dia de calor, de pé no ônibus, com os braços para cima, tirando lentamente a roupa suada. Mas então minha amiga Thays me mandou isso e as coisas se esclareceram.

clip_image002

Acho engraçado como, para a Globo, pessoas que gostam de pornografia são doentes e precisam ser curadas. Um colega meu disse que o vício era para ser algo terrível (como gostar de ver formigas devorando um pênis humano), mas os patrocinadores da novela não gostaram. Ou seja... Não só a Globo apóia a descriminação sexual, como também é a favor da censura. Acho que não poderíamos esperar menos de uma emissora que apoiou a ditadura militar.

Tenho uma teoria de que telenovelas (em especial as da Globo) são as principais causas do preconceito. Quando escuto pessoas dizendo coisas como "bicha" ou "isso é coisa de negro", a primeira coisa que penso é na emissora. Voto que, a partir de agora, o xingamento da moda deva ser "isso é coisa de quem gosta de sexo fétido".

Em contrapartida, resolvi criar minha própria emissora aberta, com minhas próprias telenovelas. Mas meus folhetins terão um diferencial. Criarei a primeira telenovela pornô do Brasil. O nome se chamará “Desejo e Conflito”, e terá diálogos interessantíssimos como este:

CENA 30: INT./ DIA / CASA DE HELENA

 

HELENA (Alessandra Negrini), está em pé, olhando pela janela. Ela usa uma calcinha fio dental e uma blusa branca, transparente. SAULO (Reynaldo Gianecchini), usando apenas uma calça jeans apertada e um cinto de ferramentas, entra pela porta, sem bater.

 

SAULO

Alguém chamou o encanador?

 

Sem olhar para trás, HELENA começa a tirar a blusa.

 

HELENA

  Oh! Está tão calor aqui...

 

HELENA se vira e olha pela primeira vez para o SAULO. Coloca a mão lentamente na boca, os olhos arregalados.

 

HELENA

Saulo? É você?

 

SAULO

Sim, gostosa! Vim apagar o seu fogo! Vamos fazer um sexo fétido! Sabe o que eu trouxe comigo? Pintos! Tudo o que você mais gosta, onde você sempre quis.

 

HELENA

Saulo. Você não compreende. [pausa] Nós não podemos fazer isso. Nós somos irmãos! E você é meu pai! E eu estou grávida de você.

 

SAULO

Mas achei que seu pai era o Tony Ramos!

 

Sobe trilha dramática. HELENA se joga contra uma parede e escorrega até o chão, chorando. SAULO cai de joelhos no chão, gritando. Seus olhos se enchem de lágrimas enquanto retira de seu cinto de ferramentas uma arma calibre 38. HELENA tenta retirar a arma de sua mão, e esta dispara. Os créditos finais do episódio sobem, com uma trilha feliz.

Como diria o William Shatner, minha novela será “verídica,​ ​f​u​g​a​z​ ​e​ ​i​l​u​s​ó​r​i​a​ ​e​ ​periférica”​.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...