sábado, 31 de dezembro de 2011

Especial de Ano Novo do Judas!

Guaxi

O especial de ano novo do Judas deste ano deu bastante trabalho para fazer. Foram mais de quatro mil palavras-chave analisadas para poder criar o Judas em Números. Também tive que colocar no papel todo o ano de 2011, que foi provavelmente o ano mais atribulado da minha vida (até agora) e selecionar só o que realmente importa. Sem falar que comentar o Top 20 Melhores Keywords Utilizadas Para Entrar no Blog em 2011 nunca é um trabalho fácil.

Este ano aprendi muitas coisas com meus leitores. Por exemplo, aprendi que 90% das pessoas que entram no meu blog não sabem escrever LazyTown, acham que a menina que interpreta a Stephanie (Julianna Rose Mauriello) é atriz pornô e que Magnús Scheving está morto. Também aprendi que existem várias pessoas doentias que deveriam estar presas. Outra coisa que me surpreendeu é quantidade de pessoas que pesquisa no Google para realmente achar meu blog e isso me faz pensar em quantos stalkers tenho. Mas vamos dar início a retrospectiva Judas 2011!

2011 foi um ano bastante movimento para mim, por isso não pude atualizar o Judas tantas vezes quanto quis. Este ano eu…

- Fiz minha monografia (NÃO SONHE, SEJA: Como The Rocky Horror Picture Show une milhares de pessoas e as instiga a se entregarem aos seus desejos) e tirei nota máxima.

- Fiz meu trabalho de conclusão (LUMIÈRE ENTRETENIMENTOS: Projeto de Jornalismo em Mídia Digital) e tirei nota máxima.

- Terminei a faculdade com notas boas, depois de sete longos anos lá dentro. A formatura ainda não aconteceu e se você for convidado, é porque gosto muito de você.

- Escrevi e dirigi um filme, que fez sucesso entre meus amigos e familiares.

- Terminei um namoro de três anos e fiquei solteira pela primeira vez em muito tempo. Planejo escrever um texto sobre isso assim que minha inspiração voltar e conseguir escrever sem falar mal de ninguém.

P1010232Insira aqui alguma música bagaceira de sertanejo universitário, sobre pessoas solteiras em baladas pegando umas as outras

- Fiz novas amizades que espero levar comigo para sempre.

- Minha cadelinha, Penelópe, morreu. Ela foi meu primeiro cachorro e minha irmã comprou ela para a gente quando eu tinha 10 anos. Minha mãe ficou tão braba que se trancou no quarto pelo resto da noite e não falou com a minha irmã por uma semana. A Pepe teve que dormir na área por alguns meses, me lembro que ela ficava andando do lado da cerca nas duas patas de trás por horas. A Penélope tinha 13 anos e morreu de câncer. Ela vai ser sempre a minha cachorrinha linda que me fazia companhia e brincava comigo no pátio do condominio onde a gente morava.

Pepe

- Vi muitos filmes, li muitos livros e estudei bastante.

- Dei início à renovação do Judas, que estará de cara nova em breve.

- Fui à Buenos Aires e assisti ao show do U2.

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- Passei a virada do ano com meus amigos, bebendo champagne e falando bobagens.

Para 2012 eu planejo…

- Conseguir um emprego na área do jornalismo cinematográfico.

- Escrever mais um roteiro (e, quem sabe, gravá-lo).

- Escrever o meu livro.

- Cultivar minhas amizades e conhecer pessoas novas.

- Realizar algumas mudanças pessoais.

- Organizar todo o Judas Dançarino.

- Comer menos chocolate.

- Viajar.

O Judas em Números

Este ano, foram 13.946 visitantes, 7.208 a mais do que em 2010. O post mais popular continuou sendo o de LazyTown, assim como o de A Órfã, que continua causando furor. Com as 4.723 palavras-chave pesquisadas, criei o gráfico a seguir:

Gráfico do Judas

Top 20 Melhores Keywords Utilizadas Para Entrar no Blog em 2011

(um Top 20 patrocinado por Google Analytics - todos os erros de grafia foram mantidos)

20) "ele não está tão afim de você" "rubens ewald filho": Oh! Rubens! Por que você não me ama???

19) cher é travesti: Fiquei rindo muito depois que li isso. Não, ela não é. Um dia, Cher foi mulher, mas depois de todas as plásticas que fez, virou um boneco de cera. Mas tenho certeza de que em algum lugar daquele corpo (talvez na nuca), existe uma vagina.

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18) familia gongorzola o filme: Não tenho a mínima ideia do que é isso, mas com certeza vou assistir quando passar no cinema!

17) a gente não se importa / a gente não se importou com / a pessoa pensa q agente se importa mais nao se importa: Foram buscas diferentes. Tem muito agente da CIA por aí não se importando.

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16) a menina que fas lanyzitanw a estefane ja namorou com alguen: Eu demorei muito tempo para entender o que estava escrito nessa frase. Recebi tantas pesquisas sobre o assunto que já nem sabia onde colocar (“pornografia”, “pedofilia”, “pessoas nuas” ou “LazyTown”). Fui atrás de informações sobre a menina, que se chama Julianna Rose Mauriello, para descobrir se ela está fazendo filmes pornôs ou se meus leitores são pervertidos mesmo. Aparentemente Julianna trabalha na Broadway e faz alguns comerciais de televisão. Ela namora uma outra menina, que não sei o nome. Mas posso estar enganada. Então, pessoas, por favor... Saiam já do meu blog.

15) a morte do criador de lazzy twal: Outra coisa que as pessoas parecem estar obcecadas é com a morte do Magnús Scheving. Escolhi essa pesquisa porque adorei a maneira como escreveram LazyTown! Outros muito bons são “lazy e tall”, “lazer town”, “jazytow”, “lazy jow”, “leiz tonw” e “lady town”. Magnús está vivo e passa bem. Ele fez um filme ano passado (Missão Quase Impossível) e hoje está no ostracismo, provavelmente tentando achar uma maneira de trazer o LazyTown de volta.

jazz-hands-kittenSugiro uma versão musical: JazzyTown!

14) a vingança de seu madruga desenho porno fazendo sexo com dona Florinda: A mente das pessoas me causa medo.

seu-madruga-3Só não te dou outra porque…

13) ah vai se fuder: Vai tu!

12) amanhecer filme critica judas dançarino: Uau! Ok... Ainda não vi o filme, mas assim que assistir eu publico uma crítica. Pode deixar.

11) amasso entre garotos: Sou só eu que imagino um velho gordo e careca pesquisando isso?

10) atividade de rubens ewald filho: Ganhar dinheiro para falar merda.

09) menina dançando judas e a avó: Não sei nem por onde começar com essa pesquisa...

08) o amor é moda leva diabo para contrato: E mamão com porta-retratos leva avó a comer pinhão.

07) pinto do ator wolverine: O mais engraçado é que eu realmente tenho um texto aqui no Judas sobre esse assunto!

Pinto

06) tamanho penis hugh jackman esposa: Não sei, mas se você descobrir, por favor entre em contato comigo.

05) qdo sera o show do you two wm buenos Aires: Do You Two eu não sei, mas o do U2 foi no início do ano. O show do U2 foi uma confusão sem tamanho aqui no Brasil, para variar, e várias pessoas não conseguiram comprar os ingressos. Eu fui ver em La Plata e quase morri no processo. Sei que devo agradecer por ter ido ao show do U2, sonho que tinha desde criança (Obrigada, Paloma, por ter gasto todo o seu dinheiro para deixar que eu fosse ao show... Valeu mesmo!) Mas foi tão trabalhoso que quase não consegui aproveitar. Acho que nunca senti tanto medo na minha vida do que naquele dia! Vocês sabem como é chegar a conclusão de que  terá que dormir na rua, porque são 2h e você não sabe onde está e não conhece ninguém em volta? Eu estava na rua desde as 9h, tinha comido uma fatia de pizza e um saco de batata frita, estava de pé desde a hora que acordei, fiquei 7h parada em pé com a cabeça no sol de 40º. Depois fiquei mais 6h me sentindo uma vaca pronta para o abate, não tinha nem como se mexer e tinha um cara sentado nos meus pés. E aí quando o show começou, uma mulher louca me arrancou de onde eu estava e eu quase cai no chão e ainda fui acertada por uma cotovelada na cara no processo. Meia-noite eu saio de lá, cansada, sozinha e com fome/sede, não tenho a mínima ideia de onde tem táxi, me perco numa cidade estranha, vazia, sinistra e sem um telefone por perto. E tinha umas pessoas sinistras, numas ruas escuras. Para completar, caio no chão e me arrebento toda, fico sangrando, com dor, com a roupa toda rasgada. E quando finalmente chego a Buenos Aires, o cara me larga no meio do Retiro! Sozinha! Você já foi ao Retiro à noite sozinho? Não é legal. E aí tenho que ficar sentada numa praça, toda encolhida, chorando baixinho, sem ver uma viva alma. Até que me passa um táxi. E sabe o que deixa tudo ainda pior? Saber que isso tudo podia não ter acontecido (ou ter sido um pouco melhor) se o bosta do meu namorado não fosse tão egoísta! Então, sim, o show foi muito bom. Mas porra...

(fim do desabafo)

04) www raul bouva pelado: Se este site realmente existisse, minha vida seria muito mais feliz.

03) voce conhece alguma outra galaxia?se conhecer,anote onome dela .se não conhecer, que tal fazer uma pesquisa: Está certo, mestre... Farei isso...

02) videos da minha sobrinha de 10 anos tomando banho nua: Não consigo compreender como é que uma pessoa dessas pode estar andando solta por aí. Disso ninguém fala no Facebook, nem faz campanha para incomodar todo mundo. É incrível a quantidade de pornografia infantil que pesquisam e encontram meu blog (sendo que nunca na vida eu postaria um troço desses aqui). Fico muito indignada.

01) шерломат: Significa Sherloma!

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Um feliz 2012 para todos os leitores aqui do Judas, para meus amigos e familiares, para o Hugh Jackman, pra Meryl (que inventou o Natal) e para todos os cinéfilos espalhados pelo mundo! Desejo a todos um ano cheio de filmes e diversão.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Feitiço do Rio

(Texto originalmente publicado em 29 de maio de 2009, re-publicado com correções e alterações)

Não sou exatamente o que se pode chamar de patriota e não me irrito quando tiram sarro do meu país. Quando o episódio de Os Simpsons que mostrava o Brasil passou por aqui, muita gente se revoltou por causa dos estereótipos forçados que foram apresentados pelo programa. Eu, sinceramente, achei o episódio bem engraçadinho, mas nada de mais. E que tal aquele filme Turistas, que causou polêmica por mostrar o Brasil como um país horroroso, cheio de ladrões de órgãos, caipirinha envenenada e cabanas no meio do mato? Ok... Eu tenho plena noção de que tudo isso é um grande absurdo. Eu moro há mais de 20 anos no Brasil e nunca tive nenhum órgão roubado. No máximo um celular, que estava fora do meu corpo e não dentro. Mas o que essas pessoas esperavam de um filme trash que nem consegue ser original? E se pararmos para pensar, O Albergue faz a mesma coisa com a República Tcheca.

Mas tem um filme em específico que me causou completo horror quando o assisti pela primeira vez e que até hoje não entendo muito bem porque ele foi feito. Um filme com um ótimo diretor e um ótimo elenco, que resultou em algo... Abominável...

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Dirigido pelo maravilhoso Stanley Donen e com Michael Caine e Demi Moore no elenco, Feitiço do Rio conta a história de um grupo de pessoas que vão passar suas férias no Rio de Janeiro... Um Rio de Janeiro bonito... Com pessoas nuas na beira da praia... Tucanos... Macumba... Cipós... Nudez... Macacos... Nudez... Capoeira... E tucanos... Um Rio de Janeiro onde tudo pode acontecer! Porque todo mundo sabe que o Brasil se resume a sexo, carnaval, caipirinha, futebol e violência. Mas não neste filme... Não... Neste filme eles substituem a violência por tucanos... E mais tucanos... Porque a vida é linda.

clip_image002Como a vida deve ser!

Mas vamos lá, chega de tucanos conversa! A história começa com um monólogo de Michael Caine em uma tentativa de mostrar que ele é um ator de verdade, não importa o que aconteça no resto do filme. E então a guria sombrancelhuda fala. E o Michael Caine volta a falar. Intercalados com isso são apresentadas pequenas cenas, que eu imagino que sejam para apresentar os personagens. Na verdade o filme começa mesmo é com uma abertura ultra brega dos anos 80, com direito a cores e música MPBFA (Música Popular Brasileira Feita por Americanos)... O que dizer sobre essa abertura? Deixo vocês decidirem:

Em uma das cenas de apresentação, Cane (que no filme também se chama Michael, porque era mais fácil de decorar) e sua esposa estão na cama. Ela chora, ele pergunta o que ela tem, ela não responde. Minha teoria é de que ela descobriu que atua como um bezerro morto e isso a deixou triste. Ou então ela se assustou com o tamanho dos óculos dele, achando que estava na cama com o Woody Allen. Ou ambas as coisas.

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Ela está infeliz no casamento, porque ela queria estar num filme melhor e ele a obrigou a ficar nesse. E, convenhamos, para que criar um motivo original quando podemos usar um que já está pronto? Ela se sente infeliz então resolveu passar as férias separada dele e de sua filha, a Demi Moore, que na época ainda era humana. Ela vai para a Bahia e eles para o Rio de Janeiro. Por algum motivo nunca revelado, todos os personagens acham que o Rio é um paraíso maravilhoso. Com tucanos. Talvez eles devessem assistir mais televisão ou mais filmes brasileiros... Até parece que o Brasil é um lugar no qual as pessoas vão para fazer sacanagem!

Será que esse é o momento errado para contar que Tieta do Agreste é o meu filme brasileiro favorito?

O amigo de Michael, Victor Lyons (Joseph Bologna), também está com problemas de relacionamento. Ele e sua esposa estão de divorciando e Michael acha que ir para o Rio de Janeiro é a solução de todos os problemas dos dois. Né... Vai que eles levem uma bala perdida! Victor levará sua filha de 17 anos Jennifer (Michelle Johnson), que em grego significa “aquela cuja sobrancelha é maior do que o mundo”. Na viagem de ida acontece uma das cenas mais tensas do filme:

Ok... Ok... Não foi assim que aconteceu, mas teria sido bem melhor... Teria evitado danos maiores e mais trágicos. O que na verdade acontece é isso – tive que trocar o áudio por causa do YouTube...:

O Brasil é tão maravilhoso que garotas seminuas dançam nas asas do avião! Imagino que esta cena seja uma metáfora para o que Michael espera do Brasil e seria uma ótima metáfora caso ele chegasse lá e notasse que o Brasil é um país como outro qualquer. Só que não. O Brasil é realmente um lugar mágico onde pássaros colocam ovos nas suas mãos e mulher tiram a roupa na beira da praia. Mas falando sério, sempre acho essa cena muito engraçada, mas quando colocada em outro contexto ela passa a fazer sentido. Stanley Donen disse em uma entrevista que Flying Down to Rio (1933) foi o filme que inspirou sua carreira de coreografo. O musical tinha Fred Astaire, Ginger Rogers e Dolores del Rio no elenco, e as cenas que vemos pela janela do avião foram tiradas dele.

A viagem, infelizmente, é boa e eles chegam a terra de Oz, digo, no Rio de Janeirooouu. Um Rio de Janeiro que continua lindo... Terra do samba. Do Pão de Açúcar. Do Cristo Redentor. E de aviões que voam em vários ângulos ao mesmo tempo. Adoro o jeito como o Rio é mostrado através da janela do avião. Cada vez que aparece, é em um ângulo diferente. Como se o piloto fizesse questão de seus passageiros verem TODOS os lados do Rio.

Quando eles chegam ao Rio, acontece uma das minhas cenas favoritas de todo filme. Uma cena onde os atores demonstram como eles são bons. Percebam a naturalidade com a qual são ditas as falas. Notem a escolha perfeita de elenco. Aquele homem é o que eu chamo de perfeição em pessoa. Um ator tão fascinante que nos conquista nestes poucos segundos que permanece em cena:

Dá para ver o QI da Demi Moore caindo nessa cena, enquanto ela lentamente se torna um robô. Queridas, vocês alguma vez viram um homem bonito? O mais incrível é que elas não se surpreendem por nenhum outro homem pelo resto do filme! E isso vem da mulher que estava dormindo com esse cara:

152554_ashton-kutcher-on-the-season-9-premiere-of-the-ellen-degeneres-showE é neste momento que todos descobrem que Demi Moore foi casada com Ellen DeGeneres

E mais. Elas estão no Brasil, tudo bem que a maioria dos homens que tu vê pela rua são feios ou apenas normais, mas aquele cara não chega nem perto do que poderia ser um homem brasileiro bonito.

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Pode tirar o olho, Demi, porque eee… euuu… eu vii… eu viii primeiro!

Depois disso eles vão para uma casa que eles alugaram em cima do morro. Não... Não estou falando sobre o morro dos tiroteios e tráfico de drogas. Muito menos do morro onde jornalistas são assassinados. Eu estou falando do morro encantado dos animais selvagens. Está certo que eu nunca fui para o Rio, mas tenho certeza de que se tivesse lá um morro cheio de animais em extinção que não tem medo do ser humano e que andam livres para lá e para cá, a gente ficaria sabendo. Onde diabos fica a casa deles? No Jardim Botânico? No Pampa Safári? E quem é que ensinou biologia para essa gente? Ah sim... Porque pássaros selvagens colocam ovos em cima de mesas, ao invés de fazerem ninhos e deixam que pessoas peguem estes ovos, joguem para cima e sacudam!

Ah, eu queria abortar mesmo...

Depois de várias cenas sem motivo de nudez na praia, pessoas cantando e dançando no meio da rua, ambulantes que rimam, mais nudez na praia e cenas pra lá de desconfortáveis, nos encontramos com algo assustador. Algo tão incrivelmente pavoroso que eu sugiro que todas as pessoas que possuem coração fraco se retirem agora mesmo. Eu estou falando do... PLOT!

Depois de quase meia hora de filme o plot finalmente dá as caras! Porque até então nada, absolutamente nada, havia acontecido! Era basicamente essas quatro pessoas, andando pelo Rio Encantado, tirando a roupa e olhando macacos. Mas então eis que surge a história para nos salvar desta excursão do inferno. Do nada, Michael começa a ter um caso com Jennifer, romance este que causa a maior confusão. Isso é tão clichê! Por que Michael não começa a ter um caso com Victor? Ou então com a Demi Moore? Ou com uma mãe de santo! Tanto faz! Qualquer coisa seria menos clichê do que comer a filha do melhor amigo! E por que é que meu pai não tem amigos bonitões e ricos? Bem... Imagino que a culpa seja do Rio...

clip_image007Sim, eu acho o Michael Caine bonitão.

Então a história não é sobre o Rio de Janeiro e sim sobre o romance entre Michael e Jennifer. O Rio aqui é apenas um cenário... Um cenário distorcido, mas ainda sim um cenário. O resto do filme mostra as aventuras sexuais dos dois, enquanto tentam de todas as maneiras esconder o que está acontecendo de Victor. O problema é que Victor nota que, tanto o amigo quanto a filha, estão envolvidos com alguém. E a filha de Michael viu os dois juntos, então fica um clima chato o tempo todo, apesar das belezas sobrenaturais do lugar.

E é só isso. SÓ ISSO. Todo esse sofrimento, toda essa angústia por nada! Depois de uma gritaria geral, brigas, nudez desnecessária e tucanos, o filme acaba sem acrescentar em nada. Em certo momento a esposa, que foi para a Bahia, descobre tudo e ai tem mais gritaria. E a Jeniffer começa a namorar um cara de 21 anos e o Michael, ah, sei lá o que acontece com ele. Não importa! E ai tem um monólogo e acaba. Fim do sofrimento.

Tem certas coisas nesse filme que eu até deixaria passar se ele se passasse no Nordeste. Porque no Nordeste as coisas são mais coloridas. Quando as pessoas não estão morrendo por causa da seca, é claro... Mas tem certas coisas que não dá... Onde já se viu macaco e tucano andando livres no meio da rua? Daqui a pouco vão dizer que a gente anda de cipó. O pior é que muita gente realmente tem essa imagem aqui do meu país. Eu ouvi uma história uma vez sobre um casal que não queria vir morar em São Paulo porque eles tinham medo de onça.

Em certo momento do filme todos eles vão a um casamento típico brasileiro, celebrado por uma baiana (“the Macumba Lady!”) no meio da praia. Depois de realizar a cerimônia, todos os convidados e os noivos tiram as roupas e se atiram no mar.

Eu tenho plena noção de que os filmes feitos por brasileiros passam uma ideia exagerada do nosso país. A maioria fala sobre sexo, violência, sexo, palavrão, violência, nordestinos morrendo de fome, sexo, pessoas ricas fazendo sexo violento com nordestinos (ah não, essa é a novela das oito). Mas uma coisa é a gente ficar mostrando o lado podre ou sexual do nosso país. Outra coisa é um americano que não tem noção do que é viver no Brasil, fazendo um filme sem nem ao menos pesquisar um pouco antes disso. É claro que Feitiço do Rio é uma visão americana romanceada deste país, mais ou menos como vemos a Europa, por exemplo. E como eu disse antes, não me importo tanto com a ideia de um Rio de Janeiro que “continua lindo”. O que mais me incomoda é a nudez exagerada e os animais selvagens andando no meio das pessoas.

Outro dia eu reclamei das novelas brasileiras que fazem estereótipos horrorosos de tudo que é nação ou crença. Porque os indianos são todos fanáticos ricos que cantam na rua, os judeus usam peruca, as ciganas dançam o tempo todo, as muçulmanas apanham. E todas as mulheres de todas as coisas citadas devem casar virgens. E todo mundo fala português... Caminho das Índias... A novela levemente baseada em uma página do Wikipédia. Mas é uma novela. Eu não estou defendendo ninguém, só que não dá para esperar muito de uma novela. Todas elas são enfadonhas. Produtos mal dirigidos com péssimas atuações. Vi uma entrevista com a Regina Duarte na qual ela dizia que as novelas dão certo porque o público gosta de ver a mesma história sendo contada várias e várias vezes. E é isso que novela é. Consigo contar nos dedos as novelas realmente boas (Roque Santeiro... Roque Santeiro...)

18_19_ghg_roque_santeiro_15Que não era nem um pouco exagerado…

Um filme, por outro lado, deveria ser mais bem trabalhado. Mas a equipe de Feitiço do Rio nem ao menos tentou. E se eles podem culpar o Rio, eu posso culpá-los também. O roteirista, o diretor, os atores, os diretores de arte, os continuistas, os diretores de fotografia, o responsável pela música, a mulher do cafezinho, o cara que limpava os vasos, o Prefeito e o Governador do Rio naquela época, o Presidente da República... Enfim... TODO MUNDO. A única coisa que se salva é Michael Caine. Ele é bom ator, interpretou direitinho e está engraçado. Mas é só porque ele é o Michael Caine. Porque se fosse um arigó qualquer (alguém aí disse Tom Cruise?) teria sido tão ruim quanto os outros.

Não posso finalizar este texto sem comentar a respeito de um dos meus diretores favoritos: Stanley Donen. Quando escrevi este texto pela primeira vez (em 2009, parece que já se passaram décadas) não sabia quem ele e era e hoje me envergonho bastante disso. Bem, eu o perdoo por esse filme se ele me perdoar por essa falha. Para quem não sabe, Donen é um diretor e coreografo americano, que dirigiu uma das maiores obras primas do cinema: Cantando na Chuva. Além disso, dirigiu vários filmes que adoro (e recomendo), como Um Dia em Nova York (1949), Sete Noivas para Sete Irmãos (1954), It's Always Fair Weather (1955), Charada (1963), O Diabo É Meu Sócio (1967) e O Pequeno Príncipe (1974).

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O diretor trabalhou diversas vezes ao lado de outras duas pessoas que admiro bastante, Gene Kelly e Bob Fosse. Feitiço do Rio foi seu último filme para o cinema e continua sendo uma incógnita para mim. Ao lado de Kelly, Donen o cinema musical e sua adaptação da obra de Antoine de Saint-Exupéry é um dos filmes mais bonitos que já vi. Como é possível que este homem tenha feito algo tão fraco e sem valor? Pesquisando sobre isso acabei descobrindo que Feitiço do Rio é um remake do filme de 1977 e se passa em uma praia em Saint-Tropez, conhecida por suas praias de nudismo, o que faz muito mais sentido. Depois deste filme, Donen se dedicou ao teatro e a televisão, tendo dirigido um clipe do Lionel Richie (Dancing on the Ceiling) e um episódio musical de A Gata e o Rato. Ele também dirigiu um filme para a TV chamado Love Letters, em 1999.

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Feitiço do Rio é uma homenagem ao Brasil e ao Rio de Janeiro, assim como aos filmes musicais da década de 30. Não é exatamente um filme ruim, é apenas esquecível e se tivesse sido feito como um filme dos anos 30 poderia ter sido muito melhor.

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Se você tem 11 anos e está grávida porque se prostituiu... Culpe o Riooooooo... Se levou bala perdida na sua cara... Culpe o Riooooooo... Se você fez um filme ruim e ofensivo... Culpe o Riooooooo... Se os seus atores não sabem atuar... Culpe o Riooooooo... E se sua mãe é uma macumba lady... Culpe o Riooooooo... Se o Michael Caine envelhece e vira o Alfred... Culpe o Rioooooooooooooooooooooooooo!!!!! Rio de Janeirooo!!! Pam pam pam pam pam paaaaam!!!

Blame It on Rio (1984)
Direção: Stanley Donen
Roteiro: Charlie Peters e Larry Gelbart
Elenco: Michael Caine, Joseph Bologna, Michelle Johnson, Demi Moore

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dignidade! Sempre dignidade!

Aqui está o nosso curta, Dignidade! Sempre Dignidade!, produzido para a Oficina de Áudio e Vídeo da Prefeitura de Porto Alegre. Quem quiser conferir minha crítica sobre a “grande” mostra da Oficina, é só clicar aqui.

O filme foi feito com orçamento zero e teve apoio da Prefeitura de Porto Alegre, do Centro Universitário Metodista IPA, Parque Zoológico de Sapucaia do Sul e Jardim Botânico de Porto Alegre.

Dignidade! Sempre Dignidade! (2011)
Direção: Paloma Rodrigues, Juliano Moreira, Liana Vargas Fernandes
Roteiro: Paloma Rodrigues, Juliano Moreira
Elenco: Guto Bozzetti, Juliano Moreira, Paloma Rodrigues, Vera Lúcia Rodrigues, Sérgio Orides, Liana Vargas Fernandes, André Bozzetti, Laura Gluer, Estela Bozzetti, Priscilla Zorzi, Thiago Duarte, Tati Garbin, Rodger Timm e Cristina Althaus

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

domingo, 13 de novembro de 2011

A Grande Dificuldade de se Organizar o Evento Mais Simples do Mundo

Ontem tive minha grande estreia no cinema e, como todas as coisas da minha vida, não foi fácil. Nem um pouco.

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Fiz este ano uma Oficina de Audiovisual, oferecida pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre, cujo trabalho final seria a produção de curtas-metragens. Dos mais de noventa alunos que se matricularam lá em abril, cerca de trinta conseguiram chegar até o final. Os motivos, tenho certeza, foram os mais diversos. Porém a opinião geral foi: Não dá para aguentar essa m#@*a. As aulas aconteciam aos sábados, tendo duas turmas (manhã e tarde) e 4h/aula. Essas 4h eram desperdiçadas com muito discurso aleatório, com um professor que sabe muito de técnica, mas nada de cinema, e que não conseguia falar por dez minutos sem se desviar do assunto (tinha dias que ele levava quase 1h para fazer a chamada). Não fiquei até o final de nenhuma aula. Mas fui em praticamente todas.

Mês passado foi um mês difícil para mim. Sabe quando parece que tudo que poderia acontecer acontece ao mesmo tempo? Pois é. Por isso, avisei o professor que eu não iria poder ir nos próximos sábados. Eram aulas de edição, coisa que aprendi a fazer na faculdade, e prometi entregar nosso filme na data certa: 12 de novembro. Ele estava praticamente pronto muito antes dos outros grupos e, apesar das dificuldades, estávamos otimistas. Então recebi um email dizendo que a mostra de filmes seria no dia 07 e ainda não tínhamos finalizado (faltava colocar a música e terminar a abertura). Entramos em pânico. Ok, eu entrei em pânico. Depois recebi um email avisando que, na realidade, o evento era dia 12. Filme gravado, editado, renderizado e gravado! Faltava só mostrar.

A mostra aconteceria às 17h e resolvemos ir às 14h, para testar o DVD e já ver se precisávamos entregar mais alguma coisa. Chegamos lá e ninguém da Oficina tinha chegado. Lá pelas 16h30 chega o professor e nos avisa que a entrega era dia 07, que não dava para testar o DVD e que o nosso filme teria que passar só no final da mostra. Ah, e a gente não ganharia certificados de participação. Afinal… Não é como se eu tivesse avisado ele que não teria como ir, mas que o filme estava sendo feito e seria apresentado… Não, peraí… Eu fiz isso! Douchebag.

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A mostra começou com meia hora de atraso e ao invés de passarem apenas os trabalhos finais dos grupos, foram exibidos também os exercícios realizados durante a Oficina (completamente fora de contexto) e entrevistas com os alunos, feitas pelo professor, sem trilha ou edição... Longíssimas e chatas entrevistas, promovendo a Oficina. O que era para ser uma simples mostra virou uma tediosa (e mal editada) propaganda.

Alguns dos filmes eram bons, outros mal feitos, mas bem intencionados, e outros tão horríveis que dava vontade de sair correndo gritando. Meu favorito foi o As Voltas que a Vida Dá, um dos piores filmes que já vi. Eu teria dado o Prêmio The Room de Cinema para eles, na categoria  You Are Tearing Me Apart, Lisa.

tumblr_lubk0czDLW1qzniuko1_500(fiquei esperando que algum personagem falasse que está com câncer, para depois nunca mais falar nada sobre isso)

Tenho noção de que são curtas amadores, sem orçamento e, convenhamos, sem auxilio profissional NENHUM. Mas esse curta era tão chato, tão risível e tão metido a chocante, que eu quase me engasguei rindo. Uma mulher perde tudo depois que o marido a troca por uma amante mais jovem, e precisa se prostituir. Para começar, antes do filme passar vimos mais uma daquelas entrevistas, com a diretora do filme e uma das atrizes. A diretora dizendo que agora ela podia se considerar uma diretora e roteirista de verdade, que o filme delas era maravilhoso. Sabe como é, né? Para a mãe, todo o filho é bonito. Nos primeiros minutos, eu não tinha certeza se aquilo era uma comédia genial ou um drama horroroso. A plateia se contorcia rindo e tenho certeza de que esse não era o objetivo.

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Depois de mais de uma hora de agonia (e nenhum êxtase), estava na hora de finalmente ver o nosso filme. E o DVD travou. Outro grupo também não havia entregado na “data certa” e o filme deles foi passado, enquanto tentavam fazer nosso DVD (que estava funcionando...) funcionar. O filme, que acho que se chamava Fraturas, era muito interessante e o melhor que já tinha passado até aquele momento. No elenco do filme estava Eduardo Cardoso, o Lucas de Antes que o Mundo Acabe (e eu não notei que ele era meu colega, apesar de eu adorar esse filme). A experiência de ver Fraturas teria sido muito mais interessante se o equipamento do cinema não tivesse falhado e travado todo o filme. Ficou parecendo o drama do gago.

Quando o filme acabou, o projecionista ainda não tinha aprendido a fazer projeções e nosso filme não estava pronto para ser exibido. Fui até lá para ver se conseguia resolver o problema e quando resolvi, voltei para a sala e eles tinham ligado as luzes e começado um bate-papo com a plateia. Surtei. Quando as pessoas começaram a ir embora, porque já eram mais de 21h e o bate-papo ainda não tinha terminado, surtei um pouco mais. Claro que daria errado, por que não daria?

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Lá pelas tantas alguém pede para o professor analisar os filmes apresentados e minha irmã, no fundo da sala, grita “Falta um!!”. Depois de muito tempo consegui interromper aquela sessão de chatice e nosso filme foi passado. E sabe o que mais? Quando acabou, o pessoal veio nos parabenizar. O filme foi um sucesso e de longe o melhor da noite. Era como se dissesse “Fizemos vocês passar por toda essa tortura, mas não foi em vão”.

Quem me conhece sabe que não sou de ficar me gabando. Até o final do filme, eu estava uma pilha de nervos porque tinha certeza de que todos odiariam muito e que eu sairia de lá humilhada. Mas estou orgulhosa do meu bebê, que nasceu em uma premiação da RBS há quase três anos, como apenas uma ideia para um mini de um minuto e que se tornou um belo curta de vinte minutos. Dignidade! Sempre Dignidade! conta a história de um diretor de cinema fracassado que cria um plano perfeito para conseguir fama. Meu cunhado, Guto Bozzetti, interpreta o Diretor e fico muito feliz que nossa primeira escolha para o papel tenha dado errado e que o Guto tenha substituído. Foi a melhor coisa que fizemos pelo nosso filme! O personagem, que a princípio era patético e fracassado, se tornou um homem carismático que apesar de todo o seu talento e esforço, acaba sempre se dando mal. Gosto de ver que o personagem evoluiu até esse ponto. Não gostava dele antes, mas hoje gosto.

dignidadeCenas de Dignidade! Sempre Dignidade!

A mostra tinha tudo para ser algo bacana, para homenagear os esforçados alunos que conseguiram aguentar a chatice ficar até o final do curso. Era tão simples. Não sei exatamente quantos curtas foram (estava tão cansativo ver aquelas entrevistas que acabei nem contando), mas digamos que fossem cinco. Ao invés das entrevistas, podiam ter passados estes cinco filmes e feito um bate-papo com um representante de cada grupo, no final da apresentação. Podia ter tido um coquetel. Os exercícios das aulas não precisavam ter sido apresentados e podiam ter feito uma cerimônia pequena para entregar os certificados. Podiam ter marcado às 17h e começado às 17h. Podiam ter avisado que a entrega era dia 07 e não dia 12. O evento teria sido menos cansativo, duraria no máximo 2h e todos sairiam felizes e sentindo-se valorizados.

O resultado final foi um grande desastre e fico chateada de ver que meu trabalho não teve a apreciação que merecia. Na verdade, todos nós que estávamos lá apresentando nossos trabalhos merecíamos mais do que aquilo. Até mesmo o filme da prostituta. Quem sabe ano que vem eles procurem a ajuda de alguém que realmente entenda de cinema e consigam fazer algo digno. Vamos lá minha gente... Não é tão difícil assim! DIGNIDADE! SEMPRE DIGNIDADE!

tumblr_lt0m1hS8bX1qfjjglo3_250Vote no macaquinho como professor!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A Casa dos Sonhos

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Ah! Meu doce e querido cinema ruim! O que eu seria sem você? Às vezes acho que um filme ruim pode ser mais divertido do que um bom, Mamãezinha Querida, Burlesque e A Garota da Capa Vermelha estão aí para provar isso. Mas ultimamente os cinemas brasileiros estão sendo recheados de filmes ruins que não são bons... Qual a graça nisso? E eis que surge A Casa dos Sonhos, como um sopro de ar pútrido em nossas caras, levando um sorriso aos nossos corações. E se isso não faz sentido para você, tudo bem, esse filme também não vai fazer.

Filme ruim bom é aquele que é tão ruim que acaba divertindo. São filmes perfeitos para os chamados call back lines (respostas para as ações e falas das personagens, tradição criada pelo público de The Rocky Horror Picture Show, nos anos 70), para piadas e risadas histéricas sem motivo. E você sabe que um filme deve ser ruim quando o diretor pede para que seu nome seja retirado dos créditos, certo? E a coisa só melhora quando os atores principais, Daniel Craig e Rachel Weisz, se negam a promover o filme.

A Casa dos Sonhos conta a história da família Atenton, que acaba de se mudar para uma casa que, segundo todos os personagens de filmes de horror onde alguém se muda para uma casa, “tem um problema”. As filhas do casal, Dee Dee e Trish, começam a ver um misterioso homem rondando a casa e adolescentes invadem o local para realizar estranhos (porém nunca mais mencionados pelo resto filme) rituais. Além disso, a vizinha do casal (Naomi Watts) e os outros moradores da cidade parecem não se importar com os problemas ocorridos na casa e ignoram os pedidos de ajuda da família.

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O filme tem uma ideia muito boa, mas não é narrado de forma convincente e acaba se tornando bobo e até mesmo incompreensível em algumas partes. As falas dão muito espaço para piadas de duplo sentido, como quando Naomi Watts manda Daniel Craig ir tomar banho e “não sair de lá” ou traz para ele “algo para aquecê-lo”, ou quando Rachel Weisz diz que Craig está “extremamente quente” (se referindo a uma febre). Estamos a alguns minutos do início do filme quando nos é apresentada a personagens de Watts e já sabemos que ela, Craig e Weisz vão fazer sexo. Mesmo que não seja durante o filme.

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Apesar de todas as suas falhas, A Casa dos Sonhos tem tomadas interessantes (o diretor faz questão de mostrar a reação das personagens mais do que o que está causando tal reação), uma história surpreendente e boas atuações. Se o resultado é algo risível, o culpado é Jim Robinson, chefe da produtora Morgan Creek, que não entende o conceito de “confiar nos especialistas”.

cirurgiaFonte: http://divasca.blogspot.com/2011/09/confie-no-profissional.html

Dream House (2011)
Direção: Jim Sheridan
Roteiro: David Loucka
Elenco: Daniel Craig, Rachel Weisz, Naomi Watts, Taylor Geare, Claire Geare, Rachel G. Fox, Marton Csokas, Elias Koteas

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Eu Queria Ter a Sua Vida

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A primeira coisa que pensei quando vi o pôster deste filme foi: O que, exatamente, eles fizeram para que esta seja “a troca de corpos definitiva”? Está bem, essa não foi a primeira coisa. A primeira foi: Meu Deus, a cara do Ryan Reynolds. Mas enfim, a minha ideia sobre o porquê da frase é que os diretores/roteiristas estavam cansados de ver tanto filme de troca de corpo, a maioria meia boca (alguns péssimos, pouquíssimos bons), e decidiram criar um filme de troca de corpo tão ruim que ninguém mais teria coragem de fazer outro. Filmes de troca de corpo virariam um subgênero cinematográfico underground, com alguns fiéis seguidores. De repente, a troca entre homem/mulher, namorado/namorada, mãe/filha, marido/esposa, pai/filho, dono/cachorro, velho/jovem já não mais seria suficiente, e os criadores destas obras seriam obrigados a pensar antes de fazer um filme e, por consequência, o público também teria que fazer isso para assistí-lo.

Ao assistir Eu Queria Ter a Sua Vida (que ficou poucas semanas em cartaz na cidade onde moro) confirmei minhas suspeitas. Jason Bateman interpreta Dave Lockwood, um advogado pai de família que acredita ter desperdiçado sua juventude, e Ryan Reynolds é Mitch Planko, ator meia boca que passa seus dias se drogando e procurando mulher. Sério? Eu jamais imaginaria isso pelo pôster!!

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Why the face??

Os dois são amigos de colégio e depois de uma bebedeira, confessam que gostariam de ter a vida do outro. E como num passe de mágica, os dois acordam na manhã seguinte com os corpos trocados.

O filme brinca um pouco com os clichês, tenta reinventar algumas piadas e adiciona um toque de humor negro, mas não consegue ser verdadeiramente engraçado. Nem Jason Bateman nem Ryan Reynolds são bons o suficiente e, quando precisam interpretar um ao outro, parecem desconfortáveis com os papéis. Adoro ambos os atores, especialmente Bateman, porém aqui eles não conseguem convencer. Filmes como Quero Matar Meu Chefe, Juno, Enterrado Vivo e A Proposta representam muito mais o talento e carisma destes atores.

As piadas de humor negro não chegam a ser engraçadas e servem apenas para causar desconforto em quem assiste, e as piadas “normais” são meramente engraçadinhas. A história não chega a ser ofensiva, mas também não adiciona nada de novo para quem já assistiu os mais de 90 filmes sobre esse assunto. Acredito que a pior coisa que se pode dizer sobre um filme é que ele não te adiciona em nada. Sair do cinema exatamente igual a quando você entrou, e é isso que Eu Queria Ter a Sua Vida é. Um filme vazio e óbvio, que não vai a lugar nenhum e nem ao menos serve para dar umas boas risadas e distrair uma mente cansada. Se este era o objetivo dos criadores, parabéns! Se não era, bem... Esta na hora de começar a usar a cabeça.

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The Change-Up (2011)
Direção: David Dobkin
Roteiro: Jon Lucas, Scott Moore
Elenco: Jason Bateman, Ryan Reynolds, Olivia Wilde

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sobre o meu sumiço e outras histórias

Preparem-se, meus queridos Judequetes! Porque o Judas Dançarino entrará em uma nova fase, muito (mas muito) em breve. Sei que ando sumida do blog, porém tenho uma boa explicação. Estou terminando meu TCC e me formo final do ano, a última coisa que consigo fazer agora é escrever.

Para compensar o meu afastamento, darei início a mudanças, que envolvem revisão dos textos antigos, um novo layout (ainda estou procurando alguém para fazer o desenho) e uma parceria muito importante (!) que poderá ajudar o Judas a crescer (não falarei ainda quem é, pois ainda não está certo, mas posso garantir que irá envolver 30 moedas de prata e um novo par de sapatilhas de balé).

Outra novidade é que estou escrevendo um livro, que deve ficar pronto até metade do ano que vem, se eu conseguir escrever ele direito. Acabei tendo que dar um tempo nele também, antes que meu TCC me mate ou eu mate ele. O livro terá parceria com o grande Carlos Primati, do Cine Monstro, que topou escrever um ensaio para a publicação. Assim que terminar de escrever esse, passo para o próximo, que já está projetado.

Então fiquem ligados e deixem sugestões de filmes que vocês acham que eu deveria criticar aqui no Judas.

Até o próximo post!

Tu aí

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Arthur - O Milionário Irresistível (Remake)

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São raros os remakes que conseguem superar os originais. É o caso de Arthur, remake de uma produção de 1981. O filme não foi muito bem recebido pelos fãs do original, mas acredito que seja por puro preconceito. A versão dos anos 80, protagonizada por Dudley Moore e Liza Minnelli, é bastante divertida, mas um tanto quanto sem sentido e sem muito propósito. Não consigo achar Arthur um personagem verossímil e seu par romântico, Linda, não possui muitos objetivos. E é neste aspecto que o remake supera o original.

Arthur, vivido por Russell Brand, é um milionário mimado, que nunca precisou trabalhar ou ter qualquer tipo de responsabilidade. Cansada dos escândalos que Arthur causa com suas festas e bebedeiras, sua mãe lhe faz um ultimato: ou Arthur se casa com uma bela, porém fria, herdeira (Jennifer Garner) ou perde todo o seu dinheiro. Arthur aceita, mas acaba se apaixonando por uma guia de turismo chamada Naomi (Greta Gerwig). A garota sonha em escrever livros infantis, mas precisa trabalhar para poder pagar os remédios do pai doente.

O relacionamento entre Arthur e Naomi é muito mais convincente do que o de Arthur e Linda. Isso porque aqui Arthur não é apenas um rico mimado e egoísta, ele é simpático, engraçado e ingênuo, sendo praticamente uma criança. Já Naomi passa de garota pobre que sustenta o pai para uma jovem com personalidade, sonhos e talentos, que se sacrifica para ajudar a família. Outra mudança significativa é a personagem Hobson, interpretada no original por John Gielgud e no remake por Helen Mirren. Nunca entendi muito bem o relacionamento entre o mordomo Hobson e Arthur no original, sempre achei ele grosseiro de mais e tinha a impressão de que ele estava naquele emprego apenas pelo dinheiro. Já na nova versão, Hobson é uma babá, que criou Arthur desde criança (Arthur a chama de mãe em uma cena bastante comovente) e, apesar de sua aparente indiferença, ela gosta do rapaz e até mesmo se sacrificou por ele.

Russell Brand não é exatamente um excelente ator, mas dá para notar que ele está se esforçando ao máximo para desempenhar o seu papel. Chega a ser engraçado ver que, na realidade, ele não está interpretando apenas Arthur. Ele está interpretando Dudley Moore interpretando Arthur. Greta Gerwig é uma boa atriz e bastante carismática, que convence como par romântico, especialmente tendo Jennifer Garner interpretando Jennifer Garner como rival. Mas quem rouba a cena é Helen Mirren, que mesmo em uma comédia sem pretensões consegue dar o ar dramático que deixa a história muito mais interessante.

Arthur - O Milionário Irresistível pode ter um péssimo título em português, mas é um dos raros casos em que um remake consegue não apenas ser melhor, como também acrescenta a sua fonte de origem.

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Arthur (2011)
Direção: Jason Winer
Roteiro: Peter Baynham
Elenco: Russell Brand, Helen Mirren, Jennifer Garner,Greta Gerwig

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Penélope

Eu tinha uma cachorrinha

Que costumava subir na cama todas as manhãs e me acordar.

Ela gostava de roer ossos

Carinho na barriga

Dormir nas nossas camas.

Quando eu passeava com ela dentro do pátio do condomínio

Costumava deixar a coleira solta.

Uma vez ela fugiu pelas grades.

Uma vez ela quase foi atropelada por dois ônibus.

Uma vez fiz um bolo de chocolate para o aniversário dela.

Ela tinha um ursinho sem olho

Apenas um dente na boca

Um bafo horroroso.

Ela gostava de deitar perto da gente

Ou em cima da gente

Ou onde a gente estava sentado.

Ela latia quando a gente comia.

Ela latia quando a gente saia.

Ela fez cocô na mesa.

Ela sabia quando tinha feito algo errado

E sabia quando eu estava triste.

Ela foi minha primeira amiga.

E eu amo ela muito.

Não quero que ela se vá.

Não queria acordar e saber que ela não existe mais.

Agora vou para a cama

Talvez eu leia

Talvez eu durma

Só sei que não posso mais escrever

Porque dói muito e as lágrimas não me deixam enxergar.

Pepe

Penélope (1998 – 2011)

(me desculpe pela falta de qualidade, mas eu precisava tirar isso de dentro de mim antes que me matasse)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Revista de Jornalismo Especializado do Centro Universitário Metodista do IPA

 
Meu texto, Não é só com beijos que se prova o amor, está na página 18. Esta é a primeira edição da revista, que será semestral, e achei bem bacana publicarem o meu texto, especialmente porque irei me formar no final do ano. Espero que o IPA continue com este trabalho.
Para fazer download é só entrar na página e clicar neste icone icone.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

The Wiz - O Mágico Inesquecível

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Engraçado como nunca tinha me dado conta de que a mensagem por trás de O Mágico de Oz era “acredite em você mesmo”. Foi preciso que Diana Ross cantasse sobre isso para que aquela história de bater o sapato fizesse sentido. Mas vamos começar pelo começo. The Wiz é uma versão moderna de O Mágico de Oz, com roteiro de Joel Schumacher (O Fantasma da Ópera e Garotos Perdidos) e dirigido por Sidney Lumet (12 Homens e uma Sentença). A releitura transforma o reino de Oz em um submundo assustador, com lixeiras carnívoras, macacos motoqueiros, Munchkins grafiteiros e empresas especializadas na venda de suor.

Dorothy (Diana Ross) é uma professora de 23 anos, que vive com seus tios e que ainda não encontrou um rumo em sua vida. Seus primos estão crescendo, casando e tendo filhos, e Dorothy continua morando com os tios, dando aula para a pré-escola e com medo de relacionamentos. Ela nunca se arrisca, por medo das mudanças, nunca expressa o que sente e prefere ficar infeliz a enfrentar as adversidades da vida. Depois de uma festa familiar, o cão de Dorothy, Toto, foge de casa e ela vai atrás do bichinho. Os dois são pegos por uma tempestade de gelo e carregados até um estranho mundo chamado Oz.

Ao cair naquele mundo, Dorothy derruba uma grande placa em cima da perversa Bruxa Má do Leste, salvando os Munchkins do terrível feitiço que a bruxa havia posto neles. Ao pegá-los pintando grafites em um muro, a bruxa os transformou em meras pinturas nas paredes, aprisionando-os. Com a morte da Bruxa Má do Leste, a Bruxa Boa do Sul (Thelma Carpenter) se liberta e aconselha Dorothy a buscar ajuda com o grande Mágico de Oz, que vive na Cidade das Esmeraldas. Para chegar lá, basta seguir a estrada de tijolos amarelos.

No caminho, a jovem encontra o Espantalho (Michael Jackson), que é atormentado pelos corvos e precisa urgentemente de um cérebro; o Homem de Lata (Nipsey Russell), que só se interessa pelas mulheres erradas e precisa de um coração; e o Leão (Ted Ross), que perdeu seu cargo de rei da floresta e foi obrigado a trabalhar como enfeite da fachada de uma biblioteca, tudo porque não tinha coragem.

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A primeira vista, The Wiz parece um filme bastante bizarro e acaba afastando o público por puro preconceito. O título em português não ajuda (O Mágico Inesquecível) e a presença de Michael Jackson faz o filme ter cara de propaganda. Mas na realidade é um excelente filme, com ótimos números musicais e uma história muito bem estruturada. Os personagens ganham um pano de fundo muito melhor do que em qualquer outra adaptação de O Mágico de Oz que já vi (incluindo o livro original), a começar por Dorothy. No original, a garota não parece ter um bom motivo para voltar para casa, afinal lá ela é maltratada pelos tios, que quase não lhe dão atenção ou respeito, e a vizinha vive lhe atormentando e tentando matar Toto. Em The Wiz, sabemos que ela vem de um lar carinhoso, onde as pessoas apenas querem o seu bem. Aqui, o problema de Dorothy é apenas ela mesma.

O relacionamento dos corvos com o Espantalho passa de apenas um acontecimento esporádico para um ato verdadeiramente cruel. Os corvos atormentam o Espantalho, o tratam como um palhaço e o obrigam a ficar pendurado o dia todo. São eles que convencem o personagem de que ele deve ficar lá porque não tem cérebro. Quando o Espantalho tenta dizer que leu em algum lugar que aquilo não é certo (ele lê trechos dos livros que foram usados para recheá-lo), os corvos dizem que ler é errado. O Homem de Lata já não é mais apenas um lenhador, ele é um artista de parque de diversões, com quatro ex-esposas. Ele põe a culpa de seu fracasso com casamentos no fato de que seu criador esqueceu de lhe dar um coração. O coitado só quer se apaixonar. Já o Leão, quer de volta seu cargo de rei, mas não consegue nem ao menos assustar um cãozinho. Os outros animais o expulsaram da selva e agora ele vive com medo da própria sombra.

Outro aspecto muito bem explorado é a relação das quatro bruxas, o Mágico e o mundo onde eles vivem. A Bruxa Boa do Sul, aqui chamada de Miss One, é fraca, talvez a mais fraca das bruxas, e jamais poderia derrotar a Bruxa Má do Leste sozinha. A Bruxa Boa do Norte, Glinda (Lena Horne), é muito poderosa, mas vive isolada das outras bruxas e raramente aparece. Ela acredita que cada um precisa aprender a lidar com seus próprios problemas. As duas Bruxas Más (Mabel King) escravizam seus respectivos povos, mas não ousam passar disso porque temem o grande Oz. Por fim, o Mágico (Richard Pryor) mantém seu povo distraído com ordens absurdas e alternando entre o tiranismo e a bondade. Assim, nunca precisa mostrar seu verdadeiro rosto ou o poder que não tem, mas finge ter.

Não mostrar Glinda desde o início e representá-la como algo inacessível, deixa a história de “o poder de voltar para casa esteve sempre com você” muito mais plausível. Não sei muito bem porque a Bruxa do Sul foi cortada da versão de 1939, mas sempre achei que isso tira o nexo do filme e meio que transforma Glinda em uma desgraçada... Se ela sabia que apenas os sapatos poderiam levar Dorothy de volta para casa, por que não disse desde o início?

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Quando Dorothy se dá conta de que o que seus amigos queriam estava com eles desde o início, eles apenas não sabiam disso porque não tinham fé em si mesmos, Glinda aparece e ajuda Dorothy, pois é o poder do amor próprio que a Bruxa Boa prega. Dorothy não precisa aprender a amar o lugar de onde vem e sim a amar a si e aprender a se arriscar e buscar aquilo que deseja. E isso vale para o Mágico também. Ele não simplesmente abandona o povo de Oz e volta para casa. Não. Ele precisa aprender quem ele é e ganhar o respeito de seu povo, sem usar máscaras para se esconder.

O elenco de The Wiz é constituído quase que completamente por cantores, todos muito talentosos e se dando bem na atuação. Richard Pryor interpreta o mágico, dando o ar cômico, mas também melancólico que o personagem precisa. Mas uma das melhores escolhas de elenco foi, por incrível que pareça, Michael Jackson como o Espantalho. Pode parecer estranho a primeira vista, mas colocar um dançarino andrógeno para interpretar um espantalho gentil, ingênuo e atrapalhado foi uma jogada de mestre.

The Wiz é um musical divertido e sensível, que mostra que a única coisa que nos impede de conseguir aquilo que desejamos é nós mesmos.

The Wiz (1978)
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Joel Schumacher, baseado no livro de L. Frank Baum e na peça de William F. Brown
Elenco: Diana Ross, Michael Jackson, Nipsey Russell, Nipsey Russell, Mabel King, Theresa Merritt, Thelma Carpenter, Lena Horne, Richard Pryor, Stanley Greene

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