quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Bem Vindo à Casa de Bonecas

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Assisti Bem Vindo à Casa de Bonecas quando tinha 14 anos, depois que uma amiga me recomendou dizendo que o filme era tão ruim que eu precisava assisti-lo. Já fui para frente da televisão odiando a história de Dawn Wiener (Heather Matarazzo), uma adolescente que é diariamente humilhada na escola por ser "feia" e rebaixada em casa por não ser "melhor" do que seus irmãos. O único amigo dela é um garoto mais jovem e inocente, que provavelmente nunca irá entender a complexidade dos sentimentos de Dawn.

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Ela tem dois irmãos (um cdf que só se importa em entrar para faculdade e uma menina tão perfeita que chega a dar nojo), e um pai e uma mãe que fingem gostar de todos os filhos igualmente. Seu irmão resolve formar uma banda de garagem porque acredita que isso pode ajudar sua carreira acadêmica. Ele consegue um vocalista em troca de aulas de informática, chamado Steve (Eric Mabius). Steve é o sonho de todas as adolescentes. Eu tinha um Steve. O meu Steve jogava futebol sem camisa, era popular, tinha uma namorada com cara de adulta e não sabia que eu existia. Ao contrário de Dawn, nunca tive um irmão cdf.

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O outro homem na vida de Dawn é Brandon (Brendan Sexton III), um garoto revoltado que vive incomodando-a, em uma tentativa de chamar sua atenção. Ele ameaça estuprar Dawn, o que nunca acontece, e os dois acabam desenvolvendo um relacionamento estranho e até inocente. Garotos como Brandon também existiam na minha escola. Eu nunca tive um Brandon quando era adolescente, mas tive um quando criança. Ele não tentou me estuprar, mas puxava meu cabelo na fila da merenda.

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Quando assisti Bem Vindo à Casa de Bonecas pela primeira vez, não gostei. Hoje, quase dez anos depois, entendo o porquê. Assisti-lo era como ver um vídeo de minha vida e admitir que as coisas não iriam melhorar. Seria admitir que Steve jamais me amaria, que meus pais continuariam ignorando o quão maravilhosa eu era e que meus colegas de aula continuariam me desprezando. Assistir Bem Vindo à Casa de Bonecas seria aceitar que eu era um fracasso. Por tanto, era mais fácil olhar coisas como O Diário de Bridget Jones (2001) ou Nunca Fui Beijada (1999), meus filmes favoritos na época. Neles, a mocinha ficava com o mocinho e todos eram felizes.

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Mas as coisas mudam. Hoje, assistir Bem Vindo à Casa de Bonecas é uma experiência única. É ver a vida que um dia tive e saber que isso finalmente acabou. Seu diretor, Todd Solondz, não tem medo de apresentar ao espectador, de maneira crua, a realidade patética na qual vivemos., o que pode ser conferido também em Felicidade (1998), Histórias Proibidas (2001) e seu mais novo trabalho A Vida Durante a Guerra (2009).

É difícil não se sentir sádico assistindo a um dos filmes de Solondz, especialmente quando rimos de algo que não deveríamos achar engraçado. Esta é a magia de Solondz: ele consegue nos fazer rir de pateticidade humana e, por tanto, de nós mesmos. Jogando em nossa cara uma realidade horrível que apenas uma direção tão bem feita poderia deixar atraente. Solondz retrata de maneira tão fiel a vida, que muitas vezes nos esquecemos que o que estamos assistindo é um filme e não apenas as imagens de uma câmera que foi deixada ligada sem querer, registrando o dia a dia daquelas pessoas.

Bem Vindo à Casa de Bonecas é um filme maravilhoso, mas que só deve ser assistido por aqueles que se sentem preparados a enfrentar a realidade.

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Welcome to the Dollhouse (1995)
Direção: Todd Solondz
Roteiro: Todd Solondz
Elenco: Heather Matarazzo, Victoria Davis, Brendan Sexton III, Daria Kalinina, Matthew Faber, Dimitri DeFresco, Eric Mabius

6 comentários:

Juliano Moreira disse...

Brendan Sexton III! Credo! Ele é medieval?

Eis!! Acho que você usou uma frase minha. Tá de gúdi, meu amore!
Descobrimos um bom diretor. =D

PAULO TAMBURRO disse...

EXCELENTE BLOG, MEUS PARABÉNS !!!

VOLTAREI SEMPRE.

ENTÃO,UM FELIZ NATAL E UM 2011 REPLETO DE FELICIDADE E HUMOR.

HUMOR É SAÚDE.

ACHO QUE VOCÊ COMEÇARIA BEM ESTE PERÍODO DE FESTAS, VISITANDO MEU BLOG DE HUMOR:

"HUMOR EM TEXTO".

É DE HUMOR E ...DE GRAÇA.

UM ABRAÇÃO CARIOCA!

Pinu disse...

Isso me parece estranhamente familiar, mas ao mesmo tempo eu tenho quase certeza de que nunca vi esse filme. Deve ser isso que tu falou, de ser a vida real, HE

Será que senhor KANYE CAPS® voltará sempre mesmo? Gostei do sobrenome!

Pri Zorzi disse...

Eu certamente não vi esse filme, mas ele parece interessante. Só não sei se é o momento ideal pra um filme que me deprima, hahaha!

E VENHA VISITAR MEU BLOG. EU TE ORDENO o___o

Leli disse...

HAHAHAHAAHAHAHAHAHAAHELEÉMEDIEVALMORRI

ai,ai... pois é. por mais que eu tenha ficado um pouquinho deprimida, eu achei o filme muito bom. e ri muito também, tu viu.. hahaha
não é que eu não esteja pronta pra encarar realidade, mas é que sei lá, eu não esperava isso quando fui ver, saca? e não que isso seja ruim, mas eu fiquei triste depois...

Unknown disse...

genteeeee comoo faco pra assitir esse filme em portugues pleasee

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