quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Um Parto de Viagem

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Sabe quando você vê um pôster de filme e ele é idiota e o título é besta e você pensa “Hmmm... Talvez isso seja bom...”, e no fim o filme é Se Beber, Não Case, uma das melhores comédias de 2009? Não é o caso de Um Parto de Viagem. Peter Highman (Robert Downey Jr.) está voltando para casa, para se encontrar com sua esposa que está prestes a ter um bebê. Mas Peter se vê “preso” ao aspirante a ator Ethan Tremblay (Zach Galifianakis), quando os dois são expulsos do avião e proibidos de pegar outro voo. Como Peter está sem sua carteira (que ficou no avião), ele precisa viajar pela estrada com Ethan, que é o maior pé no saco sem noção da face da Terra.

O filme tem seus momentos engraçados, com certeza, mas acaba ficando chato por não ter verossimilhança. Os personagens vivem situações que não fazem sentido nem mesmo dentro do mundo onde vivem. Quando Peter é preso na alfândega, por exemplo, Ethan rouba o trailer onde o companheiro está. Os dois são perseguidos pela polícia alfandegária por alguns minutos e acaba a cena. Como se os policiais dissessem “Atrás deles, rapazes... Ah... Deixa para lá...”.

Esse é apenas um dos muitos exemplos de cenários montados apenas para fazer piada, não respeitando o intelecto do espectador. Levando em conta que foram necessários quatro roteirista para escrever essa história, podemos supor que cada um escreveu cenas dispersas, sem que pudessem ler o que o outro estava fazendo. Como aqueles jogos que se faz no colégio, onde cada aluno escreve uma frase e no final todas elas são unidas para formar uma história sem pé nem cabeça.

Mas a principal dificuldade desse filme nem é isso. Tenho certeza de que teria aproveitado bem mais a história (como eu disse, ele tem momentos engraçados), se não existisse isso:

Planes-Trains-and-Automobiles

O filme de 1987, dirigido por John Hughes, já teve uma crítica aqui no Judas em março e é um dos meus filmes favoritos de Hughes. É o primeiro filme sério do diretor, cheio de melancolia e piadas espertas e patetas, tudo na dose certa. Steve Martin interpreta um personagem egoísta e detestável, mas é impossível não amá-lo. John Candy é chato, mas adorável. E Um Parto de Viagem é uma versão deturpada desse filme tão divertido e bonito! Robert Downey Jr. é uma versão grosseira de Steve Martin (chegando até mesmo a cuspir em cachorro e dar um soco no estômago de uma criança!) e Zach Galifianakis é um John Candy drogado e irritante, que não chega nem perto de comover a plateia. Gosto dos dois atores, mas deram a eles papéis tão estereotipados que chega a doer.

O que me irrita nesse filme é que sinto como se estivesse assistindo Planes, Trains and Automobiles através de um espelho quebrado e sujo. Que fique claro, Um Parto de Viagem não é um filme ruim! É apenas uma versão mal feita de uma comédia excelente!

due-date

Due Date (2010)
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Alan R. Cohen, Alan Freedland, Adam Sztykiel, Todd Phillips
Elenco: Robert Downey Jr., Zach Galifianakis, Michelle Monaghan, Jamie Foxx, Juliette Lewis

11 comentários:

Felipe disse...

Cara assisti o filme hoje... achei uma bela droga... tem sim suas partes engraçadas mas é uma comedia em que você não ri naturalmente parece que você tem que forçar o riso pra ele sair... outra porcaria vendida como comedia sem noção...

Paloma disse...

Pois é, Felipe. Eu até entendo porque alguém iria gostar do filme, ele é fácil de gostar (lembrei de uma piada do Friends, onde a Monica - acho que era ela - diz que uma mulher tinha uma beleza óbvia, e o Ross diz, sarcástico, que esse é o pior tipo de beleza que existe). O problema é que as pessoas valorizam demais esse tipo de filme!

E comédias como "Enfim Viúva" ou "Scott Pilgrim" passam despercebidos.

Pri Zorzi disse...

Pois é, foda é saber que Scott Pilgrim não vai vir pra cá e que lixos como esse provavelmente vão angariar muitos espectadores atrás de algo como The Hangover.

O filme tem uns momentos engraçadinhos (até a parte do soco eu achei engraçada, porque aquela criança era muito monstrinha :P), mas no geral o filme é extremamente forçado. E muitas piadas são bem de mal-gosto, como se violência ou piadinhas sexuais fossem sempre engraçados.

Outra incoerência foda: primeiro o cara diz que só dorme se masturbando, e depois ele passa o filme TODO quase dormindo na direção? Não faz sentido, parece que algumas coisas estão ali só porque o roteiro precisa delas naquele momento e depois elas somem.

O Zach Galifianakis até agora pra mim parece um novo Jack Black, o cara gordo sem noção que faz o mesmo papel em todos os filmes. Porque ele faz praticamente o mesmo personagem de The Hangover.

Aliás, espero que The Hangover II seja bem melhor do que isso.

Pri Zorzi disse...

Cara, pela primeira vez resolvi testar o tradutor do teu blog e não me decepcionei xD

Olha que bizarro fica esse texto: http://img151.imageshack.us/img151/9223/englishfaily.png

Paloma disse...

"A journalism student before being submitted to film critic, who thinks one day draw Rubens Ewald Filho from his throne and Roger Ebert will love it."

He knows he will!!! HE KNOWS!!!

Pri Zorzi disse...

Hahahaha, meus desenhos tão dominando teu blog!


((((((O.O))))))

Juliano Moreira disse...

Nenê! Você conseguiu deixar o fundo transparente! \o\
Como?

A Zorzi vai encher de bolachinha amanteigada que vem com o café no teu blog.

Leli disse...

também achei que vai ficando cansativo :P
mas vale a pena ver o zach galiafikshfuaqdkis andando. HAHAHA

Pinu disse...

talvez seja porque eu não vi este outro filme, ou porque eu estava só afim de rir, mas eu adorei o filme. Acho que certas cenas absurdas e de extrema estupidez (o soco no estômago do guri) só deixam ele mais engraçado - se você está disposto a rir. Acho que se um filme desses quer partir pra imbecilidade, tem mais é que ultrapassar alguns limites pra não cair no hall de todas as comédias pastelão escatológicas de hoje em dia.

Paloma disse...

Se esse filme existisse por ele mesmo, seria bom. Não maravilhoso, mas bom. Unicamente pelas piadas. Porque a história é fraca e eu não me importo com nenhum dos personagens. Só que ele não existe sozinho. Além de ser uma cópia barata de "Antes só...", também tem o fato de ser do mesmo diretor de Hangover. E Hangover é uma das melhores comédias ever!

Ó, Ebert: "Every situation is funny. Most of the dialogue is funny almost line by line. At some point we actually find ourselves caring a little about what happened to the missing bridegroom -- and the fact that we almost care is funny, too."

É isso que Um Parto de Viagem não tem.

Juliano Moreira disse...

É que a Pininho gosta de qualquer coisa, tadinha. Dá um sacolé pra ela.

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