segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Mundo da Comédia perde seu principal representante: Leslie Nielsen

O ator estava hospitalizado à 12 dias em um hospital da Flórida para tratar uma pneumonia e morreu neste domingo, às 5h30. Segundo a família, o ator de 84 anos "caiu no sono e faleceu". Nielsen tinha mais de cem filmes em sua filmografia e deixará um grande vazio no mundo da comédia.
 
É com muito pesar que escrevo essas palavras aqui no Judas. Não costumo anunciar óbitos, mas abrir os jornais de hoje e descobrir que Leslie Nielsen já não mais existe me deixou com um peso no coração. Cresci assistindo seus filmes, em especial Corra que a Polícia Vem Aí (1988) e Apertem os Cintos... o Piloto Sumiu (1980), e sempre tive um carinho muito grande por ele. Nos últimos tempos, ele vinha fazendo participações em filmes de paródia mais fracos, mas era sempre ele quem dava a graça a esses filmes.

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Forbidden Planet (1956)

Por mais piegas que isso possa parecer, espero que, onde quer que ele esteja, continue com seu carisma e bom humor. Adeus Leslie, sentiremos sua falta.
 
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte Pt. 1

Atenção: Contém spoilers

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A sétima e última parte da saga cinematográfica de Harry Potter, o menino bruxo que conquistou milhões de fãs pelo mundo todo, foi dividida em duas partes e é dirigida pelo britânico David Yates. Isso poderia ter sido usado a favor da produção, mas acabou por transformar a primeira parte em um filme enfadonho. Apesar de ser uma adaptação relativamente boa, especialmente se comparada aos dois últimos filmes da série, o roteiro peca em retirar da história original situações engraçadas e emocionantes, colocando no lugar piadas fáceis e ações desnecessárias.

clip_image002Give me your ‘wang’...

O filme adapta praticamente todo o livro, deixando de fora apenas o clímax final: a batalha em Hogwarts. Isso resultou em um filme confuso, corrido e quase sem ação (ou sem noção). Apesar de o livro ser parado em várias partes, consegue cativar o leitor, pois seus personagens tem alma, coisa que falta em suas versões cinematográficas.

Cenas tocantes como a estadia de Harry (Daniel Radcliffe), Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) na casa que um dia pertenceu a Sirius Black (Gary Oldman) ou a situação horrível que as crianças em Hogwarts se encontram (mencionado brevemente), foram cortadas do filme.

clip_image004Was this the most comfortable place you could find to put the tent? Just asking...

Em contraponto, situações que estão no filme, como a morte da coruja Hedwig ou a mutilação de George Weasley (Oliver Phelps), parecem não comover nem um pouco Harry. A coruja morreu e pronto. Ele perdeu uma orelha, e daí? Outra cena que chega a ser constrangedora é quando Harry descobre sobre as relíquias mortais e que uma delas é uma capa de invisibilidade (artefato que ele possui desde o seu primeiro ano em Hogwarts), e não tem reação alguma. Talvez ele não tenha se dado conta de tal coincidência ou talvez ele seja legal de mais para se importar.

clip_image006‘Sup?

A quinta e a sexta parte da saga, A Ordem da Fênix e O Enigma do Príncipe (também dirigidas por David Yates), são muito mais confusas do que As Relíquias da Morte, mas faltou a Yates o mesmo carinho que Chris Columbus, diretor das duas primeiras partes, teve ao recriar os livros. A única cena completamente fiel é quando o pequeno elfo doméstico Dobby (Toby Jones) morre. Confesso que me emocionei com a cena, mas mais por lembrar do livro do que por qualquer outra coisa.

É engraçado, mesmo assim, notar que um personagem criado em computador possui mais sentimentos do que atores de carne e osso. Mas, afinal, quem não amaria um bichinho pequenino e fofo que diz coisas como “Dobby não queria matar... Só mutilar ou ferir gravemente”?

clip_image008Harry Potter e a Câmara Secreta

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 tem efeitos especiais bons, atores parecidos com os personagens fisicamente, cenários lindos e um roteiro horroroso! Não é uma péssima adaptação como seus antecessores, mas está longe de ser bem feita.

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Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1 (2010)
Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Bill Nighy, Julie Walters Bonnie Wright, Alan Rickman, Ralph Fiennes, Helena Bonham Carter

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

José e Pilar

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Não tenho o costume de assistir documentários, não por não gostar do gênero, mas porque raramente encontro algum que fale de algo do meu interesse. Este semestre estou fazendo uma cadeira de documentário na faculdade e me deparei com um dilema: como fazer um documentário bom de assistir, leve, divertido e que interesse as pessoas? Meus colegas fizeram sobre temas polêmicos ou sensacionalistas. Eu fiz sobre amor.

E é sobre isso que José e Pilar, o documentário sobre o autor José Saramago e sua esposa Pilar Del Rio, trata. O filme acompanha Saramago durante todo o processo de criação do livro A Viagem do Elefante, desde a ideia inicial até a sua publicação. Mas a formação do livro serve apenas de base para mostrar o amor destes dois personagens.

Os dois se conheceram em 1986, quando a jornalista Pilar, após ler Memorial do Convento, decidiu ir até Lisboa conhecer o autor. Na época, ela tinha 36 anos e ele 63. Dois anos depois, se casaram e permaneceram juntos até a morte de Saramago, em junho de 2010.

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O filme retrata a vida dos dois, as viagens incessantes de um lado do mundo a outro, as infinitas sessões de autógrafos, o corre-corre entre mil eventos. O que mais me atraiu neste documentário foi a veracidade com que os dois são mostrados. Não senti a presença da câmera em nenhum momento (exceto quando o próprio Saramago, já cansado de tanta loucura, parece se dar conta de que ela está ali) e tive a impressão de que eu mesma estava lá, junto com eles, correndo de uma sessão de autógrafos para uma inauguração de biblioteca, de uma festa a uma entrevista, da Espanha para o Brasil para os EUA para Portugal...

A outra coisa que me fez amar foi, bem, o próprio amor. O amor devoto de Saramago por Pilar,demonstrado tantas vezes nas páginas de seus livros (em As Pequenas Memórias, o autor agradece “a Pilar, que ainda não havia nascido e tanto tardou a chegar”, uma das dedicatórias mais belas do autor), entra em uma espécie de confronto com o carinho e a dedicação da esposa, fazendo dos dois um dos casais mais belos de nossa história.

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O que faz desse amor algo tão belo, é a sua crueza, sua realidade. Eles não são personagens de um filme de romance, sem falhas, perfeitos. Não. Eles são de carne e osso, tem problemas, aflições, conflitos... Mas isso não impede que se amem. Ao se sentir perdido, em um mar de jornalistas (a quem adoraria matar, como ele mesmo disse), Saramago evoca o nome da esposa como se evocasse a seu deus “Pilar... Pilar...”.

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Uma cena que me comoveu bastante, chegando a me fazer chorar, foi quando Saramago assistiu pela primeira vez a versão cinematográfica de Ensaio Sobre a Cegueira, dirigido por Fernando Meirelles. O diretor, emocionado pela presença do autor. O autor, emocionado pelo carinho que o diretor teve ao adaptar aquela que se tornou uma de suas obras mais famosas. Cheio de lágrimas nos olhos, Saramago diz que aquele é um dos momentos mais felizes de sua vida e que está contente de ter vivido para ver o filme.

Se eu pudesse fazer um documentário como esse, que fizesse rir e chorar, e que marcasse aqueles que o assistem, sem se tornar sensacionalista, o faria com todo o orgulho. Saramago, que tinha fama de durão, aqui é mostrado como um homem sensível e amável, mas ao mesmo tempo rabugento. E Pilar, como seu próprio nome diz, é o que sustentava esse homem.

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José e Pilar (2010)
Direção: Miguel Gonçalves Mendes
Edição: Cláudia Rita Oliveira
Elenco: José Saramago, Pilar Del Rio, Fernando Meirelles, Gael García Bernal

sábado, 20 de novembro de 2010

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos

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Alfie (Anthony Hopkins) e Helena (Gemma Jones) acabaram de se separar depois de um casamento de quarenta anos, e ele agora está planejando se casar com uma ex-prostituta. Sua filha, Sally (Naomi Watts), está tendo problemas com o marido Roy (Josh Brolin), que se sente atraído pela vizinha Dia (Freida Pinto). Greg (Antonio Banderas), chefe de Sally, também está passando por um momento difícil em seu relacionamento e acaba tendo um caso com uma amiga de Sally, sem saber que sua empregada está apaixonada por ele. Para completar, Helena vai buscar conforto com Cristal (Pauline Collins), uma cartomante nada charlatã.

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Nesse intrincado jogo de amor, Woody Allen nos leva mais uma vez para dentro de sua mente neurótica e pessimista. O crítico José Carlos Avellar diz que os filmes agem como uma lente que corrige o foco, tornando a imagem mais nítida para a plateia. Quando assistimos a um filme, vemos o mundo através dos olhos das personagens. Em um filme de Woody Allen, vemos o mundo através de seus olhos – ou, melhor dizendo, de seus óculos. O diretor, ator e roteirista “criou em torno de sua imagem, em torno daquele personagem miúdo, de voz igualmente miúda, de óculos grandes e olhos bem abertos e espantados uma forma cinematográfica”, diz Avellar.

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Levando isso em consideração, podemos dizer que Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos mostra que a racionalidade sempre perde quando luta contra a sentimentalidade. Todos os personagens, com exceção de Helena, agem segundo a razão, mas sem pesar as consequências dos seus atos. Quase como um ser desajeitado, que sempre faz o que deve fazer, tentando quebrar alguma regra.

Alfie quer ter um filho, por tanto procura uma mulher que possa dar isso para ele, sem levar em consideração os seus sentimentos pela esposa. O mesmo vale para Sally e Roy. Os dois se importam apenas com seus objetivos (ela, ter filhos; ele, escrever um livro). Já Helena, transtornada com o final de seu longo casamento, decide deixar seu futuro nas mãos de uma cartomante, que não sabemos se é ou não verdadeira. Com isso, Helena se deixa levar pelo destino que as cartas lhe revelam. Ela não se importa se a decisão que está tomando é a mais racional. Ela só se importa em como se sente (e se sentirá) com tal ato.

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Este é um filme deprimente, ao contrário das duas últimas obras de Woody. Nos três, temos personagens sem rumo, mas com grandes diferenças. Em Vicky Cristina Barcelona, depois de muitas reviravoltas, ninguém chega a lugar algum. Em Tudo Pode Dar Certo, o mau humor de Boris se torna a chave para a sua evolução. E nesse, a racionalidade age como um impedimento e acaba por mais atrapalhar do que ajudar.

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos ensina que não fazer nada e deixar que as coisas fluam no seu ritmo talvez seja a melhor a se fazer, no final das contas.

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You Will Meet a Tall Dark Stranger (2010)
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Gemma Jones, Pauline Collins, Anthony Hopkins, Naomi Watts, Josh Brolin, Freida Pinto, Antonio Banderas, Lucy Punch

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Um Parto de Viagem

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Sabe quando você vê um pôster de filme e ele é idiota e o título é besta e você pensa “Hmmm... Talvez isso seja bom...”, e no fim o filme é Se Beber, Não Case, uma das melhores comédias de 2009? Não é o caso de Um Parto de Viagem. Peter Highman (Robert Downey Jr.) está voltando para casa, para se encontrar com sua esposa que está prestes a ter um bebê. Mas Peter se vê “preso” ao aspirante a ator Ethan Tremblay (Zach Galifianakis), quando os dois são expulsos do avião e proibidos de pegar outro voo. Como Peter está sem sua carteira (que ficou no avião), ele precisa viajar pela estrada com Ethan, que é o maior pé no saco sem noção da face da Terra.

O filme tem seus momentos engraçados, com certeza, mas acaba ficando chato por não ter verossimilhança. Os personagens vivem situações que não fazem sentido nem mesmo dentro do mundo onde vivem. Quando Peter é preso na alfândega, por exemplo, Ethan rouba o trailer onde o companheiro está. Os dois são perseguidos pela polícia alfandegária por alguns minutos e acaba a cena. Como se os policiais dissessem “Atrás deles, rapazes... Ah... Deixa para lá...”.

Esse é apenas um dos muitos exemplos de cenários montados apenas para fazer piada, não respeitando o intelecto do espectador. Levando em conta que foram necessários quatro roteirista para escrever essa história, podemos supor que cada um escreveu cenas dispersas, sem que pudessem ler o que o outro estava fazendo. Como aqueles jogos que se faz no colégio, onde cada aluno escreve uma frase e no final todas elas são unidas para formar uma história sem pé nem cabeça.

Mas a principal dificuldade desse filme nem é isso. Tenho certeza de que teria aproveitado bem mais a história (como eu disse, ele tem momentos engraçados), se não existisse isso:

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O filme de 1987, dirigido por John Hughes, já teve uma crítica aqui no Judas em março e é um dos meus filmes favoritos de Hughes. É o primeiro filme sério do diretor, cheio de melancolia e piadas espertas e patetas, tudo na dose certa. Steve Martin interpreta um personagem egoísta e detestável, mas é impossível não amá-lo. John Candy é chato, mas adorável. E Um Parto de Viagem é uma versão deturpada desse filme tão divertido e bonito! Robert Downey Jr. é uma versão grosseira de Steve Martin (chegando até mesmo a cuspir em cachorro e dar um soco no estômago de uma criança!) e Zach Galifianakis é um John Candy drogado e irritante, que não chega nem perto de comover a plateia. Gosto dos dois atores, mas deram a eles papéis tão estereotipados que chega a doer.

O que me irrita nesse filme é que sinto como se estivesse assistindo Planes, Trains and Automobiles através de um espelho quebrado e sujo. Que fique claro, Um Parto de Viagem não é um filme ruim! É apenas uma versão mal feita de uma comédia excelente!

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Due Date (2010)
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Alan R. Cohen, Alan Freedland, Adam Sztykiel, Todd Phillips
Elenco: Robert Downey Jr., Zach Galifianakis, Michelle Monaghan, Jamie Foxx, Juliette Lewis

Neil Gaiman e Amanda Palmer têm casamento divertido em Nova Orleans

"A parte da história que você precisa saber é que dois anos atrás, antes de Neil e eu estivéssemos namorando, eu dei a ele uma noiva de presente de aniversário."
 
É assim que Amanda Palmer, vocalista do The Dresden Dolls, começa seu post a respeito do misterioso casamento que aconteceu dia 10 de novembro. O autor de Sandman já havia postado em seu blog uma foto da cerimônia e estava se mantendo bastante misterioso a respeito. "Se você está se perguntando o que estava acontecendo no exato momento em que completei 50 anos, a meia noite de nove de novembro, isso estava", diz o autor a respeito de uma foto dele e de Amanda. "Mais informações em breve, muito em breve", completou.
 
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O casamento foi anunciado oficialmente hoje, no blog da cantora e via Twitter. "Fui para Nova Orleans e tive a melhor festa de aniversário que já tive", escreveu Gaiman em seu blog. "Decidi me casar com ele porque, honestamente, não acho que eu encontrarei um homem melhor para uma Amanda Palmer", disse a cantora.
 
O casal já havia noivado e ela decidiu surpreendê-lo em sua festa de 50 anos. Os dois estavam em Nova Orleans, onde amigos e familiares se reuniram na Jackson Square, em frente a St. Louis Cathedral. Enquanto Neil comprava um chapéu, Amanda se vestiu de estátua de noiva e todos os convidados esperaram escondidos. "Eu queria dar para ele algo bom", escreveu Amanda. "Fiquei lá esperando sozinha, sem me mover, e ele veio para mim (...) Eu lhe dei uma rosa e nós nos olhamos e o casamento ganhou vida e nos cercou".
 
Segundo Gaiman, foi maravilhosa a maneira como ela conseguiu convencê-lo a usar uma cartola "em minha busca por café da manhã e chá", sem que desconfiasse de nada. Gaiman diz que planeja fazer um segundo casamento, legalizado.
 
 
Para ver o post original de Neil Gaiman, clique aqui.
 
Para ver o post original de Amanda Palmer, clique aqui.
 
Para ver o álbum de fotos, clique aqui.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Scott Pilgrim vs. The World

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Fazia tempo que um filme me agradava tanto quanto essa, me atrevo a dizer, obra prima dirigida por Edgar Wright (diretor de Todo Mundo Quase Morto) e com Michael Cera (Juno) no papel principal. A montagem ousada, a direção de arte colorida, o roteiro inteligente e engraçado, as atuações falsamente forçadas, os personagens idiossincráticos, o toque non-sense e a participação carismática de Cera se unem para formar esse elixir maravilhoso.

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Em meio a tantas comédias forçadas, como Um Parto de Viagem e A Ressaca (ambos de 2010), Scott Pilgrim é um filme ousado que brinca tanto com as histórias em quadrinhos (de onde surgiu) quanto com os videogames. Scott (Cera) toca em uma banda indie, cujo propósito é "te fazer pensar na morte, ficar triste e esse tipo de coisa". Um dia ele conhece uma garota chamada Ramona (Mary Elizabeth Winstead, de Premonição 3), por quem se apaixona perdidamente. Acontece que, para ficarem juntos, ele deverá lutar contra os sete ex-namorados malignos dela.

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O filme é uma grande metáfora para o mundo dos relacionamentos, o que fica claro quando Ramona diz que, por mais que ela tente, nunca consegue escapar de seu passado. Quem já namorou, sabe como é difícil conviver com a imagem de ex-namorados (ou "exes", como ela insiste em dizer) que vez ou outra resurgem apenas para atazanar.

A liga dos ex-namorados malignos é formada por Satya Bhabha, Chris Evans, Brandon Routh, Mae Whitman, Keita Saitou, Shota Saito e Jason Schwartzman. Quem mais se destaca é Routh (Superman Returns), que interpreta o ex que possui poderes mágicos veganos, adquiridos pelo não consumo de "carne, ou leite, ou ovo, ou qualquer criatura que tenha um rosto” e, assim, se tornando “melhor do que as outras pessoas”.

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O filme é cheio de frases memoráveis (não encontrei nenhum crítico que não dissesse estar "in lesbian" pelo filme), como “Well, honey, l'm a little bi-furious” e “You once were a vegone, but now you will be gone”, trilha sonora de jogos de videogame e efeitos especiais espetaculares, de deixar Avatares da vida de queixo caído.

Infelizmente, talvez pela ousadia do filme, talvez por ser "indie de mais", ou quem sabe por Edgar Wright ser pouco conhecido por aqui, o filme acabou indo apenas para os cinemas são-paulinos, deixando muitos cinéfilos no resto do país em uma espera aparentemente inútil. A única salvação, além da maravilhosa "locadora online" Pirate Bay, é rezar para que o filme faça tanto sucesso em São Paulo que não reste outra alternativa se não enviá-lo para os outros estados. Como sempre, o desrespeito aos amantes do cinema reina aqui no Brasil.

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Scott Pilgrim merece um tratamento melhor do que este. Afinal, são poucos os filmes que conseguem ser inteligentes e engraçados ao mesmo tempo. E, para não quebrar a tradição, tenho certeza de que você irá “lesbian a lot” esse filme!

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Scott Pilgrim vs. the World (2010)
Direção: Edgar Wright
Roteiro: Michael Bacall e Edgar Wright, baseado na história em quadrinhos de Bryan Lee O'Malley
Elenco: Michael Cera, Alison Pill, Mark Webber, Johnny Simmons, Ellen Wong, Kieran Culkin, Mary Elizabeth Winstead, Anna Kendrick, Satya Bhabha, Chris Evans, Brandon Routh, Mae Whitman, Keita Saitou, Shota Saito, Jason Schwartzman

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Morrendo de vergonha

Gente… Estou morrendo de vergonha, porque recebi uma das melhores homenagens de aniversário de todos os tempos do Primati, e só vi hoje. Fui procurar o Twitter da Ana Carolina, do Moda Manifesto, e dei de cara com isso:

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Eu tinha achado estranho, porque a Ana disse que eu não tinha respondido os tweets dela e eu tinha certeza de que tinha respondido… E agora estou morrendo de vergonha! Entendam melhor entrando aqui. Bem… Primati, muito muito muito muito muito obrigada mesmo!!! Fiquei emocionada. Receber a Elvira de presente é uma honra!

Como agradecimento, deixo a minha cena favorita do filme favorito dele. E para vocês… Sonhos terríveis!

domingo, 7 de novembro de 2010

Entrevista com Brad Jones, The Cinema Snob

Quem é esse cinéfilo esnobe?

Brad Jones é o criador do programa semanal The Cinema Snob, feito para a internet e que se tornou popular pelo YouTube. O programa traz o personagem criado por Brad, Cinema Snob, criticando filmes, em especial do gênero exploitation, de maneira arrogante, porém cômica. Ele vive em Springfield - IL com sua noiva.

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Filmes de Exploitation

São filmes de teor sensacionalista, de baixa qualidade, que exploram certos assunto de forma exagerada. Ex.: sexo, morte, canibalismo, estupro, poder negro, etc. O diretor Quentin Tarantino, um dos mais bem sucedidos do gênero, brinca com o tema em longas como À Prova de Morte e Pulp Fiction.

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Pé no Brasil

Ele até mesmo fez uma crítica do filme Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1978), que foi lançado nos EUA como The Brazilian Star Wars. O filme é bastante popular entre os cinéfilos americanos, pelo seu tom absurdo.

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O seu trabalho: The Cinema Snob

Entrevistando Mr. Jones

Quem te inspirou a trabalhar com cinema?

A inspiração para o The Cinema Snob definitivamente veio do Roger Ebert. E não pense que isso é um insulto! Eu cresci assistindo ao programa dele, e até hoje acho todas as suas críticas maravilhosas de ler, mesmo quando eu não concordo com sua opinião. Mas, sejamos honestos, ele é um cinéfilo esnobe. É o tipo de crítico de cinema que destrói certos filmes de terror simplesmente porque eles são filmes de terror. A crítica de Sexta-feira 13 – O Capítulo Final pode ser considerado o primeiro episódio do The Cinema Snob. Quanto a ser ator, tenho meus heróis que me levaram a atuar. Pessoas como George Lazenby, William Shatner, James Spader, Giovanni Lombardo Radice. A razão pela qual comecei a dirigir filmes foi porque eu amo filmes de exploitation e ninguém tem feito esse tipo de filme da maneira que eu gosto em sabe-se Deus quantos anos. Então eu decidi fazer os meus próprios.

No início, quais foram os obstáculos mais difíceis de superar?

Nos filmes que eu faço, seria o orçamento. Certamente. Mas eu sempre consegui me virar. Com o The Cinema Snob, o maior obstáculo que eu encontrei foi achar a voz do personagem e me sentir confortável fazendo comédia. Antes do Snob, minha maior experiência foi interpretando vilões. Demorei bastante para encontrar essa voz de comédia.

Quais são seus planos para o futuro?

Eu amo fazer o The Cinema Snob! E continuarei fazendo enquanto as pessoas continuarem assistindo e gostando. Ainda gosto muito de atuar também. Agora mesmo estou estrelando um suspense chamado Paranoia e no ano que vem estarei em um filme estilo anos 80 pós-apocalíptico.

Como foi que o seu gosto por filmes de exploitation começou?

Adoro filmes de horror desde que era criança. Meus pais nunca me proibiram de assistir nada, então eu vinha da locadora para casa com um carregamento de filmes sangrentos.

Você tem alguma formação em Comunicação?

Estudei rádio no colégio e fui DJ de uma rádio por quatro anos. Também fiz um curso de edição há uns dez anos atrás, mas nunca fiz nenhum curso de cinema. Meu único objetivo é escrever e entreter.

Quais são seus filmes favoritos?

São vários! Meu filme favorito de todos os tempos é, claro, Calígula. Além desse, tem também Laranja Mecânica, Veludo Azul, The Toxic Avenger, Despertar dos Mortos, 007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade, The Hollywood Knights, Vice Squad, Os Embalos de Sábado à Noite, etc.

Você consegue ganhar a vida trabalhando com filmes?

Esse é o meu trabalho de tempo integral agora. Sou viciado em trabalho, então estou constantemente ou escrevendo ou gravando todos os dias. É verdade que eu ganhei um pouco de peso por ficar em casa trabalhando, mas é maravilhoso acordar todos os dias e fazer aquilo que você ama!

Quais conselhos você dá para quem quer seguir a carreira de crítico?

Se você quer fazer críticas humorísticas, definitivamente deixe a sua voz evoluir, deixe-a crescer. Pode começar aos “trancos e barrancos”, mas se você ama o que está fazendo e quer muito que seu programa faça sucesso, se mantenha firme. Deixe que ele encontre sua audiência, e mesmo que demore alguns anos, não deixe que isso te abale. Se você tem um produto de primeira, você encontrará a sua audiência.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Atividade Paranormal 2

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Quando estreou no cinema em 2007, Atividade Paranormal, de Oren Peli, prometia causar um pânico mundial de tão assustador. O trailer mostrava pessoas gritando enlouquecidas dentro da sala de cinema, rumores sobre pessoas que morreram/vomitaram/choraram enquanto o assistiam começaram a surgir, histórias sobre como tudo o que acontecia na tela era real foram espalhadas e eu, obviamente, não dormi a noite depois de vê-lo. Na realidade, o filme é chato e tem atuações nenhum pouco realistas, mas é bastante assustador.

Sua sequencia é mais fraca e mais tediosa, apesar do orçamento monstruosamente maior (em torno de $2,750,000, quando o primeiro gastou apenas $11,000). Atividade Paranormal 2 é um filme assustador em certos momentos, mas parado e com situações nem um pouco verossímeis. A história gira em torno de uma família que acabou de ganhar um bebê. A típica família americana (mãe, pai, enteada, bebê, cachorro e babá latina) decide colocar câmeras de segurança por toda a casa depois que alguém invade e bagunça tudo, sem roubar nada.

Várias coisas me incomodaram nesse filme.

Por que os pais insistem em deixar o bebê sozinho no quarto, mesmo quando ele chora enlouquecido todas as noites e quando existe a possibilidade deles estarem sendo atacados por alguém ou algo? Por que eles saem para jantar, considerando a situação já mencionada, e deixam o nenezinho com a irmã adolescente sozinhos em casa? Por que é que, quando sozinha, a adolescente vai para a rua ver quem é o ser invisível que está batendo na porta? Por que é que o demônio limpa a piscina todas as noites? Além de exibicionista ele também tem transtorno obsessivo compulsivo? Por que todo mundo fica se gravando com a câmera de mão, até mesmo quando não tem nada interessante acontecendo? Por que é que toda empregada mexicana sabe fazer magia?

E, pelo amor de Deus, o que aconteceu com o cachorro?

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Apesar das incongruências, o filme consegue assustar algumas vezes (não tanto quanto o primeiro, mas consegue) e faz uma ligação muito boa com a primeira parte, deixando o público (pelo menos eu fiquei) curioso desde o início sobre como as coisas vão se ligar. Atividade Paranormal 2 é um filme fraco, com certeza, mas consegue fazer exatamente o que promete: dar uns bons sustos na plateia.

Atividade Paranormal 2

Paranormal Activity 2 (2010)
Direção: Tod Williams
Roteiro: Michael R. Perry, Christopher B. Landon, Tom Pabst
Elenco: Brian Boland, Molly Ephraim, Katie Featherston, Seth Ginsberg, Sprague Grayden, William Juan Prieto, Jackson Xenia Prieto, Micah Sloat, Vivis Cortez

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