quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Como Esquecer

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Fui para o cinema sem ter absolutamente nenhuma ideia do que iria assistir. Quando vi o trailer, tentei ignorá-lo por completo já que, ultimamente, todos os trailers contam os filmes do começo ao fim, possivelmente subestimando a inteligência de sua plateia. Sabia que o filme tinha a Ana Paula Arósio e o Murilo Rosa. Sabia que ambos interpretavam homossexuais. E sabia que vou com a cara dos dois. Mas é provável que ele passasse batido por mim (nem ao menos sabia que estava em cartaz), se não fosse pela indicação – ou devo dizer “intimação” – de uma amiga.

Como Esquecer é exatamente o que o título diz: uma história sobre como esquecer algo que nos tormenta ao ponto da loucura. No caso do filme, é o amor. Mas acredito que isso possa ser usado em muitas outras coisas da vida. Eu, assim como a personagem Júlia (Ana Paula Arósio), tenho muita dificuldade de esquecer aquilo que me machucou um dia. Cada pessoa lida com esse tipo de sentimento da sua própria maneira. Alguns bebem para esquecer, outros choram até dormir, outros fingem não lembrar, e outros não conseguem parar de pensar a respeito.

O roteiro é baseado no livro de Myriam Campello, Como Esquecer - Anotações Quase Inglesas, e é um retrato fiel deste sentimento de vazio na alma e acaba por causar dor no próprio espectador, que sofre junto com os personagens e que pode até se identificar com alguns deles. Murilo Rosa está muito bem como o amigo de Júlia, Hugo, que perdeu seu parceiro há um ano.

Natália Lage interpreta Lisa, que foi abandonada por seu namorado quando descobriu que estava grávida. Mas com certeza é Ana quem se destaca, como uma atuação sensível e ao mesmo tempo antipática. É impossível não amar e odiar Júlia. Ela está em depressão desde que Antônia a deixou. Sua maneira de lidar com isso é se fechar dentro de um casulo impenetrável. Para ela, a vida acabou.

Os cenários de Como Esquecer são lindos, cheio de tons cinza em contraste com a casa de Hugo, toda colorida com exceção do quarto de Júlia (uma representação das almas das personagens, talvez). A história é cheia de referencias ao livro O Morro dos Ventos Uivantes, Emily Brontë, uma obra gótica sobre a insanidade do amor.

O filme também fala brevemente sobre a questão do casamento homossexual, assunto este que tem povoado as notícias do país nessa época de eleições. Engraçado... Sofrimento é uma das coisas que sinto quando escuto sobre esse assunto. Nojo é a outra. Nojo de ouvir pessoas discutindo sobre algo que não lhes diz respeito. Não entendo essa mania de rotular. Somos todos seres humanos, não somos? Todos tem o direito à felicidade, não temos? Como diria Lord Henry, “definir é limitar”.

Direito à felicidade... Direito de acabar com o sofrimento. Como podemos fazer isso? Como podemos deixar tudo isso para trás e seguir com nossas vidas? Como esquecer?

ana paula arosio interna
Como Esquecer (2010)
Direção: Malu de Martino
Roteiro: Sabina Anzuategui, José de Carvalho, Douglas Dwight, Daniel Guimarães, Luiza Leite e Silvia Lourenço, baseado em um livro de Myriam Campello
Elenco: Murilo Rosa, Ana Paula Arósio, Natália Lage, Arieta Correia

5 comentários:

Juliano Moreira disse...

Pena ter perdido um filme brasileiro com jeito de arte.
Fica pra uma próxima. =)

Paloma disse...

Não me importo de ver de novo, amor.

:)

@danimascolo disse...

Texto irretocável ! Adorei!
Qual o contrário do Amor?
Este é meu TOP SITE DA BARRA DE FAVORITOS !
Te adoro!

Lelica disse...

MURILO ROSA!!!!!!!!!!!!!!11111!!!!!1!!!!!!!!

Christian Maduell disse...

Comentário inteligente e bem direcionado fazendo um contra ponto com nosso dia-a-dia!
Acredito que seja uma tarefa complexa lidar com o que nos faz sofrer!porque paira no ar se esquecemos para não lembrar ou lembramos para não esquecer e não fazer novamente!
Curti a dica, já tinha lido sobre o filme, mais baseado no seu texto quero ver o filme!
Bjs e boa sexta-feira...

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