quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-poster-407x600

Em novembro de 2004, morria um dos maiores autores de nosso século, Stieg Larsson. Um dos jornalistas e ativistas políticos mais influentes da Suécia, Larsson morreu aos 50 anos sem nunca ver a dimensão que seu trabalho atingiria. Sua trilogia Millennium já vendeu mais de 27 milhões de cópias em todo o mundo, foi adaptada para o cinema sueco em 2009 e o primeiro livro ganhará uma versão cinematográfica hollywoodiana em 2011, dirigida por David Fincher.

Stieg-Larsson_thumb[3]Larsson

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar, homenageiam as clássicas histórias policiais e trazem dois personagens centrais fortes e cativantes, tão bem descritos por Larsson que é como se o leitor os conhecesse pessoalmente. Lisbeth Salander é uma hacker muito inteligente que sofre de síndrome de Asperger e que não gosta de contato humano. Mikael Blomkvist é um jornalista que foi condenado por calúnia e vê em uma proposta inusitada uma maneira de escapar de seus problemas, até achar uma solução.

timthumb.php_thumb[3]

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, dirigido por Niels Arden Oplev, abandona a originalidade do livro, dando mais importância para a ação e o crime do que para as personagens. O impacto causado pela maneira como os personagens são tratados é enorme, já que no livro eles são apresentados de forma muito profunda e convincente e no filme eles não passam de peças de tabuleiro da trama, sem vontade própria.

É triste ver que um material tão bom acabou se tornando mais um filme de mistério comum, ao estilo americano de ser, onde mostrar cadáveres é mais importante do que entender o que se passa pela cabeça das pessoas. E onde um vilão é apenas um vilão, que gosta de contar seus planos malignos para o mocinho.

2504262197_thumb[3]

Outro ponto fraco do filme é querer explicar a personagem de Lisbeth, mostrando cenas do passado dela. Não que isso seja ruim. Mas essas explicações só deveriam vir no próximo filme (A Menina Que Brincava Com Fogo, dirigido por Daniel Alfredson) e colocá-las aqui estraga algumas surpresas do livro. Li o primeiro sem saber do que se tratava e gostaria de ter feito o mesmo com o segundo, mas o filme entregou informações que eu não havia pedido.

Ao invés de explicar o passado de Lisbeth, o ideal seria explicar o presente. Em nenhum momento, o filme deixa claro que ela tem Asperger, fazendo com que ela pareça ser apenas uma garota grosseira e introvertida. O relacionamento dela com Mikael também poderia ser mais bem explorado, já que no livro os dois dividem uma confidencia que para ambos é uma novidade por vezes excitante. Mikael é interpretado por Michael Nyqvist e Lisbeth por Noomi Rapace, dois atores suecos desconhecidos por aqui e que fazem um belo trabalho, mesmo com as limitações do roteiro e as escolhas pobres da direção.

O filme não exatamente ruim, mas as mudanças deixaram a história um pouco confusa para quem não leu o livro e frustrante para quem leu. Apesar do medo que sinto de uma versão americana, acredito que existe uma possibilidade ínfima de que David Fincher realize um bom trabalho. Se ele, assim como eu, leu o livro e ficou descontente com a versão sueca, talvez faça exatamente isso. Ou talvez ele apenas faça mais um filmezinho americano sem graça, quem sabe em 3D, com Daniel Craig fingindo que atua.

152f0rb_thumb[8]

Män som hatar kvinnor (2009)
Direção: Niels Arden Oplev
Roteiro: Nikolaj Arcel, Rasmus Heisterberg
Elenco: Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Sven-Bertil Taube, Peter Haber, Ewa Fröling

2 comentários:

Juliano Moreira disse...

Uma pena o filme ter sido tão raso. =/
O livro parece tão bom que é me interessou só pelo o que tu contava. =)
Esse cara seria um equivalente da Agatha Christie do século XXI!

Nada como filmes medíocres!

Leia-se Harry Potter? =P

Jhonattan Queiroz disse...

Eu me preocupo mais com a versão americana, acho que se ja não funcionou com a sueca onde eles fazem sempre bons trabalhos, duvido muito da americana mesmo nas mãos do Fincher.Gostei do filme sueco mesmo tendo lido o livro.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...