quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A Menina que Brincava com Fogo

Flickan_som_lekte_med_elden-poster-1

Os Homens que Não Amavam as Mulheres é um livro extremamente envolvente, bem narrado e com personagens muito fortes. Além disso, é possível lê-lo sem ler os outros dois livros da trilogia Millennium, escrita pelo jornalista Stieg Larsson. Acontece que, quando você lê esse livro, irá querer ler os próximos. E foi assim que coloquei minhas mãos em A Menina que Brincava com Fogo, a segunda parte da trilogia.

Ao contrário do primeiro livro, o segundo não tem um final concreto, então não comece a lê-lo se não estiver disposto a ler o terceiro (A Rainha do Castelo de Ar). A vantagem do segundo quanto ao primeiro é que agora já conhecemos os personagens, sabemos do que são capazes e que podemos confiar neles. Lisbeth está mais madura, menos egoísta do que na primeira parte, mas continua vivendo sob suas próprias regras e peculiaridades. Já Mikael continua o mesmo, com seu jeito de canastrão querido, se arriscando de todas as maneiras possíveis para salvar Lisbeth.

O livro questiona o papel do jornalista na sociedade, mostrando um jornalismo sensacionalista, com matérias agressivas (e muitas vezes mentirosas), voltadas apenas para o dinheiro que elas trarão. Quem acompanha os noticiários brasileiros já deve ter se deparado com tais matérias. Em casos de assassinato, é comum ver a mídia apedrejando os suspeitos, não deixando brechas para que tal pessoa consiga se inocentar. A pessoa é mostrada como um monstro, e ai daquele que for contra a maré. Afinal... Se saiu no jornal, é verdade! O jornalismo tem o poder de destruir vidas.

Larsson também critica a hipocrisia política, o velho “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Os políticos possuem um poder que não é usado para o bem da nação e sim para o bem pessoal. A opinião de Larsson quanto a essas questões fica bem evidente, especialmente em Mikael, o jornalista que tem nojo de ser chamado de jornalista. Mikael é, por assim dizer, uma personificação de Larsson, o porta-voz dos pensamentos do escritor.

stieg-larsson-415_thumb[3]

Já o discurso contra o abuso às mulheres continua preenchendo as páginas do livro, desta vez tendo Lisbeth como principal representante, além dos novos personagens Dag e Mia, que querem ajudar a denunciar esse problema. Lisbeth, que é várias vezes descrita como “a mulher que odeia os homens que não amam as mulheres”, luta com unhas e dentes para defender sua opinião. Em contraponto, temos o personagem Hans Faste, um policial machista e homofóbico, o típico homem que Lisbeth despreza.

A narrativa detalhada e os personagens ricos e incrivelmente reais, fazem de A Menina que Brincava com Fogo um livro delicioso de se ler, com suas 600 páginas passando voando sem que se perceba.

E esse é o principal erro do filme.

Assim como no primeiro, a narração é bastante simplista e deixa de lado essa riqueza de detalhes, acabando por cair mais uma vez no clichê e na mesmice de sempre. O livro tem uma quantidade enorme de histórias paralelas, que acabam por se ligar e formar o sentido final e isso fica praticamente impossível de se mostrar em um filme de apenas 129 minutos. Seriam necessários pelo menos dois filmes (prática que está cada vez mais comum no mundo do cinema) para narrar de forma decente todos os fatos. O resultado é um filme confuso, com detalhes importantes cortados para dar espaço a situações que não existem no livro e que não fariam diferença nenhuma se não estivessem no filme também.

E o problema não se resume apenas a péssima adaptação. Os personagens agem de maneira que não condiz com suas personalidades. Mikael é um fofoqueiro, que conta tudo que sabe para todo mundo (consigo imaginar ele saindo na rua gritando “a mocinha morre no final, quem matou foi o marido”), Lisbeth age de maneira inconsequente e burra, personagens aparecem e somem sem nem dar tempo de gostarmos deles, e por ai vai.

Played-with-fire-27.08.10_thumb[3]Mikael: Vem aqui… Vou te contar o final do livro…

As coisas acontecem rápido demais sem dar a chance de a pessoa acompanhar o que está acontecendo. Só entendi o filme porque li o livro. Os atores não são ruins, mas como não temos tempo de vê-los atuando, tanto faz. Também tenho a impressão de que todos os atores são velhos demais para os personagens que estão interpretando, em especial a Noomi Rapace, que é ótima atriz, mas aparenta ter 30 anos e não 14 (como Lisbeth é sempre descrita).

The-Girl-Who-Played-With-Fire (1)_thumb[3]

E nem adianta dizer que uma adaptação nunca será fiel e que é impossível adaptar um livro de maneira a agradar os fãs. Tenho dois exemplos bem distintos de filmes que fazem jus aos livros: O Diário de Bridget Jones, que não é fiel à história e sim a personagem, como uma espécie de história paralela; e O Silêncio dos Inocentes, uma das melhores adaptações já feitas, que pega tudo que é importante no livro e exclui o que não importa, fazendo um filme compreensivo e maravilhoso de se assistir.

casal5_thumb[4]silence-of-the-lambs_thumb[4]   People will say we're in love, Bridget…

Ambos os filmes são bem melhores do suas sequencias (dirigidas por outros diretores) e agradam aos fãs. Se Sharon Maguire e Jonathan Demme conseguiram essa façanha, porque outros não iriam conseguir?

Talvez o principal problema do filme seja eu e essa minha mania de achar que todos os filmes suecos deveriam ser como os filmes do Ingmar Bergman. Ou talvez esteja no diretor Daniel Alfredson ao tentar imitar o cinema americano. Ou então a culpa é de Alfred Hitchcock por não ter vivido o suficiente para fazer esse filme.

the-girl-who-played-with-fire_thumb[7]
Flickan som lekte med elden (2009)
Direção: Daniel Alfredson
Roteiro: Jonas Frykberg, baseado em um livro de Stieg Larsson
Elenco: Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Andersson, Michalis Koutsogiannakis, Georgi Staykov, Paolo Roberto

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O Último Exorcismo

o ultimo exorcismo poster

O Reverendo Cotton Marcus decide acabar de uma vez por todas com o mito do exorcismo, prática realizada por ele por muitos anos para tirar dinheiro dos fiéis. Para isso, convoca uma equipe de documentaristas para gravar o seu último exorcismo. A equipe vai até uma cidadezinha do interior e o que era para ser um simples truque acaba virando um pesadelo terrível.

Esse é o plot de O Último Exorcismo, filme dirigido por Daniel Stamm e produzido por Eli Roth, diretor de O Albergue. O filme chamou a atenção com sua divulgação via internet, através do site de relacionamentos Chatroulette, um chat em que as pessoas podem se comunicar com qualquer parte do mundo através de vídeos. Na campanha de marketing da produtora Lionsgate feita no site, uma garota atraente promete tirar a roupa na frente a webcam, mas acaba assustando os voyeurs desavisados. As melhores reações foram copiladas em um vídeo, em uma espécie de teaser trailer:

O Último Exorcismo segue a linha de filmes como A Bruxa de Blair, [REC] e Atividade Paranormal, e poderia ser muito melhor do que realmente é. Apesar de dar alguns sustos muito bons, ter uma produção bem feita, efeitos especiais de qualidade e atores bons, o filme acaba pisando no óbvio – tanto de filmes de exorcismo quanto de filmes que fingem ser reais – e também é bastante monótono na maior parte das vezes.

Uma de suas melhores sacadas é o final, mas quando a coisa fica realmente boa (o momento em que a plateia se pergunta “e agora?”), o filme parece querer deixar de lado a única coisa original no roteiro para seguir com a velha “corridinha com a câmera na mão, gritando”, cena que já foi vista em todos os filmes do gênero.

O ator Patrick Fabian, que interpreta Marcus, é o ponto alto do filme e isso fica evidente já nos primeiro minutos. Durante uma de suas entrevistas, o reverendo diz que poderia falar qualquer coisa na frente de seus fiéis que, se eles estiverem no clima certo, nem se darão conta. A fala é ilustrada com Marcus falando a receita de um bolo de banana, no meio de seu discurso para a congregação.

Também é interessante a pequena referência ao mito grego sobre Cassandra, a mulher que foi castigada por Apolo (porque não queria transar com ele) com o poder de prever o futuro, mas ser considerada como louca sempre que proferia suas profecias.

O principal problema de O Último Exorcismo é que ele abre perguntas de mais, mas não responde nenhuma. E quando teve a oportunidade de inovar, optou pelo clichê. Assusta? Sim. Tem bons diálogos? Sim. Mas é provável que, ao sair da sala de cinema, você esqueça que um dia viu esse filme.

cinema-The-Last-Exorcism-1_thumb[3]
The Last Exorcism (2010)
Direção: Daniel Stamm
Roteiro: Huck Botko, Andrew Gurland
Elenco: Patrick Fabian, Ashley Bell, Iris Bahr, Louis Herthum, Caleb Landry Jones

domingo, 26 de setembro de 2010

Quando me Apaixono

then-she-found-me-movie-poster-500w_thumb[3]

Mais um grande exemplo de título brasileiro medíocre que não tem nada a ver com o filme. Tem romance no filme? Então coloque amor, paixão ou qualquer variável destas palavras no título e você terá um sucesso! Mesmo que isso atraia o público errado aos cinemas. Then She Founds Me (algo como "então ela me encontrou") é a história de April Epner, uma mulher judia que vê sua vida cair aos pedaços quando, em questão de poucas horas, seu marido a abandona e sua mãe adotiva morre.

É então que, quando menos esperava, sua mãe biológica (Bette Midler) reaparece. O filme é o primeiro longa dirigido pela atriz Helen Hunt (da série Mad About You e Melhor Impossível, filme que lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz) e mostra uma maturidade ausente em muitos filmes atuais do gênero. Helen interpreta April com o rosto limpo, sem maquiagem, sem máscaras, em sua melhor atuação.

O nome não condiz com a trama, que trata sobre o amadurecimento e as escolhas que fazemos em nossas vidas, e onde o amor é apenas uma consequência. Then She Founds Me é carregado de emoção e simplicidade, e tem um elenco forte. Bette Midler, como sempre, adiciona um elemento cômico à história, mas a presença de Helen não deixa que ela fique exagerada.

O filme também conta com a presença de Colin Firth, interpretando um homem sensível e querido que se apaixona por April, um papel que lhe cai como uma luva. E Matthew Broderick como o marido, fraquíssimo e até mesmo chato, não adicionando nada a trama.

thenshefound5_thumb[3]

O roteiro é uma adaptação do livro de Elinor Lipman. O filme foi escrito, dirigido e produzido por Helen Hunt e pode não ser um dos melhores filmes do ano, mas com certeza é um ótimo trabalho inicial.

25found01-600_thumb[3]

Then She Found Me (2007)
Direção: Helen Hunt
Roteiro: Helen Hunt, Alice Arlen,Victor Levin
Elenco: Helen Hunt, Bette Midler, Colin Firth, Matthew Broderick, Salman Rushdie

sábado, 25 de setembro de 2010

[REC] 2

rec2_6

[REC] 2 é a continuação do filme de terror espanhol de mesmo nome, dirigido e escrito por Jaume Balagueró e Paco Plaza (também responsáveis pelo original). O filme se passa apenas 15 minutos após o final do primeiro e acompanha um grupo de policiais que vão até o prédio contaminado para investigar o que aconteceu com seus moradores.

[REC] fez tanto sucesso que teve um remake americano chamado Quarentena, em 2009, que não passa de mais um remake sem sentido e inferior ao original. [REC] 2 é muito melhor do que seu antecessor, mantendo o mesmo estilo e, nas palavras dos produtores, trazendo “novos meios de transferir o medo da tela para o telespectador”. Além disso, respostas deixadas em aberto pelo primeiro filme são reveladas. Ele foge do clichê de zumbis e trilha por novos caminhos.

Os diretores prometeram mais uma continuação, que começaria a ser gravada este ano, mas nada foi confirmado ainda. [REC] ganhou diversos prêmios em festivais europeus, incluindo um Goya de atriz revelação para Manuela Velasco, que volta na continuação como a repórter Ángela Vidal.

Manuela, por sinal, está muito melhor do que no primeiro filme (onde a única coisa que fazia era gritar e gritar). Já Jonathan Mellor está excelente como Dr. Owen, o especialista que guia os policiais. [REC] 2 é um filme convincente, superior ao primeiro tanto em originalidade como em sustos e é uma diversão garantida aos amantes do gênero de horror.

08837_ghdp_-_vanessaferlito0sydneypoitier_sigla_by_aos_01_122_1082lo_thumb[3]
[Rec] 2 (2009)
Direção: Jaume Balagueró, Paco Plaza
Roteiro: Manu Díez, Jaume Balagueró
Elenco: Jonathan Mellor, Óscar Zafra, Ariel Casas, Alejandro Casaseca, Pablo Rosso, Ferran Terraza, Manuela Velasco

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Entrevista com o crítico de cinema Carlos Primati

Acabou na última sexta-feira, dia 17 de setembro, o curso "A Obra de Alfred Hitchcock", ministrado pelo jornalista, crítico, historiador e pesquisador de filmes de horror Carlos Primati. O curso percorreu a carreira do diretor inglês, desde seus filmes mudos da década de 20 até clássicos do cinema como Psicose (60), Os Pássaros (63) e Frenesi (72), e foi trazido a Porto Alegre pela produtora Cena UM.

Em uma entrevista exclusiva para o blog Judas Dançarino, Primati fala sobre sua paixão por filmes, suas motivações e sua carreira.

Foto retirada do blog Cine Monstro O que te levou a gostar de cinema e em particular os filmes de horror?

Minha formação como cinéfilo começou de verdade quando comprei meu primeiro VCR. Eu tinha cerca de 17 anos, o videocassete era novidade na época, e a simples possibilidade de ver qualquer filme na hora que eu quisesse era algo sedutor demais. Desde então, não parei de ver filmes, e foi quando surgiu minha vontade de trabalhar com isso. As madrugadas da Globo, onde vi filmes como Laura, Pacto de Sangue, Scarface, O Pecado Mora ao Lado, Gilda, As Aventuras de Robin Hood, O Homem Errado, Aconteceu Naquela Noite, também foram essenciais nessa minha formação. Assim como os filmes de arte que assistia na Bandeirantes, como Fanny & Alexander, Fitzcarraldo e O Homem Elefante.

Minha relação com os filmes de horror é ainda mais antiga. Quando vi, ainda na infância, filmes como As Sete Máscaras da Morte, A Mosca da Cabeça Branca, O Homem Cobra, A Trama Diabólica, A Profecia e tantos outros. Porém, só passei a trabalhar com horror em caráter quase exclusivo bem mais tarde, quando decidi me especializar em algum tema específico, para não me tornar mais um crítico que, querendo abraçar o mundo, acabaria caindo na mediocridade.

Por que Hitchcock é tão importante para você?Foto por Jorge Ghiorzi

Minha paixão por Hitchcock se deve, provavelmente, por ele ter obsessões tão fascinantes: sexo, morte, loucura, culpa etc. Tenho interesse mais no orgânico do que no intelectual, na filosofia. Reconheço a importância e o valor de cineastas como Fellini, Bergman, Wajda, Saura, Tarkovski e tantos outros nomes incontestáveis da sétima arte que me fascinaram durante meu período de descoberta desse universo, mas Hitchcock foi o nome que permaneceu para mim, por ter esse cinema vivo, pulsante, vigoroso e sexual. O domínio pleno da técnica de filmagem, desde os aspectos mais minuciosos do planejamento até o resultado final, torna Hitch o cineasta modelo para qualquer diretor que tenha interesse em compreender e aprender os mecanismos do cinema clássico. Não é à toa que ele é celebrado pelos cineastas mais inteligentes do cinema, incluindo Peter Bogdanovich e Martin Scorsese, só para citar dois que ainda estão vivos.

Qual seus filmes favoritos de gênero?

Dentro do suspense, gosto de muita coisa, especialmente do período no qual foram realizados os filmes que ficaram conhecidos como noir, na década de 1940, com obras-primas como Pacto de Sangue e Relíquia Macabra. Para citar cinco filmes de Hitchcock no gênero, eu gostaria de lembrar A Dama Oculta, A Sombra de uma Dúvida, Um Corpo Que Cai, Psicose e Frenesi. Acho que esses traçam um panorama perfeito do que Hitch era capaz de fazer. Gosto também de alguns filmes de cineastas que imitaram Hitchcock assumidamente, como Silêncio nas Trevas, de Robert Siodmak, Testemunha de Acusação, de Billy Wilder, e O Círculo do Medo, de J. Lee Thompson. O gênero todo me interessa, até as produções recentes, mas o suspense cada vez mais tem se misturado com o horror psicológico (como em Janela Secreta, O Orfanato e o maravilhoso, porém pouco conhecido, Naboer), o que de certa forma também é uma herança hitchcockiana, por causa do impacto de Psicose e Os Pássaros.

E em geral?Cantando na Chuva

Meu filme de cabeceira, com o qual tenho uma relação de amor incondicional, é  Cantando na Chuva. Para mim, é a quintessência do cinema como ‘fábrica de ilusões’, de pura magia e encantamento. É, acima de tudo, um filme sobre o cinema, sobre todo o processo da criação artística. Não sou fã de musicais, mas se existe magia no cinema, ela está nesse filme. Meus outros favoritos mudam a todo o momento, mas posso citar filmes como Em Busca do Ouro, de Chaplin, Aguirre, a Cólera dos Deuses e O Enigma de Kaspar Hauser, ambos de Herzog, e O Sétimo Selo e A Fonte da Donzela, de Bergman. Quase tudo de Billy Wilder também. No horror, esse universo se expande muito mais e posso citar obras contundentes como A Noite dos Mortos Vivos, O Bebê de Rosemary, O Massacre da Serra Elétrica, Suspiria, O Homem de Palha e O Silêncio dos Inocentes. Certamente estou esquecendo de muitos outros, mas isso apenas demonstra como o cinema é uma arte viva.

Tem algum autor de terror e suspense que te chama atenção?

Fora os grandes mestres, como Murnau, Lang, Hitchcock, Polanski e Romero, eu citaria a visão bem particular de Dario Argento, que quando acerta, é genial, mas quando erra, é patético. No Brasil, temos nosso José Mojica Marins, que tem momentos absolutamente brilhantes em sua carreira (como O Estranho Mundo de Zé do Caixão e a obra-prima delirante O Ritual dos Sádicos), mas nem sempre é reconhecido. Ainda no cinema clássico de horror, Mario Bava e Terence Fisher são dois que quase nunca erraram. Os grandes nomes do cinema de horror atual estão na Espanha, gente como Guillermo del Toro (mexicano de nascimento, mas que também trabalha na Europa), Jaume Balagueró e Álex de la Iglesia, que tem filmes geniais como O Dia da Besta, A Comunidade e Crime Ferpeito.

Nas letras, claro que sou apaixonado por Edgar Allan Poe, mas não conheço H.P. Lovecraft tanto quanto deveria. Cresci lendo Stephen King, que descobri quando tinha 10 anos e ainda era um autor em ascensão. Hoje tem muita gente que desdenha de King, talvez não sabendo reconhecer como ele tem sido importante para a popularização do gênero.

Foto por Jorge Ghiorzi O que/quem te motivou a trabalhar com cinema?

Foi um pouco casual e um pouco de sorte. Meu irmão mais velho trabalhava como diagramador de um jornal na minha cidade, Jundiaí, no interior de São Paulo. Observando meu interesse por cinema, ele propôs que eu começasse a escrever sobre o tema no jornal, num encarte cultural que eles estavam criando naquele momento, algo nos moldes do Caderno 2, do Estadão. Essa oportunidade foi preciosa para mim, pois comecei a trabalhar com crítica e jornalismo e pude exercitar essa arte na base da tentativa e erro. Errei um bocado, mas acabei aprendendo!

O que foi mais difícil no início?

Não sei dizer se algo foi de fato difícil. Talvez a ansiedade e a sensação de isolamento intelectual, pois eu sempre morei no interior de São Paulo e todas as oportunidades de emprego estavam na capital. A rotina era pegar um ônibus e ir visitar redações de jornais e revistas. Mas nunca tive problemas para atingir meus objetivos; de fato, sempre que fui atrás de um trabalho, acabei conquistando-o sem maiores esforços. Se isso pode servir de lição, o que posso dizer é que primeiro você precisa se certificar de que realmente tem algo de bom para oferecer, estar bem seguro e confiante, e então vai conversar com quem realmente manda (um editor, de preferência), e lhe expõe sem meias palavras o que você pode lhe oferecer de útil. Um editor sempre está disposto a receber uma pessoa com talento e capacidade, pode ter certeza disso.

Quem te ajudou e de que forma?

Não sou formado em Jornalismo, até porque comecei a trabalhar nisso muito cedo e sempre fui requisitado mais pelo meu conhecimento em determinados temas do que por uma educação formal. Tudo que aprendi tecnicamente nessa atividade devo ao meu primeiro editor de fato, o José Augusto Lemos, que foi o criador da revista Set e com quem trabalhei por alguns anos. Ele era tão chato e exigente, no melhor sentido do termo, que aprendi muitos segredos sobre como construir um texto informativo e fluido, criando uma ligação direta com o leitor. Meu estilo é o de tentar ‘puxar’ o leitor para dentro do texto, convidá-lo a participar da discussão. Detesto textos que excluem a presença do leitor, que abusam da soberba e da arrogância.

Também aprendi muito nas horas intermináveis de conversas com um grande amigo e vizinho, o Edson Negromonte, discutindo intelectualmente temas teoricamente banais como Betty Boop, Rin-Tin-Tin, Lucille Ball, Roger Corman, Star Trek, Traci Lords, Vincent Price, Spirit, Arquivo X, Scooby-Doo, Twin Peaks e, claro, Hitchcock. Foi com ele que aprendi que a cultura pop era digna de ser discutida de maneira séria e profunda; algo que depois se tornou quase que uma regra e praticamente se banalizou, mas que naquele momento foi uma descoberta reveladora.

O que conta mais: técnica ou criatividade?

Tendo que escolher, prefiro a criatividade, sempre. Porém, é importante também o domínio da técnica. O cinema é uma arte coletiva e, acima de tudo, uma atividade cara. Quando um filme é feito com criatividade e tem ao seu favor o pleno domínio da técnica, ele certamente se comunicará com o espectador com mais facilidade, resultando num filme melhor, em todos os aspectos. Porém, apenas o domínio da técnica, sem criatividade, é a receita do desastre, sem dúvida.

Caso esteja perguntando em relação à atividade de escrever, a clareza é mais importante de tudo. Mesmo que esteja escrevendo um artigo acadêmico, o que mais importa é expor com clareza seus argumentos para defender uma idéia do que empolar o texto com palavras complicadas e não conseguir comunicar uma idéia interessante.

O que está pensando para o futuro?Fantaspoa 2010

Minha paixão por pesquisa e por escrever é tão grande ou até maior do que meu amor pelo cinema, então estou sempre envolvido em projetos que envolvem livros, artigos, críticas. O desenvolvimento de cursos sobre cinema foi uma descoberta relativamente recente, e logo me apaixonei por isso, porque posso levar adiante o que aprendi e ainda ter a oportunidade de interagir com pessoas realmente interessadas em discutir o assunto. Ministrei cursos sobre Hitchcock, sobre a história do cinema de horror, sobre a ficção científica clássica e sobre o horror no cinema brasileiro. Este último tema, aliás, rendeu um livro e uma mostra de filmes que aconteceu em Brasília e no Rio de Janeiro e que temos planos de levar para São Paulo. Também participo ativamente do Fantaspoa, o festival internacional de cinema fantástico que acontece anualmente em Porto Alegre, e certamente estarei presente em 2011 com mais um ou dois cursos de cinema!

Qual conselho você dá para quem está começando a carreira?

Quem tem desejo de trabalhar com crítica de cinema deve, acima de tudo, ter gosto pela leitura, em especial livros sobre críticas e análises de filmes. Claro, a paixão pelo cinema deve ser algo natural, mas me incomodo muito quando vejo supostos “críticos” que tem como formação, ter visto meia dúzia de filmes e já começar a escrever sobre eles. Ler muito é o primeiro passo para aprender a escrever. Também me incomodo com a forma desrespeitosa que muita gente escreve sobre filmes. O gracejo, a ironia e o sarcasmo são armadilhas fáceis e até uma forma de covardia para tratar os filmes. A soberba da crítica cria um abismo entre o autor e o leitor. Tratar o pior filme do mundo como algo minimamente digno é o que pode tornar um crítico respeitável. Claro que ele deve falar mal, quando o filme for ruim, mas não vejo necessidade de se perder a elegância nessa relação.

***

O próximo curso do Cena UM será “Woody Allen – Fora de Quadro”, com o crítico José Carlos Avellar. O curso acontecerá nos dias 09 e 10 de outubro (sábado e domingo), das 9h30 às 12h, no Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (Andradas, 959 – P. Alegre – RS). O valor é de R$95, e a inscrição pode ser feita AQUI.

Para mais informações, ligue (51) 9101-9377 ou envie um email para cenaum@cenaum.net.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Curso: “Woody Allen – Fora de Quadro”

Woody - logo final_thumb[3]

Comediante, ator, diretor, roteirista e músico, Woody Allen é recordista de indicações ao Oscar de Melhor Roteiro (são 14 no total). O Allen cineasta é mestre em transportar para celulóide os mais singelos e emocionantes sentimentos presentes nos relacionamentos humanos, sempre com extrema competência. Ainda assim, consegue ser um dos comediantes mais extraordinários ainda atuantes, devido ao senso de humor inteligente, ácido e irônico presente em toda sua filmografia.

Para um cineasta que se coloca e se expõe tanto em sua obra, quando é o momento de criar um filme em que não aparece? Quando contar uma história em que você próprio, já um ícone, uma persona preestabelecida no imaginário de qualquer plateia, não é relevante? Como Allen toma essas decisões e por quê? Quais são os padrões (se é que existem) de suas histórias que não têm sua presença?

O curso “WOODY ALLEN – FORA DE QUADRO”, ministrado pelo crítico José Carlos Avellar vai tratar de todas estas questões relacionadas ao cineasta que filma comédias pontuadas por inteligência, filosofia, sarcasmo e um incondicional amor por Nova York.

Woody 2_thumb[3]

“HOLLYWOODY”

O cinema de Woody Allen se expressa através da imagem que resulta desta brincadeira simples, desta montagem, fusão ou jogo de palavras: Hollywood + Woody Allen. Mais ou menos à margem do cinema industrial dos Estados Unidos tal como produzido em Hollywood, o cineasta foi buscar no cinema europeu alguns pontos de referência para a criação de uma narrativa e de sistema de produção próprio. O objetivo do curso é analisar como Woody Allen inventou uma outra Hollywood só para ele.

CONTEÚDOS:

Encontro 1: Woody e seus duplos
Primeiro ele inventou um personagem. Depois, outros iguais a ele ou pelo menos da mesma família de deslocados sonhadores, sensíveis, inventivos, mas incapazes de se adaptar ao mundo competitivo e povoado de vencedores que existe em volta deles. E finalmente, inventou histórias para contar estes personagens e logo um modo de narrar em que a câmera se comporta como se fosse conduzida por um destes personagens. O cinema de Woody Allen talvez tenha realizado uma operação inversa à de Zelig, personagem que altera sua figura para adaptar-se ao cenário ou fragmento de história em que se encontra: cenário, história, narrador, tudo se ajeita ao personagem.


Encontro 2: O mundo irreal de Woody
Com frequência repete-se nos filmes de Allen uma ameaça a qualquer personagem momentaneamente feliz da vida: você ainda vai cair no mundo real. Aqui e ali o encanto frágil, mas capaz de dar uma nova razão de viver, aparece num filme, num gesto de um comediante, numa melodia que o personagem descobre mais ou menos ao acaso. Quer nas comédias quer nos dramas repletos de ironia, o encanto de viver resulta de um periódico refúgio que protege seus personagens do mundo real, menos como uma fuga e mais como um reforço necessário para retornar ao mundo real.

Os dois encontros serão ilustrados com fragmentos de filmes de Woody Allen ao lado de outros de cineastas europeus como Ingmar Bergman, Wim Wenders e Alexander Kluge.

José Carlos Avellar

Crítico de cinema, com trabalhos em obras coletivas como: “Cine Documental en América Latina”; “Os Anos 70, Ainda Sob a Tempestade” e “Hacer Cine”. É autor, entre outros, de “O Chão da Palavra, Cinema e Literatura”; “A Ponte Clandestina” e “O Cinema Dilacerado”. Curador do Festival de Cinema de Gramado. Textos de José Carlos Avellar estão publicados no site: www.escrevercinema.com

Woody 3_thumb[3]

Curso “WOODY ALLEN – Fora de Quadro” – de José Carlos Avellar
Datas: Dias 9 e 10 de outubro de 2010
Horário: Das 9h30 às 12h
Local: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (Andradas, 959 – P. Alegre – RS)
Investimento: R$ 95,00
Material: Apostila e Certificado de participação
Informações: cenaum@cenaum.net / Fone: (51) 9101-9377
Para fazer sua inscrição CLIQUE AQUI

sábado, 11 de setembro de 2010

O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias

O Estranho Mundo De Zofia E Outras Historias

Estava eu no teatro, esperando que a peça que produzi começasse, quando reparei que os meus guaxinins estavam assustados. Como de praxe, todos eles tinham ido prestigiar minha peça, mas, por algum motivo bizarro, começaram a fugir de mim. Corri atrás deles e acabei chegando à casa de minha tia.

teatro-santa-isabel-interno cópia

Os guaxinins sumiram e os gatos vieram me dar às boas vindas... Como por magia, eles se transformaram em filhotes de rottweiler e pensei "de novo não", me virei e corri. Chegando à cozinha, dei de cara com os cães (guardiões da cozinha, é claro), que levantaram sobre as pernas traseiras e se transformaram em híbridos canino-humanos. "Os ratos estão vindo", disse um deles. Viro-me e vejo os pequenos ratos brancos se transformando em grandes gatos pretos.

1_kitchen cópia Article_dog-420x0 cópia

"Eles querem me pegar e matar os guaxinins", gritei apavorada.

"Venha comigo", disse o cão-gente.

Corri até a sala de aula, onde meu professor orientador da monografia estava sentado, me esperando. "O acho incrível", disse eu para o cão-gente, que concordou. De repente, o professor alto, forte e lindo (uma mistura de Brad Pitt com Brad Pitt, só que com a cara do Hugh Jackman) se transforma em uma mulher magricela e pequenina e me diz "O seu tema [da mono] é imbecil. Não quero fazer parte disso!"

Laura_Lander_SMART_Classroom cópia

Começo a chorar. O mundo se desmancha a minha volta. Acaba.

Se você achou esquisito isso que acabei de narrar (um sonho real, que tive ontem à noite) é porque você nunca leu O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias, escrito pela americana Kelly Link. Magic for Beginners, no original, é uma mistura de David Lynch, Alice no País das Maravilhas e cocaína. O livro é extremamente confuso, as histórias não levam a lugar nenhum e se existia alguma moral, eu devo ter perdido. O principal erro deste livro não é culpa de Link e sim da Zelda, e sim da distribuidora brasileira.

A capa do livro evoca Tim Burton, a contra-capa compara o livro a Sandman e o título lembra um fanho dizendo que leu O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder. Pelo menos cinco pessoas me pararam para ver que livro era, enquanto eu lia, e foram embora com cara de “hein?”.

A Editora Leya se preocupou tanto em vender esse livro (que ganhou vários prêmios e foi eleito o melhor livro de 2005), que não se deu conta que estava deixando-o atraente para um grupo de leitores que provavelmente não irão gostar dele. Ao invés de dizer que o livro parece A Noiva Cadáver, ele deveria trazer a seguinte descrição:

"Magia Para Iniciantes é um livro hipnótico, para aqueles que gostam de ouvir estranhos narrando seus sonhos malucos e que entenderam Cidade dos Sonhos. Um livro que não faz sentido nenhum, com histórias bizarras que você com certeza não irá entender. Jamais pare de ler um conto no meio, para continuar no dia seguinte. Jamais tente reproduzir o que você acabou de ler para outra pessoa, você não irá conseguir. E jamais compare o livro com outros trabalhos, só para vendê-lo. Entenda que ele já é bom por si só, sem precisar de falsos estímulos."

O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias é um bom livro, quando se está preparado para lê-lo.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-poster-407x600

Em novembro de 2004, morria um dos maiores autores de nosso século, Stieg Larsson. Um dos jornalistas e ativistas políticos mais influentes da Suécia, Larsson morreu aos 50 anos sem nunca ver a dimensão que seu trabalho atingiria. Sua trilogia Millennium já vendeu mais de 27 milhões de cópias em todo o mundo, foi adaptada para o cinema sueco em 2009 e o primeiro livro ganhará uma versão cinematográfica hollywoodiana em 2011, dirigida por David Fincher.

Stieg-Larsson_thumb[3]Larsson

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar, homenageiam as clássicas histórias policiais e trazem dois personagens centrais fortes e cativantes, tão bem descritos por Larsson que é como se o leitor os conhecesse pessoalmente. Lisbeth Salander é uma hacker muito inteligente que sofre de síndrome de Asperger e que não gosta de contato humano. Mikael Blomkvist é um jornalista que foi condenado por calúnia e vê em uma proposta inusitada uma maneira de escapar de seus problemas, até achar uma solução.

timthumb.php_thumb[3]

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, dirigido por Niels Arden Oplev, abandona a originalidade do livro, dando mais importância para a ação e o crime do que para as personagens. O impacto causado pela maneira como os personagens são tratados é enorme, já que no livro eles são apresentados de forma muito profunda e convincente e no filme eles não passam de peças de tabuleiro da trama, sem vontade própria.

É triste ver que um material tão bom acabou se tornando mais um filme de mistério comum, ao estilo americano de ser, onde mostrar cadáveres é mais importante do que entender o que se passa pela cabeça das pessoas. E onde um vilão é apenas um vilão, que gosta de contar seus planos malignos para o mocinho.

2504262197_thumb[3]

Outro ponto fraco do filme é querer explicar a personagem de Lisbeth, mostrando cenas do passado dela. Não que isso seja ruim. Mas essas explicações só deveriam vir no próximo filme (A Menina Que Brincava Com Fogo, dirigido por Daniel Alfredson) e colocá-las aqui estraga algumas surpresas do livro. Li o primeiro sem saber do que se tratava e gostaria de ter feito o mesmo com o segundo, mas o filme entregou informações que eu não havia pedido.

Ao invés de explicar o passado de Lisbeth, o ideal seria explicar o presente. Em nenhum momento, o filme deixa claro que ela tem Asperger, fazendo com que ela pareça ser apenas uma garota grosseira e introvertida. O relacionamento dela com Mikael também poderia ser mais bem explorado, já que no livro os dois dividem uma confidencia que para ambos é uma novidade por vezes excitante. Mikael é interpretado por Michael Nyqvist e Lisbeth por Noomi Rapace, dois atores suecos desconhecidos por aqui e que fazem um belo trabalho, mesmo com as limitações do roteiro e as escolhas pobres da direção.

O filme não exatamente ruim, mas as mudanças deixaram a história um pouco confusa para quem não leu o livro e frustrante para quem leu. Apesar do medo que sinto de uma versão americana, acredito que existe uma possibilidade ínfima de que David Fincher realize um bom trabalho. Se ele, assim como eu, leu o livro e ficou descontente com a versão sueca, talvez faça exatamente isso. Ou talvez ele apenas faça mais um filmezinho americano sem graça, quem sabe em 3D, com Daniel Craig fingindo que atua.

152f0rb_thumb[8]

Män som hatar kvinnor (2009)
Direção: Niels Arden Oplev
Roteiro: Nikolaj Arcel, Rasmus Heisterberg
Elenco: Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Sven-Bertil Taube, Peter Haber, Ewa Fröling

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Me pergunto se todos os atendentes possuem retardo…


Atendente: Olá, Paloma, em que posso ajudar?
 
Paloma: Boa tarde, talvez você possa me ajudar. A empresa onde trabalho fez assinatura da Revista Piauí para poder ter acesso à todo o conteúdo do site deles.
 
Atendente: Em que posso ajudar?
 
Paloma: Fiz o cadastro no site e foi dito que seria enviado um email de confirmação, para termos acesso. Esse email não foi enviado. Já faz algumas semanas. Liguei para o SAC da revista e pediram para eu enviar um email. Enviei há duas semanas e ainda não tive resposta. Tento pedir no site para que seja enviado outro email de confirmação, mas não consigo. Quando pedi no SAC para me ajudarem, me disseram que eu poderia fazer um cadastro no Passaporte Abril, mas isso não nos ajuda. Precisamos do login e senha para o site da revista.
 
Atendente: Para acessar áreas restritas do site de revistas, é necessário criar um cadastro no site Passaporte Abril. Por favor, se cadastre.
 
Paloma: Eu já fiz isso. O que eu não consigo fazer é me cadastrar no próprio site.
 
Atendente: Qual site?
 
Paloma: Da Revista Piauí!
 
Atendente: Acesse áreas restritas do site da revista utilizando dados de login do passaporte.
 
Paloma: Sim, eu entendi isso. Mas esse não é o meu problema. No site da Revista Piauí tem um local para cadastro. Eu não posso fazer login nessa área do site com a senha do Passaporte Abril, eu já tentei. O que eu preciso é que o site me mande o email de confirmação.
 
Atendente: Correto, para essa solicitação por favor, entre em contato com a nossa central de atendimento: 5087-2112 (Grande São Paulo) ou 08007752112 (demais localidades) de segunda a sexta, das 08:00 às 22:00 horas, ou acesse o link "Fale Conosco" e envie um e-mail. Este canal é exclusivo para auxiliar na localização do código de assinante e cadastramento no abrilsac.com. ou clube do assinante.
 
Paloma: Mas eu já fiz tudo isso! Ninguém me atende. Mandei email para várias pessoas e setores, entrei no Fale Conosco, liguei.
 
Atendente: Peço desculpas pelo atendimento, mas este canal é exclusivo para auxiliar na localização do código de assinante e cadastramento no abrilsac.com. ou clube do assinante. Por favor, entre em contato com a nossa central de atendimento e aguarde o retorno.
 
Paloma: Deus.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A Obra de Alfred Hitchcock

Logo cópia

Os filmes e a carreira do mestre do suspense são o tema central do curso A Obra de Alfred Hitchcock, ministrado por Carlos Primati, de 13 a 17 de setembro, no Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (Rua dos Andradas, 959, Porto Alegre, RS).

O curso fará uma extensa revisão de sua filmografia, que será analisada a partir de seu pleno domínio da técnica cinematográfica e da linguagem narrativa, exemplos máximos do cinema clássico. Durante o curso serão exibidos trechos selecionados dos principais filmes dirigidos por Alfred Hitchcock.

INSCRIÇÕES ABERTAS – VAGAS LIMITADAS

Para inscrições acesse aqui.

INFORMAÇÕES:

Datas: de 13 a 17 de setembro de 2010
Horário: das 19h às 22h
Duração: 15 horas / aula
Local: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (Rua dos Andradas, 959 – Porto Alegre – RS)
Investimento: R$ 130,00

Material:
- Apostila
- DVD promocional (trailers)
- CD promocional (trilhas sonoras)
- Certificado de participação

Contato: cenaumprodutora@terra.com.br / Fone: (51) 9101-9377
Site: http://cinemacenaum.blogspot.com

(Amo esse trailer)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os Vampiros que se Mordam

bigPhoto_0

Comédia boa, para mim, é aquela que te faz rir até quando está de mal humor. O que dizer, então, de um filme que não te faz rir nenhuma vez? Os Vampiros que se Mordam é a mais nova comédia pastelão de paródia que seguem o modelo de filmes como Top Gang (91), Top Secret (84) e Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu (80).

lloyd_thumb[3]Apertem os Cintos: “Looks like I picked the wrong week to quit sniffing glue”

O filme é dirigido por Jason Friedberg e Aaron Seltzer, que também fizeram Espartalhões, Deu a Louca em Hollywood e Uma Comédia Nada Romântica. Eles também são roteiristas da série de filmes Todo Mundo em Pânico. Dos filmes atuais do gênero, os que mais chamam a atenção são o primeiro Todo Mundo em Pânico (de 2000, dirigido por Keenen Ivory Wayans) e Não é Mais um Besteirol Americano (de 2001, dirigido por Joel Gallen), que conseguem brincar muito bem com os clichês de filmes de terror e de adolescentes, respectivamente.

2001_Not_Another_Teen_148_thumb[8]Não é Mais um Besteirol Americano:
Jake: But, you're my sister.
Catherine: Only by blood.

Mas os filmes de Friedberg e Seltzer são uma afronta a minha inteligência! Sempre considerei Uma Comédia Nada Romântica uma aberração do mundo do cinema, um filme que faz paródia de piadas. É como ter que assistir alguém que não sabe contar piadas repetindo uma esquete do Saturday Night Live (se eu quisesse ver isso, me gravava e depois assistia).

Os Vampiros que se Mordam (no original Vampires Suck) brinca com a saga Crepúsculo e esse foi o motivo pelo qual assisti ao filme. Quando assisti Crepúsculo fiz mil piadas sobre a história e pensei que um filme que fizesse isso seria divertido. Não podia estar mais enganada. O filme é tão chato quanto o que ele imita e as piadas são idiotamente irritantes.

Eles ganham pontos por não fazerem piadas sexuais o tempo todo e os atores conseguem imitar muito bem os personagens dos livros. Bella, que aqui se chama Becca (Jenn Proske), se descreve como uma garota que gosta de ser humilhada, “do tipo que reclama o tempo todo, totalmente insegura e sem personalidade”.

filmes_1142_Vampires Suck 1_thumb[4]

Já Edward (Matt Lanter) é definido como “pálido, cabelo comprido e com prisão de ventre”. Quando Becca se dá conta de que ele é diferente, acredita que se vestir bem, ter a pele branca e não querer fazer sexo são sinais de que ele é um dos Jonas Brothers. E é isso... São as únicas coisas engraçadas de todo o filme. Juntas, não somam nem um minuto.

filmes_1142_Vampires Suck 2_thumb[4]

O pai de Becca (Diedrich Bader, de quem eu tenho absoluto pavor) é irritante e tem as piores piadas de todo o filme. Elas se baseiam, basicamente, em comentários inapropriados na frente da filha. Quantas vezes uma pessoa normal agüenta escutar a mesma piada sobre uma boneca inflável? Ok, nós já entendemos. Você faz sexo com uma boneca... Já tínhamos entendido na primeira vez que ela apareceu.

Os Vampiros que se Mordam não vai agradar os fãs de Crepúsculo, que provavelmente vão considerá-lo como uma afronta (eu consideraria), e também não irá agradar os que odeiam a saga, por ser tão sem graça e enfadonho quanto. Vampires Suck sucks a big time!

Vampires_Suck_1082553a_thumb[3]

Vampires Suck (2010)
Direção: Jason Friedberg, Aaron Seltzer
Roteiro: Jason Friedberg, Aaron Seltzer
Elenco: Jenn Proske, Matt Lanter, Diedrich Bader, Chris Riggi, Ken Jeong, Anneliese van der Pol, Mike Mayhall

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...