quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Jack

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Jack (Robin Williams) nasceu com uma rara doença que o faz crescer quatro vezes mais rápido do que um ser humano comum. Isso o impede de levar uma vida normal, tendo que conviver apenas com os pais (Diane Lane e Brian Kerwin) e com um professor particular (Bill Cosby). Ao completar dez anos, Jack tenta lidar com sua situação e com os problemas normais de qualquer pré-adolescente comum.

Dirigido pelo renomado Francis Ford Coppola, Jack foi lançado em 1996 e é um marco na infância de muitas pessoas nascidas na década de oitenta. Cinéfilos mais puristas e críticos de cinema de vanguarda podem torcer o nariz para esta obra tão peculiar de Coppola, talvez por estarem acostumados com filmes como a trilogia O Poderoso Chefão, Drácula de Bram Stoker ou O Selvagem da Motocicleta. Ou talvez lhes desagradem a atuação de Robin Williams que, como na maioria de seus filmes, é exagerada e extravagante.

Mesmo com suas falhas óbvias (e, como diriam Siskel e Ebert, sua cara de sitcom), Jack é um bom filme. É nostálgico assisti-lo depois de tantos anos e poder reparar em detalhes que, quando criança, jamais notaria. O modo como as nuvens se movem mais rápido quando é Jack que olha para o céu. Ou a borboleta que aparece três vezes ao longo do filme (nascendo, vivendo e morrendo), mostrando como a vida dela é curta e frágil. Jack não é só mais um filme sobre ultrapassar obstáculos. É um filme sobre a fragilidade da vida.

As crianças gostam de Jack por ele aparentar quarenta anos e poder comprar revistas pornográficas. Elas não se dão conta de que tal dádiva traz uma conseqüência terrível: Jack não viverá mais do que trinta anos. É quando Jack se dá conta de sua situação que a história passa a se desenrolar de maneira mais sensível. As piadas sobre peidos e cadeiras quebrando vão embora, deixando lugar para reflexões sobre vida e morte, amizades e sonhos que talvez nunca venham a se realizar.

A história poderia ser mais bem explorada, especialmente se deixassem um pouco de lado o tom pastelão e tratasse a doença de Jack (Síndrome de Werner) com mais seriedade. Mesmo assim, não é um filme ruim e traz ótimas lembranças da minha infância, tanto pelo próprio filme, quanto pelo preconceito que Jack sofre – realidade de muitas (se não todas) crianças em idade escolar.

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Jack (1996)
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: James DeMonaco, Gary Nadeau
Elenco: Robin Williams, Diane Lane, Brian Kerwin, Jennifer Lopez, Bill Cosby, Fran Drescher, Adam Zolotin

Um comentário:

Juliano Moreira disse...

Bigica! \o/
E agora um dos teus melhores textos! \o\

Ler mais sobre cinema tá te fazendo bem. =)


Agora tu pode começar a contar os filmes com ele que tem borboleta e formatura.

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