quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eclipse

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É uma grande ironia que um livro considerado o mais fraco de sua franquia acabe se tornando a melhor versão cinematográfica. Eclipse é o terceiro filme da quadrilogia Crepúsculo, baseada nos best-sellers da americana Stephenie Meyer. Nesta terceira parte, temos a heroína Bella Swan (Kristen Stewart) e seu namorado vampiresco Edward Cullen (Robert Pattinson) enfrentando um exército de “newborn vampires” (vampiros que acabaram de ser transformados). Eles são liderados pela vampira Victoria (Bryce Dallas Howard), que quer se vingar de Edward por ele ter matado o amor da vida dela.

O filme é muito bem dirigido por David Slade (de 30 Dias de Noite, outro filme de vampiros... mas a semelhança para por ai) e adaptado pela mesma roteirista de Crepúsculo e Lua Nova, Melissa Rosenberg. Os efeitos especiais (especialmente os lobisomens) são excelentes e tudo parece muito real, até mesmo quando Edward começa a brilhar no sol... Ok.

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Além de ser baseado no livro já citado, o roteiro também pega elementos de um livro que Meyer escreveu especialmente para a roteirista, The Short Second Life of Bree Tanner. O livro conta a história de Bree (interpretada no filme por Jodelle Ferland), uma das vampiras recém criadas.

O único problema de Eclipse é a história enfadonha e sem sal, culpa que recai sobre os ombros de Stephenie Meyer e não do filme em si. Os personagens me dão nos nervos, as situações são implausíveis, os lobisomens estão sempre seminus (não que isso seja um problema...) e vampiros brilham no sol. Jacob Black (o lobisomem com uma pele “tão quente quanto o sol” – e tão improvável quanto um elefante anão andando de bicicleta), interpretado por Taylor Lautner, enche o saco com sua ladainha “Você me ama Bella! Você me ama!! Você se sente atraída por mim! Imprinting!!”, sendo que ela deixa muito claro que ama Edward. Se uma árvore tivesse a mesma aparência que ele, a Bella também se sentiria atraída! Xarope é a palavra correta para essa história.

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E foi por isso gostei tanto do filme. Ele é excelente em termos técnicos e passa muito bem a história do livro. David Slade não queria dirigi-lo e chegou a dizer que não queria nem chegar perto da franquia. O que o convenceu ($) jamais saberemos. A única coisa que sei é que ele fez um ótimo trabalho. Conseguiu me fazer gostar de algo tedioso e sem noção, como nunca ninguém conseguiu antes.

Consigo entender porque a saga atrai tantos fãs e creio que se eu tivesse 12 ou 13 anos teria gostado muito mais. Um ponto importante de Crepúsculo (o livro) é nunca apresentarem a fisionomia de Bella, o que permite que qualquer garota que ler se identifique com a personagem e se projete nela. Não é um livro ruim, pelo contrário! Acho ele mal escrito, é verdade, mas não anula o fato de ser um ótimo livro para adolescentes e que ensina bons valores.

Não é meu tipo de livro, mas também não deveria passar em branco.

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The Twilight Saga: Eclipse (2010)
Direção: David Slade
Roteiro: Melissa Rosenberg, baseado no livro de Stephenie Meyer
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Bryce Dallas Howard

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Centopéia Humana

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Um cientista alemão maluco seqüestra pessoas para poder costurá-los uns aos outros, criando assim uma centopéia humana. Desta maneira:
 
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A Centopéia Humana é um filme holandês de 2009, escrito e dirigido por Tom Six, que só agora (graças ao Fantaspoa) chega as telas gaúchas. O fato de o filme ser incrivelmente nojento não me abala. Acho maravilhoso quando um filme me causa ânsia de vômito – não estou sendo sarcástica –, e isso ele faz muito bem. O problema aqui é o roteiro fraquíssimo que parece ser bem mais promissor do que realmente é.
 
As atuações são tão ridículas que chegou a me lembrar aquela propaganda dos seguros Eagleman. Especialmente quando o pneu do carro das personagens principais, Lindsay (Ashley C. Williams) e Jenny (Ashlynn Yennie), fura e elas resolvem perambular no meio do mato, ao invés de ficarem na estrada. As duas acabam indo para a casa do doutor Heiter (Dieter Laser – que fez um filme chamado Suck My Dick), um cirurgião que trabalhava separando gêmeos siameses e que agora é um doido de pedra. Dois terços das coisas que Heiter dizia eu não entendia e ele era tão dramático que me admiro que não esteja na novela das oito. Apesar disso, a atuação dele é a melhor coisa do filme. Irônico.
 
O filme é tão ruim, que Roger Ebert (crítico renomado de cinema) decidiu não dar nenhuma estrela, dizendo que ele “é o que é e vive em um mundo onde as estrelas não brilham". Segundo o site IMDb, a idéia para o roteiro surgiu de uma piada entre Tom Six e seus amigos (isso parece nome de desenho... Tom Six e Seus Amigos, onde seis criaturinhas mágicas ganham a vida destruindo o cinema) sobre pedófilos, que deveriam ter suas bocas “costuradas na bunda de um caminhoneiro gordo”.
 
Pois bem. Outro dia fiz uma piada com uma amiga sobre um cara que não gosto tendo filhos com a namorada de outro cara que não gosto (não gosto de muita gente), e o filho deles sendo uma pústula gigante que come gente. Escreverei o roteiro, contratarei as atrizes do Eagleman e algum ator que fale para dentro e voilà! Ai está meu filme.
 
A Pústula

A Centopéia Humana é um filme péssimo e, nas palavras de Roger Ebert, “I hate it! I hate it! I hate it!”
 
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The Human Centipede: First Sequence (2009)
Direção: Tom Six
Roteiro: Tom Six
Elenco: Dieter Laser, Ashley C. Williams, Ashlynn Yennie, Akihiro Kitamura

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Fantástico Sr. Raposo

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Do mesmo diretor de Os Excêntricos Tenenbaums (2001) e Viagem a Darjeeling (2007), Wes Anderson, chega em DVD no Brasil a animação em stop motion O Fantástico Sr. Raposo. O filme é baseado no clássico infantil escrito por Roald Dahl, escritor de Charlie e a Fábrica de Chocolate.

Mr. Fox (George Clooney) é uma raposa que ganha a vida roubando granjas. Quando descobre que sua esposa (Meryl Streep) está grávida, ele larga a vida de ladrão e vira colunista do jornal local. Mas Mr. Fox não consegue controlar o animal selvagem que vive dentro dele e decide roubar os três fazendeiros mais poderosos da região: Boggis (Robin Hurlstone), Bunce (Hugo Guinness) e Bean (Michael Gambon). Isso dá início a uma guerra entre os animais da floresta e os humanos, que querem sua vingança pelos roubos de Mr. Fox.

Esse é a primeira animação de Anderson e é um filme leve e engraçado, mantendo as características principais dos filmes do cineasta: famílias problemáticas, idiossincrasia, discussões existenciais e personagens absurdos e irreverentes, mas ao mesmo tempo muito humanos. O filme se distância das animações dos dias de hoje, coloridas e cheias de ação. Os tons de marrom e laranja que permeiam pelos cenários entram em sincronia com os diálogos e piadas inteligentes, com o roteiro bem estruturado e com as atuações realistas e simplesmente perfeitas.

Anderson fez questão de gravar todas as falas fora do estúdio, preferindo gravar em florestas, sótãos, estábulos e até mesmo embaixo da terra para dar um ar mais natural aos diálogos. O resultado são falas cheias de espontaneidade e a sensação de se estar dentro do filme, acompanhando de perto o drama daqueles animais que só querem poder se alimentar e viver em paz.

Um filme fantástico, simples assim.

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Fantastic Mr. Fox (2009)
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson, baseado em um livro de Roald Dahl
Elenco: George Clooney, Meryl Streep, Jason Schwartzman, Bill Murray, Eric Chase Anderson, Wallace Wolodarsky, Michael Gambon, Willem Dafoe, Owen Wilson, Wes Anderson, Robin Hurlstone, Hugo Guinness, Brian Cox, Adrien Brody

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Shrek Para Sempre

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Shrek é a palavra em iídiche para “monstro”. Também é o título de uma das mais rentáveis séries de filmes de todos os tempos. O primeiro filme da série, Shrek (2001), foi a primeira animação da história do cinema a ganhar o Oscar de Melhor Animação. Sua quarta continuação, Shrek Para Sempre, chega aos cinemas brasileiros já tendo arrecadado mais de 134 milhões de bilheteria.

Os filmes são uma sátira às avessas dos contos de fadas, onde o herói é um ogro feio e grosseiro, a princesa é uma hábil lutadora e o cavalo branco é um burro espirituoso. Na quarta parte, vemos o ogro Shrek casado com a princesa e entediado com a vida matrimonial. Sentindo falta da época em que era temido por todos, ele pede auxilio ao duende Rumplestiltskin para que possa ser um ogro de verdade por apenas um dia. Mas o duende o engana, e Shrek é transportado para uma realidade paralela, onde ogros são caçados e seus amigos não o conhecem.

O filme é o primeiro da franquia a ser feito em 3D e foi dirigido por Mike Mitchell. O elenco continua o mesmo dos filmes anteriores, com Mike Myers (Shrek), Eddie Murphy (o Burro), Cameron Diaz (Princesa Fiona) e Antonio Banderas (Gato de Botas). Já o novo personagem Rumplestiltskin é interpretado pelo roteirista Walt Dohrn. Enquanto o storyboard era feito, Dohrn gravava as vozes de todos os personagens e acabou ganhando o papel do duende porque ninguém o interpretou tão bem quanto ele.

Shrek Terceiro (2007) foi o filme mais fraco da saga, tirando a fé de muita gente quanto ao novo longa. Apesar disso, Shrek Para Sempre é um bom filme, não melhor do que o primeiro, mas infinitamente melhor do que o terceiro. As piadas são mais engraçadas (é impossível não rir de frases como “Faz o urro!” ou “Cueeeca!!!”) e os personagens se renovam (já que vivem em um mundo paralelo). O 3D também é justificável, trazendo uma cara nova aos filmes.

Shrek Para Sempre promete ser o último da franquia e essa é uma decisão sábia... Melhor parar antes de arruinar de vez algo que já está quase perdendo o fôlego.

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Shrek Forever After (2010)
Direção: Mike Mitchell
Roteiro: Josh Klausner, Darren Lemke
Elenco: Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, Julie Andrews, John Cleese, Walt Dohrn

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar

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Em 1988 o estúdio de animações japonesas Ghibli ganhou destaque com o filme Meu Vizinho Totoro. Mas foi em 2003, quando A Viagem de Chihiro ganhou o Oscar de melhor animação, que o estúdio ganhou fama mundial. Agora, o estúdio traz para as telas o maravilhoso Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar, dirigido por Hayao Miyazaki (que também dirigiu Totoro e Chihiro). O filme fala sobre a amizade entre uma fêmea de peixinho dourado chamada Ponyo e Sosuke, um menino de cinco anos. O amor e a amizade dos dois cresce e, para poder ficar junto do amigo, Ponyo decide se transformar em humana.

Miyazaki diz ter se inspirado enquanto via o filme A Pequena Sereia (que por sua vez é baseada em um conto de Hans Christian Andersen), da Disney. O filme também traz várias referencias a ópera de Richard Wagner, Der Ring des Nibelungen.

O filme foi feito a mão, em aquarela e pastel, mostrando desenhos delicados e belos que vivem em harmonia com o roteiro, escrito pelo próprio Miyazaki. Ponyo mistura os elementos doces de Totoro com a magia de Chihiro, dando uma nova cara ao conto infantil de Andersen. Vale a pena conferir esse conto de fadas surreal e fantástico.

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Gake no ue no Ponyo (2008)
Direção: Hayao Miyazaki
Roteiro: Hayao Miyazaki
Elenco: Yuria Nara, Hiroki Doi, Jôji Tokoro, Tomoko Yamaguchi

sábado, 10 de julho de 2010

O Pequeno Nicolau

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Um dos primeiros livros que tenho lembrança de ler foi O Pequeno Nicolau (seguido de As Férias do Pequeno Nicolau). Me lembro de entrar na biblioteca da escola – na época eu lia pelo menos dois livros por semana – correr para a prateleira de “livros para os grandes” e encontrar uma edição surrada, escrita em 1960 por René Goscinny e ilustrada por Jean-Jacques Sempé.

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Mais de dez anos depois, chega aos cinemas a versão cinematográfica dos livros de Goscinny, dirigida e escrita por Laurent Tirard. O filme não é uma adaptação de nenhum dos livros e sim uma história nova, que mostra Nicolas (ou Nicolau, na versão dublada), um garotinho que leva uma vida feliz e harmoniosa, até que descobre que sua mãe vai ter um bebê. Ele e seus amigos decidem contratar um gangster para se livrar do irmãozinho.

Ver O Pequeno Nicolau foi como voltar no tempo, para a época que li os livros. Essa é, sem dúvida, a melhor adaptação que já assisti, pois faz exatamente o que uma adaptação deveria fazer: transporta a alma do livro para as telas. Todos os personagens parecem saídos diretamente do livro, tanto em suas personalidades quanto na aparência, passando a impressão de que foi preciso esperar 49 anos para que fosse criado o elenco perfeito. Maxime Godart interpreta com fidelidade um Nicolas querido e imaginativo, que é impossível não amar.

A direção de arte lembra bastante a do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), outra produção francesa que retrata a vida de maneira graciosa. Os franceses mostram mais uma vez que são os pais do cinema e é uma pena que o mundo valorize muito mais as mega produções americanas (com suas explosões em 3D) do que filmes artísticos como esse.

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Le petit Nicolas (2009)
Direção: Laurent Tirard
Roteiro: Laurent Tirard, Grégoire Vigneron e Alain Chabat, baseado em um livro de René Goscinny
Elenco: Maxime Godart, Valérie Lemercier, Kad Merad, Vincent Claude, Charles Vaillant, Victor Carles, Benjamin Averty

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Yesterday, upon the stair, I saw a bacon who wasn’t there

He wasn’t there again today. Oh how I wish he’d go away.

Cheguei em casa faminta e meu único pensamento era a lasanha ao funghi que minha mãe comprou, me esperando no freezer.

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Essa é a descrição que o site da Sadia traz sobre o produto: “Em homenagem os descendentes de Italianos dos nossos grandes adversários na Copa, a Sadia criou a Lasanha ao Funghi. Convide os amigos e a família para servir esse prato delicioso, preparado com um molho branco especial e cogumelos típicos da culinária italiana. Pode ser feita no forno tradicional ou no micro-ondas. Sucesso garantido na sua cozinha.”

“(…) preparado com um molho branco especial e cogumelos típicos”. Resolvi ler os ingredientes enquanto descongelava e, para minha surpresa, encontro bacon. Imagino que o que deixa o molho branco tão especial seja o bacon… Afinal, deve fazer toda a diferença do mundo colocar uma porra de carne de porco minúscula na lasanha!

Tive que fazer a lasanha assim mesmo, porque era a única coisa para comer. Catei bacon por bacon. Não é a primeira vez que algo assim acontece. Comprei um rondelle de espinafre e encontrei QUATRO pedaços minúsculos de bacon. QUATRO!

A pergunta é: Quando as empresas vão parar de pensar nos próprios rabos e passar a respeitar seus clientes?

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