sábado, 15 de maio de 2010

Antes que o mundo acabe

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Um jovem de 15 anos vê o seu mundo desmoronar ao mesmo tempo em que um pai que nunca conheceu volta para sua vida. Antes que o Mundo Acabe é baseado no romance do gaúcho Marcelo Carneiro da Cunha, autor de livros como Insônia e Nem Pensar, e do roteiro dos curtas metragens Batalha Naval (1994) e O Branco (2001). O livro é narrado por Daniel, um típico adolescente que acredita que seus problemas jamais se resolverão.
 
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O filme foi trazido às telas como um projeto da Casa de Cinema de Porto Alegre e é dirigido pela sócia da Casa, a cineasta Ana Luiza Azevedo. O roteiro ficou nas mãos da própria diretora, de seu marido Giba Assis Brasil e dos diretores Paulo Halm e Jorge Furtado.
 
Graças a um projeto realizado pela Zero Hora, o Cineclube ZH, tive a oportunidade de assistir a este filme encantador e de conversar com a diretora, o autor e com Jorge Furtado. O debate também teve a presença do crítico de cinema Roger Lerina.
 
O filme é leve, bonito e retrata com fidelidade os adolescentes modernos, cheios de problemas que lhes parecem insolúveis e que se sentem deslocados neste mundo adulto e cheio de regras. Mais do que apenas um filme sobre adolescência, Antes que o Mundo Acabe também é um filme sobre descobrimento, família, amizades e a noção confusa que temos sobre certo e errado.
 
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No bate papo após o filme, Ana Luiza disse que os adolescentes são portadores de uma grande sabedoria, de uma verdade grandiosa sobre a vida, e que por isso quis deixar o retrato apresentado o mais fiel possível, sem criar modelos ou estereótipos.
 
O roteiro trouxe grandes mudanças ao seu original, como a adição de Maria Clara, irmã mais nova de Daniel. A menina narra o filme enquanto observa as coisas a sua volta, sem nunca interferir de fato. O autor disse não se importar com as mudanças e que gostou muito do resultado final. “Acostumei com a idéia de que o livro tem uma relação muito tênue comigo: o livro é dos outros, o livro não é meu”, falou ele.
 
A montagem foi feita por Giba Assis Brasil e está esplendida, especialmente quando imagens paradas se misturam com imagens em movimento, dando vida ao livro. Este deve ter sido um grande desafio, já que boa parte do livro é narrada com cartas e fotos.
 
Parte do elenco juvenil foi selecionada em escolas gaúchas, que participaram de uma oficina de atuação, com Ângela Gonzaga e Mirna Spritzer. Apenas Pedro Tergolina, que interpreta Daniel, já havia trabalhado como ator. Ele fez o curta Dona Cristina Perdeu a Memória (2002), também dirigido por Ana Luiza.
 
Este não é um filme voltado unicamente para o público adolescente e pode agradar a qualquer idade. Os filmes com jovens geralmente os retratam como bobos ou drogados ou altamente sexuais. Isso quando não são interpretados por atores muito mais velhos. Em Antes que o Mundo Acabe vemos o adolescente pelo que ele é. Mais que isso... Vemos o ser humano como um ser que comete delitos e que precisa saber lidar com seus problemas. Sem rótulos. Como diz a personagem Mim, "qual a diferença entre roubar um laptop e roubar três balas?". Não existe certo ou errado, só existe a vida.
 
Antes que o Mundo Acabe é um grande filme, eloqüente e transcendental. Recomendado para todos que gostam de assistir a um bom filme, na companhia da família.
 
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Antes que o Mundo Acabe (2010)
Direção: Ana Luiza Azevedo
Roteiro: Paulo Halm, Ana Luiza Azevedo, Jorge Furtado, Giba Assis Brasil
Elenco: Pedro Tergolina, Eduardo Cardoso, Bianca Menti, Caroline Guedes, Janaína Kremer, Eduardo Moreira Murilo Grossi

3 comentários:

Pinu disse...

aaaaah eu adoro o curta "Dona Cristina..."!!! Fiquei com vontade de o filme! xD a gente podia combinar de ir essa semana, enquanto eu ainda tenho dinheiro! xD

Paloma disse...

Por mim, pode ser. Eu saio às 21h na quarta. A gente pode combinar =)

Pri Zorzi disse...

Eu gosto quando os filmes sobre adolescentes são interpretados por adolescentes e não por adultos disfarçados. Aquela coisa meio "ok, vou usar gírias e agir de forma efusiva e ninguém vai notar que eu tenho 32 anos".

É engraçado, eu me queixo um pouco do cinema brasileiro, mas ele parece retratar adolescência de uma maneira mais fiel do que o que a gente vê nos filmes americanos... Não querendo generalizar nem uma nacionalidade nem a outra, mas enfim, só pensando.

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