terça-feira, 25 de maio de 2010

Missão Quase Impossível

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Missão Quase Impossível foi o título ridículo que The Spy Next Door ganhou aqui no Brasil. O que ninguém se deu conta é que em 2004 foi lançado outro filme aqui com o mesmo título e também uma tradução tosca para Miss Cast Away, escrito e dirigido por Bryan Michael Stoller e com Michael Jackson no elenco.

O filme ao qual estou me referindo nesta crítica é o primeiro, de 2010, dirigido por Brian Levant. Brian dirigiu também os dois filmes dos Flintstones (The Flintstones e The Flintstones in Viva Rock Vegas) e o primeiro Beethoven (com roteiro de John Hughes). Infelizmente, ele também dirigiu um filme chamado O Pestinha 2... Bem, alguém tinha que fazer isso, não é mesmo?

Missão Quase Impossível é um filme voltado para o público infantil, com Jackie Chan interpretando um espião aposentado que precisa cuidar dos filhos de sua vizinha (e também namorada), porque esta precisa se ausentar da cidade por alguns dias. As crianças são típicas crianças de filme americano: um menino metido a adulto (Will Shadley), uma pré-adolescente reclamona (Madeline Carroll) e uma menininha engraçadinha que faz coisas engraçadinhas o tempo todo (Alina Foley). E todos, obviamente, odeiam Chan.

O filme lembra bastante o divertido Operação Babá (2005), de Adam Shankman, só que com menos músculos e mais artes marciais. Chan, como sempre, está engraçadíssimo e proporciona ótimas cenas de luta. No elenco, também está Billy Ray Cyrus (pai de Miley Cyrus), como o agente Colton James. Alguém já reparou que se uma das irmãs Brönte casasse com o Billy Ray Cyrus, o nome dela seria Brönte-Cyrus?

Mas o que mais chama a atenção no filme é a participação de Magnús Scheving como o vilão russo Poldark. Scheving é o criador do programa infantil LazyTown, que passa diariamente na Discovery Kids. Ele também interpreta o personagem principal, Sportacus.

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Suas cenas são as mais engraçadas, mas suas habilidades de ginasta não são usadas como deviam. Um dos motivos que me levou a ver este filme foi ter a oportunidade de ver Jackie Chan e Magnús Scheving lutando.

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Mas isso quase não acontece, pois o filme se foca muito mais no lado engraçado e fofo das crianças do que nas cenas de luta em si. Se por acaso você quer ver o filme pelo mesmo motivo que eu, recomendo que assista ao vídeo abaixo. Este é um vídeo que Scheving gravou como teste para conseguir o papel de Poldark.

Missão Quase Impossível é um filme despretensioso e ideal para se assistir com a família. Podia explorar bem mais os talentos de seus dois atores principais, mas isso não o deixa menos divertido para crianças.

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The Spy Next Door (2010)
Direção: Brian Levant
Roteiro: Jonathan Bernstein, James Greer, Gregory Poirier
Elenco: Jackie Chan, Amber Valletta, Madeline Carroll, Will Shadley, Alina Foley, Magnús Scheving, Billy Ray Cyrus

segunda-feira, 24 de maio de 2010

El Chavo del Ocho e El Chapulín Colorado

(Análise Crítica das Séries El Chavo del Ocho e El Chapulín Colorado)

Como Tudo Começou

Roberto Gómez Bolaños é o criador e principal intérprete dos programas mexicanos Chaves e Chapolin, entre outros. O programa teve seu início em 1968, depois que seu protagonista, Chavo, deu as caras em um curta-metragem durante outro programa da televisão mexicana. O programa se mostrou extremamente bem-sucedido entre crianças, mas mesmo assim Bolaños decidiu focar o programa para o público em geral, sem restrições.

O nome El Chavo del Ocho é uma referência à emissora de TV que o produzia, que utilizava o canal 8. A palavra "chavo", em espanhol, significa algo como "travesso". Apesar disso, no Brasil foi decidido adaptá-lo como "Chaves", por ser uma palavra sonora e parecida com a original.

Além de Chaves, Bolaños deu vida a outro personagem que alcançou fama mundial, o Chapolin Colorado. Seu nome significa, em português, "gafanhoto vermelho". Podemos perceber a semelhança ao animal pela roupa do herói. Ela possui antenas e uma pequena menção às asas, como um corte em formato de W nas costas de sua roupa. Além da cor vermelha, é claro.

El Chapulín Colorado foi transmitido pela primeira vez em 1970, na TV TIM (Televisión Independiente de México), como um quadro do programa Los Supergenios de la Mesa Cuadrada. A partir de 1972, a personagem ganhou um programa próprio, pela Televisa, que durou até 1979. Entre 1980 a 1993, a série fez parte do Programa Chespirito, que possuia vários quadros com os mais diversos personagens de Bolaños.

O nome Chesperito (algo como "pequeno Sheakspeare") é um apelido que Bolaños ganhou de um diretor de TV, por este o considerar um escritor tão brilhante quanto o dramaturgo inglês.

A História

El Chavo Del Ocho:

Os moradores de uma pequena vila mexicana tentam conviver uns com os outros, enquanto precisam enfrentar casos do dia-a-dia e suas próprias situações financeiras precárias. No meio de tudo isso está Chaves, um menino de rua que, com sua ingenuidade infantil, ensina aos adultos que existem coisas mais importantes do que dinheiro e status. O seriado possui várias referências a clássicos do humor, como os Irmãos Marx e o ator Peter Sellers.

El Chapulín Colorado:

Um super-herói querido e atrapalhado que ajuda pessoas em suas crises para lá de bizarras. Chapolin também reinventava contos famosos (como A Branca de Neve e os Sete Anões) e fatos históricos (como o descobrimento da América), ensinando e divertindo ao mesmo tempo.

Os Personagens

El Chavo Del Ocho:

Chaves (Roberto Gomez Bolaños): Um menino órfão de oito anos de idade que mora na rua e faz qualquer coisa por um sanduíche de presunto. Chaves ganha o amor do público (e dos outros personagens) com sua inocência. Ele está sempre aprendendo coisas novas e ensinando lições de moral, com muito bom humor. Bolaños já trabalhou como compositor, ator, diretor e roteirista. Ele continua trabalhando em sua terra natal.

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Quico (Carlos Villagrán): O amigo mimado, egoísta e metido a rico de Chaves. Quico é filho de uma viúva falida, que sempre ganha tudo o que quer, pois sua mãe tem vergonha de sua pobreza. O ator Carlos Villagrán saiu do seriado em 1978, pois seu personagem estava ficando grandioso de mais e ele queria tentar uma carreira solo. Bolaños e ele ficaram vinte anos sem se falar. Hoje em dia, Villagrán apresenta o espetáculo El Circo del Kiko, que já esteve em cartaz no Brasil.

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Seu Madruga (Ramón Valdés): Um viúvo desempregado, que não gosta de trabalhar e que está sempre devendo quatorze meses de aluguel. Don Ramón, como é chamado no original, é um dos personagens mais populares da série, talvez por ser um retrato tão fiel dos homens pobres do terceiro mundo. Valdés também saiu da série em 1978, mas retornou em 1981, pois não conseguia se desvencilhar da imagem do seu personagem mais famoso. O ator faleceu em 1988, de câncer de pulmão.

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Chiquinha (María Antonieta de las Nieves): Filha de Seu Madruga, representa uma criança animada que usa sua criatividade para superar seus problemas. Ela é bastante ativa nas histórias do programa e a personagem mais fiel nas aventuras do Chaves. Hoje em dia, a atriz atua em novelas mexicanas e fez uma pequena participação no seriado Skimo, da Nickelodeon.

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Dona Florinda (Florinda Meza): Mãe de Quico, Dona Florinda é uma viúva que perdeu todo o seu dinheiro. Com vergonha de sua pobreza, ela vive chamando a todos de “gentalha” e finge ser superior. Vive brigando e humilhando o Seu Madruga. Florinda Meza também interpretava a sobrinha de sua personagem, a Pópis. É esposa de Bolaños e existem boatos de que ela foi a principal culpada da briga entre seu marido e Carlos Villagrán, já que os dois haviam namorado. Meza produz e atua em telenovelas e também é diretora de TV. Uma de suas produções mais recentes foi a novela Amor e Ódio, exibida no SBT em 2001.

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Seu Barriga (Edgar Vivar): Seu Barriga é a representação dos ricos na série. Este homem é o proprietário da vila onde mora a maioria dos personagens. Como ele vai pessoalmente cobrar o aluguel de seus inquilinos, Seu Barriga acaba sempre passando por situações embaraçosas. Estas situações são, em sua maioria, maneiras criativas de Seu Madruga fugir da cobrança do aluguel ou do Chaves dando-lhe alguma pancada, sem querer querendo. Edgar Vivar trabalhou nos filmes Bandidas e O Orfanato.

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Professor Girafales/Inocêncio Girafales (Rubén Aguirre): Conhecido pelas crianças como Professor Lingüíça, é o professor de uma escola próxima à vila na qual as crianças estudam. Ele e Dona Florinda alimentam uma relação amorosa quase platônica. Sua participação representa o homem culto, porém simples, que se envolve com os demais personagens pobres da história. Constantemente, na sala de aula, Professor Girafalez se encontra em alguma situação ética de persistir na tentativa de educar as crianças, pois acredita no desenvolvimento destas. Ganhou fama na Argentina com o espetáculo El Circo del Professor Jirafales. Aguirre sofreu um acidente de carro em 2008 e sua esposa perdeu uma das pernas. Por causa dos gastos médicos, o ator está falido.

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Dona Clotilde (Angelines Fernández): É uma personagem secundária, que possui poucas participações e é extremamente reativa. Mesmo assim sua fama superou o tempo, principalmente quando é referida como Bruxa do 71. Seu papel nas histórias se resume, basicamente, como alvo das brincadeiras das crianças da vila e em suas insistentes investidas de seduzir Seu Madruga. Sua personagem quase não revela histórico, fazendo seu mistério ser parte do carisma que acabou criando-se. Um fato curioso sobre Fernández é que ela era considerada uma das mulheres mais bonitas do México. Ela morreu em 1994, aos 71 anos, também de câncer de pulmão.

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El Chapulín Colorado

Chapolin Colorado (Roberto Gomez Bolaños): Um super-herói latino criado ao oposto da imagem dos super-heróis "enlatados" americanos. Ele é fraco, feio, medroso, pobre, desajeitado, covarde, tonto, mulherengo, mas que no final sempre superava seus medos para assim vencer seus inimigos. Era o único personagem fixo da série.

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Metodologia de ensino

O programa poderia ser usado como metodologia em aulas de espanhol, já que é um seriado conhecido entre alunos de todas as idades. A familiaridade com o show traria uma facilidade maior de compreensão.

Os episódios escolhidos seriam aqueles que trazem algum tipo de ensinamento, com o mínimo de violência possível. Muitos episódios de Chaves possuem violência, mesmo que moderada e estas seriam evitadas em sala de aula. Episódios de Chapolin são mais fáceis de administrar, porque quase sempre trazem uma lição de moral e/ou contam alguma história real (ou conhecida) de maneira divertida e irreverente.

Seriam apresentadas atividades que estimulam não só o aprendizado da língua, mas também a criatividade e a memória. Os alunos poderiam assistir a trechos do show em espanhol e traduzirem tentando deixá-lo tão engraçado quanto o original. Eles poderiam, também, representar suas traduções para o grupo.

Apesar de Chaves e Chapolin serem dois programas de televisão extremamente conhecidos, são poucas as pessoas que realmente conhecem o programa. Alunos poderiam trabalhar com isso, criando uma apresentação sobre o show (podendo, até mesmo, criar um documentário sobre ele). A atividade seria livre, para que o aluno escolha a mídia na qual quer apresentar. Tudo em espanhol, é claro.

Roberto Bolaños é uma pessoa relativamente acessível, então os alunos poderiam ser encorajados a escrever cartas e emails para ele, e até tentar conseguir uma entrevista. O objetivo é ensinar as crianças a língua espanhola e também a mexer em editores de imagem e áudio, a lidarem com a mídia, a despertarem a criatividade e a terem uma visão crítica.

domingo, 16 de maio de 2010

A Hora do Pesadelo

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Até uma semana atrás eu nunca tinha visto um filme do Freddy Krueger. Já havia assistido Freddy VS Jason, mas esse não conta nem como filme. O motivo pelo qual eu nunca havia assistido é bem simples: medo. Quando eu era criança, o canal SBT (ou seria a Globo?) costumava passar todas as sexta-feiras 13 A Hora do Pesadelo (porque não passavam o próprio Sexta-Feira 13, não sei). Eu morria de medo do Krueger, de não conseguir nem olhar para a televisão durante a propaganda.
 
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Loma: Boneeeeco!

Resolvi acabar de vez com esse meu pavor, já que o primeiro filme da série de terror ganhou um remake. Não me importei muito quando fizeram isso com Sexta-Feira 13, mas quando soube que A Hora do Pesadelo seria refilmado quase tive um troço... E a coisa só piorou quando divulgaram imagens do filme. Apesar de nunca ter assistido aos filmes, sempre tive um carinho por Freddy. Nunca ninguém me causou tanto pavor e admiração ao mesmo tempo como ele. Por isso, para poder ser uma fã de verdade, assisti ao primeiro filme, de 1984. Dirigido por Wes Craven e com Robert Englund na pele de Krueger, A Hora do Pesadelo é um clássico com uma fama mais do que merecida.
 
A melhor parte desse filme é a idéia de não poder se defender de um vilão onipresente e imortal. Mas o filme não tem história e é apenas uma seqüência de cenas sangrentas, porém originais e assustadoras. Deu para entender? O filme é bom, mas é ruim. Ou talvez ele seja ruim, mas bom. Não sei.
 
O remake conserta isso. Freddy ganha uma história mais profunda e os outros personagens são mais convincentes e carismáticos. Ninguém dorme só por dormir, assim como ninguém sonha uma vez com Freddy e já sai correndo de medo. Só duas coisas me incomodaram com a nova versão:
 
1) Todos os adolescentes parecem ter 30 anos de idade. Quando o filme começou pensei “Ah, que bom! Eles se deram conta de que adolescentes são chatos e colocaram jovens adultos”. Engano meu.
 
2) Freddy. Apesar de ele ter ganhado um ar mais sério e uma história, foi estragado com uma maquiagem horrenda que descaracteriza por completo o personagem. Não estou reclamando da atuação de Jackie Earle Haley, ele está ótimo e conseguiu substituir com maestria o papel de Englund (apesar de eu não entender o motivo da troca). Entendo que eles queriam deixar mais real as cicatrizes dele, que na versão original é bastante caricata, mas uma coisa é deixar mais sóbrio outra é destruir por completo.
 
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Sou só eu, ou ele parece um sapo derretido?
 
Em geral, o remake é superior ao original, o que causa uma agradável surpresa. O diretor (Samuel Bayer) soube usar os pontos altos do original e melhorar as partes ruins. É raro um remake melhor do que sua versão original, mas A Hora do Pesadelo conseguiu. Não anula seu antecessor, mas garante seu lugar no mundo do terror.
 
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A Nightmare on Elm Street (2010)
Direção: Samuel Bayer
Roteiro: Wesley Strick, Eric Heisserer
Elenco: Jackie Earle Haley, Rooney Mara

A Nightmare on Elm Street (1984)
Direção: Wes Craven
Roteiro: Wes Craven
Elenco: Robert Englund, um monte de adolescentes e o Johnny Depp

sábado, 15 de maio de 2010

Antes que o mundo acabe

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Um jovem de 15 anos vê o seu mundo desmoronar ao mesmo tempo em que um pai que nunca conheceu volta para sua vida. Antes que o Mundo Acabe é baseado no romance do gaúcho Marcelo Carneiro da Cunha, autor de livros como Insônia e Nem Pensar, e do roteiro dos curtas metragens Batalha Naval (1994) e O Branco (2001). O livro é narrado por Daniel, um típico adolescente que acredita que seus problemas jamais se resolverão.
 
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O filme foi trazido às telas como um projeto da Casa de Cinema de Porto Alegre e é dirigido pela sócia da Casa, a cineasta Ana Luiza Azevedo. O roteiro ficou nas mãos da própria diretora, de seu marido Giba Assis Brasil e dos diretores Paulo Halm e Jorge Furtado.
 
Graças a um projeto realizado pela Zero Hora, o Cineclube ZH, tive a oportunidade de assistir a este filme encantador e de conversar com a diretora, o autor e com Jorge Furtado. O debate também teve a presença do crítico de cinema Roger Lerina.
 
O filme é leve, bonito e retrata com fidelidade os adolescentes modernos, cheios de problemas que lhes parecem insolúveis e que se sentem deslocados neste mundo adulto e cheio de regras. Mais do que apenas um filme sobre adolescência, Antes que o Mundo Acabe também é um filme sobre descobrimento, família, amizades e a noção confusa que temos sobre certo e errado.
 
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No bate papo após o filme, Ana Luiza disse que os adolescentes são portadores de uma grande sabedoria, de uma verdade grandiosa sobre a vida, e que por isso quis deixar o retrato apresentado o mais fiel possível, sem criar modelos ou estereótipos.
 
O roteiro trouxe grandes mudanças ao seu original, como a adição de Maria Clara, irmã mais nova de Daniel. A menina narra o filme enquanto observa as coisas a sua volta, sem nunca interferir de fato. O autor disse não se importar com as mudanças e que gostou muito do resultado final. “Acostumei com a idéia de que o livro tem uma relação muito tênue comigo: o livro é dos outros, o livro não é meu”, falou ele.
 
A montagem foi feita por Giba Assis Brasil e está esplendida, especialmente quando imagens paradas se misturam com imagens em movimento, dando vida ao livro. Este deve ter sido um grande desafio, já que boa parte do livro é narrada com cartas e fotos.
 
Parte do elenco juvenil foi selecionada em escolas gaúchas, que participaram de uma oficina de atuação, com Ângela Gonzaga e Mirna Spritzer. Apenas Pedro Tergolina, que interpreta Daniel, já havia trabalhado como ator. Ele fez o curta Dona Cristina Perdeu a Memória (2002), também dirigido por Ana Luiza.
 
Este não é um filme voltado unicamente para o público adolescente e pode agradar a qualquer idade. Os filmes com jovens geralmente os retratam como bobos ou drogados ou altamente sexuais. Isso quando não são interpretados por atores muito mais velhos. Em Antes que o Mundo Acabe vemos o adolescente pelo que ele é. Mais que isso... Vemos o ser humano como um ser que comete delitos e que precisa saber lidar com seus problemas. Sem rótulos. Como diz a personagem Mim, "qual a diferença entre roubar um laptop e roubar três balas?". Não existe certo ou errado, só existe a vida.
 
Antes que o Mundo Acabe é um grande filme, eloqüente e transcendental. Recomendado para todos que gostam de assistir a um bom filme, na companhia da família.
 
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Antes que o Mundo Acabe (2010)
Direção: Ana Luiza Azevedo
Roteiro: Paulo Halm, Ana Luiza Azevedo, Jorge Furtado, Giba Assis Brasil
Elenco: Pedro Tergolina, Eduardo Cardoso, Bianca Menti, Caroline Guedes, Janaína Kremer, Eduardo Moreira Murilo Grossi

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Homem de Ferro 2

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Filmes de super-heróis sempre me agradam. Homem de Ferro, infelizmente, é uma exceção. No primeiro filme, vemos Tony Stark (Robert Downey Jr.) se transformando em Homem de Ferro e lutando contra um vilão sem propósito, cuja única maldade verdadeira é estragar o roteiro. Ironicamente, na continuação a única coisa que presta é o vilão, interpretado por Mickey Rourke. Ao contrário de seu predecessor, Rourke é carismático e tem um propósito: se vingar da família Stark pelo que fizeram com seu pai.
 
O filme traz vários personagens clássicos da Marvel, como Nick Fury e Viúva Negra, mas não sabe como lidar com isso. Natalia Romanova, a espiã Viúva Negra, ganhou o rosto (e corpo avantajado) de Scarlett Johansson, mas perdeu por completo toda a sua personalidade. Ela passou de super-espiã soviética inimiga do Homem de Ferro para secretária, e sua única cena de ação não tem nenhum sentido.
 
Já o Coronel Fury, se perdeu na pele de Samuel L. Jackson e está mais para Nigga Fury do que para agente de elite da S.H.I.E.L.D ("Supreme Headquarters International Espionage Law-Enforcement Division"). Não, não é discriminação por ele ser negro... É discriminação por ele ser o Samuel L. Jackson. Não consigo me desprender da imagem “fuck you, fucking motherfucker” dele.

(Por sinal... Vocês sabiam que o “L.” é de fucking Leroy?)
 
Acho o Samuel L. Jackson o máximo, mas não para esse tipo de papel, que requer mais seriedade. Já o próprio Homem de Ferro resolveu adotar uma atitude goofy (“pateta”) e bêbada, agindo mais como uma celebridade do que um super-herói (não muito diferente do próprio Downey Jr.). O roteirista (Justin Theroux, que atuou em Cidade dos Sonhos) se preocupou tanto em divertir seu público que acabou esquecendo que isso era para ser um  filme, não uma sitcom americana. E o vilão, apesar de ser o ponto forte do filme, quase não aparece!
 
O filme não traz nenhuma grande melhoria em relação ao primeiro, talvez com exceção de Sam Rockwell como o concorrente da empresa Stark. Terrence Howard, que interpretava o melhor amigo de Tony, foi substituído por Don Cheadle. Pena que não fizeram o mesmo com Gwyneth Paltrow, que continua achando que é atriz.
 
Homem de Ferro 2 é um filme fraco, sem noção e chato que, assim como seu protagonista, deveria aprender a se portar em público.
 
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Iron Man 2 (2010)
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Justin Theroux
Elenco: Robert Downey Jr., Don Cheadle, Scarlett Johansson, Gwyneth Paltrow, Sam Rockwell, Mickey Rourke, Samuel L. Jackson

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Carta feita para a aula de História da Comunicação

Este post também é um trabalho para a faculdade. O objetivo era escrever uma carta para um homem que viveu mais de 20 anos longe da sociedade e enviar pelo correio para o endereço do meu professor. Nós tínhamos que deixar ele informado sobre como a tecnologia evoluiu desde a última vez que ele viu a luz do sol (ele estava morando em uma caverna). Novamente, fui a pessoa que mais se destacou no trabalho pois resolvi não escrever uma carta como se eu fosse uma jornalista e sim uma amiga deste homem. Cheguei a pedir informações pessoais para o professor, para deixar a carta mais verossímil. Eis o resultado:
 
Dia 25 de março de 2010

Querido Fernando.

Seja bem vindo ao século XXI! Fiquei sabendo que você está voltando para casa no próximo mês. Quando foi a última vez que nos encontramos mesmo? Foi no Natal de 1989? Ou na virada do ano? Nossa... Parece que foi ontem, mas ao mesmo tempo parece que foi há séculos. E tanta coisa mudou nesses 20 anos que você passou estudando sobre a importância da comunicação, nas cavernas da Nova Zelândia.

(Por sinal, espero que possamos trocar algumas idéias sobre suas descobertas, afinal de contas meu trabalho de doutorado também trata sobre comunicação pré-histórica)

Em primeiro lugar, as coisas estão muito bem, obrigada. Me formei em jornalismo e estou trabalhando para a revista SET, escrevendo uma coluna sobre cinema independente. Antônio e eu estamos morando juntos há cinco anos e estamos pensando em ir morar na Inglaterra, pois recebi um convite para escrever para o site da BBC.
 

O Antônio está mandando um abraço! Em pensar que na última vez que nós três estivemos juntos não passávamos de três piás, jogando bola e assistindo Thundercats.

Em primeiro lugar, não aconselho que você saia por ai achando que a única maneira de entrar em contato com alguém é via correio e que o presidente ainda é o Collor. Por isso, ai vai algumas novidades sobre o mundo no qual vivemos hoje.

Para começar, ninguém mais se veste assim:
 

Em algum momento da história as pessoas notaram que se vestir assim era feio e começaram a se vestir de maneira “normal”. Menos a Madonna...
 

Ninguém mais brinca com pogobol, compra vinil ou escuta os Menudos. E a TV Manchete nem existe mais. Estamos em 2010. Nosso presidente é o Luiz Inácio da Silva, o Lula. Isso mesmo, aquele que perdeu para o Collor (de quem eu nem me atrevo a falar). O filme que ganhou o Oscar esse ano foi Guerra ao Terror, sobre mais uma guerra estúpida – nada muito diferente do que você já viu.
 

Os discos de vinil foram substituídos de vez por algo chamado Compact Disc, ou CD. Isso possibilitou várias outras mudanças, como jogos de videogame mais avançados (você vai ouvir muito sobre Playstation) e duas novas formas de ver filmes: o DVD e o Blu-ray, que são, basicamente, CDs maiores que contêm filmes.
 

Por falar em filmes, no cinema está cada vez mais comum filmes com tecnologia 3D (três dimensões). A sobreposição de imagens faz com que o filme “salte” da tela. É uma ótima experiência que tem muito a melhorar. Quando você vier nos visitar, te levamos para ver.
 
 
Mas acho que a mudança mais radical que nossa sociedade sofreu foi a invenção, em 1989, de uma coisinha chamada “internet”. É difícil explicar o que é internet através de uma carta, mas vou tentar explicar por cima e quando você chegar te mostro melhor.

A palavra “internet” significa “interligação de redes”. É uma interligação de computadores do mundo todo, que possibilita a troca de informações com pessoas que qualquer canto do planeta. A principio, essa tecnologia servia apenas para que cientistas trocassem dados uns com os outros, mas logo se tornou uma forma de espalhar informações mundialmente. Em 1991, já estava disponível para todo o mundo.

O maravilhoso da internet é que todo mundo pode colaborar com informações e estas são praticamente gratuitas. É a ferramenta de comunicação mais democrática já feita. É como se tivéssemos televisão, jornal, rádio e telefone em um só lugar. Imagine o seguinte: antigamente, para entrar em contato com alguém que mora na Inglaterra, você teria que ou gastar muito com uma ligação telefônica ou mandar uma carta que demoraria semanas para chegar. Hoje, você pode entrar em contato com essa pessoa de forma instantânea.

Ao invés de abrir um jornal e ler o que o fulano tem para falar sobre determinado assunto, você pode acessar a rede e ter o ponto de vista de milhões de pessoas sobre isso.
 

A internet é ilimitada. Se você já estivesse conectado, eu não precisaria estar mandando esta carta e esperando que daqui a duas ou três semanas ela chegue até você, para só então você responder e depois de mais duas ou três semanas ter uma resposta. Eu poderia abrir meu laptop (meu computador portátil) e mandar um email (isso é, correio eletrônico), que você receberia em segundos.

Sei que isso tudo parece ser magia, mas acredite meu amigo, é a mais pura realidade. O mundo ainda não é perfeito. Ainda vivemos em uma sociedade doentia e capitalista, onde somos meros robôs, mas estamos cada vez mais próximos de mudar isso. E a internet será uma grande aliada. Tenho certeza de que você estará voltando a um mundo novo e cheio de possibilidades.

Quando voltar, posso emprestar vários livros sobre o assunto e te deixar cara a cara com essa bruxaria do século XXI.

Espero que tenha uma boa viagem de volta.

Um grande abraço da sua amiga,

Paloma Rodrigues

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Modelos Pedagógicos

Fiz este texto para a aula de Educomunicação e achei interessante publica-lo aqui. Tirei nota máxima e fui a única que fez um texto de hipermídia para o trabalho (que era a proposta inicial da professora). O objetivo do trabalho era explicar cada um dos modelos pedagógicos e dar exemplos. Tentei dar exemplos diferentes e, às vezes, inusitados.

Pedagogia diretiva: é o modelo educacional comum. O professor como “rei supremo” da sala de aula, comanda seus súditos (os alunos), que devem seguir suas regras ou são castigados. O método de ensino é simples: o professor fala, os alunos escutam. O aluno tem uma função insignificante dentro do seu meio educacional, cabendo a ele apenas memorizar informações, sem realmente aprendê-las. Neste método, o aluno é passivo.
 
Exemplos de pedagogia diretiva:

- A palmatória era um instrumento utilizado para castigar alunos desobedientes, golpeando a mão daqueles que não seguiam as regras. Este tipo de castigo foi abolido e é considerado crime.


- A música Estudo Errado, de Gabriel, o Pensador, é uma crítica ao modelo atual de educação. Na letra ele diz "Eu tô aqui Pra quê? Será que é pra aprender? Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?"
- No filme Curtindo a Vida Adoidado (1986), de John Hughes, temos uma representação cômica das salas de aula, onde um professor desinteressante tenta “enfiar” informações na cabeça de estudantes entediados.


Pedagogia não-diretiva: neste modelo o professor age como um guia ao invés de um chefe. O aluno já traz seu próprio conhecimento para a sala de aula e o professor apenas o ajuda a pensar e elaborar mais suas ideias, interferindo o mínimo possível. A educação é centrada no estudante. Seu principal objetivo é promover o autoconhecimento e a realização pessoal. A ideia central é explorar o conhecimento.
 
Exemplos de pedagogia não-diretiva:
 
- A escola Summerhill, localizada na Inglaterra, tem como principio básico o envolvimento dos alunos em sua própria educação. Os estudantes podem escolher se querem ou não ir a aula, sem serem castigados em caso de ausência (no modelo diretivo, quando um aluno falta pode não passar de ano). Além disso, eles podem participar de assembleias para discutir as normas da escola.


- A Távola Redonda pode muito bem ser usada como exemplo deste tipo de pedagogia. Apesar de não ser uma escola, os princípios básicos são os mesmos: o rei (professor) permite que seus cavaleiros (alunos) tenham liberdade e todos são tratados como iguais.

- No filme A Sociedade dos Poetas Mortos (1989), de Peter Weir, o novo professor da escola (Robin Williams) possui um método diferente de ensinar, cativando os alunos e lhes dando as ferramentas para aprenderem a pensar por si mesmos.


Pedagogia relacional: o professor, usando exemplos trazidos para a sala de aula (como filmes, revistas, situações vividas por ele, etc.), incentiva seus alunos a raciocinarem. Assemelha-se ao método não-diretivo, mas aqui o aluno não tem total liberdade sobre o que lhe é ensinado. É baseado em uma relação aluno-professor, onde ambos podem acrescentar algo para o outro. As sensações como fonte de conhecimento.

Exemplos de pedagogia relacional:

- Em Escola do Rock (2003), dirigido por Richard Linklater, o “professor” Jack Black entrega aos seus alunos CDs de bandas de rock famosas, para que eles reflitam sobre o poder do rock e se espelhem na hora de colocar em prática as coisas aprendidas em aula. Apesar das intenções dele não serem nobres – ele finge ser um professor para ganhar dinheiro e usa os alunos para formar uma banda e ganhar um concurso – seus métodos acabam sendo mais eficientes do que os de professores comuns, ajudando muito mais os alunos.


- Mary e Max é um filme em stop-motion de 2009. Nele, os personagens principais desenvolvem um relacionamento de aprendizagem mútuo, onde cada um ajuda o outro a pensar através de estímulos psicológicos. Max sofre de síndrome de Asperger e não consegue se relacionar com outros. Mary o incentiva a pensar e agir, através de indagações sobre a vida, como “o que é amar?”. Mary, que tem apenas oito anos, age como uma professora para Max, de 44 anos.


- No jogo de tabuleiro Detetive, é apresentado para os jogadores um enigma: quem matou o Senhor Pessoa, com que arma e onde? Cada jogador recebe uma série de cartas com alguns dos suspeitos, armas e cômodos de uma casa. Com estes fragmentos, o jogador deve pensar sobre o que foi apresentado até chegar alguma conclusão. É claro que, sozinho ele jamais conseguiria, por isso ele e seus companheiros de jogo trocam cartas entre si, para juntos tentarem chegar ao final. Este é um ótimo exemplo de pedagogia relacional. Os jogadores recebem uma informação e podem trocar ideias entre si, mas no fim precisam pensar por eles mesmos para chegar a algum resultado final. Todos aprendem uns com os outros para poder concluir a tarefa.


Não existe um método ideal de educação, cada indivíduo aprende melhor com o qual mais se identifica. Mas fica claro que nossa sociedade evoluiu demais para o tipo de ensino tradicional (direcional), que é tão antiquado quanto ajoelhar no milho. Os alunos não aprendem sobre pressão e muito menos quando precisam decorar dados desinteressantes. Os professores deveriam estimular mais as crianças a pensar ao invés de aterroriza-los.

Ainda existe muito preconceito quando se trata de educação e as crianças geralmente são desmotivadas quando tentam usar raciocínio lógico ou quando expressam paixão por algo em específico, como se especialização fosse algo ruim. Se a criança gosta de matemática, mas odeia história, então que ela seja motivada a estudar matemática!

Como diria Confúcio "Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas”. Esta deveria ser a base do ensino.
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