quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mary e Max

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Uma amizade nada comum entre um judeu obeso neurótico e uma menina com problemas de auto-estima, se torna o único motivo para que estes personagens sigam suas vidas. Mary e Max é um filme de animação em stop-motion australiano dirigido por Adam Elliot, que mostra como existem coisas mais importantes na vida do que posses materiais.
 
Mary Daisy Dinkle é uma garota de oito anos que sofre nas mãos de uma mãe alcoólatra e de um pai distante. Além disso, a menina é perseguida pelos colegas de aula e não tem nenhum amigo. Um dia, a fim de saber como os bebês americanos nascem (na Austrália eles saem de copos de cerveja), ela envia uma carta para Max Jerry Horovitz, um homem que ela encontrou na lista telefônica.
 
Max sofre de síndrome de Asperger, uma doença que é descrita por ele em uma de suas cartas para Mary: "Primeiro, eu acho o mundo muito confuso e caótico porque a minha mente é muito literal e lógica. Segundo, eu tenho dificuldade para entender as expressões nos rostos das pessoas. (...) Terceiro, minha caligrafia é horrível. Sou hipersensível, desengonçado e posso ficar muito ansioso. Quarto, eu gosto de resolver problemas. (...) E, finalmente número cinco: eu tenho dificuldade de expressar minhas emoções". Ele vive em Nova York e não tem nenhum amigo ou família. Sua vida muda por completo quando recebe a carta de Mary, que lhe desperta emoções com as quais não consegue lutar.
 
O filme trata de um assunto muito delicado: solidão. E faz isso com tal maestria e delicadeza, que é impossível não gostar dele ou de não se identificar com os personagens centrais. Toni Collette (Velvet Goldmine e United States of Tara) e Philip Seymour Hoffman (Capote e Dúvida) interpretam as duas figuras solitárias que, apesar de nunca interagirem cara a cara, possuem uma química intensa que comove até os mais fortes.
 
A direção de arte brinca com as cores preto, branco e marrom, formando mundos com as caras de seus moradores. Max tem uma vida sem graça, sem cores, e vive em uma Nova York cinzenta, sóbria. Mary sofre sem saber o porquê e tem, com o perdão da palavra, uma vida de merda. Ela reside em uma Austrália marrom como a mancha que tem em sua testa.
 
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Os diálogos são inteligentes e engraçados, introduzindo uma comédia sutil no meio da melancolia que gira em torno da narrativa. Mary fala como uma criança de oito anos e não como um mini adulto (como vemos na maioria dos filmes). Ela confunde palavras (como quando diz em uma das cartas para Max que seu vizinho sofre de homofobia, quando na verdade é agorafobia, e quando Max lhe diz que os bebês judeus nascem de ovos colocados por rabinos e ela entende coelhos – rabbin e rabbit) assim como uma criança normal, aprendendo a viver neste mundo confuso.
 
Nesta nova onda de filmes em 3D como Avatar e Up!, Mary e Max consegue se destacar e mostrar que não é necessário gastar milhões em efeitos especiais de última geração para se fazer um bom filme. Só é necessário amor pela arte.
 
Mary&Max

Mary and Max (2009)
Direção: Adam Elliot
Roteiro: Adam Elliot
Elenco: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana

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