sábado, 24 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas

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Em 1862, na Inglaterra, um professor de matemática chamado Charles Lutwidge Dodson inventa uma história para distrair as três meninas de quem está tomando conta. A história, recheada de magia e surpresas, encantou, em especial, uma das garotas: a pequena Alice Liddell. Alguns anos depois, Charles vira Lewis Carroll e publica o livro baseado nestas histórias, que viria a ser a sua obra mais famosa: Alice no País das Maravilhas (1865).
 
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A verdadeira Alice
 
Quase 150 anos depois, um diretor conhecido por seus filmes sombrios e excêntricos, inventa uma nova Alice! Em Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, encontramos uma Alice mais velha, que volta ao seu mundo mágico para se esconder de um pretendente que vai pedi-la em casamento. O filme mistura elementos do clássico de Carroll e também de sua continuação, Alice no País do Espelho (1871). Burton disse em uma entrevista recente que nunca se identificou com nenhuma das versões cinematográficas anteriores e que quis fazer uma versão diferenciada, que não fosse apenas uma simples sucessão de eventos.
 
No elenco está a esposa do diretor, Helena Bonham Carter, que interpreta a Rainha Vermelha. Muitas pessoas confundem a personagem com a clássica Rainha de Copas, mas – apesar das semelhanças – as duas não são a mesma pessoa. Enquanto a Rainha de Copas vive em um baralho de cartas, a Rainha Vermelha é uma peça de xadrez (já que este é o tema do segundo livro). No filme de Tim Burton, a personagem mistura elementos das duas rainhas, como a rivalidade com a Rainha Branca (da Rainha Vermelha) e a mania de decapitação (da Rainha de Copas). Quando indagado sobre o porquê de contratar a própria esposa para o papel, Burton responde com humor que ela “tinha uma cabeça grande o suficiente para poder fazer a Rainha de Copas”. Helena está excelente e histericamente engraçada.
 
Fábula de magia e surpresas
 
O ator Johnny Depp, figura clássica nos filmes de Tim Burton, interpreta o Chapeleiro Louco, personagem que cai como uma luva no ator que está acostumado a personagens bizarras e extravagantes. E Depp não decepciona, provando que é um dos melhores atores da atualidade!
 
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Como Alice, está a desconhecida Mia Wasikowska, que ganhou o papel por ela emanar “um tipo de poder eterno e pleno” (nas palavras do diretor). Ela está muito bem no papel e é muito mais convincente do que suas antecessoras - e muito menos chata.
 
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Destaque também para os atores Alan Rickman (Lagarta Azul), Michael Sheen (Coelho Branco), Anne Hathaway (engraçadíssima como a Rainha Branca), Matt Lucas (Tweedledee e Tweedledum), Stephen Fry (Gato Cheshire), Paul Whitehouse (a ótima Lebre de Março, que parece viver no seu próprio mundo) e Christopher Lee (Jabberwocky, mostrando que sua voz pode ser reconhecida a milhas de distância, até com uma fala apenas).
 
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O roteiro ficou nas mãos da competente Linda Woolverton, conhecida por seu trabalho em A Bela e a Fera e de O Rei Leão, ambos da Disney. Ele poderia ser muito melhor, menos comum, no entanto é superior as histórias originais, pois dá objetivo ao non-sense completo que é a obra. Desta vez Alice tem um motivo para ir para o País das Maravilhas e realmente consegue conquistar simpatia. O Chapeleiro Louco não é apenas uma figura esquisita e sim uma pessoa de verdade, estranha, mas possível. Os personagens são carismáticos e o espectador tem chance de se acostumar com eles, já que eles não aparecem e somem subitamente, como nos livros.
 
O filme me surpreendeu muito! Não que eu esperasse pouca coisa de Tim Burton, mas nunca fui fã dos livros ou da animação de 1951. Eles sempre me passaram uma sensação de vazio e até mesmo de desconforto. Tim Burton conseguiu destruir isso, criando uma história verossímil sem que esta perca o ar bizarro de seus antecessores. Visualmente o filme é lindo e o 3D só realça isso (ao contrário de filmes como Avatar, onde o 3D esconde a falta de plot).
 
Alice no País das Maravilhas é engraçado, bizarro e assustador, como deveria ser. Tim Burton conseguiu reinventar o clássico a sua maneira, sem se perder no buraco do coelho.
 
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Alice in Wonderland (2010)
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Woolverton, baseado nos livros de Lewis Carroll
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Michael Sheen, Anne Hathaway, Matt Lucas, Stephen Fry, Paul Whitehouse, Christopher Lee

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