sexta-feira, 30 de abril de 2010

Contos do Cargueiro Negro

Watchmen Tales of the Black Freighter (2009)
 
Logo depois que Watchmen chegou aos cinemas, foi lançado em DVD um curta de animação baseado em uma história paralela, narrada dentro da HQ. Contos do Cargueiro Negro conta a história de um capitão cujo navio é atacado por piratas. Sendo o único sobrevivente, este capitão tenta voltar para a sua terra natal pois acredita que os piratas estão indo para lá.
 
O curta não só adapta de maneira primorosa a história como acrescenta detalhes, lhe deixando cinematograficamente mais interessante. Gerard Butler é a alma do filme. Ele interpreta o capitão muito bem, ficando mais confortável no papel de dublador do que de ator (Gerard é conhecido por ler as falas durante as cenas).
 
O filme é uma jornada psicológica que te leva para dentro da psique da personagem, fazendo com que você “enlouqueça” a medida que o final se aproxima. Contos do Cargueiro Negro chega a ser superior ao Watchmen, que é muito corrido e cansativo.
 
Se todos os roteiros adaptados fossem feitos com tal primor, não teríamos filmes tão mal feitos sendo exibidos nos cinemas.

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Tales of the Black Freighter (2009)
Direção: Daniel DelPurgatorio, Mike Smith
Roteiro: Zack Snyder e Alex Tse, baseado em uma história em quadrinhos de Alan Moore
Elenco: Gerard Butler

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Gamer

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O que acontece quando misturamos O Concorrente (livro de Stephen King) e uma bela quantidade de testosterona? Nasce o filme Gamer, é claro! Num futuro não muito distante, Castle (Michael C. Hall, da série Dexter) cria um jogo ao estilo de The Sims, só que com pessoas de verdade. Society, como é chamado, funciona assim: nanorobôs são colocados dentro do cérebro das pessoas e outras pessoas podem controlá-las. Alguns pagam para controlar, outros recebem para serem controlados.
“Todos estão procurando por algo. Alguns deles querem te usar. Alguns querem ser usados por você. Alguns deles querem abusar de você. Alguns querem ser abusados.” – Sweet Dreams
O jogo vira uma febre mundial e acaba gerando um filhote: Slayers – um jogo de guerra com soldados e mortes reais. Ao contrário de seu predecessor, Slayers não usa atores para serem controlados e sim prisioneiros que estão no corredor da morte. Aquele que sobreviver a trinta sessões do jogo, ganha a liberdade. O único que consegue chegar perto é Kable (Gerard Butler), que está na sua vigésima sétima sessão.
 
O filme tem um ótimo argumento que, infelizmente, é usado de maneira pobre. A montagem é tão corrida que mais confunde do que entretêm – não indicada para estômagos mais fracos e suscetíveis a enjôo. Castle é um vilão tão óbvio que chega a ser constrangedor e só não é mais evidente do que o final.
 
Gerard, como sempre, se salva por seu carisma e, convenhamos, beleza rústica e máscula – típica dos escoceses. Você mais torce para que ele perca a roupa do que para que chegue ao final do jogo.
 
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Vou te mataaar! (de prazer)
 
Gamer jorra testosterona na tela e é capaz de fazer crescer bigode na mulher mais feminina do mundo!
 
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Gamer (2009)
Direção: Mark Neveldine, Brian Taylor
Roteiro: Mark Neveldine, Brian Taylor
Elenco: Gerard Butler, Amber Valletta, Michael C. Hall, Kyra Sedgwick, Logan Lerman, Alison Lohman, Terry Crews

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Caçador de Recompensas

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Este filme foi uma surpresa muito agradável. O caçador de recompensas Milo Boyd (Gerard Butler) tem a missão de prender uma repórter chamada Nicole Hurley (Jennifer Aniston). Este seria mais um caso normal para ele se não fosse o fato de que Nicole é sua ex-esposa. O filme é surpreendentemente bom e engraçado. Gerard Butler não é um ator muito bom, mas o que falta em talento, ganha em charme. Já a carismática e divertida Jennifer Aniston mostra o porquê de ser a única Friends que conseguiu fazer sucesso no cinema. Os dois possuem muita química um com o outro, tanto na hora da briga quanto na hora das cenas mais românticas.
 
Outro atrativo do filme são os personagens coadjuvantes, que muitas vezes atraem mais atenção do que os protagonistas: o “casal” Dwight (Joel Garland) e Ray (Ritchie Coster), os dois capangas que estão atrás de Milo, possuem as melhores falas do filme – como quando Dwight pega US$10 de sua chefe e Ray diz “Esse é o dinheiro de Irene! Ela vai te matar... Ela vai fazer com que EU te mate!” ou quando Ray diz que Nicole tem “os cabelos da cor do sol brilhando no oceano”, sem que isso tenha algo a ver com a cena.
 
Dirigido por Andy Tennant (dos péssimos Hitch e Doce Lar, e do excelente Anna e o Rei), Caçador de Recompensas é um filme recheado de clichês, mas que consegue agradar mesmo assim. Seu único pecado é a péssima trilha sonora, que passa a impressão de que ligamos em uma estação de rádio qualquer e esquecemos o aparelho ligado durante o filme. As músicas não acompanham as cenas e acabam passando despercebidas – ou até mesmo irritando.
 
Um filme indicado para aqueles dias tediosos, onde só queremos algo leve que não faça pensar muito.
 
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The Bounty Hunter (2010)
Direção: Andy Tennant
Roteiro: Sarah Thorp
Elenco: Jennifer Aniston, Gerard Butler, Joel Garland, Cathy Moriarty, Ritchie Coster

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tudo Pode Dar Certo

TUDO PODE DAR CERTO - WHATEVER WORKS - 2009 - DIREÇÃO WOODY ALLEN
 
Woody Allen é a personificação de Nova York: o diretor de 74 anos dedicou boa parte de sua carreira filmando na Big Apple. Entre seus filmes mais famosos estão clássicos Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977), Manhattan (1979) e Rosa Púrpura do Cairo (1985). A partir de 2005, o diretor gravou uma série de filmes fora de sua cidade natal: Match Point (2005), Scoop (2006) e O Sonho de Cassandra (2007), rodados na Inglaterra, e Vicky Cristina Barcelona (2009), rodado na Espanha. Allen parou de dar preferência para sua terra por motivos financeiros. Basicamente, ele grava onde pagam para ele gravar.
 
Em seu novo longa, Tudo Pode Dar Certo, Allen volta à origem nova-iorquina contando a história de Boris (Larry David, um dos co-criadores de Seinfeld), um velho rabugento que tem sua vida mudada quando conhece Melody (Evan Rachel Wood), uma garota ingênua que veio do Mississippi. Boris, assim como personagens mais antigos de Allen, faz um retrato bem humorado do próprio diretor: pessimista, inteligente e extremamente consciente.
 
O roteiro foi escrito por Allen nos anos 70 e deveria ser estrelado por Zero Mostel (de Primavera para Hitler). Com a morte do comediante, o projeto foi deixado de lado por mais de 30 anos. Não posso dizer que a versão dos anos 70 poderia ser melhor, mas o resultado foi magnífico. Larry David está engraçadíssimo, mostrando que Allen estava certo em dar o papel a ele (ao invés de interpretar a personagem principal, como já fez em filmes anteriores).
 
O filme é inteligente, sarcástico e sabe brincar com clichês básicos do cinema. Boris diz ter uma “visão do todo” e afirma para os outros personagens que estão todos sendo observados por uma platéia de voyeurs sem nada melhor para fazer. Assim, ele tira sarro de nós, espectadores, que estamos ali observando sua vida tediosa e patética. Ele praticamente molda o cérebro de Melody, que cresce tanto que quase rouba a cena de seu tutor.
 
O título em português falha ao tentar traduzir o original, que é o fundamento base do filme: Whatever Works (algo como “qualquer coisa que funcione”). Tudo Pode Dar Certo é um filme que passa uma mensagem otimista através do pessimismo de seu personagem. Afinal (citando Noivo Neurótico, Noiva Nervosa) a vida é cheia de solidão, miséria, sofrimento e infelicidade, mas acaba muito rápido. Então temos que fazer algo para que possamos aproveitar... Qualquer coisa que funcione.
 
 
Whatever Works (2009)
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Ed Begley Jr.

sábado, 24 de abril de 2010

Cine Guia PREVIEW

Como já havia anunciado, tenho uma novidade. A partir de agora estarei ajudando o Jorge Ghiorzi na newsletter do Cena UM. A newsletter é quinzenal e para assinar é só enviar um email para cinepreview@terra.com.br pedindo. Para ler as edições anteriores acesse o site do Cine Guia. A Cena UM é uma produtora especializada na realização de cursos, palestras e workshops da área de cinema.

Nos dias 8 e 9 de junho eles estarão realizando o curso Na Trilha dos Mestres - Um Passeio Estético-Musical pela Obra de 8 Cineastas. O curso acontecerá das 19h às 22h, na Escola de Design da Unisinos. Para mais informações é só ligar para (51) 9101-9377.

E aqui vai a edição número 18 do Cine Guia PREVIEW, com os meus textos de Alice no País das Maravilhas e de Tudo Pode Dar Certo:
 

Alice no País das Maravilhas

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Em 1862, na Inglaterra, um professor de matemática chamado Charles Lutwidge Dodson inventa uma história para distrair as três meninas de quem está tomando conta. A história, recheada de magia e surpresas, encantou, em especial, uma das garotas: a pequena Alice Liddell. Alguns anos depois, Charles vira Lewis Carroll e publica o livro baseado nestas histórias, que viria a ser a sua obra mais famosa: Alice no País das Maravilhas (1865).
 
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A verdadeira Alice
 
Quase 150 anos depois, um diretor conhecido por seus filmes sombrios e excêntricos, inventa uma nova Alice! Em Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, encontramos uma Alice mais velha, que volta ao seu mundo mágico para se esconder de um pretendente que vai pedi-la em casamento. O filme mistura elementos do clássico de Carroll e também de sua continuação, Alice no País do Espelho (1871). Burton disse em uma entrevista recente que nunca se identificou com nenhuma das versões cinematográficas anteriores e que quis fazer uma versão diferenciada, que não fosse apenas uma simples sucessão de eventos.
 
No elenco está a esposa do diretor, Helena Bonham Carter, que interpreta a Rainha Vermelha. Muitas pessoas confundem a personagem com a clássica Rainha de Copas, mas – apesar das semelhanças – as duas não são a mesma pessoa. Enquanto a Rainha de Copas vive em um baralho de cartas, a Rainha Vermelha é uma peça de xadrez (já que este é o tema do segundo livro). No filme de Tim Burton, a personagem mistura elementos das duas rainhas, como a rivalidade com a Rainha Branca (da Rainha Vermelha) e a mania de decapitação (da Rainha de Copas). Quando indagado sobre o porquê de contratar a própria esposa para o papel, Burton responde com humor que ela “tinha uma cabeça grande o suficiente para poder fazer a Rainha de Copas”. Helena está excelente e histericamente engraçada.
 
Fábula de magia e surpresas
 
O ator Johnny Depp, figura clássica nos filmes de Tim Burton, interpreta o Chapeleiro Louco, personagem que cai como uma luva no ator que está acostumado a personagens bizarras e extravagantes. E Depp não decepciona, provando que é um dos melhores atores da atualidade!
 
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Como Alice, está a desconhecida Mia Wasikowska, que ganhou o papel por ela emanar “um tipo de poder eterno e pleno” (nas palavras do diretor). Ela está muito bem no papel e é muito mais convincente do que suas antecessoras - e muito menos chata.
 
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Destaque também para os atores Alan Rickman (Lagarta Azul), Michael Sheen (Coelho Branco), Anne Hathaway (engraçadíssima como a Rainha Branca), Matt Lucas (Tweedledee e Tweedledum), Stephen Fry (Gato Cheshire), Paul Whitehouse (a ótima Lebre de Março, que parece viver no seu próprio mundo) e Christopher Lee (Jabberwocky, mostrando que sua voz pode ser reconhecida a milhas de distância, até com uma fala apenas).
 
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O roteiro ficou nas mãos da competente Linda Woolverton, conhecida por seu trabalho em A Bela e a Fera e de O Rei Leão, ambos da Disney. Ele poderia ser muito melhor, menos comum, no entanto é superior as histórias originais, pois dá objetivo ao non-sense completo que é a obra. Desta vez Alice tem um motivo para ir para o País das Maravilhas e realmente consegue conquistar simpatia. O Chapeleiro Louco não é apenas uma figura esquisita e sim uma pessoa de verdade, estranha, mas possível. Os personagens são carismáticos e o espectador tem chance de se acostumar com eles, já que eles não aparecem e somem subitamente, como nos livros.
 
O filme me surpreendeu muito! Não que eu esperasse pouca coisa de Tim Burton, mas nunca fui fã dos livros ou da animação de 1951. Eles sempre me passaram uma sensação de vazio e até mesmo de desconforto. Tim Burton conseguiu destruir isso, criando uma história verossímil sem que esta perca o ar bizarro de seus antecessores. Visualmente o filme é lindo e o 3D só realça isso (ao contrário de filmes como Avatar, onde o 3D esconde a falta de plot).
 
Alice no País das Maravilhas é engraçado, bizarro e assustador, como deveria ser. Tim Burton conseguiu reinventar o clássico a sua maneira, sem se perder no buraco do coelho.
 
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Alice in Wonderland (2010)
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Woolverton, baseado nos livros de Lewis Carroll
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Michael Sheen, Anne Hathaway, Matt Lucas, Stephen Fry, Paul Whitehouse, Christopher Lee

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mary e Max

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Uma amizade nada comum entre um judeu obeso neurótico e uma menina com problemas de auto-estima, se torna o único motivo para que estes personagens sigam suas vidas. Mary e Max é um filme de animação em stop-motion australiano dirigido por Adam Elliot, que mostra como existem coisas mais importantes na vida do que posses materiais.
 
Mary Daisy Dinkle é uma garota de oito anos que sofre nas mãos de uma mãe alcoólatra e de um pai distante. Além disso, a menina é perseguida pelos colegas de aula e não tem nenhum amigo. Um dia, a fim de saber como os bebês americanos nascem (na Austrália eles saem de copos de cerveja), ela envia uma carta para Max Jerry Horovitz, um homem que ela encontrou na lista telefônica.
 
Max sofre de síndrome de Asperger, uma doença que é descrita por ele em uma de suas cartas para Mary: "Primeiro, eu acho o mundo muito confuso e caótico porque a minha mente é muito literal e lógica. Segundo, eu tenho dificuldade para entender as expressões nos rostos das pessoas. (...) Terceiro, minha caligrafia é horrível. Sou hipersensível, desengonçado e posso ficar muito ansioso. Quarto, eu gosto de resolver problemas. (...) E, finalmente número cinco: eu tenho dificuldade de expressar minhas emoções". Ele vive em Nova York e não tem nenhum amigo ou família. Sua vida muda por completo quando recebe a carta de Mary, que lhe desperta emoções com as quais não consegue lutar.
 
O filme trata de um assunto muito delicado: solidão. E faz isso com tal maestria e delicadeza, que é impossível não gostar dele ou de não se identificar com os personagens centrais. Toni Collette (Velvet Goldmine e United States of Tara) e Philip Seymour Hoffman (Capote e Dúvida) interpretam as duas figuras solitárias que, apesar de nunca interagirem cara a cara, possuem uma química intensa que comove até os mais fortes.
 
A direção de arte brinca com as cores preto, branco e marrom, formando mundos com as caras de seus moradores. Max tem uma vida sem graça, sem cores, e vive em uma Nova York cinzenta, sóbria. Mary sofre sem saber o porquê e tem, com o perdão da palavra, uma vida de merda. Ela reside em uma Austrália marrom como a mancha que tem em sua testa.
 
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Os diálogos são inteligentes e engraçados, introduzindo uma comédia sutil no meio da melancolia que gira em torno da narrativa. Mary fala como uma criança de oito anos e não como um mini adulto (como vemos na maioria dos filmes). Ela confunde palavras (como quando diz em uma das cartas para Max que seu vizinho sofre de homofobia, quando na verdade é agorafobia, e quando Max lhe diz que os bebês judeus nascem de ovos colocados por rabinos e ela entende coelhos – rabbin e rabbit) assim como uma criança normal, aprendendo a viver neste mundo confuso.
 
Nesta nova onda de filmes em 3D como Avatar e Up!, Mary e Max consegue se destacar e mostrar que não é necessário gastar milhões em efeitos especiais de última geração para se fazer um bom filme. Só é necessário amor pela arte.
 
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Mary and Max (2009)
Direção: Adam Elliot
Roteiro: Adam Elliot
Elenco: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana

terça-feira, 20 de abril de 2010

A Caixa

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O que você faria se tivesse a oportunidade de ganhar US$1 milhão? Você aceitaria ser o responsável pela morte de outra pessoa? Um pessoa qualquer, que você não conhece? Este é o dilema que os personagens de A Caixa, de Richard Kelly, precisam resolver em 24h. Norma e Arthur Lewis (Cameron Diaz e James Marsden) são uma casal americano comum de classe média. Eles precisam de dinheiro para pagar uma cirurgia para Norma e eles acabam de perder uma bolsa que ganhavam da escola em que ela trabalha. Um dia, um misterioso homem aparece em sua porta com uma proposta: aperte um botão, ganhe US$1 milhão e alguém que vocês não conhecem morre. Simples assim.
 
O filme lembra muito o seriado Além da Imaginação (1959) ou até mesmo um livro de Stephen King, onde personagens comuns devem enfrentar mistérios e situações bizarras. A face do inimigo nunca nos é apresentada, causando ainda mais tensão nos espectadores que, assim como os personagens principais, não sabem o que está acontecendo.
 
O roteiro é baseado num conto chamado Button, Button (que por sua vez é, de fato, um episódio de Além da Imaginação), de Richard Matheson, autor dos livros Amor Além da Vida e Eu Sou a Lenda. Talvez devêssemos ficar apenas no livro e deixar o filme de lado, porque a única coisa realmente boa dele é a idéia central.
 
As atuações são tão medíocres que ouso comparar com um episódio de novela, onde todos os personagens falam com um inglês (e português, no caso das novelas) correto e superficial. Cameron Diaz é uma das piores atrizes de Hollywood e fica ainda pior quando se esforça de mais. Já o roteiro é corrido e deixa as coisas confusas, sem explicação. A impressão que passa é a de ler um livro chato, pulando as páginas.
 
A Caixa é um filme ruim com uma fonte boa. É mais um daqueles casos de sair da frente da TV e ler um livro.
 
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The Box (2009)
Direção: Richard Kelly
Roteiro: Richard Kelly, baseado no conto de Richard Matheson
Elenco: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella

domingo, 18 de abril de 2010

Igual a Tudo na Vida

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Jerry Falk é um perdedor. Seu agente tira dinheiro dele, seu psicólogo é o pior psicólogo de toda a cidade e sua namorada é louca. Até que um dia ele conhece David Dobel, um comediante insano que possui um jeito muito peculiar de ver a vida. Este é Igual a Tudo na Vida, de Woody Allen.
 
Allen é conhecido por suas comédias sarcásticas, ambientadas em Nova York, e este filme não é uma exceção. Jason Biggs (de American Pie) interpreta Falk, um jovem que precisa de uma mudança urgente em sua vida. O papel da namorada louca, Amanda, fica nas mãos de Christina Ricci, que é perfeita para o papel, por ter aquele jeito tresloucado de quem só se importa com si mesmo. Dobel não poderia ser interpretado por ninguém mesmo que o próprio Allen que, mesmo sempre tendo uma atuação igual em todos os filmes, se encaixa impecavelmente no papel de judeu lunático com mania de perseguição.
 
O filme é praticamente uma cópia de Noivo Neurótico, Noiva de Nervosa (1977), até mesmo em sua primeira fala. Em Noivo Neurótico, encontramos Alvy Singer contando uma piada que, segundo ele, define a vida: “There's an old joke - um... two elderly women are at a Catskill mountain resort, and one of 'em says, "Boy, the food at this place is really terrible." The other one says, "Yeah, I know; and such small portions." Well, that's essentially how I feel about life - full of loneliness, and misery, and suffering, and unhappiness, and it's all over much too quickly”.
 
Em Igual a Tudo na Vida, Dobel diz para Falk “You know, there's great wisdom in jokes, Falk. Really. There's an old joke about a prizefighter who's in the ring and he's getting his brains beat out. And his mother's in the audience. And she's watching him getting beaten up. And there's a priest next to her and she says, 'Father, Father, pray for him, pray for him'. The priest says, 'I'll pray for him, but if he, you know, could punch it'd help'. There's more insight in that joke, you know, into what I call the... The 'Giant So What' than most books of philosophy”.
 
E é isso que a vida é para Allen: Uma grande piada. Um gigante “E daí?”
 
Dobel age aqui como uma espécie de anjo da guarda para Falk, um ser que apenas existe para ajudar. Sócrates costumava dizer que seu trabalho era provocar as pessoas, para que estas saíssem do estado de letargia em que se encontravam, como uma mosca incomodando um cavalo. Dobel é esta mosca, acordando Falk para a vida e o fazendo enxergar as coisas por outro ângulo.
 
A vida é estranha e cheia de mistérios inexplicáveis, mas, como diria o taxista, “it's like anything else”.

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Anything Else (2003)
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Jason Biggs, Danny DeVito, Christina Ricci, Jimmy Fallon, Stockard Channing

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Nostalgia Critic: Esqueceram de Mim 3

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Como prometido, o segundo vídeo do Nostalgia Critic:
 
Esqueceram de Mim 3 foi lançado em 1997, sete anos depois do primeiro. Esqueceram de Mim conta a história de um garoto que é esquecido em casa pela família, que foi viajar. A cena mais famosa do filme é, com certeza, quando os ladrões resolvem invadir a casa e o garoto precisa se defender deles. Existem mais três continuações, sendo que só a segunda passou no cinema.
 
As duas últimas continuações foram tentativas frustradas de produtores sedentos de sangue para conseguir dinheiro. Mas, tirando a idéia de "criança sozinha se defende" (porque em nenhuma das continuações ele é "esquecido"), em nada se parece com os originais. O ator Macaulay Culkin foi substituído por... Uma criança. O diretor, Chris Columbus, se mandou antes que a coisa sobrasse para ele. Nem os ladrões são os mesmos!
 
Mas John Hughes continuou lá, firme e forte, provando que ele já era rico o suficiente e que não precisava mais fazer nada de qualidade. Ah, e a Scarlett Johansson está nesse filme.
 
Deixo vocês com a crítica do Doug (sem legendas): 

Home Alone 3 (1997)
Direção: Raja Gosnell
Roteiro: John Hughes
Elenco: Alex D. Linz, Olek Krupa, Rya Kihlstedt, Lenny von Dohlen, David Thornton, Scarlett Johansson

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Caso 39

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Emily Jenkins (Renée Zellweger) é uma assistente social que vive para seu trabalho. Um dia, ela é incumbida de cuidar do caso número 39, sobre uma garotinha de dez anos, Lillith (Jodelle Ferland), que poderia estar sendo abusada pelos pais. Emily se envolve demais com o caso e isso desencadeia acontecimentos catastróficos dos quais ela não terá nenhum controle.
 
Hollywood está tão cheia de filmes clichês que me pergunto como alguém pode permitir que este filme tenha sido feito. Com um final óbvio desde os primeiros minutos de filme, Caso 39 é mais uma daquelas histórias que em nada adicionam em nossas vidas e que teria passado batido por mim, se não tivesse Renée Zellweger no elenco.
 
Esta, por sinal, é a melhor coisa de todo o filme. Renée está excelente no papel de Emily, passando para os espectadores um medo genuíno. Talvez ela estivesse com medo de que alguém realmente a visse neste filme.
 
E o que dizer de Jodelle Ferland, no papel da pequena Lillith? Se você já assistiu Sillent Hill, a atuação da menina de 16 anos que parece ter 8 não será uma novidade. Não fazem mais atrizes mirins como Dakota Fanning e Jodie Foster.
 
O filme não é ruim e pode agradar fãs de O Chamado, O Grito ou o próprio Sillent Hill, mas não acrescenta nada de novo ao gênero. É apenas mais um filme no meio de tantos outros.
 
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Case 39 (2009)
Direção: Christian Alvart
Roteiro: Ray Wright
Elenco: Renée Zellweger, Jodelle Ferland, Ian McShane, Bradley Cooper

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Nostalgia Critic: Flubber

 
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Descobri hoje que o Nostalgia Critic também está fazendo um especial John Hughes. Na verdade são dois filmes: Flubber e Esqueceram de Mim 3. Como eu não planejava fazer destes filmes, vou colocar os vídeos aqui.
 
O primeiro é Flubber (1997), dirigido por Les Mayfield (que fez um filme excelente chamado The Making of 'Back to the Future'... ãhn...) e com Robin Williams no papel principal. Flubber é um remake de O Fantástico Super-Homem (1961).
 
Nos anos 90, John Hughes parou de dirigir filmes e passou a se dedicar completamente aos roteiros. Com o final de sua carreira como diretor veio uma leva de filmes ruins e continuações desnecessárias, na sua maioria voltados para um público mais jovem (e menos esperto).
 
É estranho pensar que o cara que escreveu clássicos da nossa infância e adolescência, como Clube dos Cinco e Esqueceram de Mim (o primeiro, pelo menos...) também escreveu Ninguém Segura Esse Bebê (e ninguém me faz engolir esse filme) e todas as mil continuações de Esqueceram de Mim e Beethoven.
 
Deixo vocês com a crítica de Doug, que infelizmente não tem legenda:
 
 
(assim que ele postar a próxima, coloco aqui)

Flubber (1997)
Direção: Les Mayfield
Roteiro: John Hughes e Bill Walsh, baseado em um conto de Samuel W. Taylor
Elenco: Robin Williams, Marcia Gay Harden, Christopher McDonald, Raymond J. Barry, Clancy Brown, Ted Levine, Wil Wheaton, Edie McClurg

domingo, 4 de abril de 2010

Educação

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Qual a melhor forma de aprender? Ser ensinado em uma sala de aula? Matemática, português, geografia. Ou na rua, vivendo? Jenny (Carey Mulligan) é uma filha exemplar, tira ótimas notas, toca violoncelo, é popular na escola, é culta e tem um namorado decente. O plano de seu pai é que ela vá para Oxford estudar inglês. A vida de Jenny não poderia ser mais perfeita.

Mas será que tudo isso importa? Qual a importância de ser a melhor em tudo, se você não vive? Não se diverte? Não faz nada grandioso? São essas as questões que surgem na mente de Jenny quando ela conhece David (Peter Sarsgaard), um homem mais velho e misterioso que promete à garota uma vida que ela sempre sonhou.

Educação é um retrato do tédio de nossa sociedade, que vive para seguir regras, obedecer, sem realmente viver. Jenny faz tudo que seu pai (Alfred Molina) manda e não sabe lidar de frente com seus verdadeiros problemas.

Molina está excelente no papel de pai controlador que só quer que sua filha tenha uma vida boa e que acaba cego pelos encantos de David, que controla o controlador. O personagem é muito bem construido, sem precisar "falar com palavras" o que sente ou o que pensa. Isso graças ao ótimo trabalho de Nick Hornby (autor dos livros Um Grande Garoto e Alta Fidelidade), em sua primeira vez como roteirista. O roteiro, baseado nas memórias de Lynn Barber é leve e tenso ao mesmo tempo e tem ótimos personagens com ótimos diálogos.

Como complemento, temos uma direção de arte (Ben Smith) estilosa, que recria com perfeição os anos 60 de uma Inglaterra nada cinza. A direção fica nas mãos da dinamarquesa Lone Scherfig, que cupre seu papel de "maestro" juntando todos os elementos e criando algo leve e sutil, mas que causa um certo mal estar (como uma coceira chata na garganta). Por fim, temos a atriz Carey Mulligan, que concorreu ao Oscar por sua interpretação de jovem esperta que se descobre uma mulher inocente.

Educação não tem muitas pretensões e agrada ao mesmo tempo em que nos ensina uma valiosa lição: temos que aprender a nos mexer com nossas próprias pernas - não importa como.
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An Education (2009)
Direção: Lone Scherfig
Roteiro: Nick Hornby, baseado nas memórias de Lynn Barber
Elenco: Carey Mulligan, Olivia Williams, Alfred Molina, Peter Sarsgaard, Dominic Cooper

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Destrito 9

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Tentei de todas as maneiras me manter longe de informações sobre este filme antes de vê-lo. O fator surpresa foi crucial para que eu conseguisse tirar algo de bom dele. Por isso não falarei nada sobre a história, só minhas impressões sobre o todo.

Distrito 9 é um filme ok, nada mais do que isso. Os efeitos especiais e a maquiagem são ótimos, a forma como narrativa é feita, a montagem e a direção de arte também. Mas seu roteiro é fraco e não leva a história a lugar nenhum.

Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) é um personagem chato e sem carísma, que não causa nenhum tipo de piedade. Todos os outros personagens são insignificantes e esquecíveis, com exceção de Christopher e seu filho, que são os únicos personagens realmente humanos de toda a história.

A violência é gratuíta, sem sentido e em nada adiciona à história. Sua narrativa, apesar de interessante, acaba sendo tediosa. Distrito 9 é bonito visualmente, mas não passa disso. Mais uma história sobre mais uma luta sem sentido entre raças.

Um filme original que infelizmente se torna vazio e sem significado.

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District 9 (2009)
Direção: Neill Blomkamp
Roteiro: Neill Blomkamp e Terri Tatchell
Elenco: Sharlto Copley, Vanessa Haywood
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