segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Terror em Amityville

Atenção: contém spoilers

É fato comprovado que a maioria das pessoas sente prazer ao sentir medo. Alfred Hitchcock diz que sentir medo é algo fundamental para o ser humano, pois sem ele muitas coisas (como andar de montanha russa ou escalar uma montanha) não teriam graça. O medo nos faz sentir vivos! Se um filme de terror tenta recriar coisas que realmente aconteceram, a sensação que o medo causa triplica, afinal... Poderia ter acontecido com você. Então um filme baseado em relatos reais sobre uma família atormentada por espíritos malignos, um jovem que assassina a família toda no meio da noite, um pai enlouquecido e padres assustados deveriam ser um prato cheios para os adoradores do terror... Certo? Errado! Porque não adianta nada pegar fatores assustadores, jogar eles em um roteiro e esquecer-se de ligar uns com os outros. Estou falando do filme estúpido clássico dos anos 70:

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Antes de mais nada, gostaria de dizer que sei que este filme é um clássico do horror e que possuí diversos adoradores. Não nego isso. Então vamos lá.

Em 13 de novembro de 1974, Ronald DeFeo Jr. assassinou toda sua família (pai, mãe, dois irmãos e duas irmãs) enquanto estes dormiam. Ao ser preso, ele alegou ter feito isso sob o comando de espíritos. O mais incrível sobre este caso é que ninguém escutou os tiros e que nenhuma das vítimas acordou. Um ano depois, a família Lutz se muda para a mesma casa onde ocorreram os assassinatos e lá viveram por apenas 28 dias, tendo fugido da casa sem levar nenhum de seus pertences.

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O livro Horror em Amityville (1977) narra os acontecimentos que ocorreram durante a estadia da família Lutz na casa 112 da Ocean Avenue. Terror em Amityville, o filme, estreou em 1979 e foi dirigido por Stuart Rosenberg, que também dirigiu My Heroes Have Always Been Cowboys (que eu nunca ouvi falar, mas é um ótimo nome para filme). No elenco estão Margot Kidder - que passa o filme todo seminua - como Kathy Lutz, e Josh James Brolin, como George Lutz.

clip_image003James: Josh! I am your father!!

Josh: That's obvious.

Não tenho nada contra Josh James Brolin, na verdade eu gosto bastante deles, mas prefiro George Lutz assim:

clip_image004Come to mamma!

O filme inicia com os assassinatos em 1974. Um bang bang shoot shoot depois e a família Lutz chega até a casa 112 da Ocean Avenue (apesar de nunca dizerem qual o endereço... mas tudo bem, eles nem dizem a cidade) e, enquanto olham os cômodos da casa, flashbacks bizarrissimos mostram os assassinatos. Porque isso acontece, não sei responder, já que entre a cena dos assassinatos e a cena dos Lutz não existe nada... Talvez eles quisessem ter certeza de que nós, espectadores, não iríamos nos perder na história e esquecer que aquela casa era a mesma do início. Apesar de ser bem óbvio, já que a casa está no pôster. E nenhum de nós é estúpido.

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A família decide se mudar para lá mesmo sabendo o histórico da casa, porque é barato e porque não teria filme se isso não acontecesse. Eu teria sido afugentada pelos flashbacks que apareciam do nada, mas isso sou eu... E eu sou estranha.

Um dia, acho que no seguinte, um padre aparece na casa e vai entrando sem ser convidado. Ele entra em um quarto e tenta abrir a janela para chamar a família, que está no pátio brincando. A janela não abre e ao invés de descer para chamá-los (como uma visita normal faria), ele resolve benzer a casa. A porta se fecha, o quarto se enche de moscas, o padre passa mal e uma voz sinistra diz para ele sair dali. E durante toda a cena, eu não conseguia parar de rir, porque me lembrei da cena do Todo Mundo em Pânico 2.

O padre foge dali, passa mal e fica doente o resto do filme. Enquanto isso, na Lutzland, James Brolin começa a pirar na batatinha. Fica dizendo que está frio na casa e fica violento sem motivo. Mas sua esposa está ocupada demais ficando seminua na frente dos filhos para se importar. Coisas sinistras acontecem - como quando a filha deles deixa uma babá presa no armário e alega que fez isso porque Jody, sua amiga imaginária, a mandou fazer. Devo lembrá-los que esta é a mesma casa onde um homem matou TODA A FAMÍLIA PORQUE UMA VOZ O MANDOU FAZER? Que gente com dificuldade de assimilação é essa?

De qualquer forma... Uma tia freira de Katie vem visitá-los, mas não consegue ficar nem um minuto dentro da casa e sai correndo de lá. E então acontece a MELHOR cena do filme. Uma cena incrível, assustadora. Cuidado, a cena a seguir não deve ser vista por pessoas cardíacas, crianças, grávidas ou crianças grávidas cardíacas:

Chocante! AAAAAAAAAAAAAAAAAHRRRRRRRRGEGEGAFDEAAAAAAA!!!!

Depois de um monte de coisas "assustadoras" (uma cruz virada, uma babá atormentada, uma freira que grita, um cachorro que late, uma montagem horrorosa de olhos de porco na janela, sofás que roubam dinheiro...) Katie finalmente se dá conta de que tem algo errado acontecendo e tenta entrar em contato com o padre, mas este está muito ocupado morrendo e ficando cego. Já James Brolin parece cada vez mais doente (e não cada vez mais gostoso, como no remake) e mal humorado.

Já que o único padre que existe no mundo não pode ajudá-la, Katie vai até a biblioteca local investigar sobre os assassinatos e encontra uma foto de Ronald DeFeo Jr. e descobre que ele e seu marido são a mesma pessoa!! TAN DAN D... Peraí... Hein? Eu li o livro e vi o remake... Em nenhum dos dois diz que Ronald e George são a mesma pessoa... O que acontece é que a medida que George vai enlouquecendo, ele vai ficando parecido com Ronald por causa da barba e do cabelo. Ok... Talvez eu esteja me precipitando. Quando ela chegar em casa eles vão conversar e ela vai descobrir que estava errada e então eles fugirão da casa. Certo... Estou mais calma agora.

Ela volta correndo para casa, onde James Brolin está perseguindo seus filhos com um machado (ok, pelo menos agora eu sei de onde o Stanley Kubrick tirou isso). Katie o ataca por trás, os dois lutam e ele quase a mata com o machado. Mas ai vê que é ela e a abraça. Os dois e as crianças correm para o carro, mas esquecem de pegar o cachorro. James Brolin volta para buscar o bicho, cai em uma gosma preta e fedida, volta para o carro e eles fogem. Fim.

Hã? Como assim? E o fato de Ronald e George serem a mesma pessoa? E o padre cego? E a perseguição com o machado? Tudo isso foi esquecido? Assim? Sem mais nem menos? "Oh! Meu marido é um assassino que milagrosamente conseguiu fugir da cadeia, se casar comigo, abrir uma empresa, ter amigos, criar os meus filhos bastardos, comprar uma casa, se esconder sem ser reconhecido, tudo em apenas um ano... Como estou orgulhosa!"

Isso NÃO FAZ SENTIDO!

A impressão que dá é que no fim eles não estão fugindo dos fantasmas e sim do roteiro!

Nada é explicado, nada assusta, nada faz sentido... NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA!!!!!!!!!!

A única coisa que me deu medo nesse filme foi que eu perdi 2h da minha vida que eu jamais recuperarei! Eu nem consegui narrar ele de forma coerente!

Antes de ir embora, deixo a minha mais sincera opinião sobre tudo isso:

clip_image006Prefiro ver Terror em Amishville

The Amityville Horror (1979)
Direção: Stuart Rosenberg
Roteiro: Sandor Stern, baseado no livro de Jay Anson
Elenco: James Brolin, Margot Kidder, Rod Steiger, Michael Sacks, Helen Shaver, Natasha Ryan, Val Avery, Amy Wright

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