quinta-feira, 16 de julho de 2009

Eu sou quem eu sou, e como quem eu quiser comer

Comer carne sempre foi um dos meus hobbies. Sim, eu era um ogro. Mas vejam bem, eu fui criada assim. Meu pai é o tipo de cara que, se precisasse, matava uma vaca a dentadas. Minha mãe cozinha praticamente tudo com carne. Se duvidar, até na salada ela coloca. Então nada mais natural que eu seguisse os passos sangrentos deles. E eu nunca entendi muito bem o conceito de "não comer carne"... Um dos meus primeiros contatos com algo do gênero foi vendo "Friends", onde a personagem Phoebe é vegana. Apesar do seriado ser ótimo e de Phoebe ser um dos melhores personagens de sitcom que existe, ainda assim vegetarianos eram mostrados como motivo de piada. E eu segui tendo a idéia errada e preconceituosa sobre o assunto.

Em março deste ano resolvi parar de comer carne. Isso causou uma revolução na minha casa! A cabeça da minha mãe começou a girar à 150km por hora e meu pai tentou se enforcar com uma corda feita de salame. Tudo porque eu, aparentemente, vou morrer por falta de proteína. Como se eu não comesse feijão, ovo, derivados de leite, grãos, coisas de soja...

E por que eu decidi parar de comer carne? Simples... Não quero mais. Chega de matar! Assisti a um documentário chamado "Earthlings", que mostra o que os humanos fazem com os animais. Não... Não sexualmente. O documentário (que pode ser encontrado no Google Videos com legenda) me deixou chocada. Sim, eu tinha plena noção de que para eu comer bife uma vaca tinha que morrer. Só não imaginava que a morte era tão horrorosa. Essa era a motivação que faltava.

Não vou ficar aqui descrevendo a morte da pobrezinha, nem ficar dizendo coisas como "Você tem noção de quantas galinhas..." (são necessárias para trocar uma lâmpada?) porque não é esse o meu objetivo. Sinceramente, odeio discursos vegetarianos. O-D-E-I-O. Não quero obrigar ninguém a ser como eu ou acreditar nas coisas que eu acredito. Li um texto uma vez, que um conhecido escreveu, e achei ele tão grosseiro que prometi para mim mesma que jamais faria isso. Agora... Se alguém vier perguntando o que exatamente eu vi para parar de comer carne... Ai é outra história!

Também não planejo colocar imagens de animais sofrendo aqui ou no meu álbum no Orkut, como vejo muita gente fazendo. Isso é outra coisa que eu sempre detestei em vegetarianos. Especialmente nos "novatos", como eu. "Ah! Eu não como carne e por isso acho que você é um estúpido por tratar os animais da mesma maneira que eu, há trés minutos, costumava tratar." Ou então fotos de animais fofinhos e na legenda "você comeria ele?", essas coisas. Não respeito pessoas que fazem isso, assim como não respeito pessoas que querem que eu "aceite Jesus no meu coração". Não acho que vegetarianismo seja um produto que eu tenho que vender. Adoraria viver em um mundo onde as pessoas não acham que devam matar outros animais para sobreviver... Só que as pessoas devem decidir isso por elas mesmas. Não porque o fulano mandou ou o fulano disse que é legal. Ser vegetariano não é ser "legal". É ter consciência de que matar é errado, e descobrir isso por si mesmo. Ser vegetariano é tentar ser alguém melhor. Porque não adianta nada não comer carne e ao mesmo tempo estuprar crianças. Ou ver Big Brother (haha, brincadeira).

Vi "Earthlings" porque quis. E depois que assisti, não obriguei ninguém a olhar. Duas amigas minhas se interessaram. Uma parou de comer carne. Outra não quis virar vegetariana. Fiquei braba com ela? Joguei mil fotos de animais destroçados? A chamei de "ignorante", "assassina" ou sei lá eu mais o que? Não... Porque não tenho motivos para isso. As pessoas são livres para fazer o que bem entendem.

Não sou o tipo de pessoa que se irrita quando alguém diz "Mas pode comer peixe?", porque acho a ignorância alheia engraçada. Eu fico braba se alguém diz que a carreira do Dustin Hoffman acabou depois de "Kramer vs Kramer", ah, isso eu fico. Mas não quando falam coisas sobre minha dieta alimentar. Outro dia eu estava na aula de produção audiovisual, e minha colega me perguntou o que eu comia. Respondi que comia de tudo, menos carne. E ai ela começou a falar sobre tipos de carne e como ela achava maravilhoso todos eles. É engraçado ouvir pessoas dizendo "Mas churrasco é tão bom!". Parece que elas querem tentar me convencer a voltar a comer carne. Garanto que se eu fizesse o mesmo, só que ao contrário, elas ficariam brabas.

A primeira coisa que eu penso quando elas fazem isso é "Sim, churrasco é bom. Não... É maravilhoso!", porque eu tenho orgasmos quando sinto cheiro de carne assada. Esse tem sido meu principal problema. Hoje, pensando sobre o assunto, me dei conta de uma coisa. Não é do gosto que eu sinto falta... É do cheiro! Eu ainda não achei uma comida que tenha um cheiro tão bom assim. Tornarei isso minha missão ("What... is your quest?" "To seek the Holy Grail.").

Tirando isso, minha vida como vegetariana novata está indo muito bem, obrigada. Descobri um novo hobby (para substituir o sangrento anterior): inventar novas receitas, testar novos sabores e engordar meu namorado (para abater no Natal *risada maligna*). Também é divertido ir ao supermercado procurar comidas que não tenham carne e que sejam gostosas. Vocês sabiam que tem kibe de soja? E vocês sabiam que eu não vou morrer ou desmaiar de fome só porque decidi que não quero mais matar animais?

O que quero dizer com tudo isso é: Mudar meu hábito alimentar não muda o que sou. Posso sim me tornar alguém melhor, mas vou ser sempre a Paloma, que gosta de cinema, que consegue ver quarenta filmes um atrás do outro, que faz jornalismo, que gosta de escrever, que acorda tarde, que joga Super Mario World, que gosta de namorar, que lê e que cria histórias e mundos novos. A diferença é que agora eu não como carne.

Para você, isso não muda nada. Mas para os outros animais é um grande passo.

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