quinta-feira, 30 de julho de 2009

A Lista, Você Está Livre Hoje?

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O contador Jonathan Messer (Ewan McGregor) não tem uma vida social. Não tem namorada, não tem família, não tem amigos. Mas tudo está prestes a mudar. Uma noite, ele está trabalhando até tarde na firma de advocacia em que faz auditoria quando conhece um jovem e carismático advogado, Wyatt Bose (Hugh Jackman), que o convida para um jogo de tênis. Um dia, acidentalmente, Jonathan fica com o celular de Wyatt. Ao atender o celular, Jonathan ouve uma voz sedutora do outro lado, combinando um encontro em um hotel. De repente, ele se vê em meio a uma rede de sexo anônimo, onde lindas garotas estão apenas a um telefonema de distância.

Wyatt encoraja Jonathan a entrar nesse mundo. Jonathan hesita, mas acaba aceitando e encontrando "S", uma garota com quem cria uma forte ligação. No início, Jonathan pensa que tudo está finalmente dando certo, mas ele logo descobre que os motivos de Wyatt são muito mais sinistros do que parecem. Agora, quanto mais Jonathan tenta se desligar dessa recém-descoberta rede de intrigas e chantagens, mais ele se envolve.

A Lista é um filme que teria tudo para dar certo. Boa história, suspense, um ótimo elenco. Mas seus erros começaram antes mesmo do filme ir para as salas de cinema. Para começar, o filme estava previsto para abril deste ano e o trailer só foi divulgado em março. Tudo porque os produtores (o ator Hugh Jackman e seu sócio John Palermo) queriam criar um clima de suspense quanto à história. Até teria dado certo se o trailer não trouxesse basicamente todo filme. O outro erro foi que, depois de toda a expectativa (afinal não é sempre que temos dois astros do calibre de Ewan McGregor e Hugh Jackman juntos), o diretor não se preocupou em dar um desfecho menos clichê para a trama.

O filme faturou apenas US$ 2,23 milhões nos Estados Unidos. Se você acha que isso é bastante dinheiro, considere o fato de que o Batman – O Cavaleiro Das Trevas arrecadou US$ 26 milhões no seu primeiro final de semana em cartaz, e o filme Mamma Mia! arrecadou mais de US$ 570 milhões, no ano passado. Por causa disso, A Lista foi atrasado nos outros países e aqui no Brasil até uma promoção para escolher o título em português foi feita na tentativa de divulgar melhor.

O filme não é ruim. Tem sim falhas de roteiro (como tal personagem poderia ter feito isso, se ele fez tal coisa?), uma história bem clichê, um final óbvio, etc. Enfim, inúmeros erros que poderiam ter sido evitados. Isso não significa que não seja uma boa diversão. Como eu disse no início do texto, ele tem uma boa história (só porque não é original, não significa que seja ruim), suspense e ótimos atores. Isso foi o suficiente para prender minha atenção por duas horas. Então, se você vai ver o filme, deixe em casa o seu lado crítico de cinema e aproveite. O filme serve para divertir, e nada mais.

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Deception (2008)
Direção: Marcel Langenegger
Roteiro: Mark Bomback
Elenco: Ewan McGregor, Hugh Jackman, Michelle Williams

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Eu sou quem eu sou, e como quem eu quiser comer

Comer carne sempre foi um dos meus hobbies. Sim, eu era um ogro. Mas vejam bem, eu fui criada assim. Meu pai é o tipo de cara que, se precisasse, matava uma vaca a dentadas. Minha mãe cozinha praticamente tudo com carne. Se duvidar, até na salada ela coloca. Então nada mais natural que eu seguisse os passos sangrentos deles. E eu nunca entendi muito bem o conceito de "não comer carne"... Um dos meus primeiros contatos com algo do gênero foi vendo "Friends", onde a personagem Phoebe é vegana. Apesar do seriado ser ótimo e de Phoebe ser um dos melhores personagens de sitcom que existe, ainda assim vegetarianos eram mostrados como motivo de piada. E eu segui tendo a idéia errada e preconceituosa sobre o assunto.

Em março deste ano resolvi parar de comer carne. Isso causou uma revolução na minha casa! A cabeça da minha mãe começou a girar à 150km por hora e meu pai tentou se enforcar com uma corda feita de salame. Tudo porque eu, aparentemente, vou morrer por falta de proteína. Como se eu não comesse feijão, ovo, derivados de leite, grãos, coisas de soja...

E por que eu decidi parar de comer carne? Simples... Não quero mais. Chega de matar! Assisti a um documentário chamado "Earthlings", que mostra o que os humanos fazem com os animais. Não... Não sexualmente. O documentário (que pode ser encontrado no Google Videos com legenda) me deixou chocada. Sim, eu tinha plena noção de que para eu comer bife uma vaca tinha que morrer. Só não imaginava que a morte era tão horrorosa. Essa era a motivação que faltava.

Não vou ficar aqui descrevendo a morte da pobrezinha, nem ficar dizendo coisas como "Você tem noção de quantas galinhas..." (são necessárias para trocar uma lâmpada?) porque não é esse o meu objetivo. Sinceramente, odeio discursos vegetarianos. O-D-E-I-O. Não quero obrigar ninguém a ser como eu ou acreditar nas coisas que eu acredito. Li um texto uma vez, que um conhecido escreveu, e achei ele tão grosseiro que prometi para mim mesma que jamais faria isso. Agora... Se alguém vier perguntando o que exatamente eu vi para parar de comer carne... Ai é outra história!

Também não planejo colocar imagens de animais sofrendo aqui ou no meu álbum no Orkut, como vejo muita gente fazendo. Isso é outra coisa que eu sempre detestei em vegetarianos. Especialmente nos "novatos", como eu. "Ah! Eu não como carne e por isso acho que você é um estúpido por tratar os animais da mesma maneira que eu, há trés minutos, costumava tratar." Ou então fotos de animais fofinhos e na legenda "você comeria ele?", essas coisas. Não respeito pessoas que fazem isso, assim como não respeito pessoas que querem que eu "aceite Jesus no meu coração". Não acho que vegetarianismo seja um produto que eu tenho que vender. Adoraria viver em um mundo onde as pessoas não acham que devam matar outros animais para sobreviver... Só que as pessoas devem decidir isso por elas mesmas. Não porque o fulano mandou ou o fulano disse que é legal. Ser vegetariano não é ser "legal". É ter consciência de que matar é errado, e descobrir isso por si mesmo. Ser vegetariano é tentar ser alguém melhor. Porque não adianta nada não comer carne e ao mesmo tempo estuprar crianças. Ou ver Big Brother (haha, brincadeira).

Vi "Earthlings" porque quis. E depois que assisti, não obriguei ninguém a olhar. Duas amigas minhas se interessaram. Uma parou de comer carne. Outra não quis virar vegetariana. Fiquei braba com ela? Joguei mil fotos de animais destroçados? A chamei de "ignorante", "assassina" ou sei lá eu mais o que? Não... Porque não tenho motivos para isso. As pessoas são livres para fazer o que bem entendem.

Não sou o tipo de pessoa que se irrita quando alguém diz "Mas pode comer peixe?", porque acho a ignorância alheia engraçada. Eu fico braba se alguém diz que a carreira do Dustin Hoffman acabou depois de "Kramer vs Kramer", ah, isso eu fico. Mas não quando falam coisas sobre minha dieta alimentar. Outro dia eu estava na aula de produção audiovisual, e minha colega me perguntou o que eu comia. Respondi que comia de tudo, menos carne. E ai ela começou a falar sobre tipos de carne e como ela achava maravilhoso todos eles. É engraçado ouvir pessoas dizendo "Mas churrasco é tão bom!". Parece que elas querem tentar me convencer a voltar a comer carne. Garanto que se eu fizesse o mesmo, só que ao contrário, elas ficariam brabas.

A primeira coisa que eu penso quando elas fazem isso é "Sim, churrasco é bom. Não... É maravilhoso!", porque eu tenho orgasmos quando sinto cheiro de carne assada. Esse tem sido meu principal problema. Hoje, pensando sobre o assunto, me dei conta de uma coisa. Não é do gosto que eu sinto falta... É do cheiro! Eu ainda não achei uma comida que tenha um cheiro tão bom assim. Tornarei isso minha missão ("What... is your quest?" "To seek the Holy Grail.").

Tirando isso, minha vida como vegetariana novata está indo muito bem, obrigada. Descobri um novo hobby (para substituir o sangrento anterior): inventar novas receitas, testar novos sabores e engordar meu namorado (para abater no Natal *risada maligna*). Também é divertido ir ao supermercado procurar comidas que não tenham carne e que sejam gostosas. Vocês sabiam que tem kibe de soja? E vocês sabiam que eu não vou morrer ou desmaiar de fome só porque decidi que não quero mais matar animais?

O que quero dizer com tudo isso é: Mudar meu hábito alimentar não muda o que sou. Posso sim me tornar alguém melhor, mas vou ser sempre a Paloma, que gosta de cinema, que consegue ver quarenta filmes um atrás do outro, que faz jornalismo, que gosta de escrever, que acorda tarde, que joga Super Mario World, que gosta de namorar, que lê e que cria histórias e mundos novos. A diferença é que agora eu não como carne.

Para você, isso não muda nada. Mas para os outros animais é um grande passo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

17 Outra Vez

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Não é de hoje que histórias sobre mudança de corpos e rejuvenescimento (ou envelhecimento) para solucionar problemas pessoais aparecem nas telas de cinema. Quem tem mais de 20 anos (ou gosta bastante do gênero) conhece filmes como Se Eu Fosse Minha Mãe (1976 e 1995), Tal Pai, Tal Filho (1987), A Máquina Do Crescimento (1988), Quero Ser Grande (1988), entre outros. Sem falar em todos os filmes novos sobre o assunto, como o segundo remake de Se Eu Fosse Minha Mãe, Sexta-Feira Muito Louca (2003), o brasileiro Se Eu Fosse Você e sua continuação (2006 e 2009), Garota Veneno (2002) e o ótimo De Repente 30 (2004).

Então por que fazer mais um filme sobre o mesmo assunto? Promover Zac Efron, é claro. Zac ficou famoso com a série de filmes musicais da Disney High School Musical e também atuou no remake de Hairspray. 17 Outra Vez foi feito com um único propósito: atrair garotinhas de 12 anos para o cinema, para que estas gritem e esperneiem, enquanto gastam toda a mesada. E consegue. Em seu primeiro final de semana em cartaz nos EUA, o filme arrecadou 24 milhões de dólares, ficando em primeiro lugar nas bilheterias americanas.

Apesar de ser um grande caça níqueis, o filme não deixa de agradar. É claro que peca na falta de originalidade. Um filme que usa um argumento tão clichê deveria ao menos ter um roteiro não tão óbvio. Mas este é o único defeito. As atuações estão ótimas e Zac Efron consegue se destacar por outra coisa além de seu rostinho bonito, interpretando com muita destreza o jovem Matthew Perry (o Chandler, de Friends). O astro da Disney mostra que sabe atuar de verdade. Sem falar em Thomas Lennon, que interpreta um nerd daqueles que falam élfico e que colecionam action figures. Apesar de estar bem exagerado, o personagem é carismático e divertido, se destacando dos demais.

Em 1989, Mike é o astro do colégio. Ele tem o mundo nas mãos... Até sua namorada Scarlett engravidar. Dezoito anos depois, Mike é um perdedor. Sua esposa pediu o divórcio, seus filhos não querem saber dele e ele trabalha em um emprego sem futuro. Em crise, ele volta para a sua antiga escola onde conhece um misterioso faxineiro que lhe dá uma segunda chance. Assim Matthew vira Zac. A principio, Mike acha que está tendo uma segunda chance de ser importante na escola e de vencer na vida acadêmica, mas na verdade esta chance nada mais é do que uma maneira de uni-lo aos seus filhos e como consequência à sua esposa. Como adolescente ele fica mais próximo de sua família e os enxerga de uma maneira completamente nova. Assim Mike redescobre a si mesmo e o valor que aqueles que o amam possuem.

Um filme engraçado e bonito, que mostra como existem coisas mais importantes na vida do que ser popular. Talvez aquelas menininhas de 12 anos aprendam alguma coisa. Talvez não. Mas eu sei que eu aprendi.

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17 Again (2009)
Direção: Burr Steers
Roteiro: Jason Filardi
Elenco: Zac Efron, Matthew Perry, Leslie Mann, Thomas Lennon, Sterling Knight, Michelle Trachtenberg

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Minhas Adoráveis Ex-Namoradas

Minhas Adoráveis Ex-Namoradas

Filmes de comédia romântica com Matthew McConaughey não são exatamente o meu tipo de filme. Gosto de filmes mais descontraídos, mas sempre achei que os dele um tanto quanto sem conteúdo e bastante sem graça, salvo algumas exceções (Como Perder um Homem em Dez Dias). Por tanto, quando estreou Minhas Adoráveis Ex-Namoradas não senti muita vontade de ver. O que me levou ao cinema foi o diretor, que já fez filmes como Meninas Malvadas e Sexta-feira Muito Louca. A única coisa que eu sabia sobre o filme era que tinha o Matthew "sem camisa" McConaughey e a Jennifer Garner, que tinha um título em português péssimo e que a capa era exatamente igual a todas as capas de todos os últimos filmes que McConaughey já fez.

clip_image001Porque Matthew McConaughey não consegue ficar em pé e usar roupa ao mesmo tempo

Fui ao cinema com expectativa zero e acabei me surpreendendo bastante! Não é a melhor comédia romântica dos últimos tempos, mas tem uma temática bastante original e momentos muito divertidos. O romance chega a ficar em segundo plano, o que importa aqui é a descoberta sobre quem somos e como podemos melhorar. É a noção de que temos defeitos e que precisamos nos mexer, evoluir.

Connor Mead (Matthew McConaughey) é um cara idiota, cafajeste e rico, que transa com todas as mulheres do mundo e acha que o amor é "uma comida mágica e reconfortante para fracos idiotas". Confesso que não aguento mais assistir a este tipo de filme e só continuei na sala de cinema porque tinha pago ingresso. Connor vai passar o final de semana na casa de seu falecido tio Wayne (Michael Douglas), porque o irmão Paul (Breckin Meyer) vai se casar lá. Por ser contra casamentos, ele tenta convencer seu irmão a não se casar e acaba destruindo o relacionamento de Paul. Então, no auge da bebedeira, Connor encontra o fantasma do tio que lhe diz para não desperdiçar sua vida como ele fez. Wayne avisa Connor que ele irá receber a visita de três fantasmas, que irão mostrar a ele o quão idiota ele está sendo.

Como já deu para perceber, Minhas Adoráveis Ex-Namoradas é uma adaptação do livro de Charles Dickens, Um Conto de Natal. Não é exatamente uma ideia nova, existem várias adaptações, paródias e episódios de seriados que narram a história de Dickens, mas gostei da ideia de fazer isso com relacionamentos. Todos nós possuímos fantasmas do passado, que volta e meia retornam para nos assombrar.

A atuação de Matthew McConaughey está muito mais madura e não apenas baseada em sua aparência. O filme pode ser completamente previsível, mas diverte e sabe tratar muito bem o material original.

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Ghosts of Girlfriends Past (2009)
Direção: Mark Waters
Roteiro: Jon Lucas e Scott Moore, baseado no livro de Charles Dickens
Elenco: Matthew McConaughey, Jennifer Garner, Michael Douglas, Emma Stone, Breckin Meyer

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