sábado, 4 de abril de 2009

Dúvida

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Em 1964, uma freira acusa o novo padre de abusar sexualmente do único aluno negro da escola onde ambos trabalham. Fiquei muito surpresa com a qualidade do filme. A história é simples ao mesmo tempo em que o roteiro se mantém enigmático do início ao fim. É raro um diálogo onde as personagens falam exatamente o que elas querem dizer. Fica tudo subentendido, e nós, expectadores, ficamos presos em uma rede de conversas densas e amarguradas, enquanto as personagens tentam de todas as maneiras sair da prisão de palavras que elas mesmas criaram.

Os takes são excelentes e o diretor de arte (Peter Rogness, de Across the Universe) deixou tudo com um aspecto bastante real. Também não posso deixar de citar as atuações! Amy Adams é uma das melhores atrizes novatas que eu conheço. Ela já tinha se destacado em Encantada e agora mostra que também sabe interpretar papéis mais maduros.

Já Philip Seymour Hoffman está melhor do que nunca. Ele não é um grande ator e parece estar sempre interpretando ele mesmo, mas neste filme (assim como fez em Capote) mostra que, com uma boa direção, pode se tornar um grande ator. Mas o grande destaque do filme é Meryl Streep. Isso não é nenhuma novidade, já que estamos falando de uma das melhores atrizes de cinema de todos os tempos (se não a melhor). Meryl encarna o papel da madre Aloysius Beauvier, que parece perdida em um mundo moderno com o qual não está acostumada.

Este filme sim é uma obra de arte. Segundo Aristóteles, arte é aquilo que causa catarse. Ou seja, tem que nos libertar de nossos pensamentos e emoções, purificar nossa alma, nos envolver. E é isso que Dúvida faz.

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Doubt (2008)
Direção: John Patrick Shanley
Roteiro: John Patrick Shanley, baseado na peça dele mesmo
Elenco: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Viola Davis

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