sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Meryl Madness

Quando assisti Mamma Mia! pela primeira vez uma paixão adormecida que tenho por Meryl Streep despertou . Diria que não é só uma paixão... Mas sim uma obsessão sem limites que beira à loucura. Ao procurar palavras para descrever o porquê de todo este fanatismo, entrei em pânico. Tenho uma grande dificuldade em me explicar e a única coisa que saiu foi “Eu sinto uma coisa”. Depois de gritar enlouquecida dentro do quarto, bater com a cabeça na parede e ir correndo para a cozinha cantando Dancing Queen, resolvi me sentar e ver televisão. E o que estava passando? O Rio Selvagem (1994), com Kevin Bacon e... Meryl Streep! Depois que o filme acabou, me sentei novamente na frente do computador e, mais calma, deixei as palavras saírem da minha mente e eis o resultado.

Amar Meryl é... Gostar das coisas boas que ela faz pelo mundo, ajudando pessoas carentes e instituições. Gostar do rosto meigo dela e a forma como ela sempre parece pronta para animar todo mundo. Gostar daquela voz de anjo, que faz com que eu vá ao céu sempre que ela canta. Ou notar que ela não é só uma boa atriz, mas também um bom ser humano. Perceber que, não importa quantos Oscar ela ganhe, ela sempre vai ser essa pessoa gentil. Porque afinal, ela é uma das pessoas mais lindas do mundo, por dentro e por fora. Meryl Streep não é só mais uma atriz... Ela é uma mulher engraçada (do tipo que não precisa fazer mil caretas para agradar), inteligente, gentil, bondosa e bela.

Meryl Madness: loucura momentânea causada pela atuação da atriz Meryl Streep. Pode causar devaneios, ataques histéricos, febre, gritos e falta de ar. O portador da Meryl Madness torna-se dependente dos filmes da atriz e, quando exposto a mais de um, pode tornar-se perigoso. Os principais sintomas são: cantar músicas do Abba em público, falar a palavra “Meryl” em todas as conversas, assistir aos filmes da atriz incessantemente, usar camiseta do filme Terapia do Amor (2005) e assistir Mamma Mia! 13 vezes no cinema. Acredita que Meryl Streep possui poderes mágicos e que ela criou o universo.

Minha Meryl Madness (madness = loucura) começou quando assisti A Casa dos Espíritos (1993) pela primeira vez, à quase quinze anos atrás, mas só foi diagnosticada hoje. Meu amor por ela foi crescendo à medida que minha cultura cinematográfica também aumentava. Depois assisti Música do Coração (1999) quando estreou na TV a cabo e fiquei fascinada quando descobri que ela havia aprendido a tocar violino especialmente para o filme.

Em 2006 fui ao cinema olhar O Diabo Veste Prada e sai do cinema gritando que queria que a Meryl me batesse. Até hoje tento descobri o porquê de ter gritado isso, mas não vem ao caso agora. E então veio Mamma Mia! e tudo explodiu. Para comemorar minha obsessão decidi fazer um Mês da Meryl Madness, onde eu assistiria pelo menos um filme dela por dia. O mês escolhido foi outubro de 2008 e completei minha missão!

Quem é Meryl Streep?

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Mary Louise Streep - conhecida como Meryl Streep - nasceu em 22 de junho de 1949, em Summit, New Jersey. Filha de Harry e Mary Streep, Meryl não era uma criança popular na escola. Ela contou em uma entrevista que, quando pequena, seus colegas de aula costumavam bater nela até sangrar. Meryl também disse que ela parecia um "mini adulto" e que isso não era nem um pouco "bonitinho”. "Quando eu tinha sete, eu parecia ter quarenta anos. E eu agia assim também. As crianças achavam que eu era uma das professoras", disse Meryl.

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Desde pequena ela recebeu incentivo dos pais, que ensinavam artes e literatura para ela e seus irmãos mais novos, Harry III e Dana. Sua primeira experiência no palco foi aos 12 anos, quando cantou O Holy Night em francês na escola. Ela se saiu tão bem que seus pais lhe pagaram aulas de canto com uma renomada professora chamada Estelle Liebling. Meryl teve aula por anos. Eventualmente ela parou porque, como ela mesma disse, "estava mais interessada em garotos e em se tornar líder de torcida".

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Aos 14 anos, cansada de ser motivo de piadas entre os colegas, ela resolveu mudar o visual. Recusou-se a usar aparelho nos dentes, começou a usar lentes e pintou o cabelo de loiro. De bichinho da goiaba à rainha do baile. Meryl começou a atuar no segundo grau, em adaptações de peças como Li'l Abner e Oklahoma. Ela fez faculdade em Vassar, uma universidade particular de Nova York. Quando se formou em 1972, ganhou uma bolsa para estudar teatro em Yale. Em 1975, se mudou para a cidade de Nova York , onde conseguiu seu primeiro papel em uma peça chamada Trelawney of the Wells.

Seu primeiro filme foi Julia, com Jane Fonda e Vanessa Redgrave. A maioria de suas cenas foram cortadas na edição final e Meryl diz que odiou a experiência. "Quando me vi pela primeira vez na tela, fiquei horrorizada. Eu estava com uma peruca feia e eles pegaram palavras de uma cena que eu gravei com a Jane e colocaram elas na minha boca em outra cena. Eu pensei 'Eu fiz uma péssima escolha, filmes nunca mais. Eu odeio esse trabalho'". Mesmo assim ela continuou atuando no cinema. Seu segundo papel foi em O Franco Atirador, ao lado de Robert De Niro. Assim ela começou a ganhar destaque em Hollywood. Mas esta foi uma época muito ruim para ela. Seu noivo, John Cazale, faleceu de câncer nos ossos em 1978. Por causa disso, Meryl iniciou uma maratona de trabalho.

No ano seguinte ela recebeu sua primeira indicação ao Oscar, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme O Franco Atirador. Neste mesmo ano ela conheceu Donald Gummer, um amigo de seu irmão Harry. Os dois se casaram e tiveram quatro filhos: Henry (1979); Mary Willa, conhecida como Mammie (1983); Grace Jane (1986) e Louisa Jacobson (1991).

ActressMeryl_Cohen_14953707Meryl e Don

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Meryl já recebeu quatorze indicações ao Oscar, tendo ganhado dois. Hoje em dia ela está envolvida em várias obras de caridade e ajuda várias instituições, como o Center for Health and the Global Enviroment e Elton John Aids Foundation. O seu novo filme, Doubt, está ganhando destaque em mostras internacionais e já estão dizendo que Meryl pode ser indicada mais uma vez ao Oscar. Ano que vem estreia Julie & Julia, que conta a história de Julia Child, uma famosa cozinheira, autora de livros de culinária e apresentadora de televisão que morreu em 2004.

A Meryl Madness

01) Mamma Mia! (2008)

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Sophie vai se casar e quer que seu pai a leve para o altar. Acontece que ela não sabe quem ele é e tem três possíveis candidatos para isso. Ela convida os três para a cerimônia, enquanto todo mundo canta Abba.

Quando vi pela primeira vez o trailer fiquei chocada. Não sabia bem o que pensar. Para começar, era tudo muito azul. Não que seja ruim... Mas o azul deixava o filme com cara de "brilhoso". Depois tinha um bando de gente cantando Abba... E o Colin Firth... E o Pierce Brosnan... E então, do nada, surge a Meryl Streep cantando Mamma Mia e eu tive um ataque. Provavelmente assisti o trailer "trocentas" vezes, de tão fascinada que eu estava. Depois assisti algumas entrevistas e comecei a ficar com medo. Não queria ver a Meryl fazendo papel de boba... E então eu assisti ao filme treze vezes no cinema... Só para garantir...

A Meryl passa tanta emoção quando canta! Sempre que vejo ela cantando The Winner Takes It All me seguro para não chorar. E o filme me fez descobrir que eu adoro ABBA. Eu sabia que gostava, mas não sabia o quanto. Também descobri que eu conheço mais músicas deles do que eu me lembrava. Os líderes do grupo, Björn Ulvaeus e Benny Andersson, fizeram novas versões das músicas e, segundo eles, o resultado ficou melhor do que as originais. Mamma Mia é uma adaptação de uma peça de teatro de 2001, e obteve £66,995,224 de bilheteria na Inglaterra, ficando assim com o número um na lista dos filmes que mais faturaram no país. Ele derrotou Harry Potter e a Pedra Filosofal, que ficou em segundo lugar.

Personagem Merystico: Donna Sheridan

Direção: Phyllida Lloyd

Elenco: Meryl Streep, Amanda Seyfried, Stellan Skarsgård, Pierce Brosnan, Colin Firth, Julie Walters, Christine Baranski.

02) Leões e cordeiros (2007)

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Três histórias paralelas sobre a guerra. Primeiro temos dois estudantes que, inspirados pelo professor, se alistam no Exército e entram na linha de fogo do Afeganistão. Depois temos o mesmo professor, discutindo com um aluno que falta de mais e narrando a história dos dois soldados. Por fim, um Senador está prestes a contar a uma jornalista uma notícia bombástica, que decidirá o destino dos dois homens.

Achei o filme bom, mas não é para qualquer público. Ele é americano de mais, patriótico de mais. De qualquer forma, é um bom filme sobre alienação humana e como estamos todos conformados com nossas vidas, fechando os olhos para o que está acontecendo no mundo.

Personagem Merystico: Janine Roth

Direção: Robert Redford

Elenco: Meryl Streep, Robert Redford, Tom Cruise.

03) O Suspeito (2007)

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Uma americana grávida descobre que seu marido, um indiano que mora há muitos anos nos EUA, desapareceu durante um voo. Ela parte em busca de ajuda, mas ninguém parece saber onde ele está. Ele foi preso injustamente como terrorista e está sendo torturado. De acordo com a lei Extreme Rendition, um suspeito de terrorismo pode ser levado para seu país de origem e lá ser interrogado por autoridades norte-americanas. Acompanhamos também a história da filha de um político que se envolve com um homem-bomba.

Mais um sobre guerra. Mas achei esse bem melhor do que o outro. Dá muita raiva ver o que eles fazem com o personagem, sabendo que ele não fez nada. E, aparentemente, quando a CIA quer apagar alguém do mapa, é para a Meryl que eles pedem autorização. Não me surpreendo.

Personagem Merystico: Corrine Whitman

Direção: Gavin Hood

Elenco: Meryl Streep, Omar Metwally, Reese Witherspoon, Jake Gyllenhaal.

04) Ao Entardecer (2007)

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Uma senhora, prestes a morrer, conta para suas filhas histórias de sua juventude. Sua filha mais nova tenta entender o que está sendo narrado, ao mesmo tempo em que tem que lidar com seu relacionamento e uma nova situação que surge.

A Meryl quase não aparece. Mas podemos ver sua filha, Mammie Gummer, interpretando a própria mãe quando nova. Ela é boa atriz, mas não chega aos pés da sua progenitora. O filme é bem simples, singelo... não diria que mudou minha vida. É um daqueles para se assistir em um sábado chuvoso. Destaque para Toni Collette, sempre ótima.

Personagem Merystico: Lila Ross

Direção: Lajos Koltai

Elenco: Meryl Streep, Claire Danes, Toni Collette, Vanessa Redgrave, Patrick Wilson, Mamie Gummer, Glenn Close.

05) O Diabo Veste Prada (2006)

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Uma jornalista recém formada consegue um emprego na popular revista de moda Runway. Ela é a nova assistente de Miranda Priestly, uma poderosa editora que transforma a vida da jornalista num pesadelo.

Amo este filme e a Meryl está excelente. Só ela consegue ser perversa e delicada ao mesmo tempo. Eu li o livro no qual é baseado, mas achei o filme muito melhor. A Meryl dá um toque todo especial à personagem. Tanto que a cena em que mostra Miranda como uma "simples mortal" (que não tem no livro) foi ideia dela. O filme é divertido e está entre os melhores com a atriz.

Personagem Merystico: Miranda Priestly

Direção: David Frankel

Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci.

06) A Última Noite (2006)

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O teatro onde o último programa de rádio com auditório é apresentado irá fechar. A equipe do programa se despede daquilo que foi suas vidas por anos e anos. Enquanto isso, um ser místico (ou seria só uma mulher estranha?) passeia pelos bastidores.

Este filme é excelente. Engraçado, divertido e ao mesmo tempo triste. As atuações são tão naturais que parece que conhecemos os personagens há muito tempo. Sem falar que os atores parecem estar à vontade em cena, como se tudo fosse uma grande brincadeira.

Personagem Merystico: Yolanda Johnson

Direção: Robert Altman

Elenco: Meryl Streep, Woody Harrelson, Tommy Lee Jones, Kevin Kline, Lindsay Lohan, Virginia Madsen, John C. Reilly, Lily Tomlin.

07) Terapia do Amor (2005)

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Terapeuta descobre que seu filho está namorando uma mulher bem mais velha, que também é sua paciente.

Serei sincera. Não gosto deste filme. Ele seria ótimo se não perdesse o foco da metade para o fim. As melhores cenas são as em que a personagem de Uma Thurman narra sua vida sexual para a terapeuta, sem saber que está conversando com a sogra. A participação de Meryl está impagável e consegue sustentar todo o filme.

Personagem Merystico: Lisa Metzger

Direção: Ben Younger

Elenco: Meryl Streep, Uma Thurman, Bryan Greenberg.

08) Sob o Domínio do Mal (2004)

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Major Ben Marco está procurando respostas para seus constantes pesadelos, que acontecem desde que voltou da Guerra do Golfo. Na Guerra, sua Companhia inteira foi salva de uma emboscada pelo sargento Raymond Shaw que usa isto para conseguir o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos. Mas Marco sabe que algo está errado.

A Meryl está assustadora neste filme. Ela é a mãe de Raymond e é quem está por trás da campanha dele. Esse filme é um remake de um filme de 1962, com Frank Sinatra no papel de Ben Marco. Me dói dizer isso, mas eu gostei mais do novo. Os dois são filmes bem diferentes, então vale a pena conferir ambos.

Personagem Merystico: Eleanor Shaw

Direção: Jonathan Demme

Elenco: Meryl Streep, Denzel Washington, Liev Schreiber, Jeffrey Wright, Jon Voight.

09) Desventuras em Série (2004)

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Quando os pais das crianças Baudelaire morrem, eles vão morar com um parente distante, o Conde Olaf, que quer matá-los para ficar com a herança.

Esse filme poderia ser bem melhor. Além do Conde Olaf, as crianças vão morar com dois tios que eles também não conheciam. O primeiro é o tio Monty, que estuda cobras. A segunda é tia Josephine, uma mulher que ficou com medo de morrer depois que seu marido faleceu. Acho que cada um deles merecia seu próprio filme. Desventuras deveria ser uma trilogia, a primeira parte mostrando as crianças com Olaf, a segunda com tio Monty e a terceira com a tia Josephine. Claro que o Olaf apareceria nos três filmes, perseguindo os três. Isso desenvolveria os personagens melhor, já que parece que eles foram jogados de qualquer jeito naquele mundo.

A tia Josephine é um personagem fascinante, e adoro a Meryl interpretando ela. Mas a coitada mal aparece no filme. Por que ela sente medo de maçanetas? Por que ela gosta de gramática? Como era o relacionamento com o marido? Conde Olaf também é um ótimo personagem, mas não temos tempo de criar um perfil dele. O Jim Carey deu seu toque pessoal, deixando ele mais engraçado.

A história deste filme é narrada ao longo de três livros (Mau Começo, A Sala dos Répteis e O Lago das Sanguessugas) e essa não foi uma escolha muito feliz. A coleção Desventuras em Série é formada por treze títulos fáceis e rápidos de ler. O filme não é ruim, mas poderia ter sido muito melhor.

Personagem Merystico: Aunt Josephine

Direção: Brad Silberling

Elenco: Meryl Streep, Jim Carrey, Liam Aiken, Emily Browning, Jude Law, Billy Connolly, Catherine O'Hara.

10) As Horas (2002)

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Em três épocas diferentes, três mulheres são ligadas pelo livro Mrs. Dalloway. Em 1923, Virginia Woolf (a autora do livro) está passando por uma de suas crises de depressão. Em 1949 está Laura Brown, uma dona de casa grávida que quer se suicidar. Nos dias de hoje está Clarissa Vaughn, uma editora de livros que está organizando uma festa para o amigo que está morrendo.

Eu achei o filme bom, mas não é tudo aquilo que dizem. Achei injusto a Nicole Kidman ter ganhado o Oscar e a Meryl nem ter sido indicada. E eu não entendi porque tantos beijos entre mulheres... Quer dizer... A personagem da Meryl é homossexual, então tudo bem... A Julianne Moore beija a vizinha porque identifica a dor dela na outra... Mas porque a Virginia Woolf beija a própria irmã? O filme é emocionante, mas acho que a parte de Woolf merecia um cuidado maior.

Personagem Merystico: Clarissa Vaughn

Direção: Stephen Daldry

Elenco: Meryl Streep, Julianne Moore, Nicole Kidman, Ed Harris.

11) Angels in America (2003)

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Em 1985, a Aids se espalha rapidamente, fazendo vítimas sem parar. Várias histórias se interligam, tendo a doença e o misticismo como pano de fundo.

Eu demorei muito tempo para entender que as aparições de anjos não eram a história central da série. O importante aqui são as pessoas lutando para sobreviver, não só à doença, mas também aos problemas pessoais. Gostei bastante da história, mas o que me chamou mais atenção foram a direção de arte e a maquiagem.

Personagem Merystico: The Rabbi, Hannah Pitt, Ethel Rosenberg e The Angel of Australia

Direção: Mike Nichols

Elenco: Meryl Streep , Al Pacino, Patrick Wilson, Justin Kirk, Emma Thompson, Mary-Louise Parker, Ben Shenkman, Jeffrey Wright.

12) AI: Inteligência Artificial (2001)

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No futuro, humanos são auxiliados por uma nova forma de computador independente, com inteligência artificial, conhecido como meca. Surge então um projeto para criar um AI que sinta amor e o casal Mônica e Henry Swinton são escolhidos para o teste. Começa assim a jornada de David, um meca que só quer o amor de sua mãe.

Filme chato... Gostaria de deixar claro o quanto eu odeio o Steven Spielberg. Ele é um ótimo diretor, mas a superficialidade dos filmes dele não permitem que o espectador pense. Tem vários filmes dele que eu adoro (Prenda-me Se For Capaz, Jurassic Park, Hook - A Volta do Capitão Gancho,Indiana Jones, E.T., o Extra-terrestre, Tubarão e Encurralado), mas AI é tedioso e irritante. Para começar, não senti pena nenhuma do jovem David. Cheguei a desejar que ele explodisse para que o filme acabasse de uma vez. E sou só eu que acho ridículo fazer um filme com a Meryl Streep e não divulgar isso? E nem pelo menos usar o rosto dela? E o que diabos é isso de Fada Azul? AI é uma versão de Pinóquio moderna... Mas quem realmente se importa? Com certeza um dos piores filmes da carreira do diretor.

Personagem Merystico: Blue Mecha

Direção: Steven Spielberg

Elenco: Meryl Streep, Haley Joel Osment, Frances O'Connor, Jude Law, William Hurt.

13) Adaptação (2002)

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O roteirista Charlie Kaufman precisa adaptar um livro que fala apenas sobre flores. Ele tem que lidar com a dificuldade do trabalho, com seu irmão gêmeo que decide virar roteirista também, com sua frustração sexual e com sua baixa auto estima.

O mais legal deste filme é que ele mistura coisas reais com ficção. Para quem não sabe, Charlie Kaufman é o roteirista de filmes como Quero ser John Malkovich, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e do próprio Adaptação. O filme foi baseado na luta real de Kaufman ao tentar adaptar o livro The Orchid Thief, de Susan Orlean. No filme ele tem um irmão gêmeo, Donald, que não existe na vida real. Mesmo assim ele aparece nos créditos do filme como um dos roteiristas e ganhou um "in loving memory" nos créditos finais. Ele também é a primeira (e única) pessoa "não real" a ser indicada ao Oscar.

Personagem Merystico: Susan Orlean

Direção: Spike Jonze

Elenco: Meryl Streep, Nicolas Cage, Chris Cooper.

14) As Pontes de Madison (1995)

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Após a morte de Francesca, uma proprietária rural do interior do Iowa, seus filhos descobrem, através de cartas que a mãe deixou, o forte envolvimento que ela teve com um fotógrafo da National Geographic, quando a família se ausentou de casa por quatro dias. Estas revelações fazem os filhos questionarem seus próprios casamentos.

Fui obrigada a copiar esta sinopse de um site, porque me senti incapacitada de escrever algo sobre o filme. Eu amo ele. E devo ser uma das poucas pessoas no mundo que não chora no final. Sim, ele é muito triste. Sim eu fico emocionada. E sim, eu fico com vontade de quebrar a cara da Meryl Streep. Acontece que eu fico tão encantada com as atuações da Meryl e do Clint Eastwood que não consigo chorar... Eu sei o quão estranho isso é, mas eu sou assim, fazer o que. Eu fico completamente envolvida com a história, chego a esquecer que o mundo existe quando assisto. Por isso este é um dos meus filmes favoritos.

Personagem Merystico: Francesca Johnson

Direção: Clint Eastwood

Elenco: Meryl Streep, Clint Eastwood.

15) Um Amor Verdadeiro (1998)

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Uma jornalista vai passar o final de semana com seus pais e descobre que sua mãe está com câncer. Apesar de nunca ter sido apegada a mãe, ela larga seu trabalho em Nova Iorque e se muda para a cidade dos pais para tomar conta dela.

Este é o único filme da Meryl que eu comprei e não foi por causa dela. Eu estava na minha fase Renée Zellweger na época e achei o dvd por R$8,90. Pedi para a minha mãe comprar, sendo que eu nunca tinha assistido. Achei o máximo o fato de ter a Meryl Streep - especialmente depois que eu vi uma entrevista com a Renée, onde ela dizia que a Meryl era a mulher mais linda do mundo - e a Lauren Graham.

Quando eu assisti ao filme foi como se nem a Renée nem a Lauren existissem. Para mim a única pessoa em cena era Meryl. Ela está perfeita neste filme! Dá para sentir o sofrimento dela, a dor que a doença causa... Ela é uma mulher que está acostumada a fazer tudo por si mesma e de repente se vê incapaz por causa desta terrível doença. Não consigo entender como ela não ganhou o Oscar. E perdeu para a Gwyneth Paltrow! Que nem atriz de verdade é! Devem ter sido por pena.

Personagem Merystico: Kate Gulden

Direção: Carl Franklin

Elenco: Meryl Streep, Renée Zellweger, William Hurt, Tom Everett Scott, Lauren Graham.

16) A Morte Lhe Cai Bem (1992)

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Madeline e Helen se odeiam e são capazes de qualquer coisa para ganhar uma da outra. Quando "Mad" rouba o noivo de "Hel", Helen enlouquece e é internada em um hospício. Anos mais tarde as duas se reencontram e Madeline fica surpresa - e enfurecida - ao ver que Helen não só está fazendo sucesso como também está magra, linda e jovem de mais para uma mulher de 50 anos.

Este filme é maravilhoso! É realmente uma pena que a Meryl não faça mais comédias como esta. Ela fica ótima nesse tipo de filme... Acho que esse é um clássico que todos deveriam assistir.

Personagem Merystico: Madeline Ashton

Direção: Robert Zemeckis

Elenco: Meryl Streep, Bruce Willis, Goldie Hawn.

17) A Casa dos Espíritos (1993)

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Esteban Trueba está noivo de Rosa, e vai trabalhar em uma mina para conseguir dinheiro e casar com a moça. Clara, irmã caçula de Rosa, é uma menina paranormal que prevê a morte da irmã. Quando isto acontece, Clara se sente culpada e resolve nunca mais falar, para evitar mais mortes. Esteban fica rico, e volta para pedir a mão de Clara em casamento. O filme tem como cenário a história do Chile, dos anos 20 aos anos 70.

Este foi o primeiro filme que vi com Meryl. Minha família comprou o VHS junto com o jornal e me lembro claramente do meu pai dizendo que a menininha (Mammie Gummer) era tão bonita quando criança e cresceu e ficou feia (Meryl Streep). E me lembro de eu querer matar ele depois disso. Foi assim que nasceu minha Meryl Madness. Quando eu assisti pela primeira vez fiquei fascinada quando a Clara diz que nunca mais vai falar... Resolvi fazer o mesmo e funcionou por uns cinco ou seis minutos.

O filme é excelente, mas dá para notar que foi mal adaptado (do livro de Isabel Allende). Fiquei com medo de ler o livro e passar a odiar o filme, mas isso não aconteceu. A adaptação explica de maneira artificial várias coisas que são bem exploradas no livro, como por exemplo o ciúmes doentio que Esteban sente de Clara com a irmã dele, Ferula (Glenn Close). Dá para entender, mas não tem um motivo inicial. Por outro lado, o livro é tem centenas de histórias paralelas que funcionam como leitura, mas não como filme.

Personagem Merystico: Clara

Direção: Billie August

Elenco: Meryl Streep, Glenn Close, Jeremy Irons, Winona Ryder, Antonio Banderas, Vanessa Redgrave.

18)Ela é o Diabo (1989)

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Quando seu marido lhe abandona por uma mulher mais jovem, sofisticada e bonita, Ruth decide se vingar. Armando um plano mirabolante, ela começa a destruir a vida do ex e vira a vida de sua inimiga de cabeça para baixo.

Esse é o meu favorito de todos os que eu não tinha assistido! A Meryl está simplesmente fantástica como Mary Fisher, a escritora de romances que vive num mundo perfeito que ela mesma criou. Ela rouba a cena. Não tem nenhuma parte em que ela apareça que não seja engraçada! Por sinal, a expressão "Isso é tão Mary Fisher" - usada por mim - é usada sempre que alguém fala gemendo e sorri até quando está brabo. Porque uma verdadeira Mary Fisher... fala... com... pausas... e... uuunnn... gemidos... e... aaaaah... suspiros... o... tempo... todo... porque... a... vida... é... tão... maravilhosa... uuuun...

Personagem Merystico: Mary Fisher

Direção: Susan Seidelman

Elenco: Meryl Streep, Roseanne, Ed Begley Jr.

19) Um Visto Para o Céu (1991)

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Depois de sofrer um acidente e morrer, Daniel vai para a Cidade do Julgamento, lugar onde será decidido se ele reencarna ou se vai para o céu. Lá ele deverá defender sua vida e tentar convencer os juízes de que ele evoluiu como pessoa e que não sente mais medo. Ele conhece Julia, uma mulher que mostra para ele que nem tudo na vida (ou na morte) é tão ruim quanto ele acha.

Não acredito que eu nunca tinha assistido este filme antes! Ele é tão bonito, engraçado e singelo. Eu adoro a mensagem que ele passa, adoro a Meryl, adoro o Albert Brooks, adoro tudo. Só digo mais uma coisa: esse é um dos filmes que devem ser assistidos! Alugue, baixe na internet, compre. Não importa, apenas assista. Vale a pena.

Personagem Merystico: Julia

Direção: Albert Brooks

Elenco: Meryl Streep, Albert Brooks.

20) Entre Dois Amores (1985)

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Para poder sair de sua vida chata, Karen se casa com o melhor amigo e os dois se mudam para a África. Ele precisa de dinheiro e ela de liberdade. Nasce então uma paixão dela pelo continente. Como seu marido está sempre ausente, Karen cria uma conexão com o povo nativo, e com o misterioso Denys.

Esquece o título ridículo que só prova que os brasileiros são imbecis. Em nenhum momento a personagem fica "presa" entre dois amores. Só se você achar que o amor de Karen pela África compete com o amor dela por Denys. Mas claro, se você acha, está na hora de parar de beber. O filme é baseado em uma história real, e é todo narrado por Karen. Não sei mais o que dizer... Achei bom, mas não é um dos meus favoritos. Minhas cenas favoritas são a que Meryl espanca um leão com uma vara e quando Denys lava os cabelos dela, definitivamente uma das cenas mais sexys da atriz.

Personagem Merystico: Karen Blixen

Direção: Sydney Pollack

Elenco: Meryl Streep, Robert Redford, Klaus Maria Brandauer.

21) A Difícil Arte de Amar (1986)

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Depois de se conhecerem em um casamento, Rachel e Mark se apaixonam e se casam. Mark é um mulherengo confesso e Rachel acredita que conseguirá mudar ele.

Esse é um dos filmes com o qual mais me identifiquei. É difícil falar sobre o filme sem entregar completamente a história, por isso não sei bem o que dizer aqui. Gostei muito, acho o Mike Nichols um excelente diretor e fez um filme real, sem ser monótono ou frustrante. Sem mais comentários.

Nota: Se você procurar bem, irá encontrar a mãe, a irmã e a filha de Meryl no elenco.

Personagem Merystico: Rachel Samstat

Direção: Mike Nichols

Elenco: Meryl Streep, Jack Nicholson, Jeff Daniels, Maureen Stapleton, Catherine O'Hara.

22) Rabbit Ears: Little Ears - The Velveteen Rabbit (1984)

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História de um coelhinho de pelúcia que quer ser de verdade.

Rabbit Ears é uma coleção de histórias para crianças. Aqui no Brasil não tem, não que eu saiba, e eu só consegui ver no youtube. A Meryl participou de três, mas só tinha esse, e mesmo assim não era todo. Conto ele como filme assistido porque tenho certeza de que jamais irei vê-lo inteiro. Basicamente, são histórias clássicas infantis, representadas por desenhos que me lembram Peter Rabbit, e narradas por algum ator famoso.

The Velveteen Rabbit não é conhecido aqui no Brasil, eu só conhecia porque apareceu num episódio de Friends uma vez. Achei bonitinho, queria ver mais.

Personagem Merystico: Narradora

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Elenco: Meryl Streep.

23) Amor à PrimeiraVista (1984)

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Frank e Molly se esbarram em uma loja, na véspera do Natal, e sem querer trocam de sacola. Dias depois, se encontram no trem e começam uma forte amizade, que os ajuda a escapar de suas entediantes rotinas.

O Robert De Niro não é tão bom ator assim. Podem me xingar, não me importo. Olha, ele fica ótimo fazendo papel de italiano mafioso, mas se vocês notarem ele está sempre com aquela cara de Taxi Driver “Are You Talking To Me?” dele (ele ficaria perfeito em Grease). E ai ele beija a Meryl Streep como se estivesse quebrando uma calçada com uma britadeira. Tirando isso, o filme é ótimo. Os dois personagens são completamente diferentes um do outro e talvez por isso eles se completem. É um filme bonito e bastante delicado.

Personagem Merystico: Molly Gilmore

Direção: Ulu Grosbard

Elenco: Robert De Niro, Meryl Streep, Harvey Keitel, Jane Kaczmarek, Dianne Wiest.

24) A Escolha de Sofia (1982)

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Após a Segunda Guerra Mundial, um jovem escritor se torna amigo de um casal que mora na mesma pensão. Sophie e Nathan o facinam e ele se vê preso no mundo confuso dos dois. Mas é Sophie que lhe chama mais a atenção, especialmente quando ele descobre que ela já esteve presa em um campo de concentração, apesar de ser católica

E Meryl ganha seu primeiro Oscar (o segundo foi por Kramer vs. Kramer). E foi merecido! Esse filme é maravilhoso. É triste, é surpreendente, é lindo... E a Meryl está tão bem, mudando a cada cena. Não sei se isso fez sentido para vocês, mas quando assistirem saberão do que estou falando. Só não entendo o porquê de mudar o nome de Sophie para Sofia. Bem, pelo menos não colocaram o nome como A Mulher Que Foi Presa na Guerra e Que Guardava Muitos Mistérios.

Personagem Merystico: Sophie Zawistowska

Direção: Alan J. Pakula

Elenco: Meryl Streep, Kevin Kline, Peter MacNicol.

25) O Retrato de Uma Coragem (1983)

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Funcionária de uma fábrica de peças para usina atômica denuncia publicamente casos de contaminação entre operários. A denúncia deflagra uma inesperada reação da empresa e de elementos do governo. Baseado em fatos reais.

Filme muito bom, com um final decepcionante. Tenho noção de que é baseado em fatos reais, mas o resultado poderia ter sido menos "pronto, foi isso que aconteceu". Cadê o drama? Apesar disso, achei ótimo colocarem a Meryl cantando Amazing Grace durante a cena final. Deu um toque melancólico.

Personagem Merystico: Karen Silkwood

Direção: Mike Nichols

Elenco: Meryl Streep, Kurt Russell, Cher, Craig T. Nelson, Fred Ward.

26) A Mulher do Tenente Francês (1981)

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Duas histórias são narradas simultaneamente. Primeiro, Mike e Anna, dois atores de cinema, envolvidos em um tumultuado caso. Segundo, Charles e Sarah, os amantes da era vitoriana interpretados pelos atores, no filme que está sendo gravado.

Achei o filme meio sem graça. Não é ruim, mas não me emocionou muito. Tem uma das cenas de sexo mais chatas do mundo e um filme meio "ah ok". O que me chamou a atenção foi o estilo narrativo dele, intercalando entre a realidade e o filme que está sendo rodado.

Personagem Merystico: Sarah e Anna

Direção: Karel Reisz

Elenco: Meryl Streep, Jeremy Irons, Hilton McRae, Emily Morgan, Charlotte Mitchell, Lynsey Baxter, Jean Faulds, Peter Vaughan.

***

Então é isso. Planejo continuar assistindo ao resto da filmografia de Meryl e quem sabe fazer uma Meryl Madness II, no futuro. Que a Meryl esteja com vocês!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A Última Noite

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Que filme maravilhoso! Ri de tal maneira que tive que parar o filme diversas vezes para poder respirar, tomar água, ir no banheiro e deixar meu coração voltar a bater normalmente. Quando ele estreou no cinema não quis ir ver. Um filme sobre música country com a Lindsay Lohan? Não, obrigada. Mas eu precisava alimentar minha Meryl Madness e assim como algumas pessoas são viciadas em crack, outras em álcool, outras em chocolate, outras em sexo... Eu sou viciada em Meryl Streep.

O filme de 2006 foi o último do diretor Robert Altman (Prêt-à-Porter e Short Cuts), que faleceu em novembro daquele ano, de leucemia. O filme pode ser considerado, então, como uma despedida. E despedida é exatamente o tema central da história.

É a última vez que o programa de rádio ao vivo A Prairie Home Companion irá ao ar. O teatro usado para as transmições foi vendido e logo será transformado em um estacionamento e o clima de melancolia e nostalgia invade os bastidores do programa, enquanto a equipe se despede. Mas o filme não é nada depressivo. Muito pelo contrário! As tiradas cômicas estão presentes em todas as cenas, animando o ambiente (e o humor do espectador).

Como sempre Meryl rouba a cena. Ela interpreta Yolanda, uma das cantoras do programa, que canta desde os 10 anos junto com sua irmã Rhonda (Lily Tomlin). As duas protagonizam as cenas mais cômicas do filme. Só que desta vez Meryl tem um parceiro a altura: Kevin Kline. Eu sempre amei ele! É um grande ator e ele consegue preencher direitinho o vazio que me invade quando Meryl não está em cena. A atuação dos dois é tão natural que, por um instante, eles param de existir e só existissem as personagens... Não sei se consegui me expressar direito.

E meu Deus, o que são a fotografia e a direção de arte deste filme?? Ele é tão... Estéticamente lindo! Sem falar na trilha sonora que mais parece um personagem invisível. Me arrependo de não ter ido ver este filme no cinema. Ele é excelente! Mas talvez tenha sido melhor assim. Acho que se eu tivesse assistido a cena da fita adesiva e do orangotango com a serra elétrica sem poder parar para me recuperar eu teria morrido de tanto rir.

Então recomendo o filme para todos os meus leitores. Deixem de lado o preconceito. Afinal de contas, música country é ok e a Lindsay Lohan, como disse a própria Meryl, não é tão ruim assim.


A Prairie Home Companion (2006)
Direção: Robert Altman
Roteiro: Garrison Keillor, baseado numa história real
Elenco: Meryl Streep, Kevin Kline, Woody Harrelson, Tommy Lee Jones, Lindsay Lohan, Virginia Madsen, John C. Reilly, Maya Rudolph, Lily Tomlin

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Bela e a Fera

Atenção: contém spoilers

Ontem fiquei acordada até às 4h da madrugada assistindo alguns videos do Nostalgia Critic, no site That Guy With The Glasses. Nesses videos, um cara chamado Doug faz críticas muito divertidas de filmes e desenhos que fizeram parte da infância de muita gente. Inspirada nestes vídeos, resolvi fazer esta coluna, uma imitação barata e de pior qualidade! Não sei se vou fazer mais de um, talvez sim.

Como eu nunca fiz algo do gênero, decidi começar com algo que eu entendo... Então lhes apresento:

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A animação da Disney A Bela e a Fera é baseado em um conto francês chamado, bem, A Bela e a Fera. O conto não tem absolutamente nada a ver com o desenho... Então vamos ignorar totalmente a existência dele e nos ater ao filme.

O filme começa assim:

Deixa ver se eu entendi... Tinha um príncipe mesquinho, vivendo em um castelo no meio do nada, completamente sozinho... Ai chegou essa louca, do nada, e resolveu castigar ele porque ele a achou feia? E ele mora sozinho? Num castelo? E se ele é um príncipe, por que diabos ele abriu a porta? Não teria um mordomo ou algo do gênero para fazer isso por ele? E quando ele virou um monstro, ninguém percebeu que ele tinha sumido? Ele é um príncipe pelo amor de Deus!

Tudo bem, continuando...

Depois do pequeno prólogo, nós conhecemos Bela...

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...uma jovem simples que vive no interior, junto de um bando de gente ignorante que acha que ela é esquisita só porque consegue pensar por si mesma. Isso não é exagero... Na música de abertura, os moradores da cidade realmente cantam "Ela é metida a inteligente, não se parece com a gente". Para eles, uma moça bonita como a Bela deveria estar por ai procurando um marido. Mas não!!! Bela tem a ousadia de ficar lendo e pensando e lendo e pensando e lendo. Como ela ousa!?

Ainda durante a música de abertura, conhecemos Gaston, o pseudovilão do filme:

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Gaston é o cara gostosão da cidade, e todas as mulheres se deretem por ele (incluindo eu). Menos Bela. Como todo gostosão decerebrado que se preze, Gaston decide que ele quer Bela. Em suas primeiras frases no filme, podemos ter uma noção de quem ele é. Gaston está caçando (no meio da praça!) junto de seu amigo óbviamente gay Lefou (falaremos dele mais tarde). O seguinte diálogo acontece:

Lefou: Puxa você não perde um tiro Gaston! Você é o melhor caçador do mundo!

Gaston: Eu sei!

L: Nenhuma fera tem a menor chance com você (FORESHADOWING!)! E nenhuma garota também.

G: Tem razão Lefou! E eu só consigo olhar 'praquela' ali! *aponta para Bela*

L: A filha do inventor?

G: É ela sim! E é com ela que eu quero me amarrar!

L: É… mas ela...

G: É a mais bonita da cidade!

L: É… eu sei, mas...

G: Ela é a melhor! E EU NÃO MEREÇO A MELHOR?

Ok... Para ai um pouquinho... Bela é mais bonita que as outras, por tanto ela é a melhor... Mas por algum motivo, o fato dela ser filha de um inventor faz dela alguém inapropriada... Essa não é a única vez que isso é mencionado. Todos na cidade acham que o pai dela é louco, e o fato de Bela "ser metida a inteligente" só torna as coisas piores. Por que, afinal, esses dois moram nessa cidade de merda?!

Bem, Gaston só aprecia Bela por sua beleza, e acha que ela não deveria ler, porque quando mulheres lêem elas começam a ter idéias e a pensar. Ok Gaston, a gente já entendeu, você é um escroto. Onde está aquela feiticeira quando se precisa dela?

Gaston "declara" seu amor por Bela, mas ela acha ele um idiota e vai para casa conversar com seu pai, que é uma mistura de Dani DeVito e Einstein.

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O pai não parece se importar muito com o que as pessoas na cidade falam de Bela e diz para ela que deveria sair com Gaston, afinal, ele é bonitão (se não quer, tem que queira…). Bela não gosta nenhum pouco da idéia. O pai dela vai viajar e ela fica sozinha em casa, provavelmente lendo.

Enquanto ela lê enlouquecida, temos duas histórias paralelas. Na primeira, vemos Gaston junto de seus amigos, planejando o casamento surpresa com Bela. Na segunda, temos o pai perdido na floresta sendo atacados por lobos e acabando em um castelo.

Vocês não têm noção de quanto eu acho absurdas essas duas histórias! O Gaston quer surpreender a Bela com um casamento? Perai, como assim? Não faz nem cinco minutos que ela disse que não queria nada com ele! Será que ele é tão metido assim? Sim, ele é.

Enquanto isso, na floresta... O pai da Bela encontra lobos, que atacam ele. O coitado perde o cavalo e começa a correr sem rumo. Encontra um castelo. PARA! Um castelo? No meio da floresta? E ninguém sabia que ele existia? Quer dizer que não só aquele príncipe mora no meio do nada, sozinho, como ninguém sabe que ele existe? Que tipo de príncipe é esse?

"Ah, então... Tem esse cara que mora lá na floresta que acredita que é um príncipe..."

Se esse cara é tão inútil a ponto de ninguém saber da existência dele, por que aquela vagabunda castigou ele? E porque não castigar o Gaston? O cara quer forçar uma mulher a casar porque ele acredita que é irresistível! Pelo menos o "príncipe" esquizofrênico não incomodava ninguém!

Continuando...

O pai da Bela entra no castelo, mas lá dentro não tem ninguém. Não, deixa eu reformular a frase... O velho invade a casa de alguém que ele não conhece. E então descobrimos que o "príncipe" não morava sozinho! Ele tinha empregados! Centenas deles... Para que um "príncipe" precisa de centenas de empregados, jamais saberemos. E de onde sai o dinheiro para pagar toda essa gente?

Todos os empregados da casa se transformaram em móveis e coisas do gênero e aparentemente todos os móveis e coisas do gênero ganharam vida. Por que a maluca castigou os empregados? Eles são tão legais! Isso é o que acontece quando se confia em todo mundo! Virou uma muvuca só. O velhinho é recepcionado por um castiçal francês e um relógio inglês, que o levam para uma salinha para se aquecer do frio.

Tudo é incrivelmente maravilhoso até que aparece... A FERA!

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Eu disse "a fera", não "o fera".

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Ok, melhorou. No momento em que o príncipe fajuto virou um monstro, ele automaticamente deixou de ser chamado de príncipe e virou "A Fera". Porque ele não tem nome e estou começando a desconfiar que na realidade ele se chama Príncipe. Príncipe da Silva. Como já era esperado, a Fera age como uma fera, e prende o pai de Bela no castelo. Mas o que ele não esperava era que o maravilhoso cavalo gordo e treinado Phillip fosse voltar a cidade e contar (???) para a Bela que o pai dela estava preso!

Mas antes desta criatura maravilhosa avisar Bela, Gaston vai até sua casa e lhe informa que os dois irão se casar, ter cães e seis ou sete filhos, que serão tão robustos quanto o pai. Bela, de maneira gentil, derruba Gaston em um chiqueiro de porcos que fica em frente a porta da casa (!!!) Nesse momento você pensa "Certo... Acho que ele já notou que ela não quer ele..." Pois pensou errado! Gaston SEMPRE tem o que quer e ele tem certeza que ela só está se fazendo de difícil.

slumdog-millionaire-560-divEla me ama!

O que eu gosto no Gaston é que ele não é um típico vilão da Disney. Ele não quer conquistar o mundo ou ter poder ou ser mais bonito que a mocinha (errr) ou se vingar por alguma coisa. E ele não fica por ai fazendo maldade gratuíta. Ele simplesmente quer salvar a mocinha da criatura horrível, casar com ela e ter filhos! Isso lembra alguma coisa?

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De qualquer forma, Bela segue o cavalo que misteriosamente sabe onde fica o castelo. Ela acha o pai e ele implora que ela vá embora porque no castelo vive uma criatura horrível. Mas Bela quer salvar o pai (afinal ela não foi lá só para passear e não tinha nada bom passando na televisão) e continua ali. Chega então a Fera e Bela leva um cagaço. Depois de se acalmar, ela se oferece em lugar do pai. A Fera - que não é boba nem nada - aceita, e até oferece uma carona para o velho voltar para casa.

O velho volta e todo mundo na cidade acha que ele está louco. Não que ninguém achasse isso antes. E é nesta parte do filme que Lefou prova que realmente é gay... Veja por você mesmo:

Realmente, o pescoço grosso do Gaston deixa qualquer um louco... Me pergunto o que mais é grosso nele... E adoro o timing das trigêmeas quando Lefou diz "que não queira te imitar". É depois dessa cantoria que o velho chega dizendo que a filha dele foi sequestrada por uma fera. Todo mundo ri e então algo extraordinário acontece. Gaston pensa. Me pergunto se ele andou lendo algum livro...

A brilhante idéia de Gaston é mandar o velho para um manicômio e obrigar Bela a casar com ele (ele, o Gaston, não ele, o velho). Sério? Isso é o melhor que tu pode fazer? Ah sim! Ela não quis casar contigo quando tu era só um cara grosseiro da cidade... Mas com certeza vai aceitar quando tu jogar a única pessoa que ela ama num hospício! Muito bem Gaston!

Enquanto isso, no castelo. Bela está tendo problemas com Fera. Ele quer que ela se apaixone para quebrar o feitiço e ela quer ir para casa ver o pai. E a Fera é grosseira e assustadora, o que não ajuda muito. Enquanto os móveis e utensílios domésticos tentam domesticar a Fera, Bela resolve quebrar a única regra do castelo: ela vai para a Ala Oeste.

Para começar, dizer para alguém "Não vá para a Ala Oeste" não ajuda muito. Não é como se a Bela andasse por ai com uma bússula pendurada no pescoço. Não seria mais fácil dizer "Olha, ali tem uma sala que eu não quero que você entre. É uma sala com coisas pessoais, eu agradeceria muito se você fizesse isso por mim". Mas não!!! Vamos proibir ela de ir na "ala oeste" sem maiores explicações!

Em segundo lugar, aparentemente toda aquela leitura e idealizações de Bela não serviram para nada. Muito bem garota! É assim que se faz! Se você está em um castelo sinistro, onde o fogão tem vida e o dono é um cara com garras afiadas, a primeira coisa que você faz é desrespeitar todo mundo! Isso ai!

Dark_Wolverine_Wallpaper_byEu mandei ficar longe da Ala Oeste!!!

A Fera pega Bela com a boca na botija e grita. Ela se ofende e vai embora correndo, só para ser atacada por lobos no meio da floresta. Mas ah! Fera possuí um espelho que mostra para ele o que ele quiser ("Eu quero ver o Hugh Jackman nu... Agora."), então ele consegue chegar a tempo para salvar a guria. Só que ele se fere e Bela - com sua super força - leva ele para o castelo.

Os dois se apaixonam, a Fera dá uma biblioteca para a Bela, aprende a comer direito (aparentemente virar uma fera faz com que você desaprenda a usar os talheres) e os dois dançam em uma cena linda com direito a música da Celine Dion.

Mas Bela vê o pai pelo espelho e descobre que ele está muito doente. A Fera deixa ela voltar para casa para cuidar do velhote. Isso é algo que nunca entendi. Porque eles não vão juntos e trazem o velho para o castelo? Porque eles tem que se separar? De repente eles não gostam mais um do outro? Por quê? Ouvir Celine Dion é tão romântico!

Bem, Bela vai embora levando o espelho mágico e uma xícara, e a Fera perde a vontade de viver. Só que a Bela e seu pai são surpreendidos por Gaston, que veio com o pessoal do manicômio pegar o velho. Bela, para provar que o pai não está louco, mostra a Fera pelo espelho. Gaston, enlouquecido por um ciúme doentil, convence os moradores da cidade a irem até o castelo (que aparentemente todo mundo sabe onde fica) para matarem a Fera. Eles prendem Bela e o velho em um porão e parte para a batalha.

Quando eu era criança e via este filme, geralmente passava a próxima música. Ela era assustadora de mais. Me pergunto quem foi o lunático que escreveu essa letra! Certo que foi uma mulher na TPM. Só encontrei o video em inglês, mas já é alguma coisa.

Caso você queira saber, quem compôs a música foram os músicos Alan Menken e Howard Ashman

Deus! Eu é que não quero enfurecer esse cara... Pior é que eu imagino o Príncipe Encantado cantando isso antes de ir buscar a Bela Adormecida. Mas convenhamos... O Gaston é muito sexy.

Depois desta cena assustadora, a Bela consegue fugir graças à xícara, e eles vão para o castelo salvar a Fera. E então acontece a melhor cena do filme... Não vou nem descrever ela, o ideal é vocês assistirem:

Nossa... Isso é muito Poltergeist! Vai dizer? E aquele foi provavelmente o primeiro travesti da Disney. Depois disso o Gaston ataca a Fera, que perdeu a vontade de viver. Mas a Bela chega para salvar o dia e a Fera resolve voltar à vida e se defender. Os dois travam uma luta mortal pelo amor de Bela, enquanto ela não faz nada além de gritam "Gaston, não!" Os dois ficam se matando, a Fera pendura o Gaston pelo pescoço no precipício, desiste de matar (porque afinal ele é um personagem da Disney) e ai Gaston enfia um punhal nele, cai e morre.

Bela, usando mais uma vez sua força descumunal, puxa a Fera para onde ela está. Mas a Fera está morta e a garota chora e diz "Eu te amo", a rosa escuta e a Fera começa a se transformar em príncipe de novo. Aparentemente o amor da Bela é tão forte que trouxe a Fera de volta à vida. Certo.

É nessa hora que eu geralmente penso "Ah... Então é isso... Tem como trazer o Gaston de volta? Vai ver ninguém ama ele o suficiente". Imaginem a seguinte cena: Você se apaixona por um cara, ele é o cara mais legal do mundo, vocês se amam e ai um dia você descobre que ele não é quem você achava que ele era. E você se mata.

É a mesma coisa. Um dia ela está jogando bolas de neve com um cara enorme, forte, peludo.... Er... E no outro ele se transforma nisso:

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Olhem pessoal! É o príncipe fajuto cara de bunda! Yeah! Vamos fazer uma festa e comemorar! A Bela se assusta, mas fica feliz que agora ela pode fazer sexo com ele. Todos os móveis voltam ao normal e eles vivem felizes para sempre. Até se darem conta de que ninguém recebe salário há anos e todos entram em greve.

Se eu fosse a Bela, nunca mais confiaria na Fera... Nosso relacionamento seria baseado em mentiras, viveriamos brigando, até o dia que ele me pegaria fazendo sexo com o castiçal atrás de uma cortina. Obviamente os livros que a Bela andava lendo não eram de auto-ajuda.

Para mim o final ideal de "A Bela e a Fera" é esse:

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Mas o que acontece é isso:

clip_image017Algo familiar?

Então é isso! Eu sou a Paloma, eu não tenho uma frase de efeito porque não consegui inventar uma!

Beauty and the Beast (1991)
Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise.
Roteiro: Linda Woolverton, baseado no livro de Roger Allers.
Elenco: Paige O'Hara, Robby Benson, Richard White, Jerry Orbach, David Ogden Stiers.

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