segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Tô indo pras cadimia di maromba!

Ontem li isso na internet e não acreditei no que estava vendo. Quem não me conhece e acabou aqui por acaso (e eu não culpo quem deixou de ler o blog, já que eu apareço aqui que nem Papai Noel – uma vez por ano), sou formada em jornalismo e sou grande fã (para não dizer “obcecada por completo”) da série Doctor Who. Então este texto me machuca em diversos níveis. Como é que alguém assim é pago para escrever e eu fico aqui, escrevendo para as moscas? Posso não ter um Pulitzer na prateleira, mas sei usar a pesquisa do Google que é uma beleza!

Escrevi o comentário à seguir no site desse indivíduo, mas assim como a escrita, o sistema de comentários deles é terrível e meu belo texto ficou mais deformado do que o Sloth. Então, lá vai…

“Bem, aparentemente os comentários começaram a ser aceitos aqui! Parabéns. Vou fazer um update do comentário que fiz no Facebook, já que lá ele foi completamente ignorado pelas pessoas deste site. Quem sabe aqui alguém responde, não é mesmo?

Pois bem... Vamos começar pelo fato de que, como alguns colegas Whovians já comentaram, o Doctor é um alienígena, mas não é um robô. Não sei exatamente de onde você tirou essa informação, se foi da sua mente criativa ou de algum site desinformado, mas imagino que agora você já saiba, então vamos seguir em frente.

Achei o seu texto bem desinformado e bem mal escrito, especialmente se levarmos em consideração o fato de que você é um jornalista. Eu também sou e sei bem como é difícil essa vida, mas vai por mim... Pesquisa é tudo!!! Porém, considerando o nível do jornalismo de hoje em dia, não é tão surpreendente assim. Já vi coisas piores.

O que me fez ficar admirada foi a quantidade de besteiras ditas em tão poucos parágrafos, indo de informações erradas até descriminação. Cheguei a mostrar esse texto para não-Whovians (pessoas que não assistem Doctor Who, caso você não tenha entendido) e até eles ficaram indignados.

Acho que você não sabe muito bem o que é um nerd. Nerds não são seres de outro planeta que possuem algo extraterrestre chamado emoção. Por favor, mais respeito e menos descriminação, obrigada. Eu sou nerd, com muito orgulho, mas conheço várias pessoas que gostam de Doctor Who e que não são, então sem generalização também, please.

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Agora vamos ao que interessa. Doctor Who pode não ser famoso entre as pessoas que assistem Malhação ou as novelas do Carlos Lombardi, ou pessoas que só assistem TV para ver atores gostosos, mas dizer que não é popular aqui no Brasil é uma grande bobagem. É só pensar nas festividades de aniversário da série, que começou com apenas três salas de cinema e no fim teve mais de 75 (com gente reclamando que não tinham mais)! Temos também a BBC Brasil começando a levar mais a sério os fãs e se empenhando para trazer os episódios para cá mais cedo.

Quanto à aparência dos atores, me desculpe, mas vejo Doctor Who pelo conteúdo e não para ficar excitada. E mesmo assim... Tem muito homem e muita mulher atraente ali. O David Tennant (grande ator de teatro, cinema e televisão, que foi eleito o melhor Doctor, com mais de 50% dos votos, já ganhou diversos prêmios e que é muito mais famoso do que o Christopher Eccleston - apesar de nunca ter feito Thor... Shame on you, David, shame on you!) ficou em 16º na lista "Sexiest Man in the World" (Cosmopolitan), figurou em 20º lugar no "Top 100 Men" (New Woman), foi eleito "Scotland's most stylish male" (Scottish Style Awards), "Coolest Man on TV" (Radio Times) e, vejam só, "Sexiest Man in the Universe" (The Pink Paper)!! Nada mal pra um cara que não tem um daqueles "rostinhos novinhos e corpitchos cheios de testosterona", né?

Tendo ganho 48425241 vezes consecutivas o prêmio “Homem da Paloma”

Isso sem falar nos outros atores... Faça uma pesquisa! Sugiro começar pelo nome "John Barrowman"...

E ai vem a questão da idade... O que você quis dizer com "faixa etária do personagem"? O Doctor tem 1200 anos! Dificilmente vamos achar um ator que tenha essa idade... Talvez o Sean Connery... E sim, o Peter Capaldi tem 55 anos, mas por que isso seria importante? Ele é um ator renomado e o que importa aqui é o talento dele e não o ano no qual ele nasceu. Volto a dizer, o que importa em Doctor Who é o conteúdo e não as rugas do protagonista. E vale lembrar que Peter Davison tinha só 30 anos quando entrou na série. O já citado Tennant tinha 35. E Matt Smith tinha 28! VINTE E OITO!! Isso.... não.... é..... velho....

Eu não entendo muito bem qual o seu conceito de sucesso, porque você diz que a série poderia ser mais popular se tivesse pessoas atraentes...

David (15)Ah, pois é…

…mas 50 anos é bem popular, não acha? Vamos a mais alguns pequenos fatos! Imagino que você deva estar familiarizado com o Guinness World Records... Pois então:

1996 - World's longest running science fiction series;

2001 - The largest fictional series [of novels] built around one principal character (porque sim, existem livros, não só episódios... Você sabe o que são livros, certo? São coisas cheias de letras e informações, feitas de árvore, mas que não possuem nenhum homem gostosão suado pulando em você o tempo todo - à menos que seja um livro em pop-up);

2007 - Longest running science fiction series in the world (de novo!);

2007 - Largest gathering of Daleks;

2009/2010 - The most successful sci-fi series [in the world];

2013 - Largest TV drama simulcast (com a exibição do The Day of the Doctor).

Nada mal, hein? E isso que eu nem vou citar os prêmios que a série já ganhou.

Por fim, realmente não acho que a série ter durado tanto tempo tenha alguma coisa a ver com o sucesso no Brasil, e sim com o sucesso na Inglaterra, já que o programa é feito pela BBC e pago pelo povo britânico. E agora, graças à internet e Amazons da vida, a série está ganhando cada vez mais força e se espalhando cada vez mais.

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Então é isso! Acho que você devia tentar usar esse momento para aprender um pouco mais sobre como escrever um texto jornalístico e quem sabe não sair por ai falando tanta bobagem assim, sem nem pensar antes. A menos, é claro, que meu comentário não seja jovem e sarado o suficiente para que você leia ele até o fim.

Um grande abraço, da colega de profissão.

Paloma

ps.: O Peter Capaldi vai entrar na série no especial de Natal, apesar de ter feito uma breve participação no aniversário. Agosto foi quando anunciaram que ele substituiria o Matt Smith. O que me faz lembrar disso:

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Obrigada.”

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Single Father

[Antes de qualquer coisa, peço desculpas pela minha longa ausência aqui no Judas. Os motivos vão de emprego e faculdade até preguiça total. Eu provavelmente ficarei mais meio século sem escrever aqui depois deste texto, mas planejo voltar assim que conseguir colocar a minha vida nos eixos. Este não é o melhor dos meus textos, mas espero que você leitor me perdoe, estou um pouco enferrujada.]

Confesso que não teria assistido Single Father se não fosse pela minha atual obsessão pelo ator David Tennant e que provavelmente não estaria escrevendo esta crítica se não fosse pelo fato de que meus amigos já não mais aguentam me ouvir falando dele. Single Father é uma série escocesa da BBC de quatro capítulos, exibida em 2010, que conta a história de Dave (Tennant), um homem que precisa cuidar de seus quatro filhos depois que a esposa Rita (Laura Fraser) morre em um acidente.

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Depois que Rita morre, Dave se vê sozinho com os filhos Paul (Chris Hegarty), Evie (Millie Innes) e Ewan (Robert Dickson), e também com a filha adolescente de Rita, Lucy (Natasha Watson). Dave também tem uma filha do casamento anterior, Tanya (Sophie Kennedy Clark), que nunca recebeu muita atenção do pai e que é deixada ainda mais de lado depois da tragédia.

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Para complicar ainda mais a situação, Lucy decide ir atrás do pai verdadeiro, por não se sentir parte da família. Sem saber como lidar com a morte da esposa e o afastamento da filha, Dave acaba por se envolver com Sarah (Suranne Jones), melhor amiga de Rita.

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Quando Rita morre, Dave não sabe como lidar com a situação, chegando a dizer que prefere não pensar sobre o que aconteceu e simplesmente fingir que está tudo bem. Quando começa um relacionamento com Sarah, não é por simplesmente se sentir atraído por ela, mas também porque ela lhe ajuda a esquecer. Já Sarah se sente compelida a ficar no lugar de Rita, tanto no papel de esposa de Dave quanto no papel de mãe. O relacionamento dos dois está fadado ao fracasso, mas mesmo assim o roteiro te faz querer que dê certo, querer que eles encontrem paz um nos braços do outro.

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Single Father traz uma visão real sobre as consequências de uma morte inesperada e seu grande triunfo está nos personagens tão bem construídos pelo roteirista Mick Ford e aperfeiçoados por um elenco de primeira linha. Uma história de amor e crescimento, que vai tocar qualquer um que já passou por uma situação como esta.

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Single Father (2010)
Direção: Sam Miller
Roteiro:Mick Ford
Elenco: David Tennant, Suranne Jones, Laura Fraser, Rupert Graves, Neve McIntosh, Mark Heap, Millie Innes, Chris Hegarty, Robert Dickson, Warren Brown, Natasha Watson, Sophie Kennedy Clark

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ruby Sparks

Read this in english

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Falar sobre relacionamentos, sejam quais forem, nunca foi algo fácil para mim. Mantê-los é ainda pior. Acredito que este não seja um mal do qual somente eu sofro, afinal, não há nada de especial em mim. Quando nos relacionamos com outras pessoas tendemos a projetar nelas aquilo que nos é ideal, e quando essas pessoas “andam fora da linha” ficamos desapontados.

O que pouca gente reconhece é que não estamos desapontados com aquele que não agiu como queríamos. Estamos desapontados com nós mesmos. Perdi vários relacionamentos importantes por causa disso, tenho certeza de que você também já sofreu deste mal. E é exatamente disso que Ruby Sparks, o novo filme dos diretores de Pequena Miss Sunshine, trata: esta imagem deturpada que projetamos em outrem.

Calvin Weir-Fields (Paul Dano) é um bem sucedido escritor que está passando por uma fase ruim. Além de não conseguir escrever, Calvin é incapaz de se relacionar com outras pessoas e se nega a aceitar que teve sua parte de culpa no fim de seu último namoro. É então que ele cria Ruby (Zoe Kazan), o seu modelo de mulher ideal, uma mulher que reflete tudo aquilo que Calvin espera de um relacionamento perfeito. Todavia, nada é perfeito.

Ruby Sparks é o tipo de filme que faz com que pensemos a respeito das nossas escolhas e sobre aquilo que esperamos dos outros e de nós mesmos. Mais uma vez o casal Jonathan Dayton e Valerie Faris cria uma fábula moderna sobre escolhas e relacionamentos, desta vez dando um toque mágico em uma história comum a todos: não apenas o encontro do amor, mas também o encontro de nós mesmos.

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Ruby Sparks (2012)
Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Roteiro: Zoe Kazan
Elenco: Paul Dano, Zoe Kazan, Chris Messina, Annette Bening, Antonio Banderas, Steve Coogan

domingo, 24 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador

Atenção: contém spoilers

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Existem momentos onde uma baixa expectativa é a melhor arma que temos para sobreviver a um filme ruim. Mas há vezes que nem a desesperança e a presença de Kristen Stewart conseguem lhe preparar para o que está por vir. Branca de Neve e o Caçador conta a história de um reino dominado por uma rainha bruxa má (Charlize Theron) que era tão malvada que a terra morreu e as pessoas começaram a passar fome.

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- Quero avisar que a tripulação está com fome.

- E perché não comem?

-Porque não há comida.

-E por que não há comida?

- Porque acabô!

- E por que acabou?

- Porque comeram!

-E por que comeram?

-Porque tinham fome!

- Está vendo? Deviam ter esperado...

Depois de matar seu marido e aprisionar a filha dele em uma torre, a Rainha acredita ser a mulher mais bela e poderosa daquele reino. Mas quando a pequena Branca de Neve (Kristen Stewart) cresce, se torna um perigo para a Rainha e esta decide destruir a menina e comer seu coração. A história é a mesma de sempre, mas tenta dar um ar mais épico e sombrio ao conto de fadas. Falhando miseravelmente no caminho.

Assistir Branca de Neve e o Caçador foi como ver uma longa e tediosa versão de Game of Thrones, só que com sete anões ao invés de apenas um. Fiquei esperando a rainha dizer “Espelho, espelho meu. Existe alguém mais bela do que eu?” e ele responder “Apenas Sansa Stark, minha rainha”. Temos Stannis Baratheon, mestre dos navios; Cersei Lannister, Rainha dos Sete Reinos; Daenerys Targaryen, mãe dos dragões; Robb Stark, Rei do Norte; e Branca de Neve, Rainha da Falta de Expressão.

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O problema deste filme é tentar ser um filme sério (o que Espelho, Espelho Meu não faz) e por isso acaba se tornando tedioso e sem sentido. Branca de Neve é a única pessoa que pode derrotar sua malvada madrasta, porque é pura de coração e a mulher mais bela de todo o reino. Mas Kristen Stewart não é bonita, carismática, expressiva ou divertida o suficiente para este papel. E em nenhum momento ficou claro o porquê de Branca ser considerada tão pura. Ela perdeu a mãe, viu o cadáver do pai, viu sua casa ser destruída, seu povo aprisionado e foi afastada de todos aqueles que ama. Depois que ela foge, pessoas morrem por sua causa, até mesmo um ser sagrado da floresta é ferido por ela. Como é possível que ela continue pura depois de tudo isso?

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Outra coisa que não entendi foi a escolha dos atores que interpretam os anões. Não que eles apareçam em cena o suficiente para que eu me importe (um deles até morre e eu nem sei qual deles), mas me incomodou bastante ver não anões nos papéis! Não existem atores anões talentosos? E sim, lá vou eu de novo para Game of Thrones.

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Branca de Neve e o Caçador traz boas ideias, mas não consegue explorá-las e acaba se perdendo dentro da sua própria arrogância. Um filme completamente desnecessário e sem propósito, que não consegue nem ao menos entreter.

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Snow White and the Huntsman (2012)
Direção: Rupert Sanders
Roteiro: Evan Daugherty, John Lee Hancock, Hossein Amini
Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Sam Claflin, Sam Spruell

domingo, 17 de junho de 2012

Deus da Carnificina

Atenção: contém spoilers

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Quando criança apanhei de um colega de escola. Ele me deu um soco nas costas, me deixando sem ar. Eu tinha cerca de 10 anos, 1,40m e uns 40 kg. Talvez menos. Ao chegar à escola, todos os professores, meu pai e o pai do menino ficaram indignados com a situação. Afinal, eu era menor, mais frágil e, meu Deus, uma menina. Acontece que, se fossemos analisar com cuidado a cena, voltar para ela take por take, veríamos a pequena Paloma batendo no menino com um galho e cortando o seu rosto. Se voltássemos mais um pouco, veríamos esse mesmo menino xingando a menina. E assim continuaria para sempre, sem nunca descobrirmos quem foi o verdadeiro culpado. Mas a resposta é mais simples do que aparenta: Ninguém. Isso porque crianças são assim, elas se xingam, se batem, gritam e chutam, mas no dia seguinte, lá estava meu amigo e eu (sim, porque ele era meu amigo) brincando juntos no pátio da escola.

Em Deus da Carnificina, o novo filme de Roman Polanski, temos uma situação parecida, apresentada do ponto de vista dos pais de dois meninos que brigaram em um parque. De uma conversa educada a uma situação constrangedora e violenta, os dois casais usam a briga dos filhos para mascarar seus próprios problemas. O filme começa e termina com cenas externas dos dois meninos. Na primeira, vemos Ethan e Zachary brigando no parque, ao longe, sem saber ao certo qual o motivo de tal briga. Na segunda, vemos os dois juntos brincando alegremente. E no ar fica a pergunta: quem são as verdadeiras crianças?

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Essa infantilidade adulta faz parte do nosso cotidiano há tanto tempo que nem paramos para questioná-la. É algo normal. Neste filme vemos quatro pessoas trancafiadas dentro de um apartamento, tentando resolver um problema que na realidade não existe, sem conseguir se desvencilhar de seus próprios preconceitos. Penelope (Jodie Foster) se preocupa com os problemas da África, mas compra um buquê de flores caríssimo para impressionar seus visitantes. Seu marido Michael (John C. Reilly) tenta posar de bom, mas não se importa em matar o hamster de estimação da filha. Alan (Christoph Waltz) tenta resolver o problema das crianças, ao mesmo tempo em que parece se importar mais com o seu emprego do que com sua família. E Nancy (Kate Winslet) aparenta ser o modelo ideal de esposa e mãe, mas se nega a aceitar os defeitos do filho e de seu próprio casamento falido.

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Apesar da ótima direção e excelente roteiro, o ponto alto do filme fica nas mãos dos quatro atores, cujos papéis parecem ter sido feitos sob medida para eles. Suas atuações marcantes e viscerais deixam o espectador irrequieto, se identificando com aqueles personagens sem querer que isso aconteça. É muito mais fácil negar nossos próprios defeitos do que abraçá-los. É muito mais fácil jogar na cara dos outros os defeitos deles do que admitir que nós também somos humanos falhos. Deus da Carnificina é a história de quatro pessoas incapazes de agirem como verdadeiros adultos e tão mergulhados em suas mentiras e contradições que nem ao menos entendem qual é o verdadeiro problema.

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Carnage (2011)
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski, Yasmina Reza
Elenco: Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly

domingo, 13 de maio de 2012

O Corvo

(uma crítica-poema de Paloma Rodrigues e Edgar Allan Poe)

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Numa noite agreste, quando eu assistia, lenta e triste,

Vago, ridículo filme com falas bestiais

E já quase enlouquecia, ouvi o que parecia

O som de alguém que gritava suas falas por demais.

"Um mau ator", eu me disse, "está gritando falas banais

É só isto, e nada mais."

 

Ah, que quase me caio! Era no frio de maio,

E o cinema, morrendo negro, urdia sombras desiguais.

Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada

P'ra esquecer (em vão!) a mancada, hoje destes roteiristas boçais-

Este filme com roteiristas boçais,

E com talento, aqui jamais!

 

Como, a tremer de frio e revolta, com o ar condicionado gelando a toda volta

Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!

Mas, a mim mesma infundia força, eu ia repetindo,

"É um filme ruim, falando de um bom escritor e um bando de policiais;

Um filme ruim com problemas orçamentais.

É só isto, e nada mais".

 

E, mais forte num instante, com resguardo e hesitante,

"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;

Mas eu ia me contorcendo, enquanto este filme foi acontecendo,

Tão terrivelmente horrendo, destruindo minhas memórias colegiais,

Que mal sobrevivi..." E mais um ator gritou suas falas artificiais.

Filme ruim e nada mais.

 

A treva enorme fitando, fiquei perdida receando,

Triste com tais pensamentos pensando que ninguém saberá quem foi Poe, jamais.

Mas a película era infinita, a direção profunda e maldita,

E as falas eram ditas em gritos ou surros artificiais.

Eu o disse, o nome dele, e o eco disse aos meus ais.

Cadê o Nicolas Cage e ninguém mais?

 

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,

Não tardou que culpasse o diretor mais e mais.

"Por certo", disse eu, "aquele bulha devia ter mais cautela.

Vamos ver o que mais ele transforma em movimentos intestinais.”

Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É um filme, e nada mais."

 

Abri a mente, e tentei entender a graça

De fazer de O Corvo um filme ofensivo aos bons livros ancestrais.

Não fiz nenhum julgamento, não pensei por nenhum momento,

Mas por favor, não me condene, pois mesmo assim odiei este filme por de mais.

Tive súbito ataque de raiva por ver tantos erros bestiais,

Neste filme horrível, horrível e nada mais.

 

E este autor estranho e talentoso, me fez sorrir com amargura

Pensando em quem vê este filme sem buscar as referências culturais.

“Ele passou a vida agoniado,” disse eu, “mas era nobre e ousado,

Ó querido Poe embriagado lá nas trevas infernais!

Dize-me como morreste lá nas trevas infernais!

E disse Poe, “esse filme nunca mais”.

 

Pasmei de ouvir o autor morto falar tão claro,

Inda que concordasse com palavras tais.

Mas sua opinião deve ser ouvida

Que o autor não teria concedido tantas besteiras teatrais

Autor ou homem teria odiado este filme e atuações infernais,

Este filme “Nunca mais”.

 

Mas o autor, em seu túmulo, nada mais dissera, indignado,

Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.

Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento

Perdida, num murmuro lento, "Sinto muito por estes erros descomunais

Todos - todos são culpados. A mim também culpais".

E disse ele, "Nunca mais".

 

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,

"Por certo", disse eu, "são estes blockbusters usuais,

Aprendeu- a fórmula de algum dono, que os clichês e o abandono

Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,

E Poe em desesp'rança de seu canto cheio de ais

Disse "Esse filme nunca mais".

 

Mas, fazendo inda a esta equipe burra rindo de minha amargura,

Sentei-me defronte da tela, olhando este plot chato e suas situações irreais

E, enterrada na cadeira, pensei de muita maneira

Que qu'ria esta história agoureira dos maus tempos ancestrais,

Esta história idiota e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Que não estreasse nunca mais.

 

Nisso o filme ia discorrendo, com aquele roteiro horrendo

A crítica que na minha alma cravava os olhos fatais,

Ia cismando, a cabeça reclinando

No cinema onde a luz punha vagas sobras desiguais,

Naquele cinema onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!

 

Ligaram-se as luzes densas, como numa privada imensa

Onde os filmes ruins aparecem, com suas piadas acidentais.

“Maldito!”, a mim disse, “pegou um ótimo autor, que ótimos livros concedeu-te

E mandou ao esquecimento; valeu-te. Toma-o, transforma-o, com teus ais,

O nome dele ficou manchado com todos estes teus ais!”

E Poe disse “Nunca mais”.

 

“Querido”, disse eu, “querido Poe, este filme do demônio com nome de ave preta!

Foi o diabo ou tempestade quem comprou os direitos autorais,

A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,

A este cinema de ânsia e medo, dize a esta crítica a quem atrais

Não há uma crítica neste país a quem tanto atrais!”

E disse Poe,“Este filme nunca mais”.

 

“Querido”, disse eu, “querido Poe, este filme do demônio com nome de ave preta!

Por Deus, bens sabe que somos fracos e meros mortais.

Dize que a bebida destruiu sua vida

Verá esta noite que este filme a mim também trará consequências colossais

Este filme cujo diretor não sabe dirigir seus atores e tudo mais”

E disse Poe, “Nunca mais”.

 

“Com estes gritos sem arte e o talento de um quiabo”, eu disse. “Parte!

Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!

Não deixes ninguém ouvir a bobagem que disseste!

James McTeigue, não me moleste! E deixe Poe em paz”

E Poe disse “Nunca mais”.

 

E Poe, na cova infinda, está ainda, está ainda

A pensar nessas bobageiras infernais

Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,

E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!

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The Raven (2012)
Direção: James McTeigue
Roteiro: Ben Livingston, Hannah Shakespeare
Elenco: John Cusack, Alice Eve, Luke Evans, Brendan Gleeson, Kevin McNally

terça-feira, 17 de abril de 2012

Espelho, Espelho Meu

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Era uma vez uma menina franzina e baixinha, que amava desenhos da Disney. Seu amor por estes desenhos era tão grande, que ela conseguia assistir diversas vezes o mesmo título sem nunca enjoar ou reclamar. Um dia, vindo de uma época e um lugar distante, o filme Branca de Neve e os Sete Anões chegou até a menina. Empolgada com aquele clássico que nunca tinha assistido, a garota sentou-se em frente à televisão e ligou o VHS. Mas para sua surpresa, o filme não era o que ela esperava.

- Onde foi parar a personalidade da Branca de Neve?, indagou a menina em desespero – Por que é que o príncipe não tem falas? Como ela poderia se apaixonar apenas com um beijo de um completo estranho no meio do mato?

Indignada com tamanho absurdo, a menina seguiu em frente e, sem nunca perder seu amor pelos filmes de princesa, cresceu e se tornou uma linda crítica de cinema. Foi então que dois filmes chegaram até ela, ambos adaptações de Branca de Neve. A Crítica sabia que aquilo nada mais era do que um golpe comercial, uma tentativa de ganhar dinheiro à custa de adolescentes fãs de um livro chamado Crepúsculo. Pois esse livro havia gerado uma série de filmes bastante lucrativos, e atraído milhões de adolescentes e mães para as salas de cinema. Estando em poder da visão cinéfila, a garota sabia que filmes como esse tinham seu valor, mas que este valor em nada tinha a ver com qualidade.

A situação ficava cada vez pior à medida que a data de estreia se aproximava, e quando ficou sabendo que Kristen Stewart (sim, a garota de Crepúsculo) interpretaria a personagem principal de Branca de Neve e o Caçador, a crítica disse:

- Crítica, crítica minha. Existe alguém pior do que esta atriz murrinha?

Mas o mundo ainda tinha salvação, pois a segunda adaptação, chamada Espelho, Espelho Meu, poderia ser boa. Não que Tarsem Singh (que havia dirigido a bomba A Cela) na direção fosse um bom sinal, mas Julia Roberts como a Rainha Má e Lily Collins como Branca de Neve eram boas promessas.

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Então a brava Crítica partiu em sua missão, com sua irmã ao seu lado e sua sobrinha no colo. As três damas chegam ao cinema e presenciam uma bela cena introdutória, em animação e seguindo a narrativa do conto original, criado pelos Irmãos Grimm. A história era diferente da que a crítica conhecia. Muito mais ação e muito mais piadas. A Rainha Má fazia suas maldades, mas era engraçada e simpática ao mesmo tempo. Branca de Neve se transformara em uma jovem carismática e cheia de graça, que não dedica a sua vida a limpar a casa dos anões e a arranjar um marido. Não, ali ela queria ajudar o povo de seu pai e derrotar a Rainha. Os Anões não podiam trabalhar, pois haviam sido expulsos da cidade por serem diferentes. Ao unir-se com os Anões, Branca sente na pele o poder do preconceito e da pobreza. E o Príncipe não só fala, como age e é essencial para a história do filme.

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A história, muito mais elaborada e com um roteiro bem conduzido (obra de Melisa Wallack e Jason Keller), traz elementos visuais atraentes, figurinos exuberantes e cenários coloridos, características dos filmes anteriores de Tarsem. Com a diferença de que agora o diretor deixou de lado o seu ego e fez um filme compreensível, agradável de ver e bastante engraçado. Um filme que pode agradar não apenas as crianças, mas também os adultos que levarem elas ao cinema.

Saindo da sala de exibição, a Crítica se sentiu feliz por ter perdido o preconceito e ido assistir Espelho, Espelho Meu. Agora era só esperar por Branca de Neve e o Caçador e torcer que o seu diretor, Rupert Sanders, consiga criar uma obra criativa e divertida como esta. Só assim, a Crítica poderia viver feliz para sempre (ou pelo menos até o próximo filme estrear).

E este é fim.

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Mirror Mirror (2012)
Direção: Tarsem Singh
Roteiro: Melisa Wallack, Jason Keller
Elenco: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Nathan Lane, Jordan Prentice, Mark Povinelli, Joe Gnoffo, Danny Woodburn, Sebastian Saraceno, Martin Klebba, Ronald Lee Clark, Robert Emms, Mare Winningham

terça-feira, 3 de abril de 2012

Top 20: Motivos pelos quais eu seria uma boa companion

Uma carta informal para o Doctor, onde quer que ele esteja.

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20) Se você disser “não saia daqui”, eu não sairei. As chances de me perder são gigantescas e não iria querer ficar presa em outro planeta ou em algum lugar/tempo onde as pessoas não tomam banho.

19) Amo Londres.

18) Eu não ficaria incomodando, pedindo para visitar meus familiares o tempo todo. Uma ligação quinzenal com o supertelefone já resolveria meus problemas. Isso nos daria mais tempo para lutar contra lagartos gigantes, estátuas macabras e Daleks.

17) Eu sei quem são os Daleks, você não vai ter que me explicar tudo desde o início. Mais tempo livre para ficar nas praias do planeta Barcelona.

]Ou no seu corpo.

16) Se você me der um livro e um bombom, não irei incomodar durante a viagem. Talvez eu enjoe, mas nada que um biscoitinho salgado e um Dramim não resolvam.

15) Eu fico bem de biquíni.

14) Sou engraçada e inteligente, mas não mais que você. Isso elevaria o seu bom humor e sua autoestima, além, é claro, de ser ótimo durante viagens longas.

enhanced-buzz-27564-1333393623-0Essa sou eu, no inverno.

13) Sei fazer cookies.

12) Não tenho um namorado, por tanto eu seria apenas sua. Isso evitaria retornos desnecessários a Terra e episódios chatos sobre como meu namorado é um idiota que sente ciúmes de você.

11) Posso não ser loira, mas pelo menos não sou sua filha. Posso não ser ruiva, mas pelo menos não fico te xingando. Posso não ser linda, mas pelo menos não vou virar uma cabeça gigante numa jarra. E não sou a Martha.

IMG_4893E eu alimento os patinhos.

10) Sei dançar a Macarena.

09) Adoro gravatas borboleta e cachecóis.

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08) Se um dia você precisar trabalhar como um professor humano em 1913, não deixarei nenhuma enfermeira lambisgóia chegar perto de você. Isso evitaria problemas futuros como: duas mulheres dentro da Tardis (ela pode ser grande, mas não o suficiente), milhares de calcinhas dentro do chuveiro, duas TPMs, ciúmes e gravidez. Sem falar em todo aquele cabelo que fica no ralo da pia.

07) Eu tenho uma roupa de Princesa Léia. Isso prova que sou capaz de aguentar uma viagem espacial. Ou que sou nerd o suficiente para ter uma roupa de Princesa Léia, o que por si só já prova que sou incrível.

06) Não planejo ficar trancada em outra dimensão ou largar a serie para tentar uma carreira promissora como atriz no limbo.

05) Eu compreendo perfeitamente que não serei a primeira mulher na sua vida – e nem a última. Isso não significa que irei te amar menos.

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04) Não me importo de ir num show da Billie Piper.

03) Yes... I’ll have a cuppa.

02) Não me importo com aparências, portanto você pode ter a cara que quiser. Seja a feição do William Hartnell ou do David Tennant, te amarei do mesmo modo. Mas se você se parecer com o Hartnell serei obrigada a fantasiar com o Tennant, porque você iria ser parecido com meu avô. E isso é terrível demais.

David Tennant (8)É, ajuda bem mais se você for assim…

E o motivo número um pelo qual eu seria uma boa companion:

01) Não tenho problemas com sexo interplanetário.

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Espero que você veja isso há tempo, antes que eu fique velha e feia.

Com amor
Loma

quinta-feira, 1 de março de 2012

O Artista

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Levei três semanas para conseguir começar esta crítica. E quatro dias para acabar de escrever. O principal motivo foi não conseguir expressar em palavras o que senti ao assistir a um filme tão belamente produzido como este. A entrega do Oscar acabou por me inspirar e aqui estou eu. O Artista foi o grande ganhador da noite, levando cinco Oscars, incluindo o principal: Filme, Diretor, Ator, Trilha Sonora Original e Figurino. Ao ver o filme de Michel Hazanavicius ser reconhecido pela Academia, me senti em outra época, uma época onde cinema era muito mais do que simples efeitos especiais e ação descontrolada.

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O filme acompanha o surgimento dos filmes falados e a consequente queda dos atores e atrizes que não conseguiram se enquadrar neste novo estilo. George Valentin (Jean Dujardin) é um astro do cinema mudo que não consegue encontrar sua voz e por isso acaba por ser atirado ao esquecimento. Peppy Miller (Bérénice Bejo), ao contrário, está apenas começando uma carreira bastante promissora e se torna uma grande estrela. Os dois se amam, apesar disso nunca ser proferido em cena, e Peppy segue George em seu declínio, sempre agindo como o anjo da guarda de seu amigo.

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O filme capta a emoção, inocência e beleza dos filmes clássicos e traz para o século dos efeitos especiais, perseguições, tiros e 3D, a verdadeira magia do cinema. O Artista foi gravado em preto e branco, com enquadramento clássico (1.33:1) e mudo. Traz no papel principal um ator francês bastante talentoso, cheio de expressões faciais e corporais, além de um sorriso que lembra muito Gene Kelly. Michel Hazanavicius não se prende apenas aos filmes mudos, também viaja por toda a história do cinema em pequenos detalhes, como a participação de Malcolm McDowell, astro de Laranja Mecânica, e referências a Um Corpo Que Cai, de Alfred Hitchcock.

Cada cena é um tributo, cada momento uma carta de amor e cada movimento uma viagem emocionante de volta ao passado.

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The Artist (2011)
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Malcolm McDowell

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